Coraline e o mundo secreto

A criança e seus mundos imaginários são temas da sessão debate do Cine Grão de setembro

Como é que, algumas vezes, ao sermos afastados de algumas coisas ficamos ainda mais próximos delas? (Coraline)

Quais de nós, pais e mães, não sofremos quando não conseguimos dar a atenção de que as nossas crianças precisam para crescerem mais fortes emocionalmente? Que tal conversarmos sobre mundos imaginários que muitas crianças criam paralelos ao mundo real diante de um suposto distanciamento dos seus cuidadores? Por que isso acontece? Quais papéis e interpretações têm os sonhos nesse desejo inconsciente do mundo ideal? Estratégia de defesa? Como lidarmos com essas facetas do desenvolvimento das nossas crianças, principalmente, na fase de transição da infância para a adolescência? Estas e outras questões serão discutidas na sessão de setembro do Projeto Cine Grão, da Clínica de Psicologia Espaço Grão, por meio do filme Coraline e o Mundo Secreto (2009), do diretor Henry Selick.

No filme, Coraline muda-se com os pais para outra cidade, passando a viver em uma casa antiga, com vizinhos excêntricos, duas atrizes aposentadas e um senhor que treina ratos. Eles sempre despertam e encorajam a curiosidade e o instinto de exploração da menina. Na casa de 150 anos, Coraline experienciará uma "viagem" a um mundo imaginário paralelo, por meio de uma passagem secreta que ela encontrou na sala de visitas. A menina, então, começa a lidar com a dicotomia entre dois mundos: de um lado, pais aparentemente desatenciosos, de outro, a família que ela sempre quis. Nesse mundo encantador e estranho, vivem todas as pessoas do mundo real, mas agindo da forma que Coraline sempre idealizou e com uma característica física meio sinistra: eles têm olhos de botão.

O roteiro fantástico é baseado no livro homônimo do britânico Neil Gaiman, lançado em 2002. Foi dos primeiros livros infantojuvenis do autor. A personagem é carismática, corajosa, determinada, orgulhosa, que tenta constantemente ter a atenção dos pais, mas nega que precise deles. Muitos críticos o consideram meio macabro, por causa de vários conteúdos simbólicos que sugerem o terror. Independente disso, eu gostei muito e acredito que há no filme grande riqueza a ser explorada pela psicologia e pela psicanálise que pode nos ajudar no trato diário com nossos meninos e meninas.

Para a psicanalista e uma das coordenadoras do Cine Grão Fabiana Azeredo, o processo de escolha dos filmes passa pela escuta dos pais, no dia a dia clínico, a partir dos temas que regem as angústias mais atuais das famílias. Fabiana defende que mesmo as temáticas mais pesadas de serem trabalhadas podem ser apaziguadas quando mediadas pela dinamicidade do cinema. "Com o filme, fica tudo muito mais leve. Os pais conseguem entender melhor algumas reinterpretações a partir da história dos personagens. Conseguimos discutir e ouvi-los melhor", justifica a psicanalista. Já passaram pelo Cine Grão os filmes O Pequeno Nicolau, Mary & Max e Territórios do Brincar - Diálogos com Escolas.

Outro ponto positivo que Fabiana ressalta no projeto é a compreensão mais esclarecida pelos pais do papel dos profissionais de análise. "É uma maneira de os profissionais também se apresentarem, apresentarem suas abordagens de trabalho e qual o lugar de sustentação deles no trabalho que realizam com as crianças, com os adolescentes. Os pais entendem melhor o lugar deles na análise e o lugar da criança. Porque há uma angústia dos pais para saber como os atendimentos acontecem. Existe um sigilo entre o psicanalista e a criança. O Cine Grão vem também fortalecer a confiança dos pais nos profissionais e a maior integração, oferecer maior suporte aos pais, princpalmente, aos que estão presos à questão de não querer fazer a terapia", explica a psicanalista.

Já falei neste blog sobre o Projeto e do quanto sou apaixonada por ele. Além de oportunizar diálogos entre pais e profissionais fora do ambiente clínico, ainda conta com uma coordenação humana, acolhedora, que sempre oferece muito afeto, bom humor, pipoca, guaraná e um ambiente aconchegante para estar. Neste mês, ele está ainda mais especial para mim porque participarei como debatedora do tema. Uma grande honra!

A cada mês, um filme é exposto no salão do Espaço Grão, seguido de debates com profissionais. Todas as sessões são gratuitas e abertas ao público. O Vida Ciranda acompanha o projeto e sempre vai informar sobre a próxima sessão. Fique ligado!

Projeto Cine Grão
Coordenação

Fabiana Azeredo - Mestre em Psicologia, Psicanalista, Escritora e Artista Visual
Contatos: 98699 6882 / fabianazeredo@hotmail.com
Samara Teixeira - Mestre em Educação, Psicomotricista, Psicanalista.
Contatos: 98692 3862 / samarateixeira@gmail.com

Sessão Coraline e o mundo secreto
Dia 20 de setembro, a partir das 19 horas.
Debatedoras: Fabiana Azeredo e Sara Rebeca Aguiar
Local: Clínica de Psicologia Espaço Grão
Rua Silvia Paulet, 3087, Dionísio Torres.
Sessão gratuita e aberta ao público.
Mais informações: 3227 6868

Assista ao trailer do filme:

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