Vamos viver a Floresta do Curió! Saiba como participar do Experiência 3

O Terceiro Experiência chegou! Que alegria! Vamos para mais um lugar lindo da nossa cidade! Vamos para a Floresta do Curió, na manhã do próximo dia 24, viver a área, considerada pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado (Sema), a última reserva de Mata Atlântica da Capital cearense. Vamos conhecer pequenos riachos e experienciar 57,35 hectares de uma região onde já foram catalogadas mais de 92 espécies de animais e 80 espécies de árvores nativas.

Além disso, vamos fazer piquenique com comidas típicas deste mês junino, ler, conversar sobre memórias, sobre a formação do bairro Curió, saber sobre a importância de presevarmos as florestas urbanas e brincar livre à sombra de um frondoso Angelim (árvore nativa de madeira nobre e crescimento lento). O ingresso individual para participar desta edição é R$ 40 (ver promoções abaixo!) + 1 livro usado, que será doado à Livro Livre Curió – Biblioteca Comunitária, parceira do Vida Ciranda neste Experiência. Disponibilizaremos somente 25 vagas. Corre!

 

 

 

 

Parceiros e Convidados
A Livro Livre Curió – Biblioteca Comunitária é idealizada e conduzida pelo escritor, poeta, agente cultural Talles Azigon, nosso primeiro entrevistado no Canal Vida Ciranda, semana passada. A Biblioteca existe há quase três meses, movimentando a aproximação e o bem querer pela leitura e pela literatura da comunidade do Curió, principalmente crianças e jovens. Durante este Experiência 3, vamos realizar juntos a edição de junho do Literatura na Floresta, realizada por Talles todos os últimos domingos do mês (como o nosso Experiência!). Neste mês, o tema do Literatura na Floresta será Trilha de Memórias. Na ocasião, parte da Biblioteca Comunitária virá para a Floresta do Curió, principalmente, o baú infantil, com títulos incríveis para deleite de pequenos e grandes, para descobertas de histórias e momentos de contação entre pais e filhos.

O querido jornalista Demitri Túlio, editor e repórter especial do O POVO, também participará deste Experiência 3, convidado para conversar conosco sobre as Florestas Urbanas, pela edição do Literatura na Floresta. Um dos jornalistas mais premiados do país, Demitri é apaixonado pelo Parque do Cocó, que fotografa há mais de 10 anos, tema de várias reportagens assinadas por ele. Em 2012, publicou a Expedição Cocó, resultado de incríveis 1000 dias de dedicação à floresta, em que despertou nos leitores a consciência da mata no território urbano e a reintegração do homem ao universo de que faz parte. Por seu instagram, @demitritulio empreende reportagens afetivas com temáticas ambientais e provoca os leitores por postagens que incitam a reflexão, como a conservação das dunas do Cocó e da Sabiaguaba e postagens sobre florestas e parques, principalmente, urbanos. Demitri é também escritor de livros infantis.

Além de Talles Azigon, morador do Curió desde que nasceu, estará também conosco Rita de Cássia Silva, articuladora do bairro Curió, que exerceu a pedagogia por muitos anos em turmas de educação infantil e move ações educativas de lazer e leitura, principalmente com crianças da comunidade. Elas nos contará um pouco sobre suas memórias no bairro e suas percepções sobre seu espaço de paz, “muita paz”, como ela se refere ao Curió.

Floresta do Curió
De acordo com a Sema, a Floresta do Curió, localizada no bairro Lagoa Redonda, é a primeira Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) do Estado do Ceará, instituída pelo Decreto nº 28.333, de 28 de julho de 2006. Funciona, atualmente, com gestão compartilhada da SEMA e do Instituto Natureza Viva.

O espaço equivalente a 80 campos de futebol possui três trilhas bem sombreadas e de fácil acesso para crianças, além de um centro de convivência, que funciona como ponto de apoio aos visitantes e local de palestras e cursos, com banheiros e parquinho. Ao longo do caminho, além de trilharmos por pontes sobre riachos e passarmos por elegantes buritis, é possível conhecer melhor a fauna e a flora regional por legendas indicativas das espécies. Aliás, o local conta com boa sinalização. Na ARIE são realizadas ainda pesquisas científicas.

O projeto Aflorar (Sesc) é também um super amigo do espaço. Durante o ano de 2016, em parceria com a SEMA, promoveu projetos de incentivo à educação ambiental, com ações de proteção, visibilidade e utilização sustentável de áreas verdes de Fortaleza e da Região Metropolitana, para alunos das escolas públicas inseridas no entorno, como o Liceu de Messejana, e no contexto das unidades de conservação do Estado.

 

Trilha do Experiência 3
Na Floresta do Curió, há três opções de trilha, divididas por cores: a vermelha (Pequena), com 2039 m; a verde (média), com 2459 m; e a branca (grande), com 2680M. Vamos fazer a trilha verde. Seremos acompanhados pela Izaura Lila Lima, gestora da Floresta, e Rafaela Queiroz, educadora ambiental do espaço. Elas sabem tudo sobre a fauna e a flora da região e darão conta de todas as nossas dúvidas e as perguntas também da criançada.

 

CONFIRA ABAIXO TODAS AS INFORMAÇÕES PARA PARTICIPAR DO VIDA CIRANDA EXPERIÊNCIA 3: FLORESTA DO CURIÓ

Quando: 24 de junho.
Embarque: às 7h30min.
O local de embarque será enviado por e-mail aos participantes com inscrição já confirmada.
Retorno: às 11h30min.

 

Programação:
7h30min: Boas vindas
7h45min: Embarque no ponto de encontro (local a divulgar para os participantes confirmados)
8h30min: Chegada à Floresta do Curió
8h40min: Lanche parcial
8h45min: Início da trilha
9h40min: Fim da trilha
9h45min: Piquenique, brincadeiras ao livre, disponibilização dos livros da Biblioteca Comunitária.
10h10min: Literatura na Floresta (Livro Livre Curió). Conversas sobre Memórias, Cidadania e a Importância de Preservarmos as Florestas Urbanas, com a presença de Talles Azigon (Biblioteca Comunitária), Demitri Túlio (Jornalista), Rita de Cássia Silva (moradora Curió), Izaura Lila (gestora Floresta do Curió), pais e crianças.
11h : Preparação para retorno e embarque
11h30min: Chegada e desembarque no ponto de encontro (local a divulgar)

OBS: Não nos responsabilizaremos por atrasos. Começaremos pontualmente, para que as crianças possam aproveitar melhor a manhã

 

Quem pode participar?
O Experiência foi pensado para famílias com crianças a partir de 1 ano.

TAXAS
Taxa individual: R$ 40 + doação de 1 livro para a Biblioteca Comunitária do Curió
Três ingressos: R$ 110 + doação de 3 livros
Quatro ingressos: R$ 145 + doação de 4 livros
Cinco Ingressos: R$ 180 + doação de 5 livros
A partir da sexta pessoa do mesmo grupo, o ingresso sai por R$ 35

OBS1: As promoções incidem apenas sobre a taxa a ser paga, mas não invalidam a doação do livro por pessoa participante deste Experiência.

OBS2: As doações de mais de 1 livro por pessoa são muito bem vindas! 🙂 Doe quantos livros você quiser. Sabe aquele livro que você já leu, adorou e quer que a mensagem dele possa também contagiar ou transformar outros leitores? Aproveite! Crianças, adolescentes e adultos leitores da Livro Livre Curió agradecem!

OBS3: Não serão aceitos para doação livros didáticos. Opte por doar livros de literatura brasileira ou de outros países e livros de filosofia, por exemplo. Os títulos podem ser para crianças e adultos.

 

SERVIÇOS INCLUSOS
– Ônibus ida e volta
– Lanche completo
– Trilha com monitores
– Bate-papo com convidados
– Kit Primeiros Socorros (coletivo)

 

PAGAMENTO
1. O pagamento deve ser realizado por depósito ou transferência bancária na conta abaixo discriminada até o dia 22 de junho, sexta-feira anterior ao passeio.
2. Logo após o depósito, favor encaminhar o comprovante com nome completo e idade dos participantes para o celular número (85) 98954 7374 ou email: sara.rebeca.ac@gmail.com.
3. A inscrição do participante estará sujeita à rejeição, caso o número de inscrição ultrapasse o número de 25 vagas acordadas para este passeio. Nesse caso, haverá a devolução do valor depositado.
4. A ordem de ocupação das vagas será organizada mediante ordem de chegada ao Vida Ciranda do comprovante de depósito e nome completo dos participantes. Assim, é importante que você envie o comprovante e as informações solicitadas logo que o depósito for realizado. Opte por se informar se ainda há vagas, pelos contatos mencionados acima, antes de realizar o depósito.
5. Não nos responsabilizamos pela ausência dos participantes, no dia do passeio, ou atrasos que ocasionem a perda do passeio. O dinheiro não será devolvido, sob estas duas hipóteses, por levarmos em consideração que todos os serviços foram contratados e a quantidade de lanche providenciada para o número de inscritos até o dia 22 de maio.
6. Caso haja necessidade de cancelamento prévio da participação, com as taxas já pagas, o dinheiro só será devolvido se a comunicação chegar ao Vida Ciranda com 48 horas antes do dia do passeio (até sexta-feira pela manhã), pelo mesmo motivo citado no item anterior.

Dados da conta
Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 1977
Operação: 013
Conta poupança: 4568-0
CPF: 622.527.043-49
Titular: Sara Rebeca Aguiar de Carvalho

OBS: Não serão aceitos inscrições e pagamentos realizados no dia do passeio, mesmo que a quantidade de vagas disponibilizada não tenha sido completada.

ORIENTAÇÕES IMPORTANTES:

Levar o mínimo
Organize-se para levar o mínimo ao passeio. É indispensável documento de identificação das crianças e dos responsáveis. Não ande com grandes quantias em dinheiro, apenas o suficiente para alguma emergência. Lá, não há quiosques de vendas de serviços extras. Toda alimentação será oferecida pelo Vida Ciranda.

Roupas leves, sandálias ou tênis, acessórios
É essencial ir com roupas leves, que possibilitem movimentos livres do corpo, como camisetas de malha fria e bermudas de tactel, de numeração adequada ao tamanho do corpo. Sandálias também são indicados. Pode também usar tênis. Experimente começar a trilha com os pés calçados e, se sentir que pode caminhar um pouco descalço, bacana. Assim, pode ir sentindo a terra. Acessórios muito indispensáveis: bonés e óculos de sol. Nunca esquecer: protetor solar. Opcional: repelente.

Garrafinha de água
Pedimos que todos levem suas garrafinhas particulares de água. Lá, teremos água para todos, a fim de reabastecermos as garrafinhas.

Primeiros Socorros
Teremos um kit coletivo de primeiros socorros com: tesoura, termômetro, luvas, anti-alérgico líquido (Polaramine) e em creme (Histamin) para ferimentos e picadas de insetos; anti-térmico e analgésico (Novalgina), antisséptico (Kuramed), álcool em gel para limpeza das mãos, soro fisiológico, seringas, esparadrapo, algodão, band-aid, gazes, ataduras, lenços, repelente de insetos e cotonetes. Caso a criança ou o adulto não utilize algum dos remédios descritos e faça uso de uma medicação específica, não esqueça de pô-la na bolsa.

