Priscila e a mãe na fachada

A sustentabilidade que não apenas reflete o consumo, mas espalha alegria e transforma a cidade

“Tô ferrada!”. Foi a primeira frase que a empresária Priscila Noronha Freitas, 32, disse ao ver o espaço que o pai havia alugado e propunha a ela, naquele fevereiro, montar ali a loja de artigos femininos com que tanto ela sonhava. “Diferente, claro, de tudo que eu pensei. Era um lugar que estava abandonado fazia muito tempo, tudo era feio por fora e por dentro, tudo destruído: paredes, telhas, fachada... e tinha muito lixo em frente, no entorno”, relembra. Ainda assim, Priscila resolveu apostar na ideia do pai.

Prestes a se formar em Administração, ela arregaçou as mangas e, com a ajuda dos pais e dos três irmãos, ousou, reinventou, descobriu, se encantou. Transformou abandono em presença, cinza em arco-íris. Com a ajuda da mãe, fez, do lixo, reflexão e consciência ambiental para a comunidade dos arredores. Pelos ensinamentos do pai metalúrgico, criou sensibilidades e belezas para decorar, escreveu novo conceito, construiu identidade. Pelos cuidados e olhares da tia, dona de um galpão de reciclagem, fez parte do antigo casarão abandonado, no bairro Joaquim Távora, na esquina da avenida Visconde do Rio Branco, com a rua Abaiara, uma marca de sustentabilidade e capricho, por inteiro: o seu Casarão Bazar & Brechó.

O espaço foi alugado em fevereiro de 2017. Os pais de Priscila trabalham com metalurgia há muito tempo, na esquina do mesmo casarão, com entrada pela rua Lauro Maia, oposta ao ponto alugado para a filha. Logo depois do contrato fechado, a metalúrgica cresceu um pouco mais e ocupou metros quadrados ao lado do que iria ser a loja da Priscila.

 

Vigilância do lixo
Um mês depois, a família preparou um almoçou de comemoração pelo aluguel, afinal a metalúrgica cresceu e a filha única da família ganhara um espaço para montar seu sonho. Foi quando se deram conta “da podridão, do tanto de rato, da sujeira. Foi aí que nossa luta começou”, destaca dona Angeleide Noronha, 54, mãe da Priscila. Todos se envolveram na transformação do lugar: enquanto o marido e os quatro filhos se dedicaram à reforma da estrutura, dona Angeleide assumiu a “vigilância do lixo”.

 

 

Ela conta que o caminhão do lixo passa em dias específicos, durante a semana, mas o pessoal ainda o largava de qualquer jeito em dias errados, o que causava mau cheiro e atraía ratos, baratas e outros bichos. “Todo mundo culpava o galpão de reciclagem pelos ratos, pelas baratas. Não, a reciclagem é limpa, organizada. As pessoas não se tocavam que eram elas mesmas as culpadas”. Foi o primeiro comportamento que dona Angeleide buscou não apenas mudar, mas conscientizar.
“Não adiantava nada dizer que era errado, que não podia, eles vinham colocar de madrugada, chegava era carro pra descarregar entulho e lixo na esquina”, conta. Ela resolveu ser mais radical. “Eu me sentei para vigiar e dizia: se botar o lixo eu te denuncio”. Dona Angeleide começou também a correr a vizinhança para conversar sobre a importância de não colocar lixo naquela área, e até a dormir no galpão, com ouvidos bem atentos, a fim de reprimir comportamentos que ignoravam toda a campanha que a família vinha fazendo.

 

 

A loja abriu as portas no agosto seguinte. Já em funcionamento, ainda assim, vinham carros despejar lixo. “E a mãe ia pra confusão mesmo. Ela virou a referência aqui, a cuidadora da rua. Depois, os próprios vizinhos começaram também a vigiar. Não foi fácil. Ainda não é, porque tem gente que ainda bota de tudo que não presta aqui”, relata Priscila. “Mas graças a Deus, estamos conseguindo”, emenda dona Angeleide.

