Infância estrangeira

 

Fabiana Azeredo de Oliveira
É autora do livro Miracema do Ceará.
Mestre em Psicologia, Psicanalista, Arte terapeuta e Artista Visual.
Escreve mensalmente para o Vida Ciranda.

 

O que chamaria de infância estrangeira?

Chamo de infância estrangeira aquela infância que se apresenta através de um estranhamento do universo em seu entorno. O estrangeiro, também chamado de forasteiro nos filmes de faroeste, é visto como um intruso, alguém que fala outra língua, tem modos e costumes diferentes, porta-se, veste-se, arruma-se de modo diferente dos que ali habitam. E provocam estranhamento.

Ainda nos filmes de faroeste, as pessoas fecham portas e janelas quando um estrangeiro aponta do nada na entrada das grandes porteiras da cidade. As cenas, curiosamente, são marcadas, em geral, por nevoeiros e fumaças que escondem a identidade de quem chega ali.

Para desenrolar nossa conversa estrangeira, irei fazer aqui um link com o livro infanto juvenil que escrevi em 2015 que se chama Miracema do Ceará. Quando a  história foi escrita, diria que não escrevi em essência sobre considerar Miracema uma criança estrangeira em seu próprio ambiente, lá na cidade sertaneja de Oliveiras, distrito do município de Tamboril no Ceará. Mas, já pensava, quando a escrevi, na solidão, a que algumas crianças como Miracema, que “funcionam“ um pouco diferente da maioria das crianças, estão sujeitas, na atualidade, por serem vistas estrangeiras em certos ambientes.

Essa triste realidade, assemelha-se, ao meu ver, aos estados de solidão na velhice, em que os miasmas dos mais velhos criam abismos entre idosos e jovens. Os abismos reiteram a veracidade dos estados de SOLIDÃO.

Pois bem. Em alguns segmentos da infância, esses abismos também existem, e degringolam na temida Solidão. Solidão é, antes de tudo, um estado de isolamento, de sentir-se desacompanhado. Um sentimento de estar em local ermo, desértico. É assim que algumas crianças com necessidade de maior acompanhamento, seja cognitivo, seja psíquico, seja a mistura de tudo isso, enfrentam na família, nos espaços públicos, nas escolas.

O primeiro local de socialização de uma criança é, indiscutivelmente, a escola. Não é na pracinha que ela se sente socializada, nem em casa junto com os seus, mas no processo contínuo de convivência e construção que a escola pode lhe proporcionar. A criança que necessita de maiores atenções, seja por qualquer motivo em especial, está sim sujeita a não ser aceita em alguns espaços. E tudo que se quer do mundo é aceitação, não é mesmo!?

Tudo que se deseja do mundo é acolhimento, consolo nas horas tenebrosas, ombro amigo e atenção. Na história de Miracema, seu consolo é o amigo Quinho, o vendedor de ‘chegadin’, que, como ela, também tem um sofrimento de abandono, quando:

“…a mãe fugiu lá para as bandas de Fortaleza, não se sabe se casou, embuchou, ou esqueceu de voltar, só se sabe que deixou Quinho e seu pai que não falam sobre ela, e se alguém pergunta, eles dão um nó no perguntar.“ (página 15)

É nesse encontro de abandono e solidão, que Miracema e Quinho se unem. É no não falar sobre ditos que ainda não podem ser verbalizados, ou expressados em palavras, que Quinho e Miracema unem suas demandas tristes. Porque Miracema, apesar de ter nove anos, não fala como as outras crianças. Quinho fala, mas se cala diante de algo que ainda não pode ser dito. É deste modo que se unem, não falando.

Mais ainda: é no toque do triângulo triangulando que Quinho se enlaça a Miracema. Ele busca uma estratégia para chegar a Miracema, e é bem sucedido. Apesar de Miracema desviar o olhar e, deste modo singular, e, para alguns, paradoxo, é que Miracema busca mais ainda a presença de Quinho. Miracema busca a corporeidade de seu amigo.

É uma cena comovente de encontro de pares. É tudo que se deseja na vida: um encontro de pares. Quem nunca sentiu isso? Um lindo encontro amoroso, amigo, esclarecedor do seu próprio ser? Quem sabe Miracema poetize como Fernando Pessoa no Livro do Desassossego (que já é palavra linda de se ler):

“A solidão desola-me, a companhia oprime-me. A presença de outra pessoa descaminha-me os pensamentos; sonho a sua presença como uma distracção especial, que toda a minha atenção analítica não consegue definir“.

É na contramão do encontro com Quinho, no desencontro dos olhares, que Miracema encontra o outro e pode Ser através dele. É, diria, que é a oportunidade de uma sercência (palavra inventada) que Miracema encontra ali, no Quinho, no som do seu triângulo, em tudo junto.

Os encontros entre as crianças são mais ricos do que podemos imaginar. Quem nunca viu o olhar de uma criança brilhar quando encontra uma outra criança em um ambiente cheio de adultos? Ou uma cabecinha virando de um lado para outro porque ouviu uma voz de criança ecoando por ali? Os encontros na infância são de uma riqueza imensurável. A solidão na infância é de uma dor imensurável.

Na estória contada, Miracema não consegue acompanhar Ceiça e Cátia de Mariquinha. Ela até ensaia um correr junto, um falar junto, mas não consegue dar conta do ritmo desenfreado das meninas. Porque o ritmo de Miracema tem mais freio, mais receios, talvez, provoca descaminhos nos seus pensamentos, como na poesia de Fernando Pessoa. Mas o sonho, ainda na poesia, “é sua presença como uma distracção especial“.

Para crianças estrangeiras como Miracema ingressarem em algumas escolas, necessitam serem “laudadas“. Isso mesmo! Deverão estar munidas de um passaporte para passarem pela fiscalização especial. Aqui, chamo o laudo de passaporte. Na maioria dos casos, a família busca um neuropediatra que irá definir um diagnóstico, transcrevê-lo numa folha de papel timbrado, carimbado, assinado e daí se consegue o visto para ingressar no ambiente tão sonhado, a escola! Eita, que é uma via sacra!

É deste modo que crianças como Miracema ganham estatuto em seu ambiente de sonho social. Pesado, não é? Não é fácil a infância desses pequenos estrangeiros em terra de quem pensa que ter olhos é rei. Ainda assim, algumas muitas não deixam de ser estrangeiras, mesmo conseguindo o visto, o passaporte, o laudo, o ingresso na escola.

Miracema não teve muita sorte na escola lá das Oliveiras. Sua professora é figura chata e desiste fácil dela. Mas Miracema resiste, como tantas crianças têm resistido à dureza da vida, da solidão, da incapacidade que alguns adultos têm de compreender a infância como um lugar de singularidades. Miracema resiste ao estrangeirismo, ao laudo, ao passaporte vencido, aos miasmas que a afastam das outras crianças.

Não creio que as crianças se afastem de meninas ou meninos como Miracema, que falam um não falar, escrevinham o que querem dizer, e rascunham suas vidas com garatujas que parecem incompreensiveis para alguns, mas que fariam Juan Miró chorar de emoção. Não creio que crianças sejam cruéis a ponto de desprezar crianças como Miracema. Creio que existem adultos legais que transmitem às suas crianças a beleza das diferenças, a beleza de ser singular e estar no mundo. E que o estrangeirismo seja palavra mesmo incompreensível na prática, como alguma coisa desértica, sem lugar e sem tempo.

Contatos:
fabianazeredo@hotmail.com
Espaço Grão, Rua. Silva Paulet, 3087
(85) 98699 6882 / 3227 6868

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Para saber mais sobre a obra

Miracema do Ceará
Autora: Fabiana Azeredo de Oliveira
Editora: Premius, 2016.
Você encontra na Livraria Cultura

 

 

Sorteio

O Vida Ciranda está sorteando a obra Miracema do Ceará, autografada pela autora, nesta semana (21/8 até 27/8). Acesse nosso Instagram @vidaciranda para concorrer a este livro lindo demais!

Fazer tudo, Fazer nada!

 

Fabiana Azeredo de Oliveira
É autora do livro Miracema do Ceará.
Mestre em Psicologia, Psicanalista, Arte terapeuta e Artista Visual.

Escreve mensalmente para o Vida Ciranda.

 

Quem nunca disse:
Férias!!! Uhuuuu! Tempo de fazer nada, jogar as pernas para o ar, ficar na janela de bobeira, montar imagens nas nuvens, ouvir o marulho do mar, enterrar os pés na areia quentinha, fazer tudo e fazer nada! Quem nunca?

Vamos então organizar umas idéias sobre esse Fazer tudo, Fazer nada! Temos a sensação, na nossa cega adultice, que a correria do dia a dia dá uma camuflada nas angústias e nas coisinhas chatas da vida, concorda? Parece-nos que o fazer tudo cura tudo e deixamos o fazer nada de lado, não damos importância a ele. Porque ele parece inoperante. A palavra NADA incomoda. Associamos o nada ao VAZIO.

A bela poesia musicada por Chico Buarque “Copo vazio“ releva que um copo vazio está cheio de ar e traduz bem o conteúdo do vazio. Na poesia, o vazio passa a ter conteúdo, passa a ser cheio e tudo muda. E quando Manoel de Barros também submete o vazio a ser pensado como conteúdo, ele diz:

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.

O vazio parece mesmo ter conteúdo. Porque no vazio, cabem coisas e coisas. Os poetas sempre sabem muito, então, seguindo esse rastro de saber, associemos a semelhança do vazio como o nada. Já ouvimos a expressão “fulano tá boiando…“ quando um fulano parece estar ausente em uma conversa, disperso, flutuando. Mas talvez o fulano esteja bem atento a si mesmo!

Os encontros com nós mesmos, quase sempre, acontecem quando nos descuidamos e parece, mas só parece, que estamos ausentes. E é aí que surge a famosa “criatividade“, essa rica via de escape que utilizamos para nos fazer presentes.

A sensação de ausência, de vazio, de nada, nos faz criar. A arte emerge de um estar vazio e muitos, muitos instantes de um fazer nada, para só depois fazer. Pergunte a um artista sobre uma obra que ele fez. Pergunte o que ele estava pensando naquele momento. Se ele for muito sincero, certamente vai dizer: “sei lá o que eu pensava…Pensava em nada!” E quanta decepção para quem escuta isso.

Todo esse blá-blá-blá para dizer que uma criança quando não tem nada para fazer, não se engane, ainda assim ela está fazendo! Pois a criatividade também emerge desse nada, de instantes do nada. É quando advém a necessidade de criar, de que algo tome conta e se faça.

A palavra agora é CRIATIVIDADE. Sim, ela surge de instantes contemplativos de nós com nós mesmos! E como conseguimos isto? Parando… leia este “parando”  bem devagar…  p a r a n d o… em ritmo desacelerado e aproveite a belezura de criar um outro ritmo. O ritmo de fazer nada.

Esse desdobramento é feito pelas crianças na maior moleza. Com o tempo elas perdem esta capacidade, infelizmente. A adultice nos faz perder muitas coisas. Até perder a capacidade de fazer nada! Incrível, né?
Para a psicanálise, é a partir da Falta que a pessoa é impulsionada a promover movimentos internos, mais especificamente: Desejos! É a Falta que alimenta os processos de criação. O artista, o poeta criam a partir de suas Faltas.

