Pôr do Sol no Mercado dos Peixes é uma ótima de diversão neste domingo das mães

Pôr do sol e sanfoneiro em uma jangada à deriva, encantando ainda mais os apreciadores do fim de tarde na orla de Fortaleza. O Projeto Pôr do Sol, iniciativa do Sesc – CE, com apoio da Prefeitura de Fortaleza, é uma ótima opção de passeio neste domingo dedicado às mães.

O projeto acontece todos os domingos, no Mercado dos Peixes, no Mucuripe, a partir das 16 horas. Músicos cearenses tocam sanfona enquanto o sol se põe. Hoje, o sanfoneiro Claudinho Sousa promete tocar clássicos de Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Dominguinhos e músicas de compositores cearenses, como Fagner e Belchior.

Visitamos o projeto Pôr do Sol em setembro do noa passado e garantimos que é mesmo encantador ver o pôr do sol ao som de música boa. Trazemos aqui, um roteiro para você curtir com as crianças o pôr do sol e muito mais que o espaço pode oferecer de afeto e diversão.

Mercado dos Peixes
Foi inaugurado ainda na década de 1960. Existia na área uma grande colônia de pescadores e o Mercado veio como facilitador para a colônia, para ajudar no comércio de peixes e frutos do mar. Alguns pescadores ainda mantêm as suas residências no local. De lá para cá, fortaleceu-se a tradição de comerciantes e moradores de Fortaleza de buscar produtos fresquinhos no Mercado. Em 2013, o espaço passou por uma grande mudança e revitalização. São 2 mil metros quadrados com 45 boxes para a venda de produtos e uma área para degustação. De acordo com a Secretaria de Tiurismo de Fortaleza (SetFor), todo o pescado vendido no Mercado dos Peixes é do litoral de Fortaleza e das redondezas, como Acaraú.

Para além do Pôr do Sol 
O espaço no Mercado é bem amplo. Para curtir melhor o pôr do sol, sente nas pedras com as crianças, ou mesmo nas mesas que ficam disponíveis. Levem máquinas fotográficas, deixem que as crianças também possam fazer registros, fotografias, vídeos. Bacana chegar cedinho, umas 16 horas, para aproveitar o máximo possível. Em um instantinho, o sol se põe.

Brincar no Parquinho
Do lado esquerdo do Mercado, há um pequeno complexo de brinquedos que podem também distrair as crianças. Como sabemos que elas não se fixam em uma atração só por muito tempo, pode ser uma opção para a garotada entre uma olhada e outra ao pôr do sol.

Fazer um lanche com as crianças
Há, claro, muitas opções de peixes e frutos do mar no cardápio do Mercado. A janta, inclusive, pode ser por lá. O preço é acessível. Ou apenas aquela água de coco com bolinha de peixe para enganar a fome da meninada. O conjunto sai em torno de R$ 20.

Caminhar no calçadão
Com olhos atentos, dá pra deixar as crianças aproveitarem bem também o caminhar pelo calçadão. A uns 500 metros do Mercado, em frente ao Parque Bisão, há um amplo espaço para brincadeiras.

Estátua de Iracema
No amplo espaço em frente ao Parque Bisão, está localizada a Estátua Iracema Mucuripe. A área é parte da 2ª etapa de requalificação da Beira Mar, entregue há menos de 1 ano. A escultura é do artista plástico pernambucano Corbiniano Lins e mostra uma cena do romance onde está Iracema com seu marido, o português Martim Soares Moreno, o fiel cachorro Japi e o filho do casal, Moacir. Em meio ao cenário do Mucuripe, onde predomina as embarcações marítimas, a escultura retrata o momento da partida da família em uma jangada. Foi inaugurada em 24 de junho de 1965, durante o centenário do romance. Sua última restauração foi realizada em maio de 2012.
Fonte: Lides e algo mais

Letreiro Ceará
O letreiro com o nome Ceará é uma boa opção para tirar fotos com as crianças no meio das letras. Também está localizado no largo, em frente ao Parque Bisão.

Dá para tomar banho de mar?
Interessante verificar a balneabilidade do local, no dia. Todas as sextas-feiras, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) lança a relação de pontos próprios e impróprios para o banho em toda a orla de Fortaleza. No dia em que fomos, uma das galerias pluviais, que deságua no mar bem pertinho do Mercado, estava bem cheia de lixo… Pode acontecer por conta desse período mais chuvoso. Se você verificar que o mar está próprio para banho, tente se afastar um pouco mais das galerias. Diante de um banho com as crianças, não esqueça toalhas e mudas de roupas.

 

De acordo com o boletim mais recente da SEMACE, lançado na sexta-feira mais recente, 11, este ponto está impróprio para o banho. Você também pode consultar pelo aplicativo gratuito Semace Balneabilidade, disponível para IOS e Android. Você pode saber mais aqui

 

Passeio de Escuna
Bem próximo ao Mercado dos Peixes, é possível fazer passeios de escuna pela orla de Fortaleza. Mas, pelos horários, você terá que escolher entre ver o pôr do sol do Mercado, ou embarcado no veleiro, porque o horário do passeio de escuna é das 16h às 18 horas. Você pode escolher por viver as atrações separadamente, em dois domingos. Não há restrição de idade. O passeio custa em média R$ 45. Vale muito a pena!