Lanches
Nosso lanche será todo em homenagem às festas juninas. Serviremos frutas, salada de frutas, aveia, granola, sucos naturais de fruta, café, chá, aluá, bolo de milho, bolo de pé de moleque, canjica, pamonha, mungunzá, cuscuz, milho cozido. Fique à vontade para levar outra refeição, principalmente às crianças, que melhor seja aceita ao paladar delas. Pelo Experiência, prezamos por alimentação saudável, o mais natural possível.

Todas as comidas típicas que serão servidas no nosso piquenique junino serão produzidas por pequenos produtores da comunidade, como a Noélia, que, dizem, fazem um aluá “divino”.

Segurança
De acordo com a Sema, há uma parceria com o Grupo Telles, para segurança do espaço. Os seguranças ficam em movimento constante pela Floresta.

Registros das crianças
Se possível, disponibilize câmeras fotográficas às crianças para que elas próprias possam fazer registros (fotos e vídeos) de suas percepções do espaço. Você vai se surpreender com o resultado. Você pode incentivá-los a expressar o que sentiram durante o passeio também por desenhos. Compartilhem o que colheram com o Vida Ciranda! =)

Endereço da Floresta do Curió
Avenida Professor José Arthur de Carvalho, 644-1002 – Lagoa Redonda, Fortaleza – CE, 60831-370

O QUE É O VIDA CIRANDA EXPERIÊNCIA?
O Experiência é uma iniciativa do movimento Vida Ciranda, que pensa as educações e as infâncias de maneira questionada e questionadora, responsável, comprometida com o meio ambiente, com o outro e consigo por meio de seus atores. Utiliza-se como difusor de informações o jornalismo especializado nas duas áreas por este site Vida Ciranda, direcionado aos pais, às famílias. O site está no ar há onze meses. É conduzido por Sara Rebeca Aguiar, jornalista e professora há quase quinze anos, com experiência e formação nas duas áreas. Também educomunicadora, pesquisa a relação tecnologia, infância e literatura infantojuvenil.

Estamos na terceira edição do Vida Ciranda Experiência. A primeira aconteceu no Ecomuseu Natural do Mangue, no dia 21 de abril. A segunda aconteceu na Barra do Ceará, pela navegação pelo rio Ceará, no dia 27 de maio. O projeto Experiência, dentro do Vida Ciranda, foi pensado a fim de incentivar a cidadania infantil desde cedo, no direito de que todas as crianças têm à cidade onde moram. Pelo Experiência, quer se estimular o tempo de qualidade entre pais e filhos, e criar vínculos afetivos e sentimento de pertencimento com o espaço onde vivem. Partimos da concepção de que ninguém cuida direito daquilo que não conhece ou que não tem qualquer laço afetivo.  É enorme o poder do cuidado quando a história do lugar passa também pela história particular de cada um.

O Experiência propõe passeios por Fortaleza e Região Metropolitana. Todos os meses, nas primeiras segundas feiras, é lançado um novo lugar que deve ser experienciado no último domingo do mês em curso. A taxa de participação varia de acordo com o local a ser visitado e o que será oferecido ao participante.

Confira matéria produzida pelo jornal Bom Dia Ceará, na Floresta do Curió, em um dos nossos passeios, ano passado, promovido pelo projeto Re-conhecendo Fortaleza, do Vida Ciranda:

https://globoplay.globo.com/v/6119443/

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Assista a entrevista que fizemos com Talles Azigon, publicada semana passada:

Acompanhe o jornalista Demitri Túlio e suas reportagens afetivas
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Mais do que navegar pelo rio, o Experiência 2 conectou pessoas e realidades diferentes

A segunda edição do Vida Ciranda Experiência pode ser traduzida pela vontade que ficou de ver a cidade sempre “descoberta” e vivida daquela forma, com brilho no olhar, com sorriso das crianças, com a tranquilidade no semblante dos pais que estavam em paz com o momento que ofereciam a elas, com conversas e trocas de vivências entre pessoas tão diferentes, visitantes e anfitriões, mas tão iguais também, pelo objetivo único de que seus encontros resultem em bondade, gentileza, benefícios e aprendizados tão valiosos, para os dois lados.

O Experiência II, por meio da navegação pelo rio Ceará, não apenas convidou famílias para desfrutarem a beleza que aquela parte da nossa cidade exibe todos os dias, de graça, em dias de sol e de chuva, à revelia das correrias e problemas políticos em que estamos imersos, mas juntou mundos.

Navegamos o rio Ceará, sentimos o vento de um tempo manso no rosto, pisamos no mangue, tomamos banho no rio, comemos piaba frita com suco de maracujá e graviola, pegamos caranguejo, sentamos na beirada da ponte da comunidade, olhando para baixo para se enxergar no rio, esticando os pés para ver se conseguia tocar na água, conversamos com pescadores… sim, tudo isso, mas muito mais que isso. As pessoas puderam conhecer seu Alberto, Cineudo, seu Dantas, Leonardo, Lúcia.. moradores da Barra do Ceará e da Comunidade Guaié que, ontem, foram protagonistas, compartilharam a riqueza de uma vida simples, tocada por trabalhos voluntários, por lutas pela melhoria da comunidade em que moram, por um dia a dia de sobrevivência ditado pelo ritmo das marés, pela pesca.

Tocamos as mãos calejadas do seu Dantas, de Cineudo, procuramos uns aos outros, para pedir ajuda para subir e descer do barco; ativamos nossa atenção para ouvir as histórias que seu Dantas, seu Alberto e Cineido, as que só eles sabiam, e nos contavam sobre uma área que existe tão perto.. e tão longe de nós.

Provamos os talentos culinários da índia Lúcia, oferecemos nossas mãos a ela e ao marido, na despedida, para lhes prestar toda gratidão à recepção acolhedora.. aliás, ignoramos estar em um espaço de estrutura simples, e reboco caído na parede, mal pintado, porque a riqueza estava à mesa, nas palavras que circularam, nos olhares que se encontraram e no que contemplaram.

Foi na sabedoria do seu Dantas, que frequentou bem pouco a escola, que as crianças se interessaram ontem, quando ele as ensinou sobre a pesca e os instrumentos de que ele utiliza para tirar das águas daquele rio a própria vida.

Ontem, mundos se fundiram, por horas, ou, talvez, por minutos, mas se uniram. E se reconheceram. Cada um com suas particulares, com seus objetivos, mas, ali, dependentes um do outro, do que um podia acrescentar ao outro.

Por isso, talvez por isso mesmo, a segunda edição do Vida Ciranda tenha sido um sucesso. Sim, um sucesso. Abaixo, você pode conferir imagens dessa manhã inesquecível.

Hora do Embarque

 

Chegamos ao nosso ponto de apoio, Albertu’s Restaurante. Lá, lanchamos. foram servidos sucos de frutas,  salada, sanduíches de pão integral, bolo, frutas. Depois de admirar um pouco a beleza que nos esperava imergir nela, fomos ao pier da Barra, onde nossos barcos estavam. Antes disso, conhecemos a equipe que nos acompanhou durante toda a aventura.

Navegar é um encantamento só. Imagina para as crianças. Só a ação de pôr o colete salva vidas já foi pura diversão.

 

 

 

 

Depois de uns 40 minutos de navegação, paramos na Comunidade Guaié (Caucaia). Fomos recepcionamos pelo casal Maria Marques  Araújo dos Santos, 55, mais conhecida como Lúcia, e Leonardo Carmo da Silva, 39, o Leo. Ela é índia pitaguary, de Acaraú, mas foi criada em Caucaia. Os dois vivem da pesca de peixes e de mariscos. Lá, na comunidade, as crianças puderam pôr os pés no mangue, no habitat natural dos siris e aratus, um tipo de caranguejo avermelhado.

Também na comunidade, Lúcia explicou um pouco sobre sua rotina de marisqueira e seu Dantas conversou com as crianças sobre a arte de ser pescador, de saber jogar os vários tipos de rede de pesca e maneiras de também pescar sem as redes . Saboreamos também deliciosas piabinhas fritas com suco de graviola e maracujá.

 

 

 

 

Cássia Alves é da equipe do Vida Ciranda, educomunicadora, fotógrafa e videomaker

Logo depois que saímos da comunidade, paramos um pouco em um banco de areia próximo, para tomar banho de rio. Para algumas crianças, como o João, de 4 anos, filho da Manoella Monteiro, foi o primeiro banho de rio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Iusta Caminha

Iusta Caminha

Iusta Caminha

Iusta Caminha

Iusta Caminha

Iusta Caminha

Após o banho de rio, e da preguicinha que bateu nos 30 minutos de navegação de retorno ao pier da Barra, fizemos uma parada no seu Alberto, antes de tomarmos o ônibus. Lá, comemos algo mais e realizamos sorteiros de livros entre as crianças e os adultos. Nesta segunda edição do Vida Ciranda Experiência, os livros foram doados pelas escritoras Tânia Dourado e Marília Lovatel. Olha só, que tíulos mais lindos!

– Um vestido para Tutti (Tânia Dourado)
– Sob o Sol de Sobral (Marília Lovatel)
– Entre Selos e Sonhos (Marília Lovatel)
– O Pequeno Inventor de Soluções (Marília Lovatel)
– Fábulas e Contos em Versos (Marília Lovatel)
– Farol (Contos do ateliê de Narrativas da Escritora Socorro Acioli)

 

Iusta Caminha

 

 

Antes de sairmos, mais uma surpresa. Todos os inscritos ganharam uma lembrancinha deste passeio inesquecível: uma jangadinha de pesca para lembrar sempre deste dia e de tudo que ele significou e trouxe de aprendizados.

 

 

A ideia do Vida Ciranda Experiência é despertar as famílias para possibilidades de programações na cidade que, comumente, não incluímos no nosso itinerário do fim de semana com as crianças e também para possibilitar vivências diferentes a comunidades e lugares especiais. Por mês, um passeio Experiência é realizado. O local é divulgado na primeira segunda-feira do mês, o passeio é realizado no último domingo do mês. 

O Experiência é promovido por este site de jornalismo especializado em educação e infância. Acompanhe nosso calendário de eventos, nossas matérias e reportagens especiais.

Serviço Navegação Rio Ceará
Para quem ficou interessado em realizar a navegação pelo rio Ceará com as crianças, é possível organizar turmas para navegar em qualquer época. O seu Alberto é o responsável pelos passeios.
O ingresso de participação por pessoa é R$ 20.
A partir de 10 pessoas já é possível realizar o passeio.
Anotem o telefone dele: 98753 3940

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Saiba como participar da navegação pelo rio Ceará, no VC Experiência 2

Chegamos à segunda edição do Vida Ciranda Experiência trazendo um dos passeios mais queridos e solicitados por todos que nos acompanham: a navegação pelo rio Ceará. Trata-se de uma extensão de conhecimentos que trazemos do Ecomuseu do Mangue, em Sabiaguaba, durante a primeira edição do Experiência. Vamos passear por uma área também de Foz, com a abundante biodiversidade dos mangues. Será na manhã do dia 27 de maio.

