Alice

Alice no País das Maravilhas, exposição Experiência Alice e o que eu tenho a ver com isso

Divulgação/Iguatemi

“Somos capazes de acreditar no inacreditável e tornar possível o impossível, confiando em nossos sonhos e despertando para uma nova realidade?”. A provocação vem da curadora Adriana Peliano, estudiosa da obra Alice no País das Maravilhas e responsável pela exposição frontal e conceito do projeto cultural Experiência Alice, em cartaz a partir das 11 horas de amanhã, 15, no Shopping Iguatemi. O projeto é assinado pela ONG Orientavida e busca a transformação dos visitantes, pela interação, ludicidade e fantasia, quando os convida a fazerem parte da obra com mais de 150 anos, de Lewis Carroll.

É possível passar de espectador a personagem em uma estrutura de 600 m², com 12 salas temáticas, cheias de luzes, cores e efeitos, que retratam muitos dos mundos maravilhosos de Alice, mediados pela união do tradicional e da tecnologia. Transformar-se em Alice, pelo Experiência Alice, como se transforma a vida de milhares de mulheres, pela ONG Orientavida, quase como em um passe de mágica, um sonho real.

Logo na entrada, o deleite fica por conta da exposição de várias edições da obra mundo a fora, limitada por paredes cuja textura é um mosaico de páginas dessas várias edições. Entre versões escritas e ilustrações, Adriana traça uma viagem norteada pelas sete chaves que abrem as portas dos universos extraordinários de Alice. Deparamo-nos com o enigmático, com as transformações amiúde da menina, com as maluquices de ser e viver sem fórmulas, sem normas, como insiste o Gato de Cheshire e seu sorriso misterioso.

O surrealismo permeia esse primeiro momento (e toda a exposição!) quando faz referências à superação de fronteiras entre a vida e o sonho, diante de tantas metarmorfoses por que passa Alice. Uma quinta chave é aberta pela compreensão da simbologia do tempo, que, segundo a curadora, faz na obra uma ponte entre a literatura e a física contemporânea. É possível, defende Adriana, sermos amigos do tempo para recriarmos realidades. O nonsense, claro, está presente pelo jogo do que faz e do que não faz sentido, como o julgamento sem pé nem cabeça a que Alice é submetida pela Rainha de Copas. Por fim, a curiosidade, aaaaaaaah, a curiosidade que levou Alice a viver, de fato, uma experiência transformadora.

O barco símbolo dessa viagem já está nesse momento inicial, o que mais chama a atenção da criançada, na entrada. É hora de embarcar! “É tarde, é tarde, tão tarde até que arde!” Ops! Eu vi um coelho passando? Senhor coelho, espera aí que vou entrar nessa toca também! Sim, é possível! Inclusive, sentir-se caindo buraco a dentro. De repente, a toca abre-se em portas e espelhos. De repente, alguém convida para girarmos, girarmos, girarmos a fim de deixar a roupa sequinha depois de um mar de lágrimas que Alice, ou melhor, nós enfrentamos. Nesta sala, o princípio de construção dos desenhos animados pode ser testado pelas crianças, em equipamentos facilmente manipuláveis por elas, da altura delas.

Os gêmeos Tweedledum e Tweedledee sim, também estão lá, para nos endoidar a cabeça, assim como fazem com a verdadeira Alice. E olhem, há um jardim lindo nessa jornada. Ué, as flores falam? “Alice, o que é uma Alice? Deve ser uma flor silvestre! Se ficar aqui, poderá crescer e nos abafar. Fora daqui! ”. Como se poderia imaginar que as flores fossem tão indelicadas?

O enigmático sorriso do Gato está em uma sala dedicada a ele, cheia mistérios e adivinhações. Opa! Cuidado! Não percamos a hora do chá com o chapeleiro louco, nem tampouco, a hora do julgamento, do meu julgamento (?), pela rainha de Copas! “Cortem-lhe a cabeça! Cortem-lhe a cabeça!”....

Ufa! É de tirar o fôlego! O projeto Experiência Alice não é uma exposição interativa apenas para crianças ou para apaixonados (como eu!) pela história, mas para todas as pessoas, de todas as idades. Sentir as interações e as magias que exalam de cada sala é possível, mesmo que você não conheça nada da história.

A ONG Orientavida, responsável pelo projeto, existe desde 1999, no interior de São Paulo, e vem transformando a vida de milhares de mulheres por meio da geração de renda, capacitando-as nas técnicas da costura, do corte e do bordado, inclusive em presídios femininos. É a única ONG licenciada pela Disney no Brasil. Em 2010, a Disney Brasil conquistou um prêmio internacional com a criação de uma coleção de produtos Alice no País das Maravilhas, a partir da ONG Orientavida. Com a conquista, surgiu o sonho de montar uma exposição de Alice no País das Maravilhas para, além de levar magia e diversão para milhares de famílias, também promover cultura e entretenimento para as famílias que já foram impactadas pelo trabalho da ONG, segundo o site da instituição.

"Ai, quem me dera um dia achar o meu país..."

Alice e eu

Tenho paixão particular por Alice no País das Maravilhas. Ele traduz minha paixão pela leitura e pela infância, e, segundo meu pai, até meu jeito de ser por estar sempre buscando caminhos de transformação e não se contentar com rotinas e situações mornas, por ter, muitas vezes, a cabeça nas nuvens e acreditar no impossível.

Pelas minhas lembranças, a história de Alice foi o primeiro conto de fadas com que eu tive contato. Acho que não tinha 5 anos quando meu pai comprou um vinil com duas histórias para mim e meu irmão: além de Alice, o Gato de Botas. Ouvi RE-PE-TI-DAS vezes!!! Fiquei encantada com Alice, desde o primeiro momento. Ninguém me tirava de perto da radiola, enquanto Alice e eu nos encontrávamos tão perdidas naquele mundo maravilhoso. Me vejo grandona já ouvindo aquele musical no disco. Sei de cor, de ponta a ponta, todas as falas.

Quando Gabriel chegou, eu não sabia nenhuma música de ninar direito. Só pedaços soltos de inúmeras canções. Ah, mas eu sabia todas as músicas da história de Alice, desde a abertura até o fechamento. Cada uma!!! Pois foi a trilha de Alice que me ajudou a acalentar os primeiros meses do meu primeiro bebê e se fez trilha sonora da minha transformação em mãe. Uma das boas surpresas da minha visita à exposição, hoje, foi me deparar com as mesmas músicas, a da versão original do cinema da Disney. Só por isso, a minha Experiência Alice já valeu.

SERVIÇO:
Data: de 15/09 a 15/10
Horários: segunda a domingo, das 11h às 21h
Local: Shopping Iguatemi – 1º piso
Classificação: Livre
Capacidade: 110 pessoas a cada 30 minutos
Bilheteria: R$ 25,00 (valor inteiro), www.ingressorapido.com.br
Informações: (85) 3477.3560

Parte da arrecadação será destinada aos projetos sociais da ONG Orientavida.

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