Sete minutos depois da meia-noite

Sete minutos depois da meia-noite é a dica de filme desta quinta, 8

“Como começa essa história? Começa como muitas outras histórias. Velha demais para ser criança, jovem demais para ser adulto. E um pesadelo”. Esta é a primeira frase do filme e já diz muito sobre toda a essência da narrativa construída em torno de Conor, um garoto de 12 anos, que se vê diante do sofrimento de acompanhar a mãe em estágio terminal de câncer. A temática por si só já traz muita densidade nas emoções, mas o diretor foi além quando colocou os sentimentos de Conor, suas angústias, seus medos, seu pesadelo, seus monstros no centro da narrativa.

Inicialmente, morando sozinho com a mãe doente, Conor precisa, muitas vezes, encarar um dia a dia de autossuficiência, sendo responsável pela própria alimentação, pela lavagem da própria roupa e mesmo por conflitos que também o atordoam com colegas na escola. Para lidar com a verdade dolorosa da enfermidade da mãe, o garoto conta uma árvore monstro, sábia, grandiosa, um teixo milenar, que ele observa facilmente da janela do quarto dele, plantada nas terras de um cemitério próximo de onde mora.

 

 

Além disso, precisa lidar com a distância do pai, que já possui outra família em outro continente e o visita com pouca frequência. Há também a figura da avó materna de Conor, interpretada pela premiada Sigourney Weaver, personagem pouco afetuosa, mas firme, comprometida com o bem-estar do garoto e que, aos poucos, vai lhe passando o equilíbrio emocional necessário para superar a rotina difícil. O filme conta ainda com a participação de Geraldine Chaplin, filha de Charles Chaplin. E com a super voz de Liam Neeson, que interpreta o monstro.

 

Em determinado momento da vida de Conor, sempre que o relógio marca sete minutos depois das 12 horas, o grande teixo ganha vida, vira refúgio e acompanha o garoto por histórias de compreensões e enfrentamento das verdades, duras até, que a vida vai nos apresentando ou que vamos criando nos nossos próprios inconscientes como forma de proteção; verdades que carregamos para sair das nossas dores. É, claro, o grande encantamento de toda a narrativa.
“Vocês creem em mentiras confortáveis embora saibam da verdade dolorosa que torna essas mentiras necessárias. No fim das contas, não importa o que você pensa, apenas importa o que você”, diz o grande teixo ao menino em uma das cenas mais emocionantes do filme.

 

São belíssimas toda a metáfora e as simbologias que costuram os sofrimentos da mãe e do filho e como as vivências de cada um até ali vão se entrelaçando, como as habilidades que o menino herdou da mãe para os desenhos, justificando e sustentando a ideia de um sentimento único de dor, de medo, mas, acima de tudo, de amor. De amor para sempre.

 

Se você gostou da sugestão, prepare-se para um filme de tirar o fôlego. Ele me foi indicado pela grande amiga Gabriela Ferreira, mestra em história e estudante de psicologia. Eu chorei demais quase o filme inteiro, muito porque a temática me é muito sensível. Vivi toda a dor de ter a mãe em estágio terminal de câncer. Pelo filme, eu me vi também como a mãe que sofre e como o filho que recebe o drama inteiro, a partir da idade de menino-rapaz que possui, tão jovem, mas ao mesmo tempo já com certa maturidade para compreender o que se passa.

 

É um convite à reflexão de como lidar de maneira delicada com o luto. Na tela, contamos ainda com a grandiosidade dos efeitos especiais, com uma riqueza de detalhes impressionante. O filme pode ajudar, inclusive, a compreender melhor, aceitar e mesmo superar nossos próprios monstros. O filme é inspirado no livro de Patrick Ness, lançado no Brasil em 2011 e, recentemente, reeditado no Brasil, com o mesmo nome do filme em português. O filme está disponível no Netflix. Confira o trailer aqui Vale a pena!

SERVIÇO:

Título Original: A Monster Calls
(Sete Minutos depois da Meia-Noite)
Direção: Juan Antonio Bayona
Duração: 1 hora e 48 minutos
Elenco: Lewis MacDougall (Conor), Sigourney Weaver (avó), Felicity Jones (mãe), Toby Kebbell (pai), Geraldine Chaplin (diretora da escola), Liam Neeson (voz do monstro)

Curiosidade:
TEIXO
O Teixo é conhecida como a árvore da vida e da morte. Apesar de venenosa, possui virtudes curativas, é muito buscada por multinacionais farmacêuticas. A árvore está na lista das espécies ameaçadas na Alemanha e em outros países europeus, principalmente por causa do aproveitamento de sua madeira durante a Idade Média. A situação advém também da presença de um alcalóide venenoso em todos os órgãos desta árvore, a taxina, que terá sido, provavelmente, um dos fatores que mais diretamente contribuiu para o declínio da espécie, já que para proteger os animais domésticos de um eventual envenenamento, os pastores foram eliminando-a dos tradicionais locais de pastoreio. Pode chegar a 25 metros e viver 2 mil anos. 

Fonte:
Tribo da Estrela

Ecodebate

 

nunca me sonharam

É preciso reinventar a escola com os jovens, para os jovens

Há muito se fala em uma escola que não dialoga com seus meninos e meninas, que impõe conteúdos e mais conteúdos e está pouco preocupada com o que pensam e querem aqueles que estão sendo formados. Sabemos que o modelo de escola que forma 80% da nossa juventude já não funciona mais porque tolhe criatividades, curiosidades e imensuráveis potenciais. Enquanto descuidamos da nossa escola pública, abandonamos nossos jovens à sorte de um mercado de trabalho precário, limitado, excludente, desigual. Enquanto descuidamos da nossa escola pública, relegamos a função de professor a uma atividade sacrificada, penosa, tantas vezes desqualificada, desvalorizada, que têm em bons profissionais o reconhecimento de heróis, que, apesar das situações tão adversas, conseguem transformar o dia a dia na escola em experiências tão fantásticas de aprendizado. Eles não eram pra ser exceções.

O documentário Nunca me sonharam traz para o centro do debate o fosso em que vive hoje a escola pública, principalmente, o ensino médio, etapa da Educação Básica com índices de evasões alarmantes no Brasil.  O filme dá voz aos estudantes, aos professores e aos gestores, além de especialistas na área de educação,  mexe em feridas e emociona. Lançado no circuito comercial no dia 8 de junho último, o longa-metragem é apresentado pelo Instituto Unibanco, produzido pela Maria Farinha Filmes e dirigido Cacau Rhoden.

Você pode mobilizar sua comunidade em torno de uma exibição pública. Que tal? Para isso, basta acessar a página do filme na plataforma Videocamp e agendar. Organize uma sessão pós-filme para ouvir a plateia e, de onde cada um está, pensem juntos numa forma de colaborar com a educação pública brasileira e com a melhoria do nosso futuro.