 

Pier da Barra, durante maré baixa, nosso ponto de partida e chegada

Foz, encontro do rio com o mar

De blusa listrada, seu Alberto, proprietário do Albertu's Restaurante e responsável pelas embarcações em que navegaremos. Realiza os passeios "há mais de 20 anos". Ao lado dele, Davi, morador da comunidade da Barra desde que nasceu, um dos monitores do nosso passeio.

Ponte José Martins Rodrigues sobre o rio Ceará, que liga a faixa litorânea de Fortaleza às praias do litoral oeste

 

Na programação que estamos preparando, além de uma hora e meia de navegação (ida e volta da comunidade Guaié, em Caucaia), haverá conversas com moradores antigos da Barra do Ceará e com monitores, que vão nos explicar um pouco mais sobre a história do espaço, e passeio a pé por uma área de mangue, em um banco de areia conhecido pela comunidade local de Proa do Miguel, que, pela Tábua das Marés, deve estar à mostra, durante nosso trajeto. Nesta parada rápida, será possível interagir mais com a região, principalmente, com os caranguejos, seus principais moradores. Será possível banhar-se rio, caso os participantes desejem. Na Comunidade Guaié, um pouco mais à frente, vamos contemplar mais uma vista linda e degustar piabinhas assadas com suco enquanto batemos um papo com moradores do lugar, pescadores, também indígenas, sobre a atividade da pesca em si e a realidade local.

 

A taxa de participação individual é de R$ 45, com promoções para famílias acima de três integrantes, incluindo crianças de todas as idades. O valor refere-se ao ônibus ida e volta, lanche completo, acesso às embarcações, monitores contratados para nos contar mais sobre a história do lugar e auxiliar o grupo com dúvidas e necessidades ao longo do passeio, kit primeiros socorros de uso coletivo e degustação de piabinhas assadas com suco, na comunidade Gauié. Durante o trajeto no ônibus, haverá também sorteios e distribuição de brindes, além das primeiras orientações, principalmente, para os pequenos navegantes. Todas as crianças devem estar acompanhadas por seus responsáveis. Serão ofertadas somente 50 vagas que serão divididas pelos dois barcos contratados, com barqueiros e embarcações devidamente autorizados pela Capitania dos Portos.

Divulgação DN

Seu Alberto

 

O bairro por uma foz cheia de vida, de beleza e de história
Localizado no extremo oeste de Fortaleza, é um dos bairros mais populosos da Capital. A Barra do Ceará é o bairro mais antigo de Fortaleza, com 414 anos, considerado o berço de toda a nossa história, mais antiga do que mesmo a criação da cidade Fortaleza. A colonização iniciou-se nos primeiros anos do século XVII por Pero Coelho de Souza e Martins Soares Moreno, este eternizado também na literatura pelo escritor José de Alencar no romance Iracema, publicado em 1865. Do amor de Martins com a mais bela nativa tabajara nasceu Moacir, que, de acordo com a lenda, é o primeiro cearense mestiço.

 

Inicialmente, o capitão português Pero Coelho fez uma ocupação militar na barra do rio então Siará, onde construiu uma paliçada, e deu a esse pequeno forte de madeira o nome de São Tiago, primeira edificação das nossas terras, onde hoje se localiza o marco zero da cidade. A ocupação foi destinada à expulsão dos franceses, que estavam na serra da Ibiapaba. O português Martins chegou pouco tempo depois e rebatizou o local como Forte de São Sebastião.

 

Em 1637, chegam na Barra invasores holandeses que tomam o forte dos portugueses. Em 1644, os guerreiros dos povos nativos atacam os holandeses e acabam com a presença de invasores na Barra do ceara. O Forte Schoonenborch, que conhecemos hoje como a 10ª Região Militar, só iria surgir anos depois, na desembocadura do rio Pajeú, por uma invasão holandesa chefiada por Matias Beck. Logo depois, os holandeses entregaram-se ao portugueses, que mudaram o nome do forte para Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Somente em 1726, com a instalação de uma vila à margem do rio Pajeú, próximo ao Forte, reconhece-se o início a cidade de Fortaleza.

 

Na década de 1930, a construção de um hidroporto  começou a dar ao bairro maior expressão no contexto de Fortaleza. Com a construção da avenida Leste Oste, na década de 1970, passou a integrar o circuito de bairros industriais da zona oeste. A partir daí, ocorreu também intensa ocupação das dunas da Barra do Ceara, como reflexo de uma demanda reprimida por habitação.

 

A ponte José Martins Rodrigues, inaugurada em 1997 pelo prefeito Juraci Magalhães, liga a faixa litorânea de Fortaleza às praias do litoral oeste. Possui uma extensão de 633, 75 metros e mede 20,2 metros de altura. O Cuca da Barra foi o primeiro Cuca construído, inaugurado pelo presidente Lula em 2009, como Cuca Che Guevara. Chegou para atenuar uma demanda de lazer e formação para a juventude local com a pretensão de atender 3.500 jovens por dia. À época,  foi considerado o maior equipamento cultural público da América Latina.

 

Nossa Experiência Inicial 
O Vida Ciranda navegou no rio Ceará pelo projeto Reconhecendo Fortaleza, em dezembro de 2017. É inesquecível, principalmente, para as crianças. Abaixo, você pode acompanhar como foi o passeio, a fim de ir se apropriando do muito que viveremos. Algumas pessoas fotografas também estarão conosco no próximo dia 27. 

Lucélia Souto

No trajeto, paramos um pouco em um banco de areia que fica à mostra, quando a maré está baixa. Nele, as crianças podem interagir mais com o espaço e com a fauna local, como os caranguejos, e mesmo com pescadores que costumam estar lá. 

Lucélia Souto

Logo depois da interação com o mangue, iremos à comunidade do Guaié. Estive na comunidade há duas semanas, para uma reunião com alguns pescadores sobre nosso passeio. 

Na foto, da direita para a esquerda, seu Alberto, seu Dantas (pescador, 63, nasceu e se criou na Barra e no rio Ceará), Leonardo (pescador, 39, morador da comunidade Guaié, quem vai nos receber. A esposa dele, Lúcia, índia tapeba, é quem vai assar as piabinhas para nós! Ela não estava no momento desta conversa), Sineudo, um dos monitores do passeio, nasceu e se criou na Barra e no rio Ceará, e eu.

Seu Dantas está disposto a explicar tudo sobre pesca, fauna e flora locais às crianças

Encontramos um balde cheio de caranguejos, na comunidade. Leonardo disse que pega para comer, mas também porque a filha Iasmim, 9 anos, gosta de brincar com os bichinhos. Quando visitamos a comunidade, Iasmim estava na escola

 

CONFIRA ABAIXO TODAS AS INFORMAÇÕES PARA PARTICIPAR DO VIDA CIRANDA EXPERIÊNCIA 2: NAVEGAÇÃO PELO RIO CEARÁ

 

Quando: 27 de maio
Embarque inicial no ponto de encontro ( a divulgar):7h30min.
Desembarque no ponto de encontro: 12h30min.
OBS: O local de embarque inicial e desembarque final será enviado por e-mail aos participantes com inscrição confirmada.

 

Programação:
7h30min: Boas vindas
7h45min: Embarque no ponto de encontro (local a divulgar)
8h30min: Chegada ao pier da Barra (Albertu's Restaurante)
8h40min: Lanche completo inicial
9h: Início da navegação
9h40min: parada no banco de areia, para interação com o espaço e fauna local, e banho para os participantes que desejarem
10 horas: Embarque para a comunidade Guaié
10h10min: Chegada à comunidade Guaié
10h40min: Embarque de retorno ao pier da barra
11h20min: Chegada ao Pier da Barra
11h30min: Lanche Complementar
11h40min: Embarque de volta ao ponto de encontro
12h20min: Chegada e desembarque no ponto de encontro (local a divulgar)

 

OBS: Não nos responsabilizaremos por atrasos. Começaremos pontualmente, para que as crianças possam aproveitar melhor a manhã

 

Quem pode participar?
O Experiência foi pensado para famílias com crianças a partir de 1 ano.

 

TAXAS

Taxa individual: R$ 45
Três ingressos: R$ 125
Quatro ingressos: R$ 165
Cinco Ingressos: R$ 205
A partir da sexta pessoa do mesmo grupo, o ingresso sai por R$ 40
OBS: Os participantes do Vida Ciranda Experiência 1 possuem 5% de desconto na taxa individual ou sobre o preços promocionais desta segunda edição

 

SERVIÇOS INCLUSOS
- Ônibus ida e volta
- Lanche completo
- Navegação por 1 hora e meia pelo rio Ceará
- Monitores
- Degustação de piabinhas fritas com suco na comunidade do Guaié
- Kit Primeiros Socorros (coletivo)

 

PAGAMENTO
1. O pagamento deve ser realizado por depósito ou transferência bancária na conta abaixo discriminada até o dia 23 de maio.
2. Logo após o depósito, favor encaminhar o comprovante com nome completo e idade dos participantes para o celular número (85) 98954 7374 ou email: sara.rebeca.ac@gmail.com.
3. A inscrição do participante estará sujeita à rejeição, caso o número de inscrição ultrapasse o número de vagas. Nesse caso, haverá a devolução do valor depositado.
4. A ordem de ocupação das vagas será organizada mediante ordem de chegada ao Vida Ciranda do comprovante de depósito e nome completo dos participantes. Assim, é importante que você envie o comprovante e as informações solicitadas logo que o depósito for realizado. Opte por se informar se ainda há vagas, pelos contatos mencionados acima, antes de realizar o depósito.
5. Não nos responsabilizamos pela ausência dos participantes, no dia do passeio, ou atrasos que ocasionem a perda do passeio. O dinheiro não será devolvido, sob estas duas hipóteses, por levarmos em consideração que todos os serviços foram contratados e a quantidade de lanche providenciada para o número de inscritos até o dia 23 de maio.
6. Caso haja necessidade de cancelamento prévio da participação, com as taxas já pagas, o dinheiro só será devolvido se a comunicação chegar ao vida Ciranda com 48 horas antes do dia do passeio (até sexta-feira pela manhã), pelo mesmo motivo citado no item anterior. 

 

Dados da conta
Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 1977
Operação: 013
Conta poupança: 4568-0
CPF: 622.527.043-49
Titular: Sara Rebeca Aguiar de Carvalho

 

OBS: Não serão aceitos inscrições e pagamentos realizados no dia do passeio, mesmo que a quantidade de vagas disponibilizada não tenha sido completada. 

 

 

ORIENTAÇÕES IMPORTANTES

 

Levar o mínimo
Organize-se para levar o mínimo ao passeio. É indispensável documento de identificação das crianças e dos responsáveis. Não ande com grandes quantias em dinheiro, apenas o suficiente para alguma emergência ou consumo extra ao oferecido pelo passeio.

 

Roupas leves, sandálias ou chinelos, acessórios, cuidados indispensáveis
É essencial ir com roupas leves, que possibilitem movimentos livres do corpo, como camisetas de malha fria e bermudas de tactel, de numeração adequada ao tamanho do corpo. Sandálias e chinelos também são indicados. Quem optar pelos tênis, importante saber que eles podem se molhar, além de dificultar a experiência de pôr os pés no chão do mangue, no rio. Acessórios muito indispensáveis: bonés e óculos de sol. Nunca esquecer: protetor solar.