A criação advém de instantes vazios, porque esses vazios estão cheios para extravasar. A infância hoje está assoberbada de atividades, como é a vida adulta. Como é a estressante rotina da vida adulta. É sabido, desde tempos remotos, que a infância diferencia-se em muito da vida adulta e, infelizmente, ainda se insiste em colocar o lugar da criança dentro de um contexto adultizado, cheio de responsabilidades e de tarefas puramente didáticas.

A criação é seara livre. Cria-se a partir da liberdade de criar. Cria-se no brincar. O brincar também é livre. A infância é feita de matéria essencialmente livre. Vimos nesses tempos sombrios, escolas preparando crianças para concursos massificantes, através de uma demanda exaustiva e desumana. Algumas escolas preparam material de férias para estudo. Como assim? Férias com atividades escolares?

Na clínica psicanalítica tenho observado que a cada finalização de semestre, os pais estão deveras estressados com as intensas atividades escolares dos filhos e filhos mais estressados ainda. O sentimento fortemente negativo em relação à escola me leva a pensar que as crianças estão funcionando no ambiente escolar como o adulto que odeia o seu trabalho.

A criança na escola deveria estar aprendendo a amar o conhecimento e não a odiá-lo. A queixa que se repete nos pais é que na hora das tarefas, os filhos querem brincar. Porque crianças, podem crer, têm um saber pautado na sutileza de ser. Portanto, sabem mais do que imaginamos. Sabem que o brincar por si só, restaura a potência de criação e é onde se descobre o eu. Existem coisas que só se descortinam no brincar.

Como diz o psicanalista infantil Winnicott, no livro O brincar e a realidade, ” É no brincar, e, talvez, apenas no brincar, que a criança ou adulto fruem sua liberdade de criação. É através da percepção criativa, mais do que qualquer outra coisa, que o sujeito sente que a vida é digna de ser vivida”. O brincar ao qual Winnicott se refere aqui, é um brincar livre. É a aposta de liberdade no ato. Portanto, associado a um algo não direcionado, mas potentemente criador.

O fazer nada nas férias, relaxe… pode relevar esse fazer tudo e pode tudo criar! Deixe que sua criança escolha um momento de fazer nada e ainda assim ela estará fazendo algo, se isso te consola. O incômodo desse fazer nada é seu, e não dela. Deixe que sua criança possa criar. Deixe que ela silencie, ou ouça uma musica quietinha ou, girando de tonta, aparando o ar nas palmas das mãos. Deixe que ela fique de bobeira olhando pela janela, contando os carros que passam, ou não. Deixe que ela apenas sinta o gosto de fazer nada e assim ela estará pronta para não desistir de criar. E assim ela irá encher o copo vazio, de tudo que a faz feliz!

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Imagem para fazer post sobre a colônia de férias

Colônia de Férias Vida Ciranda traz culturas e relacionamentos como guias da programação

O Vida Ciranda realiza no mês de julho a Colônia de Férias Culturas e Relações. Serão 10 dias de vivências que buscam auxiliar o fortalecimento da formação das crianças pelo conhecimento e troca com culturas e relacionamentos que fazem parte da história delas, do seu povo, da sua origem, do cotidiano de todos nós. A proposta está pensada para as manhãs dos dias da semana compreendidos no período de 9 a 20 de julho. Confira abaixo o que estamos preparando para momentos inesquecíveis de amizade, diversão, alegria e muito compartilhamento de saberes. Todas as manhãs, nas atividades externas e internas, serão divididas com convidados especiais, escolhidos com muito cuidado e carinho pela equipe Vida Ciranda, a partir da atuação relevante que exercem, segundo a temática do dia. Ao longo das próximas duas semanas, os leitores do Vida Ciranda conhecerão os convidados que estarão conosco em todos os dias. A ordem das atividades mencionadas abaixo pode mudar.

 

9/7 – Acolhida, manhã de Braile. Contação de histórias, músicas, brincadeiras e oficina de interação com o sistema de leituras para cegos. Presença de adultos e crianças cegas ou de baixa visão.

10/7 – Manhã de Libras. Contação de histórias, músicas, brincadeiras e oficina de compreensão de alguns sinais da Língua brasileira de sinais (Libras), a segunda língua oficial do Brasil. Presença de adultos e crianças surdos.

11/7 – Manhã Africanidades. Vivência com a cultura africana, por contação de histórias, culinária, brincadeiras e oficinas.

12/7 – Passeio Cultural – Museu do Ceará + Piquenique Passeio Público. Com a presença do turismólogo e educador patrimonial Gerson Linhares e do bode Ioiô.

13/7 – Manhã Reciclagem – Contação de histórias, culinária com ingredientes de reaproveitamento, como a casca do abacaxi; oficina de coleta seletiva e de produção de brinquedos com material reciclado; presença de profissionais de uma cooperativa de catadores para conversa com as crianças e pintura de carroças.

16/7 – Manhã Indígena – A comunidade indígena Jenipapo-Kanindé, de Aquiraz organiza uma manhã inesquecível. Dez integrantes da tribo, seis crianças e quatro adultos, dentre eles o líder Eraldo (Preá) e a cacique Pequena, vêm compartilhar culinária, música, dança, contação de histórias, oficina de pintura corporal, apresentação do Toré, brincadeiras. Assista ao Vídeo de apresentação desta proposta, pelo nosso Canal no Youtube.

17/7 –  Manhã Circense – A Companhia Laguz Circo, dos palhaços Burbuja e Suspiro, estarão conosco. Haverá apresentação de espetáculo e oficinas circenses.

18/7 – Manhã Solidariedade – Vamos ao Iprede. Doação de leite e outros, arrecadados entre as famílias participantes da Colônia; brincadeiras, contação de histórias e lanche compartilhados com as crianças atendidas pela Instituição.

19/7 – Passeio Cultural Casa José de Alencar – vamos vivenciar toda a estrutura histórica, exposições, Museu do Brinquedo e fazer piquenique debaixo das árvores da Casa.

20/7 – Manhã dedicada ao encontro, à amizade, à despedida e à gratidão.

 

Por que Colônia de Férias Vida Ciranda?

O Vida Ciranda é um movimento que existe há quase 1 ano. Pensado inicialmente online, como uma plataforma de jornalismo especializado em educação e infância, tem, cada vez mais, conquistado ambientes e pessoas em encontros também offline, com a proposta de difundir práticas de formação cultural e cidadã entre famílias com crianças. Entendemos o conceito de cidadania infantil como apropriação necessária desde o bebê como embriãozinho. Ao nascer, entendemos que não há cidadania sem bons exemplos, vivências e interações reais com a cidade onde mora, com pessoas diferentes do seu círculo de convivência, com o contato experiencial com tradições e culturas que fazem parte da sua história. A Colônia de Férias Vida Ciranda busca mediar experiências inesquecíveis das crianças com mundos que formam caráter, fortalecem humanidade, constroem memórias afetivas, incitam sentimentos de pertença; mundos pelos quais elas também são responsáveis.

 

Por que na Escola Waldorf Micael? 

Reconhecemos na Escola Waldorf Micael uma referência em formação cidadã e humana na educação básica. Por estar alinhada à linha conceitual do Vida Ciranda, nós a buscamos também como espaço físico, por entender reflexo e complementariedade nos dois aspectos.

O Vida Ciranda não possui sede, já que todo o trabalho de difusão de informações é realizado pela plataforma online. Suas ações offline, porém, se guiam por parcerias e acordos independentes.

 

Posso visitar a escola e conhecer a proposta da Colônia pessoalmente, antes de realizar a matrícula?

Sim, claro. Até recomendamos. Inicialmente, nesta primeira semana, o Vida Ciranda estará disponível na Escola Waldorf Micael nos dias 28 e 29, de meio-dia as 15h30min, para visita das famílias.

O  endereço da escola é: Rua Paula Rodrigues, 421, Fátima.
Clique aqui para ver o mapa.

 

Quantas vagas?

Serão oferecidas 25 vagas para crianças de faixa etária de 3 a 10 anos.

 

É possível os pais participarem da Colônia, junto com os filhos? 

Sim!!! Muito possível. Não podemos abrir para todos os pais todos os dias. Porém, é possível termos até cinco pais diariamente conosco, 1 responsável por criança. Caso o interesse dos pais seja grande, faremos um revezamento diário entre os pais interessados. No link de preenchimento da ficha de matrícula, descrito abaixo, você pode optar pelas manhãs que lhe interessam estar com seus filhos, dentro do pacote de dias comprados.

 

Os pais devem levar os lanches?

Não. As crianças receberão um lanche completo às 9 horas oferecido pelo Vida Ciranda, todos os dias. Pautamo-nos pela alimentação saudável. Priorizamos frutas, saladas, sanduíches com pães integrais, tapioca, cuscuz, sucos naturais da fruta, bolos sem glúten e lactose etc. Os pais receberão o cardápio antecipadamente e poderão acompanhar a alimentação das crianças. É possível sugerir opções (naturais), caso a criança seja alérgica, possua intolerância à algum ingrediente do cardápio ou simplesmente não se alimente bem diante do menu apresentado.

 

Quem compõe a equipe da Colônia de Férias Vida Ciranda? 

A equipe Vida Ciranda Colônia de Férias conta com a educadora, jornalista e idealizadora da iniciativa Sara Rebeca Aguiar, com a educomunicadora Cássia Alves e com as pedagogas do grupo Pensativa Orientação Pedagógica Flaviana Oliveira e Josefa Gleice do Nascimento, professoras com formação e pós-graduação em educação, com vasta experiência de mercado nas escolas de educação infantil e na formação de professores.

 

Flaviana Olveira – pedagoga, pós graduada em neuroeducação e no ensino de língua portuguesa e literatura. Trabalha com educação infantil há 18 anos, em escolas públicas e particulares. Diretora executiva da empresa Pensativa Orientação Pedagógica. Conheça mais sobre a Flaviana, pela entrevista publicada no dia 28 de junho, no Canal Vida Ciranda.

Josefa Gleice do Nascimento – pedagoga, especialista em psicopedagoga.

 

Quanto é?

– Preço individual pelos 10 dias: R$ 500
– Preço individual por 5 dias (1 semana): R$ 270
– Preço individual pela diária: R$ 50
– Alunos da Escola Waldorf (sedes Água Fria e Fátima) têm desconto de 15% durante as duas semanas de matrículas.
– Durante a primeira semana de matrícula (de 25/6 a 1º/7), os pais (exceto da Escola Waldorf) que matricularem as crianças recebem um desconto de 10%. Durante a segunda semana de matrícula (2 a 8 de julho), o valor é sem descontos.
– Pais com mais de 1 filho, recebem desconto de 10% no valor da Colônia de cada filho adicional, durante as duas semanas de matrícula. Se matriculado durante a primeira semana, o valor promocional de 10% incide sobre o preço total.

 

Como efetuar a matrícula?