 

 

Loja sustentável
À medida que os ratos e as baratas iam embora, chegavam as cores, as flores, a beleza. Depois de uma super transformação na estrutura, chegou a hora de decorar, de dar uma identidade ao lugar e Priscila contou com a tia, proprietária de um galpão de reciclagem ao lado. Ela conta que tudo, desde os manequins, passando pelos móveis, objetos de decoração, quadros, etiquetas das roupas, papel de parede, tapetes, até os acessórios que os manequins usam e s sacolinhas de os clientes levaram as mercadorias são retirados de materiais que chegam à reciclagem, em meio a buscas incansáveis, procuras nos carros dos catadores de rua e sob sugestões da tia. Depois de lavados, pintados, customizados, repaginados, os objetos passam a integrar a decoração do brechó.

 

 

Do lado de fora da loja, não é diferente. Há flores e vegetais ornamentais plantados dentro de pneus coloridos que recebem com alegria os clientes. Para a época de carnaval, Priscila acrescentou guarda-chuvas de todas as cores para enfeitá-los ainda mais. E há uma charmosa manequim com roupas alegres chamando a atenção de quem passa pela avenida Visconde e se surpreende com a mudança que aconteceu no local.

 

“Nossa! Eu achei demais. Passo aqui todo dia e fico admirada com a transformação. É muita visão dessa moça porque apostar em um local tão marginalizado, que você não dava nada... e hoje está aí! Um exemplo, não é!?”, nos falou Marisa Pontes de Vasconcelos, 42, vendedora, passante cotidiana da avenida, caminho para o trabalho dela.

 

A parede que segue a lateral da rua Abaiara, próxima à entrada da loja, também ganhou atenção especial da Priscila. Ela mesma, com as sobras de tinta que encontrava no galpão da tia, pintou e encheu de imagens positivas o cinza sujo. “Tudo fomos nós que fizemos, que pintamos”, orgulha-se Priscila.

 

 

“O mais importante foi esse outro olhar para a cidade, o benefício para todo mundo que mora aqui perto foi maravilhoso. Por que quem é gostava de passar aqui todo dia e só ver lixo, coisa suja? Ninguém! Mas ninguém estava nem aí, botava, aí vem ela e a mãe dela e disseram não... trouxeram só beleza. Muito bem!”, comenta dona Teresinha de Castro Ribeiro, 67, moradora da rua Lauro Maia.

 

 

Para justificar o processo que moveu Priscila à reinvenção e a guiou pelos caminhos da sustentabilidade para dar forma ao sonho, ela fala da educação que teve em casa, destaca os valores sustentáveis que sempre guiaram a família, principalmente, para a reciclagem, para a reutilização.

 

 

“Meu pai sempre foi de CRI-A-ÇÃO (disse pausadamente, com bastante destaque). Nossa! A palavra criação é a boca dele. Na nossa casa sempre teve um quartinho de bugigangas que ele acumula porque diz que de algo que não se quer mais dá pra criar outra coisa. Quando vejo uma ideia de customização na internet, por exemplo, ele vem e me diz: veja mas tente criar do seu jeito, crie. Ele não gosta de cópia, diz que a gente tem apenas que se inspirar. Acho que é muito dentro daquela concepção de fazer acontecer com o que se tem, não é? Somos de uma família pobre, sempre fomos incentivados para a reutilização, então isso nos deu uma criatividade imensa, e meu pai é muito assim”, descreve Priscila.

 

"Para justificar o processo que moveu Priscila à reinvenção e a guiou pelos caminhos da sustentabilidade para dar forma ao sonho, ela fala da educação que teve em casa, destaca os valores sustentáveis que sempre guiaram a família, principalmente, para a reciclagem, para a reutilização". 

 

 

Paixão por brechós
Antes do casarão, Priscila trabalhou “a vida inteira” com pregão eletrônico, até o dia em que um comentário do chefe a fez refletir e pensar na possibilidade de abrir o próprio negócio. “Ele me disse: ‘você tem uma capacidade muito grande, mas não sabe usar isso ao seu favor’. Pensei: ‘como eu não vou usar isso pra mim, pra ganhar dinheiro pra mim?’ ”. Depois disso, saiu do emprego e montou uma loja virtual, chamada Pink Fashion Bazar, um ensaio para o que viria depois. “Já era com roupas seminovas. Eu já gostava de brechós! Fazia feirinha em todo canto, com as amigas, na família, com as minhas roupas, com as roupas dos meus irmãos, já tinha facilidade pra trocar, já conhecia a rede de pessoas de brechós pela cidade. Passava sempre os sábados e domingos em feirinhas por vários bairros. Fiz isso por dois anos”, conta Priscila.