 

Serviço:
Projeto Pôr do Sol no Mercado dos Peixes
Quando: Todos os domingos
Horário: das 17 h às 18 horas
Endereço: Av. Beira Mar, 4670, Meireles / Mucuripe

durante o espetáculo 2

Juntos, dentro e fora do picadeiro. Conheça as histórias de amor que movem a Cia Laguz Circo

Eles buscavam um encontro com eles próprios e encontraram um ao outro. Tornaram-se parceiros do picadeiro e da vida. O palhaço Suspiro e a palhaça Burbuja cruzaram seus olhares traquinos por um arranjo engenhoso do destino. Felipe Abreu, 28, é de Fortaleza, e Romina Sanchez, 33, da Argentina. Conheceram-se durante um curso de formação de palhaços, em 2013, na Escola Nacional de Circo, no Rio de Janeiro. Desde então, a vida dos dois tornou-se uma bela palhaçada só, Brasil a fora.

 

 

 

Romina estudava paisagismo em Buenos Aires, antes de se reconhecer palhaça. Sempre gostou de viajar. Fazia malabarismo nas horas vagas e curtia se apresentar para as crianças. Felipe não sabia o que fazer no último ano do Ensino Médio, quando ainda imaginava o mundo pelos contornos de Messejana. Pensava em Psicologia, Serviço Social, Ciências Sociais... Durante um cursinho pré-vestibular, fez uma oficina de artes cênicas no Teatro José de Alencar (TJA). Lá, conheceu a linguagem do palhaço e do circo, pela Residência Artística, vinculada ao TJA. E se encantou.

 

Foi pela Escola Nacional que Felipe decidiu tornar-se palhaço profissional. Assim como Romina, que também lá se formava em trapézio. Com o fim dos cursos, decidiram seguir juntos pelos caminhos que as gargalhadas os levassem. Uniram os números "A Joaninha", de Felipe, e "Metamorfoses", de Romina, na apresentação "Encontro de Dois Mundos" e se lançaram para Florianópolis. Lá nasceu, em 2014, o nome da união que os define até hoje: Companhia Laguz Circo.

 

Romina explica que o nome Laguz vem das letras runas. Trata-se de uma das 24 letras usadas para escrever línguas germânicas do século II d.C. ao XV d.C. Cada uma delas possui uma simbologia oracular, conforme explica Romina, muito utilizada para meditar. Ela esclarece que Laguz foi a pedra escolhida em uma semana muito importante para o casal e representa água, fluir, rede de relações e emoções. Tudo a ver com eles. 

 

Passaram um ano em Florianópolis, fazendo teatro e circo de rua. Em janeiro de 2015, decidiram vir para Fortaleza, mas não sem aproveitar o trajeto. Laguz viveu a primeira itinerância por aqueles oito meses seguintes. Para isso, montaram o projeto “Se essa praça fosse minha...”, arrecadaram dinheiro por crowdfunding e, a bordo do verde fusca Olivério, e, acompanhados da cadela Lamparina que adotaram no percurso, viveram a arte circense no que ela tem de mais original, visceral e, talvez, emocionante.

Felipe e Romina durante a priemira itinerância da Cia Laguz Circo, em 2015. (arquivo pessoal)

Lamparina (arquivo pessoal)

 

Viveram o teatro e o circo em sete estados, passando por 26 cidades em 70 apresentações. “Fomos para lugares que nunca imaginávamos que existissem. Tinha dias em que só o vendedor de pano de chão nos assistia, na praça, mas estávamos ali fazendo o que amamos, com uma consciência muito maior do nosso papel social. Não é simplesmente tirar sorrisos das pessoas. Foi uma experiência maravilhosa, que nos fortaleceu muito como artistas e como casal”, relembra Felipe. “Minha cidade é a que me acolhe, me alimenta. Me identifico com o lugar onde estou”, me diz a alma andarilha de Romina.

 

Quando chegaram a Fortaleza, no segundo semestre de 2015, já traziam o espetáculo “Suspiros e Burbujas” bem delineado na bagagem. Escolheram Fortaleza como uma cidade de suporte para planejar as próximas aventuras. Durante 2016, experienciaram, além de outras ações, o projeto O Riso Vai de Fusca, levando a magia do espetáculo para muitas cidades do interior do Ceará. Esses palhaços viajantes vêm sonhando pôr o pé na estrada também pela Europa.