  1. Escolha o pacote que você quer dentro das opções de Colônia Completa, 1 semana ou Diárias.
  2. Será que há vagas ainda? Informe-se pelo email sara.rebeca.ac@gmail.com ou pelo Whatsapp (85) 98954 7374 e certifique-se do valor certinho para pagamento.
  3. Caso haja vagas para o pacote que você escolheu, pague a taxa por transferência ou depósito bancário (ver dados abaixo).
  4. Envie o comprovante de depósito ou transferência para os contatos sara.rebeca.ac@gmail.com ou Whatsapp (85) 98954 7374.
  5. Preencha a Ficha de Matricula online, pelo link: https://bit.ly/2yTZjmJ Se houver dúvidas, peça ajuda pelos contatos acima.
  6.  Pronto! Sua matrícula já está feita! No primeiro dia de participação do seu filho, na Colônia, pedimos entregar as cópias do documento de identificação com foto dos responsáveis e a certidão de nascimento da criança.

OBS: Não fazemos reserva de matrículas. 

 

Pagamento da taxa
1. O pagamento do pacote escolhido deve ser realizado por depósito ou transferência bancária na conta abaixo discriminada até o dia 8 de julho, domingo anterior ao início da colônia.

2. Logo após o depósito, favor encaminhar o comprovante com nome completo do responsável e nome completo e idade da criança participante para o celular número (85) 98954 7374 ou email: sara.rebeca.ac@gmail.com.

4. A ordem de ocupação das vagas será organizada mediante ordem de chegada ao Vida Ciranda do comprovante de depósito e nome completo da criança participante. Assim, é importante que você envie o comprovante e as informações solicitadas logo que o depósito for realizado. Opte por se informar se ainda há vagas, pelos contatos mencionados acima, antes de realizar o depósito.

5. A ausência da criança, durante os dias de Colônia, de acordo com o pacote comprado, não significará devolução do dinheiro, por levarmos em consideração que todos os serviços foram contratados e a quantidade de lanche providenciada para o número de inscritos até o dia 8 de julho.

6. Caso haja necessidade de cancelamento da participação da criança, com as taxas já pagas, o dinheiro só será devolvido se a comunicação chegar ao Vida Ciranda com 48 horas antes do dia do início da Colônia, 9 de julho (ou dos dias contratados) pelo mesmo motivo citado no item anterior.

Dados da conta
Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 1977
Operação: 013
Conta poupança: 4568-0
CPF: 622.527.043-49
Titular: Sara Rebeca Aguiar de Carvalho

OBS: Não serão aceitos inscrições e pagamentos realizados no mesmo dia de preferência dos pais pela Colônia, mesmo que a quantidade de vagas disponibilizada não tenha sido completada.

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Quem é Sara Rebeca Aguiar
Sara Rebeca Aguiar, jornalista e professora há quase quinze anos, com formação nas duas áreas. Trabalhou como repórter e coordenadora do Programa O POVO Educação, no Grupo O POVO, por dez anos. Também já atuou como professora e assessora pedagógica nos colégios Tony, Tiradentes, Dáulia Bringel, Ari de Sá Cavalcante e Sementinha. Como educomunicadora, pesquisa a relação tecnologia, infância e literatura infantojuvenil.

Contatos Vida Ciranda
Vida Ciranda – www.vidaciranda.com.br
Responsável: Sara Rebeca Aguiar
Contatos : (085) 98954 7374 / sara.rebeca.ac@gmail.com
Redes sociais:
Instagram: @vidaciranda / Facebook: Vida Ciranda / Twitter: @VidaCiranda

Livros que falam de futebol para as crianças

É tempo de futebol, mais do que noutros tempos! Confesso que, neste ano, me sinto um pouco menos motivada. Não pelo brilho do esporte em si e tudo de valores, alegria e confraternização que ele traz consigo, e eu acredito nisso! Porém, no país em que vivemos, me entristece vê-lo, infeliz e indevidamente, sendo objeto para transvestir alienação em felicidade, tranquilidade e plenitude, e conduzir muitos a conceitos errados de conquistas e vitórias de uma nação inteira.

Passamos por um dos períodos mais difíceis para a democracia e para o patriotismo brasileiro. Não há consenso sobre o respeito e se disseminam verdades que atrasam, fomentam preconceitos, minam a humanidade. Mas acredito na força do esporte para a  transformação de realidades sim. Muitos desses jogadores são exemplos de superação e de solidariedade. Eu acredito nos valores que eles espalham.

E alinhada ao conceito de que o mundo está aí para ser vivido, descoberto e compreendido também pelas crianças, de maneira questionadora, crítica, mas sem fanatismos, aqui em casa vamos sim fazer pipoca, suco de maracujá e curtir o futebol da nossa seleção, dentro da importância e da alegria que lhe cabem.

Para nós, a literatura é sempre um caminho que nos ajuda a compreender mundos. O futebol e os sonhos que o circurdam são desses mundos. Trouxe, hoje, títulos da nossa biblioteca  que podem ajudar  vocês também  na conversa sobre futebol e Copa do Mundo com as crianças. Minha frustração é de não ter encontrado muitos títulos em que coloquem as meninas também como protagonistas das histórias de amor ao futebol. Na relação abaixo, um deles fala da menina Marina. E é bacana acompanhar Marina numa grande conquista! Como me escreveu o autor de um dos livros que sugiro, Flávio Paiva, “futebol é alegria!”.

 

RODRIGO BOM DE BOLA

 

O futebol aqui costura uma narrativa de respeito e acolhimento. O que esperar de crianças respeitadas por seus limites e deficiências, crianças acreditadas? O que esperar de uma convivência em que há compreensão e esforço para tornar o dia a dia de todos adaptado e possível ao desfrute de experiências comuns? No livro, o menino Rodrigo é cego e joga um bolão! Aliás, ele não joga apenas futebol muito bem, mas xadrez, dominó, jogo de baralho.. tudo graças à criatividade da adaptação. Em um dia decisivo para o time do Rodrigo, ele mostra como e por que é o craque do time! Mais ainda: Como é possível acolhermos as deficiências uns dos outros e vivermos uma convivência pacífica e respeitosa, nesse caso, praticando esportes e brincando juntos.

O autor da história é completamente cego desde que nasceu, superou as dificuldades e formou-se em Letras. Começou a escrever contos, crônicas e também literatura para crianças. Há quase trinta anos se dedica aos movimentos de inclusão social.

Serviço:
Rodrigo Bom de Bola
Autor: Markiano Charan Filho
Ilustrações de Valeriano
Editora: Nova Alexandria
Coleção: Volta e Meia
2ª edição: São Paulo, 2007
Preço médio: R$ 32,40 (Saraiva)

 

O MENINO QUE AMAVA FUTEBOL 

O esporte e o futebol podem sim transformar vidas. Mas, antes disso, ele pode transformar rotinas, enchê-las de esperança, de alegria, de garra, de confiança em si. Quem joga, ali no campinho do bairro, na quadra da escola, ou, como o personagem do livro, no caminho de volta para casa, faz daqueles minutos o tempo de plenitude. Nosso personagem, de tão atento à “bola”, faz-se herói em seu trajeto, encoraja-se a vencer obstáculos perigosos, despreza riscos, como o transito, ignora até o encontro com o poeta Carlos Drumond de Andrade.

Como na vida, pelo amor ao esporte, ele vai construindo a arena com que sonha, se vê protagonista nela, e herói, apesar de todas as dificuldades de menino pobre que a imaginação da infância não limita. O livro não tem palavras, apenas imagens, o que o torna ainda mais encantador.

Serviço:
O menino que amava Futebol
Autor: Glauco Sobreira, com ilustrações do próprio autor
Editora: Edições Demócrito Rocha
1ª edição: Fortaleza, 2014
Preço médio: R$ 43,90 (Livraria Dummar)

 

CHUTEIRA DOURADA

A paixão pelo futebol que passa de pai para filho, que fortalece o vínculo de afeto e também ensina lições como a paciência.  No livro, Flávio traz o filho Arthur como personagem principal apaixonado pelo esporte do coração de quase todos os brasileiros. Arthur descobre um modelo de chuteira na internet e se apaixona por ele. As chuteiras são douradas e dá até para gravar o nome! Combina, então, com o pai de comprar, mas usar apenas no dia do seu aniversário, relativamente, próximo dali, mas, até lá…. nossa! Quantos dias infinitos, heim, Arthur!? Principalmente, se as chuteiras dos sonhos chegam antes e Arthur precisa conviver com elas, sem tirá-las da caixa, como combinado, aguardando o tão sonhado dia do aniversário. Será que ele consegue convencer o pai sobre usá-las antes do aniversário? Haja argumentos! Uma narrativa marcante, emocionante, educativa.

Serviço:
Chuteira Dourada
Autor: Flávio Paiva
Ilustrações: Julião Júnior
Editora: Armazém da Cultura
1ª edição: Fortaleza, 2014
Preço médio: R$ 23,39 (Mercado Livre)

 

MINHA ESTRELA VAI BRILHAR 

Brilhar nos campos de futebol mundo a fora é um sonho de muitas crianças. Pelé, Garrincha, Ronaldo e, agora, Neymar, são inspirações que vivem nos desejos de muitos meninos e meninas. Fabinho Faísca e a irmã caçula Marina moram na favela, vivem uma vida cheia de dificuldades, mas que têm no futebol a esperança para seguir acreditando. Convivem com amigos que são heróis no campinho da comunidade, mas que no dia a dia se revestem da realidade, dura realidade. Em cada atividade que os amigos trabalham para ajudarem suas famílias, como vender água de coco na praia, engraxar sapatos na escadaria, pintar os carros alegóricos que vão brilhar no fevereiro seguinte, pescar, Fabinho reconhece habilidades que se destacam no futebol dos amigos.

Um dos méritos do livro é trazer para a história o também obstinado interesse por futebol da irmã do Fabinho, a menina que ama brincar de bola que pouco vemos nos livros, mas que existem tantas por aí. Marina aqui também é destaque e faz surpresa emocionante no jogo decisivo do time do irmão, na comunidade. Uma linda história da autora iraniana.

Serviço:
Minha estrela vai brilhar
Autor: MIna Javaherbin
Ilustrações: Renato Alarcão
Editora: Rovelle
1ª edição: Rio de Janeiro, 2014
Preço médio: R$ 21,90 (Saraiva)

 

 

Para atenuar um pouco a ausência das meninas nos livros de futebol, olha essa música linda da dupla Palavra Cantada. Gosto demais dela!

Menina Moleca

 

Vamos viver a Floresta do Curió! Saiba como participar do Experiência 3

O Terceiro Experiência chegou! Que alegria! Vamos para mais um lugar lindo da nossa cidade! Vamos para a Floresta do Curió, na manhã do próximo dia 24, viver a área, considerada pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado (Sema), a última reserva de Mata Atlântica da Capital cearense. Vamos conhecer pequenos riachos e experienciar 57,35 hectares de uma região onde já foram catalogadas mais de 92 espécies de animais e 80 espécies de árvores nativas.

Além disso, vamos fazer piquenique com comidas típicas deste mês junino, ler, conversar sobre memórias, sobre a formação do bairro Curió, saber sobre a importância de presevarmos as florestas urbanas e brincar livre à sombra de um frondoso Angelim (árvore nativa de madeira nobre e crescimento lento). O ingresso individual para participar desta edição é R$ 40 (ver promoções abaixo!) + 1 livro usado, que será doado à Livro Livre Curió – Biblioteca Comunitária, parceira do Vida Ciranda neste Experiência. Disponibilizaremos somente 25 vagas. Corre!