 

O banho no rio Ceará
O banho não está incluso na programação, mas poderá ser realizado a critério do participante, quando pararmos em um local conhecido pela população local como Proa do Miguel, um banco de areia que aparece quando a maré está um pouco mais baixa. Pela Tabua de Marés, será possível pararmos para experienciar e contemplar do local.

 

Quanto à balneabilidade, na área da praia, a Semace contraindica o banho. Na área em que iremos estar, no rio Ceará, segundo levantamento realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, por meio do relatório Observando Rios, lançado em março de 2018, a área está própria para banho.

 

Clique aqui para saber mais sobre o local com balneabilidade condenada pela Semace, na Barra do Ceará. Você também pode baixar o aplicativo Semace Balneabilidade. Clique aqui para saber mais sobre o aplicativo.

 

Clique aqui para conhecer o relatório Observando os Rios 2018, lançado em março de 2018, pela SOS Mata Atlântica.

 

Garrafinha de água
Pedimos que todos levem suas garrafinhas particulares de água. Lá, teremos água para todos, a fim de reabastecermos as garrafinhas.

 

Primeiros Socorros
Teremos um kit coletivo de primeiros socorros com: tesoura, termômetro, luvas, anti-alérgico líquido (Polaramine) e em creme (Histamin) para ferimentos e picadas de insetos; anti-térmico e analgésico (Tylenol Criança), antisséptico (Kuramed), álcool em gel para limpeza das mãos, soro fisiológico, seringas, esparadrapo, algodão, band-aid, gazes, ataduras, lenços, repelente de insetos e cotonetes. Caso a criança ou o adulto não utilize algum dos remédios descritos e faça uso de uma medicação específica, não esqueça de pô-la na bolsa.

 

Lanches
Serviremos frutas, salada de frutas, aveia, granola, sucos naturais de fruta, sanduiches de pão integral com queijo branco, peito de peru, patê de atum e alface, e bolos. Ainda assim, fique à vontade para levar outra refeição, principalmente às crianças, que melhor seja aceito ao paladar dela. Prezamos por alimentação saudável, o mais natural possível.

 

O QUE É O VIDA CIRANDA EXPERIÊNCIA?
O Experiência é uma iniciativa do movimento Vida Ciranda, que pensa as educações e as infâncias de maneira questionada e questionadora, responsável, comprometida com o meio ambiente, com o outro e consigo através de seus atores. Utiliza-se como meio difusor de informações o jornalismo especializado nas duas áreas por este site Vida Ciranda, direcionado aos pais, às famílias. O site está no ar há dez meses. É conduzido por Sara Rebeca Aguiar, jornalista e professora há quase quinze anos, com formação nas duas áreas. Também educomunicadora, pesquisa a relação tecnologia, infância e literatura infantojuvenil.

 

Estamos na segunda edição do Vida Ciranda Experiência. A primeira aconteceu no Ecomuseu Natural do Mangue, no dia 21 de abril mais recente. Foi pensado a fim de incentivar a cidadania infantil desde cedo, no direito de que todas as crianças têm à cidade onde moram. Pelo Experiência, quer se estimular o tempo de qualidade entre pais e filhos, e criar vínculos afetivos e sentimento de pertencimento com o espaço onde vivem. Partimos da concepção de que ninguém cuida direito daquilo que não conhece ou que não tem qualquer laço afetivo, em que a história do lugar passe também por sua própria história.

 

O Experiência propõe passeios por Fortaleza e Região Metropolitana. Todos os meses, nas primeiras segundas feiras, é lançado um novo lugar que deve ser experienciado no último domingo do mês em curso. A taxa de participação varia de acordo com o local a ser visitado e o que será oferecido ao participante. 

 

Confira matéria produzida pelo jornal O POVO sobre nossa experiência no Ecomuseu Natural do Mangue:

https://www.opovo.com.br/jornal/cidades/2018/04/grupo-participa-de-aula-de-campo-no-mangue-do-rio-coco.html

 

Acompanhe nosso site e nossas redes sociais:
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Fontes de pesquisa para referências históricas  nesta reportagem:

http://www.fortalezaemfotos.com.br/2011/03/bairros-de-fortaleza-barra-do-ceara.html

https://www20.opovo.com.br/app/colunas/opovonosbairros/2013/05/02/noticiasopovonosbairros,3049107/bairro-mais-antigo-de-fortaleza-tem-409-anos-de-historia.shtml

http://www.fortalezanobre.com.br/2011/03/barra-do-ceara-406-anos.html

Livro Fortaleza - de dunas andantes a cidade banhada de sol, do escritor Flávio Paiva. 

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Conheça a família que idealizou e dá vida ao Ecomuseu do Mangue

Ele já foi militar e trabalhou com publicidade e marketing, em grandes empresas, como Coca-cola, mas não se encontrou o suficiente nessas atividades para se sentir realizado profissionalmente. Desde o comecinho da vida adulta, tem do lado uma mulher forte, decidida a acompanhá-lo. Os dois são movidos pela certeza que os conduz, até hoje: o amor pela família, pelo motociclismo, pela liberdade, pela natureza, pelo mar. O alagoano Rusty de Sá Barreto, 56, e a pedagoga pernambucana Sineide Crisóstomo, 56, chegaram a Fortaleza no finzinho de 1993, já casados, com os três filhos: João Paulo, Rusty Júnior e Rayanne. Vieram para cá com o desejo de montar eventos para motociclistas, como rally, enduro, motocross e motorromaria. Moraram na Varjota, no Papicu, no Curió, até conhecerem Sabiaguaba. E se apaixonarem pelo lugar. E fazerem dele morada “para sempre”, a partir de 1998.

 

 

Inicialmente, Rusty conheceu quem ele chama de “Zé Tartaruga”, o nativo mais antigo que “ nos recebeu com muito carinho”, como conta. Logo, buscou uma casa para viver ali. Conseguiu um espaço pequeno, vendido pelo próprio Zé. Montou nele o que seria o primeiro bar da família, chamado de Pró-Sabiaguaba, “o bar para quem gosta de aventura sobre duas rodas, assim explicado por Rusty. Pouco depois, o bar recebeu nome em que já carregava os olhares diferentes dos donos para a região em que se instalaram: Barraca Econativos. Nesse começo empreendedor, os espaços foram pensados para reunir motociclistas e promover eventos direcionados a eles.

 

 

Passado algum tempo, já com restaurante bem estruturado e casa da família bem montada ao lado, o nome do local passou a ser Quatro Elementos, em alusão aos elementos da natureza: ar, água, terra e fogo. Tudo caminhava bem. O negócio era lucrativo. Foi quando aconteceu o que, para Rusty, significou a primeira sacudida real sobre qual o propósito da vida. A provocação veio de uma cliente ao perguntar a um dos garçons: ‘quem são os outros elementos? Eu só vejo aquele cabeludo e barbudo...”. Rusty diz que ficou em choque diante da pergunta porque se tratava de “uma pessoa aparentemente bem informada” e que pareceu algo pejorativo. Ainda assim, explicou que se tratava dos elementos naturais e a relação daquele espaço de lazer com todo o potencial científico-ecológico da região. Na verdade - anos depois, ele compreenderia melhor - era uma explicação para ele próprio. E a “ficha começou a cair”.

Rusty, Sineide e o neto Raley (arquivo pessoal)

 

"Um empresário sem missão ambiental" 
Naquela época, o Bar Quatro Elementos já era local bem frequentado e ele começou a perceber a falta de cuidado das pessoas com o espaço, por meio de maneiras preocupantes de agir. Dali, veio a percepção que para ele foi a segunda sacudida sobre o seu objetivo de vida. “Eu me dei conta de que as pessoas não conhecem a natureza, o ambiente, não tem consciência. E eu, apesar de acreditar em todos os benefícios do meio ambiente, tinha um bar igual aos outros, gerador de lixo, de impacto, um empresário sem missão ambiental, aproveitador do meio ambiente, colaborador da degradação da beleza do lugar”, lamenta. 

 

 

Rusty relata que o incômodo aumentava à medida que ele refletia sobre como o bar interferia na vida daquele ecossistema, o impacto dele na vida das tartarugas e dos caranguejos, por exemplo. “Muitos animais morriam pelo lixo que eu ajudava a produzir. Reconheci, naquela época, que o bar não estava mais atendendo as minhas necessidades pessoais, nem minhas, nem da minha família. E fechei o bar”, descreve.

 

Rusty, Sineide e os filhos Rusty Jr e João Paulo (arquivo pessoal)

 

A decisão pesou no orçamento da família. Mas Rusty, com o apoio de Sineide, não abriu mão, apesar do conflito que lhe chegou: como sustentar a família, a partir de então? Ele relembra que foi alvo de chacotas e críticas de alguns amigos e vizinhos, que comentavam: “Tu fechou o restaurante para cuidar da natureza? Tá doido!”. Mas nada os fez desistirem. Rusty diz que passou dois meses sem nenhuma atividade remunerada, depois do fechamento da empresa, mas começou a estudar, a pesquisar, a participar de seminários, cursos, viajar para entender melhor de que maneira eles poderiam estar ali, ajudando a conscientizar as pessoas. Fazia bicos, trabalhos soltos com marketing, publicidade para irem se mantendo.

 

 

Começou, então, um projeto de educação ambiental. Incentivo pelo amigo Ivan Oliveira, montou o Educar Sabiaguaba, em 2001, embrião do que se tornaria o Ecomuseu. “Até ali eu não sabia muito bem o que eu estava fazendo, não sabia direito o que responder quando as pessoas me perguntavam sobre o Educar Sabiaguaba. Sabia que eu estava mudando uma atitude. Fiz artesanato, permacultura, medicina natural, farmácia viva, me abasteci de informação e de capacitação. O Educar funcionava em uma barraca tradicional, sem muitos recursos, era tudo muito rústico. Dessa escola ambiental nasceu o que seria um primeiro ensaio do Museu do Mangue”. recorda. 

 

 

A museologia social e o nascimento do Ecomuseu
Paralelo a tanta mudança, Sineide trabalhava em alguns projetos da Prefeitura, como educadora, e dava aulas em escolas particulares. Mais para frente, passou a se dedicar ao projeto ao lado do marido e conciliá-lo com um trabalho na ETUFOR [Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza], no terminal da Messejana, das 17h às 23 horas.

 

 

Com o Educar, começaram a chegar os grupos de crianças e professores. Pelo olhar das crianças, vieram duas outras constatações que ajudaram a delinear o que o Ecomuseu é hoje. “Durante as visitas, as crianças perguntavam: ‘tio, onde estão os animais?’. Por mais que eu explicasse para elas que os animais estavam ali, na natureza, o caranguejo, os peixes... elas queriam ver, conhecer. E surgiu a necessidade de ter um acervo. Daí, veio a ideia do Museu. E começamos nossa coleção, com a ajuda de pescadores, de outras instituições", esclarece Rusty. O ambientalista destaca outro fato que aconteceu e o ajudou a entender sua função ali. "A professora me chamava para eu guiar a visita, explicar sobre o lugar. E eu fazia. Eu me sentia tão bem, tão feliz com aquilo. Claro, eu era o guia e passei a me dar conta disso”, descobre-se com um sorriso no falar.