Encontrei Romina e Felipe, numa tarde de um domingo de apresentação no Centro Cultural Bom Jardim. Conversamos enquanto eles se arrumavam. Cada detalhe é pensado com cuidado. Amarrações aqui, pinturas acolá e o zelo com a mala que carrega um circo inteiro, em que guardam o picadeiro como suas próprias vidas. Em alguns momentos eles parecem se fundir numa única mágica de transformação. Já são hábeis em entregar-se às vidas de Burbuja e Suspiro. E o fazem numa devoção apaixonada. E apaixonante.

 

 

“Minha palhaça me ensinou a olhar o universo com um olhar bonito e sincero. Às vezes, a gente não sabe direito se eles [o público] estão gostando, se estão entendendo, mas no final a gente descobre o encantamento deles. E se encanta ainda mais junto. O palhaço encanta pela simplicidade e Burbuja me ensina isso todo dia. É uma conexão com a criança em si, com o riso sincero da criança e do adulto”, emociona-se Romina.

 

“O que o palhaço me traz e o que eu gostaria de levar para as pessoas é esse olhar de simplicidade, como o encantamento, a beleza, a alegria podem vir pelas coisas simples e não pelas coisas tão complexas. A vida já é complexa demais. Podemos voltar para o simples e se sentir realizado também”, reflete Felipe.

 

Felipe me conta que eles vivem uma descoberta diferente em cada apresentação e acredita no desafio de tornar as artes cênicas um hábito do brasileiro. “O espetáculo nunca é o mesmo porque o público não é, mesmo que sejam as mesmas pessoas. Somos muito carentes de arte, mas somos muito culturais. Meu desejo é suprir essa carência. Acho que o artista deve ir onde o público está, por isso o projeto “Se essa praça fosse minha...” foi tão importante pra gente. Fomos a lugares em que jamais chegaríamos se não fosse daquela maneira”, resume emendado pela observação de Romina: “Acho que respondeu a nossa pergunta de ‘qual o papel do artista?' É está o público está, seja na praça, na rua, no teatro, debaixo da lona do circo".

 

Felipe completa: “O Circo, o teatro é informação, é consciência de si e do outro. Não criamos um espetáculo pensando necessariamente na mensagem, mas a mensagem está nas entrelinhas. As pessoas saem transformadas de alguma maneira pela criança que despertam dentro de si”, resume.

 

E não há show em que Romina, Burbuja, Felipe e Suspiro não agradeçam de maneira emocionada ao público. E à vida.

pai Rafael Festa

Conversamos com Rafael Festa, o pai que emocionou as redes sociais com texto sobre a chegada do filho adotivo Kauan, de 10 anos. Confira!

A adoção extrapola entendimentos sobre por quê, como, o quê, quando. Claro, a adoção parte da decisão de ter um filho, mas é o dia a dia que vai explicando o que move, não há teorias fechadas. E isso não se restringe apenas a querer ser pai e mãe. É muito mais. Adotar é multiplicar amor. Mais que isso, é também permitir ser ainda mais amado. É desafio para os dois lados. Como nas relações biológicas, é uma relação conquistada dia a dia. Pai, mãe e filhos não nascem prontos, em nenhuma condição. A construção da família é também pelos olhares, pelos toques, pelos conflitos, pelas alegrias, pelas conquistas, pelas dificuldades, pela cumplicidade, pelo companheirismo, pelos amanheceres e anoiteceres juntos. A identidade familiar vai se constituindo à medida que os laços se fortalecem e as experiências entre pais, mães e filhos vão justificando aquele encontro que os uniu um dia. 

 

 

Na noite do último dia 26, o fotógrafo Rafael Festa postou em seu perfil no Facebook a chegada do filho Kauan, de 10 anos. O ganho da guarda do menino, depois da entrada do pedido de adoção, havia chegado naquele dia, com muita alegria para os pais, o fotógrafo Rafael Festa, 32, e para a gerente comercial Tatiani Ziegler, 30. Emocionado, ele postou um texto nas redes sociais que conquistou milhares de curtidas e comentários. Até o fechamento desta matéria (às 16 horas do dia 28 de fevereiro), são eram mais de 88 mil compartilhamentos e 40 mil comentários. No texto, Rafael compara toda ansiedade, contentamento, surpresa, beleza e transformação em relação à chegada do filho adotivo ao processo da chegada de um filho biológico. Difícil não se render às palavras de Rafael. 

 

 

Hoje, Rafael falou ao Vida Ciranda como foi o processo, desde quando ele e a esposa resolveram adotar até o dia em que Kauan, enfim, chegou ao lar. Logo abaixo, reproduzimos o texto que Rafael postou. Após, entrevista exclusiva dele ao Vida Ciranda. 

 

 

... E O NOSSO BEBÊ NASCEU!