 

 

 

 

Parceiros e Convidados
A Livro Livre Curió – Biblioteca Comunitária é idealizada e conduzida pelo escritor, poeta, agente cultural Talles Azigon, nosso primeiro entrevistado no Canal Vida Ciranda, semana passada. A Biblioteca existe há quase três meses, movimentando a aproximação e o bem querer pela leitura e pela literatura da comunidade do Curió, principalmente crianças e jovens. Durante este Experiência 3, vamos realizar juntos a edição de junho do Literatura na Floresta, realizada por Talles todos os últimos domingos do mês (como o nosso Experiência!). Neste mês, o tema do Literatura na Floresta será Trilha de Memórias. Na ocasião, parte da Biblioteca Comunitária virá para a Floresta do Curió, principalmente, o baú infantil, com títulos incríveis para deleite de pequenos e grandes, para descobertas de histórias e momentos de contação entre pais e filhos.

O querido jornalista Demitri Túlio, editor e repórter especial do O POVO, também participará deste Experiência 3, convidado para conversar conosco sobre as Florestas Urbanas, pela edição do Literatura na Floresta. Um dos jornalistas mais premiados do país, Demitri é apaixonado pelo Parque do Cocó, que fotografa há mais de 10 anos, tema de várias reportagens assinadas por ele. Em 2012, publicou a Expedição Cocó, resultado de incríveis 1000 dias de dedicação à floresta, em que despertou nos leitores a consciência da mata no território urbano e a reintegração do homem ao universo de que faz parte. Por seu instagram, @demitritulio empreende reportagens afetivas com temáticas ambientais e provoca os leitores por postagens que incitam a reflexão, como a conservação das dunas do Cocó e da Sabiaguaba e postagens sobre florestas e parques, principalmente, urbanos. Demitri é também escritor de livros infantis.

Além de Talles Azigon, morador do Curió desde que nasceu, estará também conosco Rita de Cássia Silva, articuladora do bairro Curió, que exerceu a pedagogia por muitos anos em turmas de educação infantil e move ações educativas de lazer e leitura, principalmente com crianças da comunidade. Elas nos contará um pouco sobre suas memórias no bairro e suas percepções sobre seu espaço de paz, “muita paz”, como ela se refere ao Curió.

Floresta do Curió
De acordo com a Sema, a Floresta do Curió, localizada no bairro Lagoa Redonda, é a primeira Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) do Estado do Ceará, instituída pelo Decreto nº 28.333, de 28 de julho de 2006. Funciona, atualmente, com gestão compartilhada da SEMA e do Instituto Natureza Viva.

O espaço equivalente a 80 campos de futebol possui três trilhas bem sombreadas e de fácil acesso para crianças, além de um centro de convivência, que funciona como ponto de apoio aos visitantes e local de palestras e cursos, com banheiros e parquinho. Ao longo do caminho, além de trilharmos por pontes sobre riachos e passarmos por elegantes buritis, é possível conhecer melhor a fauna e a flora regional por legendas indicativas das espécies. Aliás, o local conta com boa sinalização. Na ARIE são realizadas ainda pesquisas científicas.

O projeto Aflorar (Sesc) é também um super amigo do espaço. Durante o ano de 2016, em parceria com a SEMA, promoveu projetos de incentivo à educação ambiental, com ações de proteção, visibilidade e utilização sustentável de áreas verdes de Fortaleza e da Região Metropolitana, para alunos das escolas públicas inseridas no entorno, como o Liceu de Messejana, e no contexto das unidades de conservação do Estado.

 

Trilha do Experiência 3
Na Floresta do Curió, há três opções de trilha, divididas por cores: a vermelha (Pequena), com 2039 m; a verde (média), com 2459 m; e a branca (grande), com 2680M. Vamos fazer a trilha verde. Seremos acompanhados pela Izaura Lila Lima, gestora da Floresta, e Rafaela Queiroz, educadora ambiental do espaço. Elas sabem tudo sobre a fauna e a flora da região e darão conta de todas as nossas dúvidas e as perguntas também da criançada.

 

CONFIRA ABAIXO TODAS AS INFORMAÇÕES PARA PARTICIPAR DO VIDA CIRANDA EXPERIÊNCIA 3: FLORESTA DO CURIÓ

Quando: 24 de junho.
Embarque: às 7h30min.
O local de embarque será enviado por e-mail aos participantes com inscrição já confirmada.
Retorno: às 11h30min.

 

Programação:
7h30min: Boas vindas
7h45min: Embarque no ponto de encontro (local a divulgar para os participantes confirmados)
8h30min: Chegada à Floresta do Curió
8h40min: Lanche parcial
8h45min: Início da trilha
9h40min: Fim da trilha
9h45min: Piquenique, brincadeiras ao livre, disponibilização dos livros da Biblioteca Comunitária.
10h10min: Literatura na Floresta (Livro Livre Curió). Conversas sobre Memórias, Cidadania e a Importância de Preservarmos as Florestas Urbanas, com a presença de Talles Azigon (Biblioteca Comunitária), Demitri Túlio (Jornalista), Rita de Cássia Silva (moradora Curió), Izaura Lila (gestora Floresta do Curió), pais e crianças.
11h : Preparação para retorno e embarque
11h30min: Chegada e desembarque no ponto de encontro (local a divulgar)

OBS: Não nos responsabilizaremos por atrasos. Começaremos pontualmente, para que as crianças possam aproveitar melhor a manhã

 

Quem pode participar?
O Experiência foi pensado para famílias com crianças a partir de 1 ano.

TAXAS
Taxa individual: R$ 40 + doação de 1 livro para a Biblioteca Comunitária do Curió
Três ingressos: R$ 110 + doação de 3 livros
Quatro ingressos: R$ 145 + doação de 4 livros
Cinco Ingressos: R$ 180 + doação de 5 livros
A partir da sexta pessoa do mesmo grupo, o ingresso sai por R$ 35

OBS1: As promoções incidem apenas sobre a taxa a ser paga, mas não invalidam a doação do livro por pessoa participante deste Experiência.

OBS2: As doações de mais de 1 livro por pessoa são muito bem vindas! 🙂 Doe quantos livros você quiser. Sabe aquele livro que você já leu, adorou e quer que a mensagem dele possa também contagiar ou transformar outros leitores? Aproveite! Crianças, adolescentes e adultos leitores da Livro Livre Curió agradecem!

OBS3: Não serão aceitos para doação livros didáticos. Opte por doar livros de literatura brasileira ou de outros países e livros de filosofia, por exemplo. Os títulos podem ser para crianças e adultos.

 

SERVIÇOS INCLUSOS
– Ônibus ida e volta
– Lanche completo
– Trilha com monitores
– Bate-papo com convidados
– Kit Primeiros Socorros (coletivo)

 

PAGAMENTO
1. O pagamento deve ser realizado por depósito ou transferência bancária na conta abaixo discriminada até o dia 22 de junho, sexta-feira anterior ao passeio.
2. Logo após o depósito, favor encaminhar o comprovante com nome completo e idade dos participantes para o celular número (85) 98954 7374 ou email: sara.rebeca.ac@gmail.com.
3. A inscrição do participante estará sujeita à rejeição, caso o número de inscrição ultrapasse o número de 25 vagas acordadas para este passeio. Nesse caso, haverá a devolução do valor depositado.
4. A ordem de ocupação das vagas será organizada mediante ordem de chegada ao Vida Ciranda do comprovante de depósito e nome completo dos participantes. Assim, é importante que você envie o comprovante e as informações solicitadas logo que o depósito for realizado. Opte por se informar se ainda há vagas, pelos contatos mencionados acima, antes de realizar o depósito.
5. Não nos responsabilizamos pela ausência dos participantes, no dia do passeio, ou atrasos que ocasionem a perda do passeio. O dinheiro não será devolvido, sob estas duas hipóteses, por levarmos em consideração que todos os serviços foram contratados e a quantidade de lanche providenciada para o número de inscritos até o dia 22 de maio.
6. Caso haja necessidade de cancelamento prévio da participação, com as taxas já pagas, o dinheiro só será devolvido se a comunicação chegar ao Vida Ciranda com 48 horas antes do dia do passeio (até sexta-feira pela manhã), pelo mesmo motivo citado no item anterior.

Dados da conta
Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 1977
Operação: 013
Conta poupança: 4568-0
CPF: 622.527.043-49
Titular: Sara Rebeca Aguiar de Carvalho

OBS: Não serão aceitos inscrições e pagamentos realizados no dia do passeio, mesmo que a quantidade de vagas disponibilizada não tenha sido completada.

ORIENTAÇÕES IMPORTANTES:

Levar o mínimo
Organize-se para levar o mínimo ao passeio. É indispensável documento de identificação das crianças e dos responsáveis. Não ande com grandes quantias em dinheiro, apenas o suficiente para alguma emergência. Lá, não há quiosques de vendas de serviços extras. Toda alimentação será oferecida pelo Vida Ciranda.

Roupas leves, sandálias ou tênis, acessórios
É essencial ir com roupas leves, que possibilitem movimentos livres do corpo, como camisetas de malha fria e bermudas de tactel, de numeração adequada ao tamanho do corpo. Sandálias também são indicados. Pode também usar tênis. Experimente começar a trilha com os pés calçados e, se sentir que pode caminhar um pouco descalço, bacana. Assim, pode ir sentindo a terra. Acessórios muito indispensáveis: bonés e óculos de sol. Nunca esquecer: protetor solar. Opcional: repelente.

Garrafinha de água
Pedimos que todos levem suas garrafinhas particulares de água. Lá, teremos água para todos, a fim de reabastecermos as garrafinhas.

Primeiros Socorros
Teremos um kit coletivo de primeiros socorros com: tesoura, termômetro, luvas, anti-alérgico líquido (Polaramine) e em creme (Histamin) para ferimentos e picadas de insetos; anti-térmico e analgésico (Novalgina), antisséptico (Kuramed), álcool em gel para limpeza das mãos, soro fisiológico, seringas, esparadrapo, algodão, band-aid, gazes, ataduras, lenços, repelente de insetos e cotonetes. Caso a criança ou o adulto não utilize algum dos remédios descritos e faça uso de uma medicação específica, não esqueça de pô-la na bolsa.

Lanches
Nosso lanche será todo em homenagem às festas juninas. Serviremos frutas, salada de frutas, aveia, granola, sucos naturais de fruta, café, chá, aluá, bolo de milho, bolo de pé de moleque, canjica, pamonha, mungunzá, cuscuz, milho cozido. Fique à vontade para levar outra refeição, principalmente às crianças, que melhor seja aceita ao paladar delas. Pelo Experiência, prezamos por alimentação saudável, o mais natural possível.

Todas as comidas típicas que serão servidas no nosso piquenique junino serão produzidas por pequenos produtores da comunidade, como a Noélia, que, dizem, fazem um aluá “divino”.

Segurança
De acordo com a Sema, há uma parceria com o Grupo Telles, para segurança do espaço. Os seguranças ficam em movimento constante pela Floresta.