 

Em 2004, Rusty conheceu o conceito de museologia social “e a minha cabeça mudou. Compreendi que isso era tudo o que a gente fazia ali”. Rusty se debruçou sobre o assunto de maneira determinada. Dos estudos perseverantes, nasceu o Ecomuseu Natural do Mangue (Ecomunam). Naquela redescoberta, Rusty só começava a ter consciência do trabalho que estava desenvolvendo. 

 

 

O pesquisador Mirleno Lívio Monteiro de Jesus, em sua dissertação de Mestrado, defendida em 2015, pelo Programa de Pós-graduação em Educação Brasileira, da Faculdade de Educação, da UFC, estudou o Ecomuseu do Mangue de maneira aprofundada. Segundo o estudioso, ecomuseu é um modelo contemporâneo de museu. “ Neste tipo de museu, membros de uma comunidade tornam-se atores do processo de formulação, execução e manutenção do mesmo, sendo ou podendo ser, em algum momento, assessorado por um museólogo. Tal conceito traz, em seu bojo, a ideia de preservação e colocação de amostras para lazer, pesquisa, memória, educação e comunicação de específicos acervos ecológicos”, diz o texto da dissertação.

 

 

Associação dos Amigos do Ecomuseu
De lá para cá, começou maior atuação do casal e maior visibilidade em torno da atividade que desenvolviam. O projeto foi cadastrado na Rede Cearense de Museologia Social, depois no Sistema Estadual de Museus. Há 12 anos, existe a estrutura de conhecer a área pelas trilhas, pensadas por Rusty a partir de suas pesquisas. Durante algum tempo, Rusty e a família resistiu fazer do Ecomuseu uma ONG, regida por Estatuto e CNPJ, “porque a gente queria ser reconhecido simplesmente como cidadãos que estavam ali para cuidar da natureza e conscientizar as pessoas, mas percebemos a necessidade de termos CNPJ para participarmos de editais, de financiamentos, pra gente conseguir se manter, manter a estrutura e poder oferecer mais serviços para a população”, justifica.

 

 

Assim, no dia 8 de agosto de 2011, nasce a Associação dos Amigos do Ecomuseu Natural do Mangue, que confere ao Ecomuseu o reconhecimento e a legitimidade jurídica de que precisava. Apesar de estar localizado na Área de Proteção Ambiental (APA) da Sabiaguaba, na foz do Rio Cocó, o Ecomunam se mantém no espaço pelo trabalho feito nele e por ele. “O que autoriza a gente a estar aqui é o trabalho que gente realiza”, acredita Rusty.

 

 

No dia 27 de março mais recente, a Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Ceará (Sema) divulgou os nomes que fazem parte do Conselho Gestor Consultivo do Parque Estadual do Cocó. A Associação dos Amigos do Ecomuseu Natural do Mangue foi eleita em primeiro lugar para participação no Conselho, dentro das vagas que devem ser ocupadas por ONGs e movimentos sócio-ambientais.

 

 

A força para superar as dores e as dificuldades
Quem visita o espaço pela primeira vez, impressiona-se com a simplicidade. De fato, trata-se de uma construção bem modesta que abriga um acervo de animais taxidermizados, carcaças de peixes e tartarugas e diversos tipos de caranguejos que contam muito da história do ecossistema manguezal. É nele e por ele que Rusty e a esposa reafirmam, todos os dias, sua missão na vida.

 

Em 2009, o casal sentiu a pior das dores ao perder a filha Rayanne em uma morte violenta aos 20 anos. O mais novo dos três filhos de Rayanne tinha 6 meses, na época, e, desde então, mora com os avós. Conhecemos um pouco mais o menino, aqui no Vida Ciranda. É Raley, o garoto prodígio que dá palestras pelo Ceará inteiro disseminando a importância de cuidar do meio ambiente.

 

 

O Ecomuseu, a chegada dos oito netos, “o dia a dia com a meninada das escolas”, a esperança que enxergam nas novas gerações ajudam Rusty e a esposa a irem superando as dores e as dificuldades financeiras e de reconhecimento, são forças para seguirem acreditando. “Agora, eu sou feliz, posso dizer para você de coração aberto, com brilho no olhar. Eu encontrei aqui o meu propósito de vida”, festeja Rusty. “Aqui, é a vida da gente. Hoje, eu me dedico integralmente às atividades do Ecomuseu”, emenda Sineide.

 

 

Atualmente, o Ecomuseu e a família de Rusty e Sineide vivem, basicamente, das contribuições que as escolas e os demais grupos de visitantes dão para a realização das aulas de campo. Não há outra fonte de renda ou mantenedor. É um espaço que recebe constantemente pesquisadores e conta com um time de voluntários da comunidade local e de estudantes de cursos superiores relacionados ao meio ambiente.  Rusty vem cursando Gestão Ambiental pela UNINTER, “é pelo diploma, mas é também para saber mais e mais para dar conta dessa riqueza toda aqui”, planeja. 

SERVIÇO:
Ecomuseu Natural do Mangue (Ecomunam)
Rua nove, Sabiaguaba. CEP: 60183-651
Contatos para agendamento: 98749 5286 (Rusty)

foto destaque

Conheça Raley, o menino do mangue que dá palestras sobre como cuidar da natureza

"Cresci brincando no chão,
Entre formigas
Meu quintal é maior
Do que o mundo
Por dentro de nossa casa
passava um rio inventado.
Tudo que não invento
é falso

Era o menino e os bichinhos
Era o menino e o Sol
O menino e o rio
Era o menino e as árvores”
(Manuel de Barros, O Menino e o rio)

 

“Precisamos cuidar da pele do planeta”. A mensagem do garoto Celso Raley Sá Barreto de Freitas, de 9 anos, ecoa pelo Ceará a fora, em auditórios lotados, salas de aula, turmas de educação superior. Há três anos, ele trouxe para si a responsabilidade de multiplicar conhecimentos e consciências. O menino desinibido, simpático, de voz articulada, de gestos carinhosos e olhar cuidadoso para o mundo, vive com os avós maternos desde os seis meses, quando perdeu a mãe. Conhece o ecossistema do mangue na teoria e na prática, como poucas crianças, e faz desse privilégio sua maneira de espalhar a paz e a convivência possível com a natureza.

 

Raley, com avós Rusty e Sineide (arquivo pessoal)

 

Os avós do garoto, Rusty de Sá Barreto e Sineide Crisóstomo, já haviam fundado o Ecomuseu do Mangue quando ele nasceu. Raley é o menino do rio, versado por Manuel de Barros. Só conhece vida com banhos de rio e de mar quase diários, subindo nas raízes aéreas, brincando com os caranguejos, com os pés na lama do mangue; entende sobre as mudanças das marés e a influência das luas, sabe o que é respeitar ciclos de semeio e safra das vegetações, de reprodução dos peixes, moluscos e crustáceos; o menino cresce ouvindo dos avós o valor que a conservação do ecossistema mangue tem para o planeta inteiro, para que a vida seja continuada. O mangue é a rotina dele. “Aqui, o rio é o que mais me encanta. Amo tomar banho nele, cuidar dele”, destaca. 

 

 

A inspiração para falar a grandes plateias, desde os seis anos, além de acompanhar o avô, surgiu quando viu uma criança na televisão falando sobre a importância de cuidarmos da pele do planeta. Dali em diante, por ele mesmo, começou a preparar o que se tornaria a palestra Pele do Planeta, que o faz circular entre adultos bem entendidos em outras áreas, mas que precisam das palavras do menino Raley para compreender que pouco adianta avanços tecnológicos e inovações se tudo isso não caminhar em comunhão com a preservação do meio ambiente.

 

 

“Eu comparo o planeta com o nosso corpo. Os pelos e o cabelos são as árvores. Nossa pele é o chão. Quando a gente joga lixo no chão é como se não tomasse banho, fica cheio de sujeira, enche de doença... se não cuidar, morre. A poluição produz gases que furam a camada de ozônio e ela é o protetor solar do planeta. Sem essa proteção, a gente adoece”, ensina Raley.

 

 

O menino prodígio estuda à tarde numa escola pública do bairro Caça e Pesca, pertinho de onde mora. Enquanto conversávamos, ele já passava com a avó a agenda da próxima palestra, que, naquela semana, foi na escola mesmo. A avó Sineide conta que ele é o primeiro da turma, mas ele emenda a informação rapidamente: não quer virar líder “porque é chato demais ter que ficar arrumando a sala”.

 

 

Raley não é remunerado pelas palestras, que duram em média 25 minutos, mas os avós comentam que sempre negociam com ele pequenos valores, como R$ 5 ou R$ 10, quando ele fala ao público ou ajuda os avós na condução dos grupos de visitantes pelas trilhas do mangue. “É uma maneira de incentivá-lo, mas, principalmente, de ele já ir sabendo a lidar com o dinheiro, a poupar quando quer comprar algo, como o conserto da bicicleta e do skate”, justifica a avó.

 

Raley vai estar conosco no roteiro dentro do Ecomuseu, pelo Vida Ciranda Experiência, no próximo dia 21. No dia em que conheci Raley, ele me levou para um lugar de que ele gosta muito, o Mangue Vermelho, um dos mais legais da trilha que faremos. No caminho até lá, Raley foi me dando uma palhinha do que ele gosta de falar às pessoas. 

 

“O grade problema é que as pessoas não respeitam uma coisa simples: não pode jogar lixo no chão, isso prejudica todo mundo. Lugar de lixo é na lixeira.Me impressiona as pessoas desrespeitarem isso”, lamenta o menino.

 

O menino do mangue sonha com a profissão de design, a mesma do tio, designer de games, que mora no Canadá, quem ele tem como irmão mais velho. Raley já entende que não há nenhuma razão na tecnologia se não for para melhorar e valorizar as relações humanas e suas relações com a natureza.

Reprodução Facebook Ecomuseu

Polícia do Meio Ambiente acompanhará a manhã do Vida Ciranda no mangue

A primeira edição do Vida Ciranda Experiência, que será realizada no próximo dia 21 de abril, contará também com os cuidados da equipe do tenente coronel Ricardo Jorge Pinheiro Mota, do Batalhão de Polícia do Meio Ambiente (BPMA), do Ceará.

 


Há mais de 30 anos na polícia, quatro deles dedicados ao Meio Ambiente, o comandante nos conta que a “parceria preventiva e proativa” com o Ecomuseu já vem desde o comecinho da ONG. Além do patrulhamento de rotina na área, a capacitação dos policiais passa pela região que compreende todo o Mangue da Sabiaguaba. O BPMA, por meio de policiamento aquaviário e viaturas móveis, cuida, em Fortaleza, de todo o espaço referente ao Parque do Cocó, Parque Adahil Barreto e adjacências. No Ceará, são mais de 200 policiais que atuam em Fortaleza, Juazeiro e Sobral.
As demandas do Batalhão incluem a fiscalização acerca de crimes ambientais, degradação e poluição sonora. A apreensão de animais silvestres e o excesso de decibéis por paredões de som, de acordo com o tenente coronel, são as práticas mais combatidas.