 

 

Com essa experiência, a então estudante de Administração já vislumbrava ter um espaço físico. Claro, uma loja de roupas seminovas, como ela gosta de que sejam chamadas as peças. Apesar do susto inicial diante do desafio lançado pelo pai, não tardou em agarrar aquela oportunidade para tornar seu sonho real: um brechó todo pensado pelo conceito da sustentabilidade, como o seu produto já a sugeria. Assim, o ano de 2017, ela dedicou à organização da loja e ao término da faculdade. Nem o namoro de 5 anos resistiu à força do seu propósito. “Ele me perguntou se era o namoro ou o negócio. Claro que eu escolhi o meu negócio”, fala com o brilho nos olhos de quem não está arrependida.

 

A empresária Priscila e a decoração toda sustentável do Brechó, feita por ela. 

 

 

O produto que move Priscila é herança da mãe, que comprava roupas para a família “boas, de marca e por preços bem baratinhos”, o que a fez enxergar ali a chance de um negócio que a conectava com a própria essência.  "Sou apaixonada por brechós há muito tempo, 90% das minhas roupas são de brechó, acho que só não são as roupas de academia e as peças íntimas, biquínis. Lá em casa, a gente nunca teve besteira com nada. Pela influência da minha mãe, passei a ir sempre em brechós e, então, passei a ter um olhar mais clínico pras lojas e pro mercado, também como consumidora”, justifica.

 

 

 

O comércio de brechós
Como empresária, Priscila vê o comércio de roupas seminovas ainda envolto de muito preconceito, principalmente, em Fortaleza, mas reforça que é um mercado que vem se expandindo devido ao apelo cada vez maior de  se construir um mundo mais responsável em relação ao consumo. “Tudo é muito caro, hoje em dia. E as pessoas estão se conscientizando que não há mal algum usar o que já foi do outro. Tenho muita mercadoria que nem sequer foi usada, com etiqueta da loja original, porque a pessoa compra, mas depois não sabe direito com que combinar, abusa a peça e ela se perde no guarda-roupa. Quando chega aqui,  outro cliente se encanta e dá certo”, explica a dinâmica. E completa. “Eu adoro essa pegada de reutilizar, de criar, aprendo muito com as clientes, elas mesmas me ensinam muitas combinações de roupas”.

 

 

Alias, o que não faltam são clientes, de vários perfis. “Tenho clientes desde desempregadas que compram blusinhas de R$ 5, até advogadas, engenheiras, que vêm comprar roupas pra irem pras festas. Muitos são também professores, estudantes da faculdade [Maurício de Nassau, que se localiza ao lado do Casarão] e também pessoas que passam pela avenida e entram pela primeira vez. Se admiram, gostam, sempre voltam”, diz envaidecida.

 

 

A empresária explica que muito do sucesso do Casarão diz respeito ao novo conceito de brechó que vem se consolidando. “Cada vez mais as pessoas percebem que não é loja de coisa antiga, empoeirada. Toda semana tem novidades. Aqui, as pessoas encontram uma loja de qualidade, com preço justo, arrumadinha. Está como eu sonhei, agora, e todo dia está melhor porque todo dia eu tenho ideias para oferecer o melhor para o meu cliente. Eu me realizo aqui”, sorri.

... até a sacola, feita por Priscila, em que o cliente leva os produtos comprados

 

Priscila com a mãe, dona Angeleide

SERVIÇO:
O Casarão Bazar vende roupas femininas e infantis, de tamanhos variados.
Horário de Funcionamento: aberta todos os dias, de segunda a sexta, das 9h às 18 horas, e aos sábados, das 9 h ao meio-dia.
Endereço: avenida Visconde do Rio Branco, 2164, próximo à Faculdade Maurício de Nassau, esquina com a rua Abaiara. 
Primeira evento da Loja, que reúne pequenos produtores: Bazar Mix, dia 3 de março, das 8h às 13 horas.