Registros das crianças
Se possível, disponibilize câmeras fotográficas às crianças para que elas próprias possam fazer registros (fotos e vídeos) de suas percepções do espaço. Você vai se surpreender com o resultado. Você pode incentivá-los a expressar o que sentiram durante o passeio também por desenhos. Compartilhem o que colheram com o Vida Ciranda! =)

Endereço da Floresta do Curió
Avenida Professor José Arthur de Carvalho, 644-1002 – Lagoa Redonda, Fortaleza – CE, 60831-370

O QUE É O VIDA CIRANDA EXPERIÊNCIA?
O Experiência é uma iniciativa do movimento Vida Ciranda, que pensa as educações e as infâncias de maneira questionada e questionadora, responsável, comprometida com o meio ambiente, com o outro e consigo por meio de seus atores. Utiliza-se como difusor de informações o jornalismo especializado nas duas áreas por este site Vida Ciranda, direcionado aos pais, às famílias. O site está no ar há onze meses. É conduzido por Sara Rebeca Aguiar, jornalista e professora há quase quinze anos, com experiência e formação nas duas áreas. Também educomunicadora, pesquisa a relação tecnologia, infância e literatura infantojuvenil.

Estamos na terceira edição do Vida Ciranda Experiência. A primeira aconteceu no Ecomuseu Natural do Mangue, no dia 21 de abril. A segunda aconteceu na Barra do Ceará, pela navegação pelo rio Ceará, no dia 27 de maio. O projeto Experiência, dentro do Vida Ciranda, foi pensado a fim de incentivar a cidadania infantil desde cedo, no direito de que todas as crianças têm à cidade onde moram. Pelo Experiência, quer se estimular o tempo de qualidade entre pais e filhos, e criar vínculos afetivos e sentimento de pertencimento com o espaço onde vivem. Partimos da concepção de que ninguém cuida direito daquilo que não conhece ou que não tem qualquer laço afetivo.  É enorme o poder do cuidado quando a história do lugar passa também pela história particular de cada um.

O Experiência propõe passeios por Fortaleza e Região Metropolitana. Todos os meses, nas primeiras segundas feiras, é lançado um novo lugar que deve ser experienciado no último domingo do mês em curso. A taxa de participação varia de acordo com o local a ser visitado e o que será oferecido ao participante.

Confira matéria produzida pelo jornal Bom Dia Ceará, na Floresta do Curió, em um dos nossos passeios, ano passado, promovido pelo projeto Re-conhecendo Fortaleza, do Vida Ciranda:

https://globoplay.globo.com/v/6119443/

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Assista a entrevista que fizemos com Talles Azigon, publicada semana passada:

Acompanhe o jornalista Demitri Túlio e suas reportagens afetivas
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Carta do coração, pelo coração

Neste 12 de junho, dia em que muito se fala de amor, em que corações ilustram ambientes, cartas, presentes, bilhetes, redes sociais, olhares, vim falar de uma carta não ilustrada por corações, mas escrita por eles, muitos corações, pequenos corações que lutam para viver antes mesmo de saber o que é o amor ao certo, ainda que sobrevivam por causa dele. Uma carta que vem falar de esperança e da vontade de viver mais e descobrir tantas formas de amor sejam possíveis serem descobertas. Uma Carta de corações que pedem ajuda.

 

 

Hoje é Dia Mundial de Conscientização da Cardiopatia Congênita. Ontem, foi realizado o Primeiro Encontro de Famílias e Amigos da Criança com Cardiopatia Congênita, em Fortaleza, um momento único para as 32.667 crianças e adolescentes, além dos 23.961 adultos, que vivem hoje no Ceará, tratados ou não, com algum tipo de doença no coração, de acordo com o médico cirurgião cardiovascular pediátrico Valdester Cavalcante, diretor do Instituto do Coração da Criança e do Adolescente  de Fortaleza (InCor Criança). Ele conta que são diagnosticados por ano, somente no Ceará, 1.159 novos casos. Pela estrutura atual, sobretudo de acesso, somente metade deles são tratados de maneira devida, principalmente pelos procedimentos cirúrgicos, a grande dificuldade da rede pública na área.

O encontro, organizado pelo Incor Criança e pelo grupo de apoio Heróis do Coração, objetivou a escrita de um documento intitulado Carta do Coração. Por ele, dezenas de famílias expressaram suas dificuldades para realizar com êxito o tratamento de suas crianças e adolescentes, focando no que cabe ao poder público priorizar como política a fim de melhorar a rede de acesso, de tratamento e de cuidados com esses corações.

 

 

Aurélia Rodrigues da Silva, fundadora do grupo Heróis do Coração, criado para auxiliar famílias que vivem essa realidade, diz que demanda número 1 da Carta do Coração é a liberação do Hospital São Camilo para a realização de cirurgias de altíssima complexidade, pelo SUS. Atualmente, segundo o médico Valdester, somente o Hospital de Messejana faz esse tipo de cirurgia e já atua com sua capacidade máxima. A unidade realiza 30 cirurgias de altíssima complexidade mensalmente. O Albert Sabin, conforme explica o médico, realiza cirurgias, porém de pequeno porte. Ele destaca que desde fevereiro último, o Hospital São Camilo já se prontificou para a realização das cirurgias, mas trâmites burocráticos emperram o início das atividades. “São detalhes burocráticos compreensíveis, mas que podem ser agilizados na medida da prioridade de uma criança que tem uma necessidade que não pode esperar”, justifica.

O ponto número 2 da Carta, citado por Aurélia, é a ampliação das instalações do Incor Criança pela doação de um terreno pela Prefeitura, para que a rede ambulatorial, a área de atuação da equipe multiprofissional e o acesso a exames como ecocardiogramas possam ser estendidos. Segundo o médico Valdester, o prefeito Roberto Cláudio já sinalizou a doação do terreno, mas é preciso correr com a oficialização da doação para que a médio prazo os serviços sejam ampliados. “O Incor Criança atende, mensalmente, 600 crianças, mas precisamos de muito mais para ajudar o Hospital de Messejana,  no que se refere à realização de  exames ecocardiogramas que tem um fila grande, e na atuação de fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, a equipe multidisciplinar que faz parte do tratamento obrigatório”.

Aurélia enumera ainda outra demanda muito importante que é a disponibilização de mais profissionais preparados, mais médicos cardiopediatras pelos hospitais que atendem as crianças. “Um diagnóstico errado ou um atraso de encaminhamento pode custar a vida de uma criança”, esclarece.

O cirurgião Valdester comenta sobre outra demanda também urgente que é a sustentabilidade da instituição. “Não podemos fazer cirurgia e ampliar ambulatórios, tendo o valor que o SUS paga, R$ 10 numa consulta, R$ 39,92 em um Eco, e eu tenho que pagar o dobro e o triplo disso para os profissionais porque são valores irrisórios e eu ainda tenho que pagar imposto de renda em cima de tudo isso. Então, não dá, fazemos muitos trabalhos extras para arrecadar fundos para ir mantendo”, enumera.

Fortaleza é das cidades brasileiras melhor preparadas para realizar cirurgias cardíacas de alta complexidade, mas sofre ainda com o pouco acesso pelo SUS das famílias que precisam. Paraná é o estado com melhor acesso, menos fila de espera. São Paulo também é referência no acesso, muito porque existem polos de cirurgias cardíacas em algumas cidades do interior, ao contrário de Fortaleza, que atende toda a demanda do estado, 30% dela vinda do interior, sobretudo vindas de Sobral e do Cariri, únicos locais em que são realizados os exames ecocardiograma, responsável pelo diagnóstico, fora de Fortaleza.

O documento tão logo esteja pronto será  entregue aos governos estadual e municipal e seus respectivos secretários de saúde. Estamos torcendo para que as reivindicações sejam atendidas rapidinho. Esse amor não pode esperar.

Sites para saber mais:

Incor Criança
De nascença
Hospital de Messejana

 

 

Mais do que navegar pelo rio, o Experiência 2 conectou pessoas e realidades diferentes

A segunda edição do Vida Ciranda Experiência pode ser traduzida pela vontade que ficou de ver a cidade sempre “descoberta” e vivida daquela forma, com brilho no olhar, com sorriso das crianças, com a tranquilidade no semblante dos pais que estavam em paz com o momento que ofereciam a elas, com conversas e trocas de vivências entre pessoas tão diferentes, visitantes e anfitriões, mas tão iguais também, pelo objetivo único de que seus encontros resultem em bondade, gentileza, benefícios e aprendizados tão valiosos, para os dois lados.

O Experiência II, por meio da navegação pelo rio Ceará, não apenas convidou famílias para desfrutarem a beleza que aquela parte da nossa cidade exibe todos os dias, de graça, em dias de sol e de chuva, à revelia das correrias e problemas políticos em que estamos imersos, mas juntou mundos.

Navegamos o rio Ceará, sentimos o vento de um tempo manso no rosto, pisamos no mangue, tomamos banho no rio, comemos piaba frita com suco de maracujá e graviola, pegamos caranguejo, sentamos na beirada da ponte da comunidade, olhando para baixo para se enxergar no rio, esticando os pés para ver se conseguia tocar na água, conversamos com pescadores… sim, tudo isso, mas muito mais que isso. As pessoas puderam conhecer seu Alberto, Cineudo, seu Dantas, Leonardo, Lúcia.. moradores da Barra do Ceará e da Comunidade Guaié que, ontem, foram protagonistas, compartilharam a riqueza de uma vida simples, tocada por trabalhos voluntários, por lutas pela melhoria da comunidade em que moram, por um dia a dia de sobrevivência ditado pelo ritmo das marés, pela pesca.

Tocamos as mãos calejadas do seu Dantas, de Cineudo, procuramos uns aos outros, para pedir ajuda para subir e descer do barco; ativamos nossa atenção para ouvir as histórias que seu Dantas, seu Alberto e Cineido, as que só eles sabiam, e nos contavam sobre uma área que existe tão perto.. e tão longe de nós.

Provamos os talentos culinários da índia Lúcia, oferecemos nossas mãos a ela e ao marido, na despedida, para lhes prestar toda gratidão à recepção acolhedora.. aliás, ignoramos estar em um espaço de estrutura simples, e reboco caído na parede, mal pintado, porque a riqueza estava à mesa, nas palavras que circularam, nos olhares que se encontraram e no que contemplaram.

Foi na sabedoria do seu Dantas, que frequentou bem pouco a escola, que as crianças se interessaram ontem, quando ele as ensinou sobre a pesca e os instrumentos de que ele utiliza para tirar das águas daquele rio a própria vida.

Ontem, mundos se fundiram, por horas, ou, talvez, por minutos, mas se uniram. E se reconheceram. Cada um com suas particulares, com seus objetivos, mas, ali, dependentes um do outro, do que um podia acrescentar ao outro.

Por isso, talvez por isso mesmo, a segunda edição do Vida Ciranda tenha sido um sucesso. Sim, um sucesso. Abaixo, você pode conferir imagens dessa manhã inesquecível.

Hora do Embarque

 

Chegamos ao nosso ponto de apoio, Albertu’s Restaurante. Lá, lanchamos. foram servidos sucos de frutas,  salada, sanduíches de pão integral, bolo, frutas. Depois de admirar um pouco a beleza que nos esperava imergir nela, fomos ao pier da Barra, onde nossos barcos estavam. Antes disso, conhecemos a equipe que nos acompanhou durante toda a aventura.