 


Segundo ele, a grande dificuldade da lida diária com que ele se depara na profissão é a falta de consciência das pessoas para preservar o meio ambiente “que é finito”, ele alerta. Para ajudar na educação das pessoas, o Batalhão conta com um núcleo educacional e um projeto social de judô.

 


O comandante esclarece que, pelo Núcleo, há a realização de palestras ambientais e outras ações que promovem a educação ambiental, em escolas, associações etc. O projeto ‘Judô – um caminho para a cidadania’ atende cerca de 50 crianças, principalmente na região do Lagamar e Aerolândia.

 


PMCE - CIA DE POLÍCIA MILITAR AMBIENTAL
Comandante: Ten. Cel. Ricardo Jorge Pinheiro Mota
Telefone: (085) 3101-3545 / 3101- 3577
E-mail: cpma@pm.ce.gov.br
Web site: www.pm.ce.gov.br

banho no rio 4

Vamos ao Ecomuseu do Mangue! Saiba tudo sobre a #1 do Vida Ciranda Experiência

Que tal conhecer Fortaleza com as crianças de um jeito novo? Esta é a proposta do projeto Vida Ciranda Experiência, que começa neste mês. Diferente do projeto Re-conhecendo Fortaleza, desenvolvido semestre passado, em que convidávamos famílias para conhecerem a cidade junto com as crianças, sugerindo espaços, dessa vez, pelo Experiência, o Vida Ciranda oferece toda a estrutura para quem quer viver Fortaleza e Região Metropolitana com a meninada de uma maneira única e inesquecível! Nossa primeira aventura será no Ecomuseu Natural do Mangue (Ecomunam), em Sabiaguaba, na manhã do próximo dia 21, das 7h30min às 11h30min.  

 

 

 

 

O único Ecomuseu de Fortaleza atua na Área de Proteção Ambiental da Sabiaguaba com força na educação ambiental, a fim de levar as pessoas a conhecerem o ecossistema da região e conscientizar sobre a importância de preservar o espaço. Possui um acervo de cerca de 200 peças de animais, como carcaças de caranguejos, peixes, tartarugas entre outros.  Vamos percorrer uma trilha de 1,5 km, com 12 estações de parada. Por elas, será possível saber mais sobre fauna e flora do local, conhecer os tipos de mangues existentes e as áreas de desova das tartarugas, participar do plantio de novas vegetações típicas da região, atravessar trilhas com o pé (e parte da perna!) pela "lama" do mangue,  e tomar banho de rio. Uma delícia! 

 

 

A taxa de participação por pessoa é R$ 35 (confira abaixo, promoções para famílias a partir de 3 integrantes!), incluindo crianças de todas as idades. O valor inclui ônibus ida e volta, lanche e a taxa de acesso ao Ecomuseu, que se mantém como instituição sem fins lucrativos. Durante o trajeto no ônibus, haverá também sorteios e distribuição de brindes, além das primeiras orientações, principalmente, para os pequenos exploradores do ecossistema mangue. Todas as crianças devem estar acompanhadas por seus responsáveis.  Serão ofertadas somente 50 vagas. 

 

 

Nossa expedição será acompanhada pelos fundadores e diretores do Ecomuseu, o ambientalista Rusty Sá Barreto e a pedagoga Sineide Crisóstomo, além de monitores voluntários e moradores do local, que integram o Ecomuseu, e do Batalhão de Policiamento do Meio Ambiente (BPMA). Há cerca de um mês, fomos visitar o Ecomuseu. De fato, uma manhã incrível. 

 

 

Sineide explica sobre as características físicas que diferenciam caranguejos machos e fêmeas

No dia em que fomos, uma equipe de educadores ambientais estava sendo orientada sobre o Ecomuseu. Na foto, Rusty dá uma super aula sobre as características do mangue e por que é tão importante cuidarmos desse ecossistema que é berçário da vida marinha

... e o Gabriel não queria tirar os pés!

De acordo com o o boletim de balneabilidade mais recente, lançado no dia 28 de março, pela Superintendência Nacional do Meio Ambiente (Semace), toda a orla que vai do trecho 01 Caça e Pesca / Foz do rio Cocó (Ecomuseu do Mangue) até o trecho 09 (entre a rua Ismael Pordeus até Posto dos Bombeiros 01), que compreende Praia do Futuro I e II, está própria para banho. O boletim de balneabilidade é lançado semanalmente, às sextas-feiras. Você pode acompanhar os boletins clicando aqui ou baixando o App Semace Mobile, disponível para  iOS e Android. 

 

 

 

Confira abaixo todas as informações para participar do Vida Ciranda Experiência #1
Quando: 21 de abril.
Embarque: às 7h30min. 
O local de embarque será enviado por e-mail aos participantes com inscrição já confirmada. 
Retorno: às 11h30min. 

 

Roupas / acessórios: 
Roupas leves ou trajes de banho, bonés, óculos de sol, repelente, protetor solar, garrafinha d'água.
OBS: O Vida Ciranda disponibilizará um kit de primeiros socorros. A fim de evitar perdas materiais durante o passeio, não é recomendado levar outros objetos, exceto celular ou máquina fotográfica para registros. 

 

Quem pode participar?
O Experiência foi pensado para famílias com crianças a partir de 1 ano. 

 

Programação: 
7h30min: Boas vindas
7h45min: Embarque
8h45min: Chegada ao Ecomuseu
9h: Ínício da trilha 
11h: Fim da trilha com banho de rio
11h30min: Embarque para retorno. 
OBS: Não nos responsabilizaremos por atrasos. Começaremos pontualmente, para que as crianças possam aproveitar melhor a manhã. 

 

Valores 
Taxa individual R$ 35
Três ingressos:  R$ 90
Quatro ingressos: R$ 115 
Cinco ingressos: R$ 140 
A partir da sexta pessoa de um grupo só, o ingresso individual sai por R$ 30. 

 

 

Serviços inclusos:
Ônibus ida e volta
Taxa de acesso ao espaço
Lanche 
Kit Primeiros Socorros (coletivo)

 

Pagamento: 
O pagamento deve ser realizado por depósito ou transferência bancária na conta abaixo até o dia 18 de abril
. Logo após o depósito, favor encaminhar o comprovante com nome completo e idade dos participantes para o celular número: (85) 98954 7374 ou email: sara.rebeca.ac@gmail.com

 

Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 1977
Operação: 013
Conta poupança: 4568-0
CPF: 622.527.043-49

 

 

Participe! Vamos fazer com que nossas crianças conheçam o espaço que é delas também, criem memórias afetivas na cidade onde vivem. Vamos estimular o sentimento de pertencimento, a consciência ambiental e a cidadania responsável desde cedo! 

máscara carnaval

10 dicas e locais na cidade para viver o pré-carnaval com as crianças

FÉRIAS DE BRINCAR
DICA 26 - CURTIR O PRÉ-CARNAVAL

Eu sou pela diversão, pela alegria, pela gargalhada, pelo povo. Sou pelo que me faz história e me enche de memórias felizes. E tem tempo junto mais descontraído de viver do que carnaval ou pré-carnaval? Eu gosto! Para além da profanidade a que o significado original faz referência, eu vejo dias de alegria, de diversão, de cultura. Aqui em casa, com as crianças, são dias de inventar fantasias para dançar e brincar com os amigos. De poucas coisas elas gostam taaaanto do que se fantasiar e dançar, não é!? 

Pela cidade, há festas bem bacanas que são pensadas para as crianças. Prefiro as que acontecem em espaços públicos, que são gratuitas, democráticas.  No jornal O POVO de hoje, há um artigo meu que fala sobre o assunto. Eu o reproduzo completo abaixo.

Em blocos para as famílias ou pensados exclusivamente para as crianças, na rua ou em locais fechados, alguns cuidados são importantes para que a criança também possa curtir numa boa: 

1. FILTRO SOLAR
Boa parte das festanças que sugiro acontece pela manhã, ao ar livre. Não esqueça o filtro solar e o reaplique a cada 2 horas. Se a fantasia permitir, tente o uso do boné.  Ainda assim, não exagere na exposição das crianças ao sol, depois das 10 horas. 

2. HIDRATAÇÃO E LANCHES SAUDÁVEIS

Saia de casa munido de bastante água e frutas, acondicionados em um recipiente térmico, para oferecer as crianças de vez em quando. Evite alimentos de fácil contaminação, como embutidos (presuntos, salsichas e salames), maionese e molhos cremosos, principalmente, se for para comprá-los na rua. 

3. FANTASIA
Dependendo do local e do horário da festa, é preciso bom senso para que tipo de fantasia você pode combinar com a criança, para que ela use. Pense no bem estar  e no conforto dela, tente explicar isso a ela. Vestidos de princesa, cheios de saias rodadas, pesados, de tecidos quentíssimos ou fantasias de personagens e super heróis que vestem dos pés à cabeça, de tecido quente também, emborrachados, ou cheios de sobreposições, enfadam a criança rapidinho. Verifique se o cinto aperta, se o elástico incomoda, se a tiara machuca. Além disso, o excesso de suor pode causar brotoejas e roupas  desconfortáveis podem ocasionar dermatite irritativa nos pequenos.  Independente da fantasia, prefira tênis a sandálias ou chinelos. 

4. TINTAS E MAQUIAGENS
Não pinte rosto e corpo das crianças com materiais que não sejam específicos para elas ou tintas com base aquosa. Produtos inadequados podem causar alergia. 

5. MÁSCARAS, BALÕES, BRINCADEIRAS
Se for usar máscaras, verifique bem se ela está adequada ao rosto da criança, se não dificulta a respiração ou causa risco de sufocamento em determinadas situações. Balões e bexigas também precisam de olhares cuidadosos. Quando estouram, podem ser engolidos com facilidade e causar engasgos. Algumas brincadeiras, fantasias ou apelidos podem incentivar comportamentos agressivos ou desrespeitosos. Fique atento!

6. PERCURSOS DO BLOCO
Se optar por levar as crianças em blocos que fazem um percurso pela cidade, escolha os de percurso curto. Talvez, não seja uma boa levar crianças muito pequenininhas. Cinco nos é uma idade em que as crianças já curtem muito mais diversões assim. 

7. IDENTIFICAÇÃO
Mesmo em local fechado, acho importante colocar uma pulseirinha com nome completo da criança, nome dos pais/responsáveis e telefones. Converse com ela sobre o assunto, diga para que serve e como aquela identificação pode ajudá-la, caso ela se perca dos pais. Se a criança for maior, uma outra opção, além da pulseira, é marcar um local, um ponto de encontro para ela ir, sempre que perder de vista o responsável. 

8. SEGURANÇA
No dia ou no horário em que escolher estar com as crianças na folia, evite ingerir bebidas alcoolicas. Embalados pelo ritmo mais frenético das músicas e toda a agitação, muitas vezes, não nos damos conta que estamos passando do limite. Isso pode causar atenção reduzida aos pequenos, o que é um grande risco. 