 

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A importância do carnaval na educação das crianças. Faz sentido?

Carnaval nos lembra alegria, fantasia, povo, rua. Remete-nos a brincar junto, todos juntos. Engaja-nos em um movimento cultural que tem em essência e força o coletivo, o público, o relacionamento, a convivência, a igualdade, a diversidade, a celebração da vida, a esperança. Há tradições e histórias de um povo, de povos, no carnaval. Há hinos, marchinhas e sambas em que a criatividade, a irreverência e o amor são cantados em expressão popular. Não à toa, há no carnaval muita importância para a infância.

 

LUKA SANTOS / G1 PERNAMBUCO

 

Bem antes de a igreja católica enquadrar o carnaval como evento pagão, na Idade Média, e limitá-lo ao pecado dos prazeres mundanos, a festa já existia para celebrar colheitas e farturas, louvar a natureza e subverter papéis sociais. Depois, à Europa do século XIX coube a difusão das máscaras e fantasias. No Brasil, o carnaval nos chegou pelos portugueses e sua manifestação inicial era o entrudo, praticado pelos escravos em brincadeiras de guerra de água, farinha e limões de cheiro. Após, tomou os salões das elites e se popularizou nas ruas pelos cordões, ranchos, marchinhas, afoxés, frevos, maracatus, escolas de sambas, trios elétricos. Preparar-se, vestir-se para o carnaval é, para mim, também vestir-se de uma consciência formada por fatores variados, destaco aqui apenas quatro deles, ligados aos valores que considero importantes que cultivemos desde pequenininhos: o coletivo, o significado da fantasia/personagem, o espaço público e a cultura popular.

 

 

Quando levamos as crianças para brincarem o carnaval, com todos os cuidados e cautelas que já descrevemos noutro postvalorizamos o coletivo, a convivência, o relacionamento com o outro. Valorizamos a igualdade, em que o riso dispersa barreiras e a união vem pelo canto, pela música, pela dança, pelo brincar. Não há diferenças, há diversidade. E há muito respeito implícito e explícito aí.

 

 

Nestes tempos em que o fantasiar-se está sob intervenções, acredito que tudo está na maneira como conduzimos a escolha do personagem na nossa própria consciência e como espalhamos essa consciência, principalmente, às nossas crianças. Na última semana, joguei o questionamento na minha timeline e uma amiga respondeu dizendo que estava confusa porque tinha escolhido fantasiar o filho de pescador, mas em nenhum momento pensou estar desrespeitando a profissão. Ela, menina de praia, de sol, de mar, que reverencia a rotina e a riqueza do litoral, no dia a dia dela com a família, quis vestir o filho de valores que extrapolam as vestimentas. É no conceito dela que eu também acredito. Se eu me fantasio de Frida Kahlo, é minha homenagem a Frida, meu jeito de engrandecê-la em mim e a partir de mim.

 

 

 

Escolher o local da festa também me inquieta. Sei, tenho toda consciência da insegurança que nos ronda. Neste ano, enquanto acompanhamos, amedrontados e acuados, os números crescentes de violência, vimos experimentando a multiplicação dos festejos de carnavais nos shoppings, especialmente, os infantis. Ainda assim, eu sou pelo espaço público. Por favor, não me levem a mal, não faço mimimi, não sou radical, mas não me permito ser refém do medo. Minha compreensão passa pelo viver positivamente a cidade e me permitir isso, pelo experimentar a igualdade, a diversidade, a brincadeira, a cultura e o coletivo, tendo sob os pés chãos que contam a minha história, arredores que fazem parte da minha identidade enquanto ser social. Falo sobre o direito das crianças à cidade, sobre o fortalecimento da cidadania delas, de elas conhecerem suas belezas e seus problemas, o que se aproxima de vivências humanas e empáticas. Falo sobre a criação da memória afetiva e o cultivo, desde cedo, de um sentimento de pertencimento ao que é dela, de fato, ao que está e estará sob os cuidados de preservação e sob a responsabilidade e o compromisso dela para valorizar e intervir. O afeto move mudanças. 