Navegar é um encantamento só. Imagina para as crianças. Só a ação de pôr o colete salva vidas já foi pura diversão.

 

 

 

 

Depois de uns 40 minutos de navegação, paramos na Comunidade Guaié (Caucaia). Fomos recepcionamos pelo casal Maria Marques  Araújo dos Santos, 55, mais conhecida como Lúcia, e Leonardo Carmo da Silva, 39, o Leo. Ela é índia pitaguary, de Acaraú, mas foi criada em Caucaia. Os dois vivem da pesca de peixes e de mariscos. Lá, na comunidade, as crianças puderam pôr os pés no mangue, no habitat natural dos siris e aratus, um tipo de caranguejo avermelhado.

Também na comunidade, Lúcia explicou um pouco sobre sua rotina de marisqueira e seu Dantas conversou com as crianças sobre a arte de ser pescador, de saber jogar os vários tipos de rede de pesca e maneiras de também pescar sem as redes . Saboreamos também deliciosas piabinhas fritas com suco de graviola e maracujá.

 

 

 

 

Cássia Alves é da equipe do Vida Ciranda, educomunicadora, fotógrafa e videomaker

Logo depois que saímos da comunidade, paramos um pouco em um banco de areia próximo, para tomar banho de rio. Para algumas crianças, como o João, de 4 anos, filho da Manoella Monteiro, foi o primeiro banho de rio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Iusta Caminha

Iusta Caminha

Iusta Caminha

Iusta Caminha

Iusta Caminha

Iusta Caminha

Após o banho de rio, e da preguicinha que bateu nos 30 minutos de navegação de retorno ao pier da Barra, fizemos uma parada no seu Alberto, antes de tomarmos o ônibus. Lá, comemos algo mais e realizamos sorteiros de livros entre as crianças e os adultos. Nesta segunda edição do Vida Ciranda Experiência, os livros foram doados pelas escritoras Tânia Dourado e Marília Lovatel. Olha só, que tíulos mais lindos!

– Um vestido para Tutti (Tânia Dourado)
– Sob o Sol de Sobral (Marília Lovatel)
– Entre Selos e Sonhos (Marília Lovatel)
– O Pequeno Inventor de Soluções (Marília Lovatel)
– Fábulas e Contos em Versos (Marília Lovatel)
– Farol (Contos do ateliê de Narrativas da Escritora Socorro Acioli)

 

Iusta Caminha

 

 

Antes de sairmos, mais uma surpresa. Todos os inscritos ganharam uma lembrancinha deste passeio inesquecível: uma jangadinha de pesca para lembrar sempre deste dia e de tudo que ele significou e trouxe de aprendizados.

 

 

A ideia do Vida Ciranda Experiência é despertar as famílias para possibilidades de programações na cidade que, comumente, não incluímos no nosso itinerário do fim de semana com as crianças e também para possibilitar vivências diferentes a comunidades e lugares especiais. Por mês, um passeio Experiência é realizado. O local é divulgado na primeira segunda-feira do mês, o passeio é realizado no último domingo do mês. 

O Experiência é promovido por este site de jornalismo especializado em educação e infância. Acompanhe nosso calendário de eventos, nossas matérias e reportagens especiais.

Serviço Navegação Rio Ceará
Para quem ficou interessado em realizar a navegação pelo rio Ceará com as crianças, é possível organizar turmas para navegar em qualquer época. O seu Alberto é o responsável pelos passeios.
O ingresso de participação por pessoa é R$ 20.
A partir de 10 pessoas já é possível realizar o passeio.
Anotem o telefone dele: 98753 3940

Mulheres empoderadas pela educação e pela maternidade amparada por meio das empresas onde trabalham

REPORTAGEM II
MATERNIDADE NO AMBIENTE CORPORATIVO

 

Ela casou bem jovem com o homem que lhe despertou o coração, parecia bom. As filhas chegaram logo e as responsabilidades com a casa, com o marido, com as crianças não permitiram que o Ensino Fundamental fosse concluído.  Precisou também trabalhar para complementar a renda. O sonho do casamento foi virando pesadelo. O marido batia nela, nas meninas, deixava faltar comida na mesa. “A gente tinha uns sete anos de casados, quando ele me deu uma surra grande. Ali, eu decidi que aquela seria a última. Peguei minhas filhas, fomos embora. Criei sozinha. Foi um sofrimento só, foi difícil demais, mas sobrevivemos”, relembra Francisca Cleide Oliveira da Silva, 59.

 

Ainda no mercado de trabalho, o semblante da  dona Cleide só muda quando ela fala sobre os dois grandes sonhos realizados nesses anos mais recentes: a aquisição da casa própria e a conclusão do Ensino Médio. Este último, principalmente, só foi possível para ela porque os estudos foram realizados na própria empresa em que ela trabalha, há quase 20 anos. Dona Cleide descreve uma trajetória de incompreensões, antes de se sentir mais acolhida em um ambiente de trabalho. “Já fiz de tudo na vida. Para onde eu ia, não podia nem dizer que eu era mãe porque eu ouvia que o problema era meu, que o patrão não tem nada a ver com isso. Nunca tinha visto em canto nenhum o tratamento que eu tenho aqui”, diz.

 

Quando dona Cleide chegou à empresa atual, Amêndoas do Brasil, recebeu apoio como avó já. Cuidava da neta para a filha mais velha trabalhar. Foi na empresa que encontrou psicóloga e assistentes sociais “para me dar conselhos”, médicos para fazer exames de prevenção, palestras sobre cuidados consigo e com a netinha, sobre controle financeiro, curso de informática e escola. Ah, a escola e aquele sonho de virar enfermeira! Na empresa onde ela trabalha, há uma escola mantida em parceria com o SESI (Serviço Social da Indústria), especificamente para os funcionários. O sonho da  dona Cleide sempre foi cursar enfermagem na faculdade, mas não tinha tempo nem para concluir o Ensino Fundamental, trabalhando o dia inteiro. Quando a neta ficou maiorzinha, e com o incentivo dos colegas de trabalho, voltou à sala de aula.

 

 

“Ah, certamente, eu não teria voltado a estudar se fosse pra ir pra uma escola normal. Aqui, o horário é diferente, a gente não pega ônibus lotado, já fica aqui depois do expediente e acaba em um horário que é cedo ainda pra voltar pra casa. É bom demais!”, se alegra. Quando perguntada sobre o local de que mais gosta na empresa, nos leva para a sala de estudos, onde funciona uma pequena biblioteca, aponta os livros que mais gosta de ler e, com olhar fixo na capa de um deles, resume o valor de conseguir sonhar agora com a “faculdade de enfermagem dos meus sonhos”, depois da aposentadoria que está bem pertinho de chegar.

 

“Eu sempre entendi o valor da educação, mas não conseguia chegar perto desse sonho. Aqui na empresa, a oportunidade foi que chegou perto de mim. Acho que eu conseguir estudar é bom não é só pra mim, mas é um exemplo que eu quero deixar pras minhas filhas, pras minhas netas. E eu sou muito agradecida à empresa, né, pelos sonhos que eu realizei aqui, por conseguir me enxergar com mais valor. Pra muita gente, se aposentar é parar. Para mim, acho que agora é que a vida vai começar de vez. E eu sou muito grata aqui por isso”, comemora dona Cleide.

 

Alegria, acolhimento e informação durante a gestação

– Corre! O Grupo de Gestantes já começou!
– Já? Está  pertinho de duas e meia… – olho para o relógio em alusão à pontualidade do evento.
– Elas chegam cedo. São bem disciplinadas, querem tirar todas as dúvidas, aproveitar o tempo.
– O Grupo dura 1 hora?
– Não, a tarde inteira.
– Elas estão no horário de trabalho delas?
– Sim, mas no dia da reunião do Grupo são liberadas à tarde.

Da esquerda pra direita: Mariana, Fernanda, Lisivone, a enfermeira Juliana e Carolina

Meu encontro com um grupo de quatro grávidas da empresa Mercadinhos São Luiz aconteceu numa tarde de quinta-feira. A reunião do Grupo de Gestantes é realizada uma vez por mês. Naquela tarde, o tema foi cuidados com o bebê recém nascido. Elas mal me perceberam entrar, tão concentradas que estavam. A enfermeira Juliana Torres ouve e responde com cuidado todas elas, mostra vídeos, faz simulações com uma boneca, apresenta exemplos práticos. Depois do bate-papo inicial, uma pausa para o lanche que já está servido. Tem frutas, sucos, pães. Algumas aproveitam para esticar o papo com a enfermeira.

 

É a primeira gravidez da compradora Carolina Vieira, 35, que espera por Liz. Da operadora de caixa Fernanda Pires, 32, vai chegar o terceiro menininho da família, o João, que está sendo gestado há quatro meses. É também João o primeiro filho da operadora de caixa Lisivone Queiroz Martins, 33, grávida de 8 meses, já de licença maternidade. Tornar-se mãe também é novidade para a Mariana Aquino, 25. Ela não é funcionária da empresa, e sim o marido. Todas já trabalharam em outras empresas e reconhecem o valor do que viveram naquela tarde.

“É a primeira vez que eu passo uma gravidez mais tranquila, emocionalmente. Não planejamos. E isso me deixou muito fragilizada, até mesmo porque estou na empresa há bem pouco tempo. Quando avisei, me surpreendi com a alegria, o abraço de carinho e as felicitações dos meus chefes. Isso fez toda a diferença para aceitar este novo filho. Hoje, estou amando a chegada dele, eles me ajudam e me preparam”, nos conta Fernanda. Durante a primeira gravidez, Fernanda não trabalhava e a preocupação vinha com os custos que o bebê iria lhe trazer. Na segunda gravidez, já estava no mercado. Sofreu com assédios morais de chefes que sugeriam a insatisfação pela fase que ela vivia. “Não facilitavam minha vida. Não deixaram nem eu fazer chá de fraldas na empresa, precisei alugar um espaço fora e convidar os colegas que me davam apoio”, lamenta.

 

Mariana curte a chegada do primeiro filho, acolhida pela empresa onde o marido trabalha, depois de um pedido de demissão traumática que ela se viu obrigada a fazer

 

Algo parecido aconteceu com a Mariana. Promotora de vendas de uma rede de supermercados, pedira demissão há pouco tempo porque não aguentou a pressão que passou a sofrer depois que comunicou à chefia da gestação. “Eles mudaram minha função pra uma que exigia muito mais esforço meu, mudaram minha rota, me colocaram para trabalhar em uma loja mais distante em que eu pegava mais  ônibus. Tentei conversar com eles várias vezes, mas o estresse estava tão grande que eu reswolvi sair  para ter uma gravidez mais tranquila. Eles forçaram meu pedido de demissão. Pra mim, foi bem traumático”, relembra com tristeza.  Hoje, ela e o filho recebem os benefícios como esposa de um funcionário.