9. SPRAYS DE ESPUMA, CONFETES, SERPENTINAS
Evite os sprays de espumas ou locais em que eles estejam sendo utilizados, para evitar alergias e ardências na pele e nos olhos das crianças. Caso você esteja preparando uma festinha entre os amiguinhos, prefira sempre confetes e serpentinas de papel a metalizados, que podem causar choques em contato com fios desencapados, que passaram despercebidos.  

10. LIMITES DE TOLERÂNCIA
Respeite o limite das crianças. Choros constantes, enjoos e birras podem ser sinais de cansaço e de que a festa acabou para elas. Respeite. Saia de casa sabendo que sair com crianças, principalmente, a locais de grande aglomeração, barulho e agitação significa, em alguns dias, despedir-se da turma um pouco mais cedo do que o esperado. Faça isso numa boa, afinal o que vale é a diversão que vocês já viveram intensamente juntos. Cuide das lembranças, promova momentos de alegria, de paz, de respeito, de amor. Eles vão para além do carnaval e conduzem recordações, aprendizados e exemplos pelo ano inteiro. 

SUGESTÕES DE LOCAIS DE PRÉ-CARNAVAIS PARA CRIANÇAS, PARA AS FAMÍLIAS
SÁBADO, DIA 20
Iracema Meu Amor (família)
Local: Avenida Monsenhor Tabosa, entre as ruas Gonçalves Ledo e João Cordeiro
Horários: 16h às 20 horas.
Atrações: Banda Pacote de Biscoito, Bloco Bons Amigos e Convidados

Espaço Mais Infância Ceará
Local: Praça Luíza Távora 
Endereço: Avenida Santos Dumont, 1589
Horário: O Espaço abre às 14 horas e a programação na Praça começa às 18 horas. 
Atrações: Banda Só Alegria

 

DOMINGO, DIA 21
Iracema Meu Amor (infantil)
Local: Passeio Público
Endereço: Rua Dr. João Moreira, s/n, ao lado da Santa Casa de Misericórdia, Centro
Horário: 9h às 11 horas. 
Atrações: Banda Só Alegria e Banda Pacote de Biscoito

6º Sivozinha Folia (infantil)
Local: Casa José de Alencar 
Endereço: Av. Washington Soares, 6055 - José de Alencar.
Horário: 9h às 12 horas. 
Doação: Uma lata de leite em pó
Atrações: Alê-grando Recreação, Trupe Sorriso e Descoladinhos Mix

Bloco Baixaria (Baixinhos do Mincharia) - (Infantil)
Local: Largo Mincharia
Endereço: Rua dos pacajus, 5, Praia de Iracema
Horário: 16 h às 19 horas. 

 Artigo completo sobre a importância de vivermos a cidade, no carnaval e noutras épocas
Aqui, link para matéria do O POVO, publicada hoje (20/1/18).


O dia a dia das crianças tem sido cada vez mais limitado a locais privados. As famílias têm escolhido os condomínios fechados para criar os filhos e o lazer direcionado aos apelos consumistas dos shoppings.

Nesses tempos em que estamos trocando história e memória por roda-gigante, em que nos fazemos apáticos a áreas verdes sendo reduzidas, espaços culturais sendo fechados e festas populares, tão de rua, tão democráticas em essência, sendo transferidas para os shoppings, é bom refletir sobre o conceito de cidadania que queremos que os nossos filhos aprendam. Cidadania responsável é conviver com empatia. Não há empatia se não conhecemos. Se não conhecemos não há cuidado. Se não há cuidado há desprezo, há esquecimento, há apatia, há exclusão, há violência.

A violência é reflexo da segregação, da omissão. As crianças precisam conhecer a cidade, andar pelas ruas, conhecer suas belezas e seus problemas. Elas são cidadãs, não podemos negar às crianças o direito à cidade, a viver esse relacionamento que gera comprometimento, afeto e responsabilidade desde cedo entre elas. Quanto mais nos fecharmos, mais seremos coagidos, violados, resumidos. Viver a cidade é resistir, é subverter à maquiagem de “segurança e conforto” que querem nos empurrar goela a baixo; é ensinar às crianças olhares mais humanos de conhecer, de preocupar-se com o outro, olhares de cooperação, e não de individualismo. Sou mãe preocupada e zelosa também. Sou pelos carnavais nos espaços públicos! 

Exposição Vaqueiros - Imagem destacada

Visitar exposições estimula imaginação, criatividade e senso crítico. Confira o roteiro que preparamos no Dragão do Mar

FÉRIAS DE BRINCAR
DICA 25 - VISITAR AS EXPOSIÇÕES NO DRAGÃO DO MAR

 

Há jeitos de ser e estar no mundo pela convicção (ou não) das incertezas. Há visões desacostumadas para o cotidiano reveladas pelas fotografias, há o vento com suas forças e resistências sobre o homem, há o nosso cavaleiro do sertão. Neste janeiro, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura abriga cinco exposições que são convites também às crianças, para a diversão, a imaginação, a criatividade e a formação de senso crítico e opinião sobre o mundo. Visitamos todas e contamos a nossa experiência em uma manhã dedicada a olhar o mundo por outros olhares, no Museu da Cultura Cearense (MCC) e no Museu de Arte Contemporânea (MAC).

 

Não necessariamente as exposições precisam ser vistas de uma vez só. Quatro delas só estarão em cartaz até o próximo dia 28, sábado da próxima semana, mas ainda dá tempo de se programar e dividir as visitas em dias diferentes. Tente saber um pouco mais sobre cada uma, antes de levá-los. Vai facilitar sua mediação. 

 

Respeite o tempo, a paciência e a disposição das crianças. Não esqueça de levar lanche e água. Entre o MAC e o MCC demos uma parada para lanchar, tomar água e conversar um pouco sobre o que já tinha sido visto. Bom também que elas estejam vestidas com roupas leves para facilitar sentar no chão, se agachar.  Explique um pouco das regras de visitação aos museus, como não poder consumir alimentos nos espaços e tocar nas obras, mas faça isso com leveza para que a importância das visitas não se restrinja apenas às proibições e elas acabem se tornando programações chatas.

 

Fotografar essa iniciação artística dos filhos é muito bacana, mas não fique preso a isso ou a postar essa experiência nas redes sociais de maneira instantânea como ações mais importantes nesse momento. Eles precisam sentir sua entrega, sua participação ativa nessas descobertas, nesse aprendizado. Eles sentem quando você está ausente e é mais fácil que também se desinteressem bem rapidinho. Você vai perceber, ao longo dessa reportagem, que não há fotos de momentos que descrevo ou as fotos não estão tão boas. Claro, fomos pelo Vida Ciranda também, mas acompanhar e participar integralmente das descobertas deles era o mais importante para mim. 

 

Que esta viagem pela arte seja incrível para vocês! 

 

MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA (MAC)

 

1. INCERTEZA VIVA
A mostra Incerteza Viva, uma nova etapa nacional das itinerâncias da 32ª Bienal de São Paulo traz um recorte de 15 artistas e coletivos, com mediação do curador Jochen Volz - responsável pela última edição da Bienal, em 2016, a exposição traz uma riqueza de cenas, imagens, vídeos. Começamos nossa andança artística por ela, logo que o Museu abriu, às 9 horas. Deixei-me ser guiada pelo olhar deles, desde a escolha da sala ao respeito à interpretação.

A 32ª Bienal tem como eixo central a noção de incerteza a fim de refletir sobre atuais condições da vida em tempos de mudança contínua e sobre as estratégias oferecidas pela arte contemporânea para acolher ou habitar incertezas. A exposição se propõe a traçar pensamentos cosmológicos, inteligência ambiental e coletiva assim como ecologias naturais e sistêmicas.

 

Pelas telas apresentadas, deixei que eles tirassem suas próprias conclusões sobre o que viam. Na tela Lágrimas da África, de Mmakgabo Helen Sebidi, por exemplo, Gabriel compreendeu se tratar de “muitas pessoas matando monstros”. Na obra Colina índio Morto, de Pierre Huyghe, Luquinhas parou, olhou e soltou a indagação: “é uma caveira, é?”. Eu respondi que sim, eram ossos de uma pessoa que já morreu e devolvi a interrogação: "Por que você acha que ela morreu?". Recebi um “sei lá” do Luquinhas, e um “acho que não tinha comida nem água nesse lugar aí”, do Gabriel.

Nos vídeos apresentados em várias salas, eles brincaram, principalmente, de sombras, como em Um minuto atrás, de Rachel Rose. No vídeo O Peixe, de Jonathas de Andrade, Luquinhas riu um bocado do ritual em que os pescadores retém os peixes entre seus braços até o momento da morte do animal, numa espécie de abraço. "Olha, o homem tá dando carinho para ele porque ele está dodói, não é, mamãe?", disse o Lucas depois de observar o furo do anzol no bicho. Nas telas de Gilvan Samico, eles tentavam decifrar seres e comportamentos.

Um minuto atrás, de Rachel Rose

O Peixe, de Jonathas de Andrade

Telas de Gilvan Samico. Esta foto foi tirada em um outro dia, quando fui sozinha com Lucas. Do lado dele, a educadora Naiana o acompanha nas decifrações possíveis

No próximo dia 20/1/18 (sábado), às 16 horas, a turma do Núcleo Educativo do MAC realiza duas oficinas infantis a partir das gravuras de Gilvan Samico e da obra O Peixe. O Projeto Bebê Dadá traz a oficina O Peixinho, convidando bebês e seus cuidadores a conhecerem juntos a obra de Jonathas de Andrade, por meio de estímulos visuais e táteis, ministrada por Cris Soares. Em Gravolândia, as gravuras de Samico serão o mote para a produção de gravuras lúdicas, utilizando papel cartão e tinta guache, conduzida por Joellen Galvão e Marcos Filho.

Na obra Mapa-múndi, de Antônio Malta Campos, brincamos de "onde está a figura?", já que a tela verde é repleta de desenhos diversos.  Na sala "com porta de lâmpadas", como intitulou Gabriel, em que não consegui pegar o nome do artista, Luquinhas não quis papo.

Na entrada de uma outra sala, sob um texto emocionante chamado A Máscara, um espaço dedicado à Escrava Anastácia: "uma vela, uma flor branca, um copo de água limpa, uma tigela de café acabado de fazer", eram dedicados a ela, no momento de oração. O café foi representado por sementes que Lucas e Gabriel mexeram um bocado e derrubaram outro bocado, que eles juntaram depois. Conversei com eles, brevemente, sobre escravidão e lhes contei que aquele oratório era um espaço de homenagem a uma escrava que sofreu muito.

 

Contei sobre a máscara e que ainda hoje existe a escravidão. Enquanto nós juntávamos os grãos de café derramados, conversei sobre a importância de ser livre e de lutar por isso, por nós e pelos outros. Fiquei com vontade de falar que a escravidão não existe apenas quando você está fisicamente preso, mas entendi que o momento já tinha se esticado um bocado e eles estavam ansiosos por ver outras coisas. Fica a dica para conversas  com crianças maiores também. Tente sentir sempre o interesse, a disposição e o momento da criança. Às vezes, explicar demais só atrapalha. 