Com 1,44m, 40 quilos e... 10 anos :O
Nossa gestação não foi das mais convencionais. Não vimos nossa barriga crescer (exceto a minha, mas não por este motivo), mas nosso peito já não aguentava mais de tanto aperto.
Tivemos um curso para explicar como seria nossa gravidez.
Ao invés de um teste de farmácia, tivemos uma assistente social nos falando que existia a possibilidade de estarmos grávidos.
Não ouvimos seu coração bater através de uma máquina, mas o nosso acelerou quando uma porta abriu e ele veio em nossa direção.
Não fizemos nenhum ultrassom, mas semana a semana tínhamos nossas visitas para poder ver o rostinho do nosso bebê.
Não experimentamos desejos estranhos nem passamos por enjoos terríveis, mas Deus sabe quão ruins eram os domingos à noite, quando precisávamos levá-lo de volta à casa-lar.
O acompanhamento da gestação não foi feito por enfermeiras e obstetras, mas sim por psicólogas e assistentes sociais.
A correria para montar o quarto do nosso bebê foi a mesma, mas ele estava junto para opinar na decoração.
Não podíamos bradar ao mundo todo que estávamos grávidos, mas sabíamos que o mundo seria pequeno para tanto amor.
As nossas dores de parto foram as angustiantes semanas de espera por decisões burocráticas.
E hoje, o nosso parteiro foi um juiz, sentado em uma cadeira, que assinou um papel e o nosso filho, finalmente, está em nossos braços.
Ao invés de pensar as fases que perdemos, eu gosto de imaginar todas as coisas que já conquistamos e o que ainda vamos conquistar.
Não ouvimos suas primeiras palavras, mas ouvimos ele falar: “Tia, semana que vem quero ir pra sua casa e não quero voltar mais.”
Não acompanhamos seus primeiros passos, mas vamos ser o chão dele em qualquer tombo que a vida quiser dar.
Não o levamos pro seu primeiro dia de aula, mas temos trocado um aprendizado constante a cada dia.
Não ouvimos seu primeiro choro, mas certamente acompanharemos sua primeira desilusão amorosa.
Talvez não consigamos andar com ele no colo por aí, mas aquele colinho no fim do dia ainda tem um sabor especial.
Não tivemos que o colocar em um berço, mas amamos quando ele vai no nosso quarto nos chamar pra dar boa noite pra ele.
Não passamos pela temida fase dos “porquês”, mas estaremos sempre o estimulando a questionar a vida.
Não o vimos aprender a escrever, mas estaremos do seu lado, ajudando a escrever o seu futuro da melhor maneira possível.
Ainda somos “tio” e “tia”, e não nos importamos com isso. O amor incondicional vai além dos títulos. O amamos não pelo que ele sente por nós ou pelo que ele pode nos oferecer, mas sim por que queremos toda a felicidade do universo pra ele.
Ainda estamos aprendendo a ser pai e mãe. Da notícia da gestação até o parto foram 8 meses. Um parto até prematuro 😀
Ainda erramos muito e tenho certeza que isso é uma constante na paternidade. Mas hoje podemos compreender melhor que cada pequena falha foi uma intenção de acertar que não vingou.
Não temos palavras pra agradecer todo o suporte e palavras de incentivo que temos recebido. Nem tentarei colocar nomes aqui pois, certamente, serei injusto com alguém. Mas nosso coração reconhece cada pessoa que tem nos ajudado nessa caminhada.
E que venham todos os clichês sobre pais que sempre ouvimos...

 

 

Vida Ciranda:  Rafael, surpreende você a repercussão do texto que publicou? Em um minuto em que eu tentei acompanhar os comentários, já foram postados mais de 60 novos! 
Rafael: Estou muito surpreso. Não imaginava, em hipótese alguma, tanta repercussão assim. Não estou nem conseguindo acompanhar os comentários.

 

 

Vida Ciranda: O quê, na sua opinião, isso diz sobre o que pensa a sociedade sobre a temática da adoção e sobre a decisão de vocês? 
Rafael: A gente percebe que existe muitas dúvidas ainda sobre adoção. Principalmente sobre adoção tardia. Até estou preparando um vídeo sobre as principais dúvidas sobre o assunto. Acho que sai hoje ainda.

 

 

Vida Ciranda: Por que decidiram adotar e optaram por uma criança maior?
Rafael: Por conta da nossa rotina, o período gestacional e licença maternidade seria um pouco complicado. Então optamos pela adoção. Desde o início já tínhamos em mente adotar uma criança mais velha. Após o curso de habilitação obrigatório para quem quer adotar, tivemos ainda mais certeza sobre a nossa decisão.

 

 

Vida Ciranda: Quais as principais dificuldades que encontraram desde a decisão tomada até serem conquistados pelo filho de vocês, hoje, passando pela burocracia de o ter oficialmente?
Rafael: A principal dificuldade foi a ansiedade. Existe uma parte burocrática que é até necessária para garantir o bem da criança. Às vezes, é um pouco além do que deveria ser, aí gera uma expectativa enorme. Mas fora isso, as coisas aconteceram de forma bem natural.