 

Quem cuida do Grupo de Gestantes do Mercadinhos São Luiz, existente já há 20 anos, é a encarregada pelo setor de Qualidade de Vida, do RH da empresa, Juliana Sena, com quem tive o diálogo inicial deste texto. Ela nos explica que o projeto é parte de um conjunto de ações voltadas para famílias e filhos da empresa. “Há orientação pré-natal, oficinas, palestras que focam não apenas nos cuidados com o bebê, mas cuidados com a mãe, biológico e psicológico também. Tudo sem falar nas flexibilizações de horários.. é um olhar diferenciado que a gente lança às mulheres. A gente está implantando agora os encontros de pós-parto, para que elas possam vir, confraternizar, tirar as dúvidas que já vivem na prática, trazerem os bebês”, enumera Juliana.

 

Carolina atenta às explicações da enfermeira. “Nos faz querer ser sempre melhores aqui”.

 

Tanto cuidado, traz recompensas para os objetivos também de rendimentos das funcionárias.  “ A gente trabalha com tranquilidade, com certeza. E Feliz, sabe. É diferente. A gente percebe que a empresa vive a felicidade da gravidez junto com a gente. Somos paparicas, isso nos cativa, nos faz querer ser sempre melhores aqui dentro”, resume Carolina.

A série Maternidade no Ambiente Corporativo
Terceira

As empresas cearenses Amêndoas do Brasil e Mercadinhos São Luiz sâo referências brasileiras de cuidado com as mulheres, com as mães e com as famílias. Conheça as rotinas de atenção que elas oferecem às funcionárias na terceira matéria da série Maternidade no Mercado Corporativo, que será publicada nesta semana.

Ontem

Ontem, na primeira reportagem da série, conversamos com a fotógrafa Karine Andrade, mãe de duas meninas, a mais nova, Alícia, de 6 anos, é portadora de cardiopatia congênita. Recentemente, ela passou por um processo de demissão delicado que envolveu sua maternidade.  Leia aqui

Roda de Conversa Maternidade e Mercado de Trabalho 

Vamos nos encontrar presencialmente? Será amanhã, dia 16, às 18h30min, na Transforme Coworking (Rua Barbosa de Freitas, 1035, Aldeota). Leve suas dúvidas, experiências e sugestões para compartilhar conosco! Vamos melhorar as condições nas mulheres mães no ambiente de trabalho.

 

Na ocasião, também haverá uma exposição cultural com fotos da fotógrafa Karine Andrade, ouvida na primeira reportagem da série. Vendas no local com preços variados.

Karine Andrade: lições em P&B sobre ser mãe e profissional

MATERNIDADE NO AMBIENTE CORPORATIVO 
REPORTAGEM I

 

No último dia 29 de março, um post publicado no feed de notícias de uma fotógrafa cearense gerou tristeza e indignação. Rapidamente, ele se multiplicou na rede, entre amigos e conhecidos, mas, principalmente, entre empáticos com a causa. E não são poucos. Karine Andrade, fotógrafa, estudante de Recursos Humanos, mãe de duas meninas – uma delas portadora de cardiopatia congênita – acabara de ser demitida do Museu da Fotografia, onde trabalhava como estagiária, havia três meses. O motivo dava título ao texto publicado na rede: “Fui demitida por ser mãe e ter filho pra cuidar”. Neste mês de maio, do trabalho, das mães, o Vida Ciranda convida você a participar dessa conversa. Precisamos falar sobre direitos, deveres, abusos e possibilidades de conciliação entre maternidade e ambiente corporativo.

 

arquivo pessoal

Karine trouxe à tona uma discussão que está mais presente no nosso dia a dia do que imaginamos. Na grande maioria das vezes, encoberta, mascarada, diluída em discursos de bondade e solidariedade. Para a socióloga Verusca Simões, há uma situação pior: trata-se de uma discussão velada por aceitações desses discursos. “Há uma resignação de muitas mães que se veem sem outra opção, a não ser dobrar-se à missão solitária da criação dos filhos, que as sobrecarrega como não deveria”. Segundo a estudiosa, as mães veem-se diante de um mercado que destoa das conquistas femininas das últimas décadas. Um mercado “que não dialoga com as famílias que as mães constroem para além dos interesses de metas e lucros. Um mercado que ainda não entende que ele próprio faz parte de uma roda viva de causas e consequências da má ou da boa educação que recebem as crianças e os adolescentes”, alerta Verusca.

Até o fechamento desta reportagem, na tarde desta segunda, a mensagem da Karine já havia sido curtida por 1,7 mil pessoas e compartilhada 608 vezes.

 

E quando se trata de crianças e adolescentes, é preciso lembrar o que está resguardado na Constituição Federal, art. 227: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”, diz a legislação.

 

Para a socióloga Verusca, isso significa que precisamos repensar práticas para além do foco em si mesmo, precisamos estender as funções sociais que exercemos em compreensões e benefícios coletivos, que abarquem o alicerce do processo todo. “Não há dias vindouros sem as novas gerações. E não há melhorias sem investimento nelas. Por exemplo, está na Lei a licença maternidade mínima de 4 meses assegurada às mães e às crianças. Ainda assim, há muitos desrespeitos, pressões e opressões. A própria gravidez é encarada com desdém em muitas instituições. Isso desqualifica desde cedo um processo educativo mais saudável. Se não cuidamos das crianças e de suas famílias, os planos de um crescimento civilizatório saudável ruem. Como vem ruindo. É urgente mudar”, adverte Simões.

 

Nesta segunda, você acompanha o bate-papo que tivemos com a fotógrafa Karine Andrade sobre maternidade, mercado de trabalho, sonhos, futuro. Amanhã, no segundo dia desta série, outras mães trarão seus olhares e opiniões para esta conversa. Participe também comentando esta matéria.

 

Lições em P&B: “Ser uma boa profissional é tudo de que precisamos para estar no mercado de trabalho”. 

 

“Eu nunca pensei que fosse acontecer comigo. A gente sabe de histórias com os vizinhos, primos, outras pessoas. Acho que por eu ser da arte, estar em um ambiente artístico, de educação, em um local chefiado por uma mulher empoderada, feminista.. nunca pensei, e foi o que mais me deixou triste”, explica a fotógrafa Karine em entrevista ao Vida Ciranda. Segundo ela, o fato aconteceu numa quarta-feira, depois de uma sexta-feira anterior em que esteve afastada, sob declaração médica, para estar com a filha internada no hospital.

“Fui chamada à sala do gestor. Ate pensei que fosse algum carão do dia a dia (rsrs). Vi que ele estava desconfortável, mas falou ‘Vá para casa, cuidar da sua filha’ e se desculpou por estar fazendo aquilo. Eu fiquei muito chateada, me senti traída, porque eu era muito esforçada. Tinha, inclusive, um banco de horas que me possibilitava folga de dois dias, porque sempre ficava até mais tarde. Usei um dia dessas horas, ou seja, que já era um direito meu”, lamenta Karine.

Karine Andrade, 28, é mãe dedicada de Kaylane, 12, e Alícia, 6. Conheceu a maternidade aos 16 anos, quando engravidou do namorado, que se tornou marido e a acompanha até hoje. Em uma narração emocionada, nos conta sobre os desafios das duas maternidades, principalmente, das rotinas de exames constantes, cirurgias e internações que já enfrentou com sua caçula, cardiopata.

 

Alícia chegou como chegam as grandes mudanças, as transformações mais marcantes, aquelas que desnorteiam e despedaçam corpo e alma, mesmo inundadas de afeto, aquelas que conduzem ao limite o que pensamos ser impossível ultrapassar, até ver que é possível; mudanças que sacodem todas as opiniões, mas que justificam lutas, existências e o amor de uma vida inteira. Karine enfrentou com força e encantamento também os caminhos de uma descoberta de si, da sua essência, no meio de um turbilhão de emoções. Mais que isso: descobriu que não estava sozinha.

Foi durante a primeira internação da filha, que a fotografia lhe chegou como um convite ao alento. Durante os 22 dias em que viveu a UTI do lado da filha, com menos de 1 mês, Karine foi consultada sobre a possibilidade de sua bebê recém operada ser fotografada por um profissional que fazia um trabalho com crianças cardiopatas. Sua resposta de pronto foi não. “Como alguém queria fotografar crianças em um momento de tanta dor como aquela”. Negou o convite. O fotógrafo era João Palmeira. O livro era “De Nascença”, que registra histórias de crianças com a doença. A publicação marcou a trajetória da Karine e atravessou seu caminho diversas vezes.

Nos meses que se seguiram conheceu o trabalho do fotógrafo e a coletânea de fotografias. Apaixonou-se. Pelo livro. Pela fotografia. “Bateu um arrependimento danado de não ter participado. Fiquei encantada com as fotos, com os textos. Choro ainda hoje quando leio o livro. Fui muito tocada pelas fotografias, pela beleza delas. Naquele momento, decidi que era aquilo que queria seguir na vida”, diz com brilhos nos olhos.

Karine descobrira a paixão profissional no meio do caos emocional que vivia e passou a dedicar-se também a ela, entre médicos e hospitais. Depois de alguns estudos e cursos, ingressou, com destaque no processo seletivo ao Curso de Fotografia, no Porto Iracema das Artes. Em uma das aulas, viu-se diante da fotógrafa Iana Soares, uma das autoras do livro De Nascença que mais emocionaram Karine. Compartilhou sua emoção ali mesmo, diante dos colegas em um auditório lotado, e começou um laço que a fortaleceria nos meses seguintes. O livro que ela negara, anos antes, lhe agregava amigos e lhe inspirava para uma atividade que a aliviava todos os dias. “A fotografia foi a minha libertação completa”.

Como trabalho de conclusão de curso, Karine fez um ensaio chamado Resistência: Ansiedade e Depressão, coerente com todo o emocional que vivia e que agora ela conseguia explicar e expressar. Abaixo, Karine divide conosco seu ensaio, aclamado por professores, colegas e críticos da área.

“No Porto, consegui me reerguer, porque lá eu era mais que a mãe da Alícia, eu era a Karine fotógrafa. Cheguei destruída e fui me reconstruindo aos poucos. A fotografia me ajudou nesse processo. Eu já não me sentia mais tão confusa, bagunçada, cansada, eu já não sentia mais tanta culpa pela doença da minha filha. O ensaio mostra exatamente isso”, descreve.

Mais leve, compreendendo bem melhor todo o processo pelo qual passava e com o emocional mais equilibrado, agarrou a oportunidade de estagiar no Museu da Fotografia, no segundo semestre de 2017. Um sonho. Lá, ela trabalhava de quarta a domingo, das 11h30min às 17h30min, como arte-educadora. Começou em dezembro de 2017 e seguiu até março de 2018, quando foi demitida.

“Minha mensagem na internet foi de tristeza, de desabafo, mas também de encorajamento para outras mulheres. O Museu faz um trabalho muito bonito e eu reconheço isso, mas mesmo lá, aconteceu o que aconteceu. Quero levar dele apenas as lembranças boas que eu vivi. Nada mais. O que eu peço ao Museu é uma retratação formal do que aconteceu. Não é só por mim, mas por uma luta que é de todas as mulheres”.

Depois da mensagem publicada, Karine confessa que sofreu. Mas logo percebeu que não estava sozinha. “Cheguei a me arrepender por ter postado, mas aos poucos fui percebendo que fiz o melhor. Muitas pessoas vieram conversar comigo, pessoas que eu acompanhava de longe, de quem eu sou fã, como a Iana Soares. E muitas mulheres que se identificaram com a minha situação. Esse apoio me deixou preenchida, completa”, relata.