 

 

A cultura popular acaba perpassando os fatores já citados e mais: o carnaval acolhe e mesmo revela ao mundo as diversas manifestações de uma heterogeneidade cultural que é da nossa formação, que deveria existir em harmonia, dialogada. Seja pelos folguedos, maracatus, axés, toadas de boi, blocos de rua, escolas de samba, trios elétricos... quando contemplamos os desfiles ou participamos deles, com ou sem fantasia, quando ouvimos, compartilhamos músicas e danças, estamos vivendo uma cultura rica que se reúne ali. Independente se concorda ou não com esta ou aquela manifestação, ao vivermos a diversidade com respeito, no carnaval, ensinamos às crianças, pelo exemplo, que existem visões de mundo variadas e que o respeito faz de nós seres de bem (con)viver. A força do ensinar a respeitar tem efeito semelhante ao exigir respeito dos outros. Brincar o carnaval tem sido uma forma de também resistir a tantas intolerâncias. E existir.

 

 

imagem Carlus_Um fantasma à espreita (Câncer de mama)

Câncer de mama: um fantasma à espreita*

Faz dois anos que eu publiquei este texto. Ele não perde a validade porque, acho, que os fantasmas não desaparecem, nós é que vamos aprendendo a conviver com eles. Neste 2017, faz 15 anos que meu conviver com um fantasma específico é um aprendizado constante sobre a vida e o que realmente vale a pena nela.

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Ainda hoje, falar e escrever sobre o assunto é, antes, fechar os olhos e respirar fundo. Quando o câncer de mama chegou lá em casa, eu estava saindo da adolescência, curtindo o primeiro semestre da faculdade e vivendo as sofreguidões de uma paixonite nova. O momento em que soube que minha mãe estava doente foi, pelo que consigo recordar, dos poucos mais confusos que já vivi. Sentimos uma tristeza imensurável, mas houve esperança também.

Os 23 meses que se seguiram à confirmação do diagnóstico foram de imersão em uma rotina até então distante demais. Ninguém na família, paterna ou materna, havia passado por isso antes dela. Vieram as cirurgias, as quimio e radioterapias, os enjoos atenuados por água de coco e uva verde. Era muito vaidosa e ainda lembro, como há 10 minutos, do choro dela quando o cabelo começou a cair.

Carlus Campos / O POVO

Carlus Campos / O POVO

Não sei se passei a reparar mais, mas os sorrisos dessa época foram também os mais bonitos, ríamos de tudo e por quase nada; os abraços também, eu acho, foram os mais apertados e eu não me poupava de pedi-los em qualquer hora do dia:
- Por que agora, filha?
- Não sei, mãe, deu vontade.
E saía apressadamente porque tinha sempre uma lágrima desleal que não me obedecia.

Não tivemos a sorte da superação da doença e a morte dela me conduziu por um tempo a uma existência quase mecânica. E me trouxe um fantasma que, dia a dia, há treze anos, eu vou tentando driblar, dizendo em pensamentos e ações que eu estou fazendo tudo certinho pra ele sumir de vez, que ele não é de nada, mas sei que está à espreita, como a existência dos monstros que vêm da imaginação das crianças, mesmo quando os adultos insistem em dizer que eles não existem.

Depois que meus filhos chegaram, apesar do medo, me sinto mais forte para lutar contra esse fantasma. Tento não descuidar dos exames, da alimentação, do ritmo mais leve de vida. O câncer de mama que eu conheci no começo da minha vida adulta é, pra mim, ironicamente, uma das razões de eu querer ser todos os dias, melhor mãe, melhor esposa, melhor filha, melhor profissional, melhor amiga, melhor irmã. Atravesso a madrugada porque sei (ah, essa mania que os adultos têm de achar que sabem tudo!...) que os monstros e fantasmas vão embora ou esmaecem ao amanhecer. No meu amanhecer, em cada sorriso que recebo deles quando o sol brilha.

*Texto originalmente publicado no jornal O POVO, em 1º de outubro de 2015.