 

 

Vida Ciranda: Durou quanto tempo? Desde a decisão de vocês até tê-lo com vocês?
Rafael: Tivemos nosso primeiro contato com o Fórum no início de junho do ano passado. No final de junho, já fizemos o curso e na mesma semana já conhecemos ele. Desde então, ele vinha todos os finais de semana pra nossa casa. Quando pegou férias em dezembro veio definitivo e agora, final de fevereiro, saiu a guarda.

 

 

Vida Ciranda: Como foi chegar até ele, ser conquistado por ele? Como é o nome dele?
Rafael: Nós já tínhamos tido contato com uma Casa Lar, em uma ação que fizemos aqui pela nossa igreja, mas foi muito tempo atrás, a gente nem tinha entrado com processo de adoção, nada. A gente sempre cogitou essa possibilidade, mas a gente nunca tinha conversado realmente sobre isso. Na metade do ano passado, a gente conversando sobre a nossa rotina, percebeu que uma adoção seria o mais viável pra gente, o mais interessante. A gente tinha vontade de ser pai e mãe e optamos pela adoção. Então, o processo foi todo muito rápido. A gente entrou em contato com o Fórum e, na mesma semana que a gente fez o curso de habilitação, a gente já fez contato com o Kauan. Foi bem rápido mesmo. 

 

 

Vida Ciranda: Vocês não conheciam o Kauan antes?
Rafael: Ainda não.

 

 

Vida Ciranda: Como era o perfil da criança que vocês se cadastraram?
Rafael: Deixamos o nosso bem amplo. Entre 3 e 10 anos, independente do sexo, cor, aceitando irmãos, com possibilidade de deficiência física, com HIV. Então, pela abrangência do nosso perfil, foi muito rápido.

 

 

Vida Ciranda: E como foi ver o Kauan pela primeira vez? E ele ver vocês? Qual a reação de vocês e o que você acha que ele também sentiu? Ele estava em um abrigo desde bebê?
Rafael: Ele estava há pouco tempo no abrigo e, a princípio, entramos como padrinhos afetivos. Ele não sabia da nossa intenção de adotar. Mas foi tudo muito natural. Ele é um menino muito falante e dominou a conversa conosco.

 

 

Vida Ciranda: Tê-lo foi uma escolha entre outras crianças, ou já houve um encaminhamento direcionado?
Rafael: Já foi direcionado o perfil dele direto a nós.

 

 

Vida Ciranda: E como tem sido, Rafael? Ele vinha passando os fins de semana com vocês... Como tem sido desde o comecinho? Qual o maior desafio, as alegrias que vocês já vêm vivendo juntos? Está sendo como imaginou?
Rafael: Está sendo muito bom. As coisas foram acontecendo bem naturalmente. Ele é um menino de ouro, super educado e muito amigável com todos. Fora o desafio da ansiedade, o restante foi muito tranquilo.

 

 

Vida Ciranda: Tem mais um monte de dúvidas, mas vou deixar que vocês vivam um pouco mais esse momento. Acho que há tantas perguntas q vocês não saberiam responder e nem gostariam, agora... Parabéns pela decisão de vocês!
Rafael: Eu que agradeço, Sara. Obrigado por compartilhar nossa história e incentivar outras pessoas a experimentarem essa sensação maravilhosa pela qual estamos passando.

 

 

Vida Ciranda: Ele chegou definitivamente na segunda (26 de fevereiro de 2018), não é?
Rafael: Isso. É a guarda provisória ainda. Mas legalmente já temos todos os deveres e direitos da paternidade.

 

 

Vida Ciranda: Em quanto tempo sai a definitiva?
Rafael: Isso varia muito. Não temos uma previsão.

espaço_Fernanda sentada

Escola com abordagens Pikler e Reggio Emilia começa atividades em 2018, em Fortaleza

Visitamos a Escola Aquarela, primeira na Capital que se propõe educar crianças de 0 a 5 anos e 11 meses pelas abordagens da médica húngara Emmi Pikler e da filosofia educacional da cidade italiana Reggio Emilia.

Metodologias baseadas no respeito à criança, a partir do respeito ao tempo, ao espaço e à autonomia singularizados. Abordagens de valorização do vínculo cuidador-criança que trazem o adulto como figura que transmite confiança e afeto nos processos de investigação e descoberta livres das crianças. Os ensinamentos da médica húngara Emmi Pikler e da filosofia educacional implementada pelo professor Lóris Malaguzzi em escolas na cidade italiana Reggio Emilia norteiam a prática da Escola Aquarela, que estreia na rede de ensino da Capital, em 2018, como única a adotar, integralmente, os dois parâmetros na Educação Infantil.

A fonoaudióloga Fernanda Magalhães Leitão lid

Segundo a fonoaudióloga Fernanda Magalhães Leitão, à frente do trio de profissionais responsável pela escola Aquarela, a abordagem Pikler orienta todo o conceito do que está sendo preparado para receber bebês de até 3 anos. Já o modelo Reggio Emilia guia a elaboração do trabalho com meninos e meninas de 3 a 5 anos e 11 meses. O trio é composto ainda por uma pedagoga e uma psicóloga.