Fortaleza
Karine é uma mulher intensa e forte, como são as experiências que ela vive como mãe e como profissional. Vem aprendendo que os caos que lhe chegam também lhe agregam. “Sabe, penso no fato [demissão] como algo que me ensinou muito e, principalmente, que me oportunizou conhecer pessoas tão bacanas, foi a dor da demissão que trouxe essas pessoas para perto de mim. Como a dor da doença da minha filha me trouxe a fotografia. Pelo sofrimento da Alícia, não falo que eu não mudaria nada, mas não me arrependo de nada do que a gente viveu e vive nesses seis anos porque eu conheci pessoas e histórias que me transformaram demais, me humanizaram mais. Hoje, tenho outra visão sobre as pessoas, sobre o mundo e sei que essa visão é determinante na profissional que eu sou hoje”, analisa Karine.

Sobre superar a tristeza que lhe trouxe a demissão, Karine confessa. “Não sei se superei. Para qualquer entrevista de emprego, a partir de agora, eu fico em dúvida se eu falo da Alícia ou não, sabe”, resume.

Recursos Humanos
Atualmente, Karine vive como fotógrafa freelancer, enquanto cursa a faculdade de Recursos Humanos, na FAECE /UNIP. Não é preciso ratificar aqui o muito de lições de humanidade e empatia que Karine leva para a carreira que pretende seguir no ambiente corporativo.

“Como profissional de RH, quero mostrar que mulher mãe pode trabalhar, é possível. Eu quero mudar a visão cultural dos gestores, mostrar que ser uma boa profissional é tudo de que precisamos para estar no mercado de trabalho e isso pode acontecer comigo sendo também uma boa mãe, presente, que consegue acompanhar os filhos. Quero provar que não existe essa de que ser uma boa mãe e uma profissional de sucesso no ambiente corporativo não podem caminhar juntos. Em todos os lugares em que eu trabalhei antes, sempre fui mãe. Isso não impede nada. As pessoas, o mercado de trabalho ainda têm um ranço com as crianças. E elas são dever de todos nós. As pessoas esquecem de que estão sobrecarregando as mães que atuam no mercado e não estão dando para elas a condição mínima de serem mães mais presentes. As mães estão sozinhas, sem apoio para cuidar dos filhos, passando o dia em empresas que não olham para elas por inteiro”, explica a futura gestora do mercado.

Karine explica que é necessário ver outras alternativas em vez de demitir mães que, mesmo sendo excelentes profissionais, pecam diante do mercado por serem mães e precisarem de compreensão para também cuidarem das crianças. Porque, segundo ela, muitas vezes, são mulheres que botam a comida na mesa de casa. “ Como eu ajudava meu marido. Me falaram que estavam me ajudando me demitindo, mas como? Acredito que precisamos de empresas que ofereçam facilidades, como  planos de saúde, regime de cumprimento de horas mais flexível em momentos de necessidade. É preciso um olhar mais humano, menos tão somente empresarial. Precisamos nos colocar mais no lugar do outro. Acredito que em uma entrevista de emprego ninguém pergunta a um homem com filhos o que ele vai fazer se seus filhos adoecerem. Meu marido tirou uma semana para cuidar da Alícia, nada aconteceu com ele. Estamos numa condição muito frágil ainda no mercado de trabalho. Claro, tudo recai para a mãe, como se a responsabilidade fosse só dela. Poucos ajudam, todos cobram”, desabafa.

 

 

Mundo pulsante
O sorriso não sai dela. Mesmo nos relatos mais dolorosos. Tem um jeito espontâneo, bem humorado, acolhedor. Karine é um mundo pulsante também para além da maternidade e da fotografia. Adora cozinhar, comer, fazer amigos, estar com amigos. “Amo fazer massa, tortas, mousses, pão, cachorro quente, lasanha, pizza de frigideira. Meu passatempo predileto é cozinhar e comer (risos). Gosto de cozinhar para minha família amigos. Aliás, não posso me queixar de amigos”, alegra-se.

De agora pra frente, quer aprofundar-se no aprendizado da fotografia paralelo à especialização em psicologia empresarial que pretende cursar, depois que finalizar a faculdade. “Tenho uma ideia de um projeto de fotografia de pessoas icônicas de cada bairro. Sabe, aqueles anônimos famosos, que todos do bairro conhecem? Fazer um trabalho de fotografá-los como um patrimônio imaterial tão valioso daquele bairro”, planeja.

Antes disso, vem se esforçando para recuperar sua máquina fotográfica profissional, que precisou vender para pagar materiais, matrículas e mensalidades das escolas das filhas. Anda juntando uma grana para resgatar seu amuleto.

 

 

O Vida Ciranda buscou contato por telefone e por email com o Museu da Fotografia. Na última sexta-feira, foi informado que Fernanda Oliveira, coordenadora responsável pelo equipamento, é a pessoa mais indicada para falar sobre o assunto, mas que estava doente e não estava indo ao Museu. Foi um enviado um email direcionado à coordenação do Museu, mas até o fechamento desta reportagem ele não havia sido respondido.

Roda de Conversa sobre Maternidade e Mercado de Trabalho

Na próxima quarta-feira, 16 de maio, às 18h30min, o Vida Ciranda conduzirá uma Roda de Conversa na empresa Transforme Coworking (Rua Barbosa de Freitas, 1035 / Térreo, Aldeota). O momento faz parte deste Especial Maternidade no Ambiente Corporativo como relação presencial da discussão. Karine Andrade é uma das nossas convidadas especiais desse encontro. Leve suas dúvidas e compartilhe conosco sua experiência. Karine fará uma exposição especial para o evento e as fotografias podem ser adquiridas por preços variados.

 

 

Amanhã  Especial Maternidade no Ambiente Corporativo
Acompanhe mais histórias de mulheres que enfrentam o desafio de de uma rotina ativa de trabalho e maternidade.

Pôr do Sol no Mercado dos Peixes é uma ótima de diversão neste domingo das mães

Pôr do sol e sanfoneiro em uma jangada à deriva, encantando ainda mais os apreciadores do fim de tarde na orla de Fortaleza. O Projeto Pôr do Sol, iniciativa do Sesc – CE, com apoio da Prefeitura de Fortaleza, é uma ótima opção de passeio neste domingo dedicado às mães.

O projeto acontece todos os domingos, no Mercado dos Peixes, no Mucuripe, a partir das 16 horas. Músicos cearenses tocam sanfona enquanto o sol se põe. Hoje, o sanfoneiro Claudinho Sousa promete tocar clássicos de Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Dominguinhos e músicas de compositores cearenses, como Fagner e Belchior.

Visitamos o projeto Pôr do Sol em setembro do noa passado e garantimos que é mesmo encantador ver o pôr do sol ao som de música boa. Trazemos aqui, um roteiro para você curtir com as crianças o pôr do sol e muito mais que o espaço pode oferecer de afeto e diversão.

Mercado dos Peixes
Foi inaugurado ainda na década de 1960. Existia na área uma grande colônia de pescadores e o Mercado veio como facilitador para a colônia, para ajudar no comércio de peixes e frutos do mar. Alguns pescadores ainda mantêm as suas residências no local. De lá para cá, fortaleceu-se a tradição de comerciantes e moradores de Fortaleza de buscar produtos fresquinhos no Mercado. Em 2013, o espaço passou por uma grande mudança e revitalização. São 2 mil metros quadrados com 45 boxes para a venda de produtos e uma área para degustação. De acordo com a Secretaria de Tiurismo de Fortaleza (SetFor), todo o pescado vendido no Mercado dos Peixes é do litoral de Fortaleza e das redondezas, como Acaraú.

Para além do Pôr do Sol 
O espaço no Mercado é bem amplo. Para curtir melhor o pôr do sol, sente nas pedras com as crianças, ou mesmo nas mesas que ficam disponíveis. Levem máquinas fotográficas, deixem que as crianças também possam fazer registros, fotografias, vídeos. Bacana chegar cedinho, umas 16 horas, para aproveitar o máximo possível. Em um instantinho, o sol se põe.

Brincar no Parquinho
Do lado esquerdo do Mercado, há um pequeno complexo de brinquedos que podem também distrair as crianças. Como sabemos que elas não se fixam em uma atração só por muito tempo, pode ser uma opção para a garotada entre uma olhada e outra ao pôr do sol.

Fazer um lanche com as crianças
Há, claro, muitas opções de peixes e frutos do mar no cardápio do Mercado. A janta, inclusive, pode ser por lá. O preço é acessível. Ou apenas aquela água de coco com bolinha de peixe para enganar a fome da meninada. O conjunto sai em torno de R$ 20.

Caminhar no calçadão
Com olhos atentos, dá pra deixar as crianças aproveitarem bem também o caminhar pelo calçadão. A uns 500 metros do Mercado, em frente ao Parque Bisão, há um amplo espaço para brincadeiras.

Estátua de Iracema
No amplo espaço em frente ao Parque Bisão, está localizada a Estátua Iracema Mucuripe. A área é parte da 2ª etapa de requalificação da Beira Mar, entregue há menos de 1 ano. A escultura é do artista plástico pernambucano Corbiniano Lins e mostra uma cena do romance onde está Iracema com seu marido, o português Martim Soares Moreno, o fiel cachorro Japi e o filho do casal, Moacir. Em meio ao cenário do Mucuripe, onde predomina as embarcações marítimas, a escultura retrata o momento da partida da família em uma jangada. Foi inaugurada em 24 de junho de 1965, durante o centenário do romance. Sua última restauração foi realizada em maio de 2012.
Fonte: Lides e algo mais

Letreiro Ceará
O letreiro com o nome Ceará é uma boa opção para tirar fotos com as crianças no meio das letras. Também está localizado no largo, em frente ao Parque Bisão.

Dá para tomar banho de mar?
Interessante verificar a balneabilidade do local, no dia. Todas as sextas-feiras, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) lança a relação de pontos próprios e impróprios para o banho em toda a orla de Fortaleza. No dia em que fomos, uma das galerias pluviais, que deságua no mar bem pertinho do Mercado, estava bem cheia de lixo… Pode acontecer por conta desse período mais chuvoso. Se você verificar que o mar está próprio para banho, tente se afastar um pouco mais das galerias. Diante de um banho com as crianças, não esqueça toalhas e mudas de roupas.

 

De acordo com o boletim mais recente da SEMACE, lançado na sexta-feira mais recente, 11, este ponto está impróprio para o banho. Você também pode consultar pelo aplicativo gratuito Semace Balneabilidade, disponível para IOS e Android. Você pode saber mais aqui

 

Passeio de Escuna
Bem próximo ao Mercado dos Peixes, é possível fazer passeios de escuna pela orla de Fortaleza. Mas, pelos horários, você terá que escolher entre ver o pôr do sol do Mercado, ou embarcado no veleiro, porque o horário do passeio de escuna é das 16h às 18 horas. Você pode escolher por viver as atrações separadamente, em dois domingos. Não há restrição de idade. O passeio custa em média R$ 45. Vale muito a pena!

 

Serviço:
Projeto Pôr do Sol no Mercado dos Peixes
Quando: Todos os domingos
Horário: das 17 h às 18 horas
Endereço: Av. Beira Mar, 4670, Meireles / Mucuripe