A Máscara

 

SERVIÇO:
Incerteza Viva fica em cartaz no MAC / Dragão do Mar até a próxima semana, dia 28 de janeiro. Visitação de terça a sexta, das 9h às 19h (acesso até as 18h30); e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h (acesso até as 20h30). Gratuito. Classificação: Livre

 

MUSEU DA CULTURA CEARENSE 
2. MERIDIANOS DE INFINITUDE
3. FRONTEIRAS - OLHAR DISTANTE 

 

Nas salas 1 e 2 do MCC, piso superior, estão as exposições "Meridianos de Infinitude" e "Fronteiras - Olhar Distante", participantes da sétima edição do Festival Encontros de Agosto, um dos principais eventos de fotografia realizados no Ceará, lançada no Dia Mundial da Fotografia, 19 de agosto.

 

Meridianos de Infinitude conta com ensaios de duas fotógrafas convidadas de Porto Alegre e dois de Montevidéu - Uruguai. Fernanda Chemale traz  o ensaio "Desordem", com imagens inspiradas nos poemas de Gisela Rodriguez; Letícia Lampert apresenta a obra "Exercícios para perder de vista"; José Pilone Costa expõe "O homem cinza" e Roberto Fernández Ibáñez apresenta os ensaios intitulados "Resiliência Terrenal" e "La Mano". A mostra teve a curadoria de Carlos Carvalho e Daniel Sosa.

 

As fotos suspensas, logo na entrada da exposição, foi a parte que os meninos mais gostaram: "vamos fazer uma assim na nossa casa, mamãe?!", propôs Gabriel. No caminho de volta para casa, ele completou a proposta: "pode ser no dia do meu aniversário de Pokémons, ajudo você a escolher umas fotos bem legais pra gente fazer igual no museu". Eu só disse: "combinado!".

A outra exposição Fronteiras - Olhar distante, na sala em frente, reúne ensaios de 20 fotógrafos cearenses, selecionados por Silas de Paula (fotógrafo, Conselheiro e Curador do Encontros de Agosto), Carlos Carvalho (fotógrafo e representante do Festival Internacional de Porto Alegre - FestFoto) e Daniel Sosa (Diretor do Centro de Fotografia de Montevidéu), que são parceiros desta edição do Festival. Os selecionados foram: Demétrio Jereissati, Emanuel Duarte, Fernando Maia, Fábio Lima, Francisco Galba Filho, Ingrid Barreira, Jean dos Anjos, João Luís de Castro Neto, Julia Braga, Marcela Elias, Marcelo Barbalho, Raquel Amapos, Ricardo Arruda, Samuel Tomé, Sérgio Carvalho, Tatiana Tavares, Thadeu Dias Bruno, Valdir Machado Neto, Weberton Skeff e William Ferreira. 

 

O trabalho de Fábio Lima chamou a atenção deles, acho que pelo colorido das imagens. Dá para explorar muito mais as duas exposições, que são riquíssimas, mas, neste dia, eles não estavam tão a fim. Com as crianças maiores é possível refletir sobre os ângulos em que as fotos foram tiradas e o que elas pensam sobre eles. Ficou bonito? O que essas fotos querem dizer? O que você entendeu? Podem brincar de dar títulos para as fotos e depois comparar entre o título dado pelas crianças e o título dado pelo autor. Pode-se mesmo estimular para que as próprias crianças tirem fotos também de ângulos menos comuns, em uma atividade posterior,  e refletir também sobre trabalhos delas, fazendo alusão ao que foi visto nas exposições.  Por que elas resolveram fotografar aquele objeto e daquela forma e não de outra? 

4. MEMÓRIA DO FUTURO EM RUÍNAS 

No piso intermediário, está a exposição Memória do Futuro em Ruínas, uma investigação sobre a Praia do Futuro em Fortaleza, a partir das contradições entre o que se pretendia alcançar com certa estrutura e as forças naturais que trazem como resistência seus processos corrosivos. Quais são as perspectivas de futuro num mundo em que as esperanças de crescimento e melhoria de condições de vida se esvaem?

 

Claro que não dá para fazer elucubrações tão maduras com eles, mas podemos falar sobre sonhos e planos que temos para o futuro. É possível que eles mudem, com o passar do tempo. Por que isso pode acontecer? Na natureza, existe sempre o que o homem sonha alcançar com determinada paisagem e o que pode mudar pela ação de fenômenos naturais, como as inundações e enchentes quando chove muito e as queimadas naturais quando o tempo está quente demais.

 

Em praias, como na Praia do Futuro, não se pode descartar os processos corrosivos, destrutivos, modificadores da maresia e do vento forte.  A partir de recortes dessa paisagem, vemos, na exposição, uma construção de possíveis ficções de um futuro para esse local em uma instalação com vídeos, fotografias e desenhos. Imaginar o futuro. Como seria se...?  É um bom exercício de aprendizagem sobre passado, presente e futuro para se fazer com eles, na exposição. 

 

Sentamos no chão, do lado de um dos vídeos, e expliquei um pouco sobre a relação dos ventos fortes com o movimento das  dunas. Destaquei o quanto é preciso respeitar o movimento, o tempo e as características das paisagens naturais. Algumas das grandes tragédias, em que muitas pessoas morrem ou perdem suas casas, por exemplo, têm muito do desrespeito dos homens. Por exemplo, não é certo construir casas em cima das dunas porque isso impede o movimento natural e pode prejudicar o homem mais tarde, com a natureza reagindo ao desrespeito de alguma maneira.

Foi o máximo de registro que consegui desta exposição. Eles já estavam bem inquietos

SERVIÇO:
As três exposições ficam em cartaz até 28 de janeiro de 2018,
sábado da próxima semana, no Museu da Cultura Cearense (MCC) / Dragão do Mar. Visitação de terça a sexta, das 9h às 19h (com acesso até as 18h30) e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h (acesso até as 20h30). Acesso gratuito. Classificação: Livre.

 

5. VAQUEIROS

Tenho uma particular afeição pela exposição Vaqueiros. Fui educadora do MCC em 2010. Por ser uma exposição de longa duração, em cartaz permanentemente,  Vaqueiros já estava lá quando trabalhei como educadora do espaço. Foi especial para mim voltar lá com eles. 🙂

Divulgação Dragão do Mar

De todas, é a exposição com mais possibilidades de interação da criança com o espaço e com mais elementos de aprendizados sobre a história dela própria, do local onde nasceu. Conhecer o vaqueiro e todos os costumes e tradições que permeiam o dia a dia dele é conhecer a essência do cearense, do ser sobrevivente da caatinga. A exposição é rica em imagens, em ambientes e fotografias que simulam o real, e em textos bem didáticos, isso quer dizer que mesmo que você não saiba nada sobre vaqueiro, é possível fazer uma visita bem informativa e repleta de curiosidades com as crianças. Todo o cenário montado enriquece a interação e a compreensão dela em relação ao que vamos explicando. É possível repassar a elas muito fatos interessantes e vivências da  chamada civilização do couro, baseada na pecuária. O vaqueiro é nosso cavaleiro do sertão. Só aí já ativa um monte de fantasias nas cabecinhas delas.

À medida que íamos adentrando a exposição, eu sempre ia fazendo uma relação da exposição com a própria história deles, dos tios, dos avôs e bisavôs, homens e mulheres guerreiros do sertão. Contei-lhes sobre o tio avô Almir, criador de algumas cabeças de gado desde quando me entendo neste mundo, vaqueiro também de seus pastos. Por ele, nossas férias tinham o acordar cedinho para tirar leite da vaca, leite mugido na mesa ou ainda no curral;  tinha a nata e  a coalhada naturais, o queijo que acompanhávamos toda a feitura na prensa;  a vendagem dos produtos, a bordo da rural desgastada, pelos comércios das redondezas, o passeio a cavalo. Ele também ferrava seu rebanho para assim não o perder pastos a fora e colocava no pescoço das vacas e bois os sinos para ajudar a encontrá-los no meio da caatinga. 

pilão e prensa de fazer queijo

Foram, talvez, os espetos de ferragem, as esporas e os sinos, instrumentos utilizados pelos vaqueiros na lida com o rebanho, que mais impressionaram Gabriel e Lucas.  Em um dos mais bonitos especiais, o jornal O POVO publicou o Especial Sertão a ferro e Fogo , em 2014. Vale apena ler e saber mais sobre as histórias e as vidas dos vaqueiros de hoje. 

casa simulada do vaqueiro

Na exposição, há uma casa simulada do vaqueiro, muita parecida com a que os bisavós maternos deles, Waldemar e Lurdinha, moravam. A vegetação da caatinga, a maneira como se exibiam e exibem ainda hoje os retratos na parede, os potes de armazenar e tomar água com os copinhos de alumínio pendurados ao lado, que eu mesma tive na casa dos meus pais, em Itapipoca. Os cavalos, os currais, o sol no dia a dia das fazendas, as porteiras. A esperança e a fé em dias melhores pela religiosidade. É uma viagem pela história até mesmo da infância de muitos de nós. 

 

 

SERVIÇO:
VAQUEIROS
A exposição é de longa duração e fica em cartaz permanentemente, no piso inferior do MCC. Visitação de terça a domingo, das 9h às 19h (acesso até as 18h30) e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h (acesso até as 20h30). Acesso gratuito. Classificação: Livre.

Banho de chuva11

Tomar banho de chuva com as crianças é tarapêutico

FÉRIAS DE BRINCAR
DICA 23 - TOMAR BANHO DE CHUVA COM A CRIANÇADA

Tenho lembranças fortes de banhos de chuva com meus pais, principalmente, no interior onde morávamos. Existia o medo do mormaço, da sujeira que vem das calhas, da gripe, mas existia sempre as gargalhadas deles ao ver nossa alegria nas brincadeiras debaixo d'água. Aprendi, desde cedo, a agradecer sempre que chovia, a festejar a chegada dela, a sorrir ao ver no horizonte as nuvens cinzas, carregadas, porque aprendi que aquelas não traziam apenas água, mas anunciavam vida. 

 

 

Nestes dias em que as chuvas têm molhado nossas terras, não tem como não sugerir aos pais que se permitam o banho de chuva com os filhos. É bom demais! Para além de ser muito divertido, recarrega as energias e nos põe em contato com a nossa própria infância, com o gosto pela brincadeira, pelo lúdico que temos todos. Ainda mais que isso, defendem os terapeutas: somos 70% água e os cristais de água têm memória. Na antroposofia, a água é inclusive transcrita por médicos, seja por banhos de banheira, de chuva, chuveiro, com água quente ou fria, com ou sem ervas.

 

A terapia pela água acredita na limpeza de impurezas do campo eletromagnético em que estamos envolvidos, o que, talvez, justifique a expressão "lavar a lama". Se assim, nada como um bom banho de chuva para limpá-lo, heim?! Se ele vem acompanhado das alegria dos filhos... Receita de uma experiência inesquecível, para você e para os pequenos!

Este banho aconteceu ontem, dia 10 de janeiro, no estacionamento do prédio onde moramos. O mais legal para o meu coração de mãe foi ver Gabriel se entregando a um momento tão legal. Nunca gostou. Começou resistente, dizendo que não gostava, que não ia de jeito nenhum. Depois que viu o irmão e eu brincando todas, ele se rendeu e veio curtir com a gente.

<3