Mural de recordações que conta a história afetiva da casa acolhe quem chega ao espaço

Na visita que fizemos à Escola, não foi difícil percebermos todo o capricho, a dedicação e o estudo que vêm conduzindo a construção da instituição. Pelo que Fernanda nos conta, a casa já guarda em si memórias de carinho e aconchego, já que pertence à família da Fernanda há muito tempo. É o local onde ela e os irmãos viveram a infância. Com ampla área que se divide em inúmeros cômodos e vasto quintal, toda a estrutura foi pensada e adaptada para que as metodologias sejam postas em prática “à risca”, descreve Fernanda.

Estrutura
Logo na entrada, a história afetiva da casa é apresentada por um mural de fotos recordações. Uma sala espaçosa à direita, de piso quente, já abriga os materiais que serão utilizados pelos bebês. As peças como cubos de tamanhos variados e labirinto, são todas de madeira crua, pensadas para facilitar a exploração livre e o desenvolvimento das capacidades motoras, a fim de favorecer o entrar e o sair, o subir e descer dos nenens. Nada suspenso ou fixado.

O berçário com capacidade para oito bebês é o único local fechado, com ar condicionado e câmeras para melhor acompanhamento das crianças pelos cuidadores. Além da cozinha, há banheiros e refeitório adaptados às várias faixas de idade das crianças.

 O mobiliário de madeira crua para uso das crianças do Berçário e do Infantil I foi pensado para possibilitar a exploração livre e o desenvolvimento das capacidades motoras

No andar de cima ficam as turmas do Infantil III a V. Uma escada em leve caracol, com proteção nas laterais, carregada de lembranças de traquinagens da Fernanda e dos três irmãos, nos conduz até elas. Há também um elevador de acessibilidade adequado às crianças. Em cima, cores identificam os espaços de sala de aula de acordo com os ciclos de aprendizagem. Todas ventiladas por janelas largas com aberturas apenas por venezianas.

As turmas do Infantil III a V funcionarão em salas no andar de cima, identificadas por cores diferentes

No quintal, há piscina protegida por grades altas e uma rampa que nos conduz à terra. No dia em que visitamos, Fernanda ainda finalizava o espaço. Segundo ela, haverá horta, tanques de areia e parque sonoro. Para além do muro, segundo a fonoaudióloga, há um terreno já da escola a ser incorporado na rotina ao ar livre das crianças. Torcemos para que a área de contato das crianças com a terra seja aumentada em breve.

“Aqui não vamos ter alunos, vamos ter crianças, estão aqui para descobrir, brincar, vivenciar. Quando decidimos montar uma escola, já pensamos que ela não seria nos moldes de uma escola comum. Muitas se dizem construtivistas, mas não o são, de fato. Nosso esforço é para que as abordagens com que escolhemos trabalhar, confiadas pelos pais, sejam realmente seguidas por toda a equipe”, garante Fernanda.

Currículo e Atividades extras
Fernanda explica que “a importância do Brincar, o aprender brincando, é a base de tudo o que pretendemos fazer aqui”. Ela reforça a importância do ambiente preparado e seguro e o fortalecimento de vínculo com o cuidador, pelo cuidado, o afeto e o brincar. “A base do indivíduo está na infância, no brincar. Se ele não brinca, em algum momento, vai sentir falta desse tempo mais tarde. Priorizamos o brincar livre, a ludicidade e a fantasia das crianças como mediadores de todo processo ”, considera.

A proposta pedagógica inclui, segundo a fonoaudióloga com extensa experiência em UTI Neonatal, o máximo de experiências sensoriais, expressivas, corporais, de relações sociais e ligadas à natureza. O currículo elenca também projetos literários e musicais, ateliê de artes, esportes, como natação e capoeira, e passeios culturais. A partir dos 3 anos, as crianças verão Inglês e Libras, não pela visão do método tradicional, mas “propondo vivências e atividades”, acrescenta Fernanda.

Nosso esforço é romper com o modo escolarizante e assistencialista da Educação atual. Não necessariamente as crianças vão sair daqui alfabetizadas. Não é nossa principal preocupação. Nosso foco são as experiências, a autonomia em diversos aspectos e os projetos delas próprias, principalmente, a partir dos três anos, que elas devem vivenciar sempre em grupos, em cooperação”, emenda.

Fernanda acrescenta ainda que a escola está toda pensada para tornar-se uma instituição Selo Verde. "A escola está projetada para receber teto solar, coletar água da chuva, fazer a coleta seletiva do lixo, e preparada para utilizar amplamente, principalmente nas atividades com as crianças, materiais reciclados", enumera.

Aliás, o uso de materiais reciclados é destacado por Fernanda nas brincadeiras das crianças como forma de estimular a imaginação e a criatividade. "Não teremos nenhum brinquedo pré-fabricado. Vamos trabalhar a construção e a desconstrução a partir dos reciclados. É tudo tão simples e rico ao mesmo tempo. Prezamos por um mundo de criação, de imaginação, de autonomia. Está faltando isso. A educação hoje é muito assistencialista e diretiva ", esclarece a Fernanda.

Número de estudantes e formação dos professores
Fernanda nos conta que a Escola se prepara para receber oito bebês no Berçário e cerca de 60 crianças em turmas únicas do Infantil I ao V, o que reserva uma média de 12 alunos por turma. Em cada sala, Fernanda assegura, uma professora e uma auxiliar. “Desde o começo pensamos em poucas crianças. Queremos qualidade e não quantidade”, justifica Fernanda.

Uma equipe de 10 pedagogas está sendo formada nas abordagens Pickler e Reggio Emilia, há cerca de 1 ano. Todo processo de formação foi desenvolvido pela própria equipe de responsáveis pela escola. O material pedagógico utilizado no aperfeiçoamento dos professores, de acordo com Fernanda, foi desenvolvido a partir de referências bibliográficas e consultas a profissionais das faculdades de educação do Estado. “A ideia é que a gente também possa oferecer formação a professores de fora”, planeja.

Valor
Fernanda não explicitou o valor da mensalidade, mas disse estar na média de valores da Educação Infantil da cidade, das redondezas, sem taxa de matrícula.

Horários de aulas
Manhã: 7h30min – 11h30min
Tarde: 13h30min –17h30min
Integral – Escola Projeto Vivências Integradas (PVI) - 7h30min - 17h30min

Fachada da escola quando a visitamos, no dia 31 de outubro

Vagas e Matrículas
Bercário – 8 vagas.
Infantil I – V – aproximadamente 60 vagas.
Matrículas, com desconto, vão até 7 de dezembro. Do dia 7 de dezembro em diante, não incluso desconto. “Oficialmente, as matrículas vão até a última segunda-feira (29) de janeiro (quando começam as aulas), mas o tempo de matrícula é bastante flexível na Educação Infantil, aqui. Enquanto houver vagas, podemos ver as possibilidades”, tranquiliza Fernanda.

SERVIÇO:
Aquarela Espaço Infantil
Endereço: Rua Manoel Firmino Sampaio, 311, Patriolino Ribeiro.
Próximo à nova sede da OAB Ceará, na Washington Soares.
Mais informações / Marcação de visitas: (85) 3241 3289 / 3121 8220 / 98882 1972
E-mail: contato@aquarelaespacoinfantil.com.br

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Sessão de cinema para autistas e a importância da equidade

Promover a inclusão é promover a equidade, é fazer com que todos se sintam em condições adequadas de serem partícipes de um processo, a partir de suas limitações, mas com foco no que cada um de nós, nenhum a menos, pode fazer e ser para colaborar e experienciar. Pela terceira vez, a Associação Fortaleza Azul (FAZ) promove, em parceria com Cinépolis e Shopoping Riomar Fortaleza, a sessão gratuita de cinema para autistas e seus familiares. A partir das 10 horas de amanhã, sábado, dia 15, será exibido, em duas salas adaptadas, o filme Meu Malvado Favorito 3

De acordo com Fernanda Cavalieri, presidente da FAZ, há a consciência de que não se trata de uma inclusão perfeita, já que é uma sessão separada de uma sessão convencional. “O que queremos é gerar confiança nas famílias. A maioria dos familiares de crianças com autismo tem medo de levá-las para o novo, porque tudo pode assustar numa sessão comum: o escuro, o barulho… não é inclusão essa separação, mas entendemos a sessão adaptada como um processo de adaptação mesmo e de segurança para estar em uma sessão comum”, defende Fernanda. Ela conta que pais que participaram das sessões anteriores já comemoram a ida mais tranquila a sessões não adaptadas.

Um segundo aspecto positivo apontado por Fernanda é a questão social. Na sessão adaptada, o acesso da família inteira da criança é gratuito.  Mãe de gêmeos com autismo, Fernanda explica que a maioria das famílias renuncia a ida ao cinema convencional, que não é uma diversão barata, porque sabe que a diversão pode acabar nos primeiros 20 minutos, porque a criança se assusta com algo, quer ficar em pé, ir pra perto da tela ou simplesmente perde o interesse e quer ir embora. “Na sessão adaptada, família e criança se tranquilizam, a criança vai compreendo a experiência de estar no cinema e a família não precisa ficar contendo a criança com medo do que o outro possa dizer. “, destaca Fernanda.

O terceiro aspecto muito positivo é a troca entre as famílias. “O diagnóstico tem sido cada vez mais precoce, então famílias recém diagnosticadas têm acesso a outras famílias, com mais experiência e confiança nessa convivência com o autismo. Essa  troca, esse contato é muito bacana”, comemora Fernanda.

A iniciativa da FAZ me emociona e me entusiasma porque reconheço nela a sensibilidade real da equidade, aquela que devemos perseguir e que tantas vezes nos escapa quando agimos e falamos em prol da inclusão. Não se trata de favor, não se trata de cumprirmos um protocolo do politicamente correto, mas de assegurarmos direitos! Nestes tempos tão difíceis de desrespeitos aos direitos dos indivíduos e de desleixo com o cumprimento de deveres, a sessão adaptada e gratuita a autistas e familiares enaltece aspectos importantes do exercício pleno da cidadania. Promover equidade não é fácil. Mas o conviver em si não é. Caminhar junto significa o olhar constante para o outro com empatia e com sentimento de cooperação, significa olhar pra si como parte do mundo e não como o mundo inteiro em si. Porque se é para evoluirmos, evoluamos todos juntos, cada um com suas particularidades sim e não há este que não as tenha, tão diferentes. Somos diferentes. Este é o desafio da convivência. Esta é a riqueza das relações.

Cerca de 500 famílias são esperadas para assistir ao filme Meu Malvado Favorito 3, em duas salas com luz ambiente, som moderado e sem apresentação de trailers, como exige o público. Semelhante às duas outras sessões, que ocorreram em 2016, participantes poderão doar material escolar e de higiene pessoal que serão distribuídos para o Centro de Integração Psicossocial do Ceará, conhecido como Bem-me-Quer, localizado no bairro Praia do Futuro.

A FAZ está em atuação há 2 anos e 4 meses e já festeja grandes avanços por ações de conscientização do Trastorno do Espectro do Autismo (TEA), bem como de inclusão social. Entre as ações estão Uma Sinfonia Diferente – primeiro musical do Nordeste feito por pessoas com autismo, realizado em abril de 2016, e a participação no evento Ação Global, com a inserção de um stand sobre autismo em parceria com o SESI.

Serviço:
Sessão gratuita de Cinema para familiares e crianças com TEA
Data:
15 de julho – sábado
Horário: 10h
Local: Cinépolis Shopping Riomar (Rua. Des. Lauro Nogueira, 1500 – Papicu)

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Celular na sala de aula. “Os professores têm interesse em fazer com que dê certo”, conclui pesquisadora.

Já não dá mais fazer de conta que o celular não existe nas escolas. Se não permitido, ele invade clandestinamente as salas de aulas por dentro das mochilas, dos bolsos, por debaixo das saias. Faz conexão com seus fiéis usuários por olhares fortuitos entre uma abaixada de cabeça e outra do professor, ou por fones que se escondem entre cabelos e contam com a habilidade de mãos que manipulam o aparelho no universo inenarrável que existe debaixo da mesa de apoio da carteira dos estudantes. Não faltam manobras dos adolescentes para não se desgrudar dele. Se permitido, o celular se mostra um bom companheiro aos professores e um alento aos estudantes ávidos por seu uso a qualquer hora. Ainda assim, o uso do celular como ferramenta pedagógica ainda é um caminho pouco desbravado, mas que já conta com o entusiasmo de muitos professores conscientes da realidade que ronda a escola e que se mostram abertos a experimentar. Foi o que concluiu a pesquisadora Diana Montenegro Ribeiro durante sua pesquisa de mestrado. Na tarde dessa terça, 3, ela defendeu a tese Dialogando com professores: o celular como analisador da relação professor / mídia / aluno, ao Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Diana durante defesa da tese à banca avaliadora

Diana afirma que a postura de usar ou não o celular com os estudantes está ligada à própria relação que o professor tem com a mídia. “Os professores têm interesse de fazer com que dê tudo certo, que os alunos aprendam, mas professores que utilizam bem no seu dia a dia são mais flexíveis ao uso, sabem que pode render um momento bom, não apenas proveitoso, mas produtivo”, conta. A mestra utilizou como uma das metodologias de pesquisa a intervenção pela observação e acompanhamento de um grupo de 35 professores que participava de um curso de Mídia-Educação, proposto pelo grupo de pesquisa de que faz parte, na Universidade. Durante as 64 horas, vividas por sete módulos ao longo de um ano, ela observou como o cotidiano escolar dava conta do acessório que nenhum adolescente quer mais abrir mão. “Percebemos que há usos bem interessantes, alguns mais simples como pesquisas conjuntas na internet e produção de trabalhos, além da formação de grupos de Whatsapp para discussões, mas também propostas mais elaboradas, como uma professora de português que trabalhou clássicos da literatura por encenações montadas e filmadas pelos estudantes e uma professora de geografia que utilizou a fotografia para estimular o olhar dos próprios estudantes para a comunidade onde vivem”, descreve Diana. “Mesmo professores mais fechados, se abriram para o diálogo”. concluiu a mestra. No Ceará, pela Lei nº 14.146, de 25 de junho de 2008, o uso do “telefone celular, walkman, discman, MP3 player, MP4 player, iPod, bip, pager e outros aparelhos similares”, ainda é proibido. A Lei dá respaldo a professores que não estão dispostos a tentar o uso pedagógico, mas não invalida iniciativas de maior aproximação dessa mídia com a escola. A escola do seu filho costuma inovar por esta iniciativa?