Grupo Fantasia

“É na família que a gente constrói toda a base de respeito ao outro”

REPORTAGEM ESPECIAL CRIANÇA DE SER SOLIDARIEDADE
PARTE 2

“A sensação é de que temos falhado nessa educação das crianças”, declara a psicóloga Sarah Castelo Branco quando se refere à desconstrução gradual, na criança pequena, de um “individualismo natural”, de ainda não saber compreender o outro, de não saber pôr-se no lugar do outro. Até o os cinco anos, segundo Sarah, é comum o egocentrismo infantil, porque é natural até pela sobrevivência dela, que as atenções, os cuidados da casa, dos universos em que ele vive sejam centrados nela. O bebê deve estar no centro, é natural. Com os passar dos anos, isso deve ser desconstruído. “Aos poucos, com carinho e exemplos, a criança deve ser inserida em outro processo, no de olhar o outro, no de olhar menos para dentro e mais para fora de si, que existem pessoas além dela, que os problemas nem sempre são só do outro, que elas cresçam tendo a dimensão do mundo para além da porta da casa delas”, explica Sarah.

Com pós-graduação em neuropsicologia, Sarah dedica-se ao atendimento clínico de crianças e adolescentes há dez anos, ainda concomitante a experiências também na saúde pública, quando integrou o Núcleo de Apoio à Saúde da Família. Ela é enfática ao afirmar que vivemos em um mundo cada dia mais “egoísta, competitivo, consumista, acumulador”. “A desconstrução, ainda na infância, desse egocentrismo tem sido muito raso. É muito comum, cada vez mais, vermos adolescentes, adultos achando que o mundo gira em torno do próprio umbigo, possessivos, competitivos demais, que veem o outro sempre como rival, que não sabem dividir, principalmente, os que têm uma condição mais favorável, que nascem em famílias muito reduzidas, o que é muito comum hoje. Antigamente, o menino tinha cinco, sete irmãos, dividir era natural. Hoje não. A responsabilidade dos pais é muito grande. Muitos crescem com esse sentimento de que tudo é dele, é para ele, ele é o centro”, esclarece.

As consequências desse comportamento de adultos que não tiveram o egocentrismo desconstruído, ainda crianças, conforme Sarah, se refletem, principalmente, nos relacionamentos. “É alguém dificílimo de lidar, que não aceita outras opiniões porque ele é o centro! Quase sempre são profissionais que não duram nos trabalhos, não reconhecem o que é equipe, divisão, empatia. Não entendem a compreensão básica de que existe um outro para além dele, direitos de outras pessoas que precisam ser respeitados. Em relação à solidariedade, então. Não entendem. Eles sofrem muito. São propensos ao isolamento, à depressão”, lamenta.

Engajamento social infantil
Sarah acredita que a solidariedade é o caminho mais confiável para formamos indivíduos mais humanos e sociáveis. Segundo a psicóloga, o engajamento social infantil é o que garante, desde cedo, o equilíbrio emocional e a compreensão do eu social e a desconstrução do egocentrismo.

“Precisamos resgatar essa desconstrução. E a base é a família, principalmente, a família, o que a criança vê e vive na família, é lá que a gente constrói toda a base de respeito ao outro, de cidadania. A solidariedade nas pequenas coisas, no dia a dia, isso significa resgatar uma geração inteira! Se a criança, desde cedo, vê os pais ajudando o outro, preocupado, de fato, em resolver o problema do outro, se vê o respeito dos pais pelo outro, seja no trânsito, seja dando ao outro o que lhe sobra, seja dedicando tempo, conhecimento não pela troca simples do dinheiro, isso fica para sempre como um dos valores mais essenciais da personalidade dela, o que vai garantir que ela seja um adulto mais tolerante, mais prestativo, mais realizado, mais feliz”, defende Sarah.

Sarah descreve ainda o risco da “solidariedade fake”. Segundo ela, há pessoas que fazem doações pontuais somente para tirar foto, postar no Facebook, construir uma imagem de bondade que não existe. Para as crianças, isso é ainda mais perigoso, porque não é tratar o outro como um igual, mas imprimir na ação o sentimento de esmola, de favor. “O ideal não é tratar a solidariedade como uma ação seca, de levar as doações uma vez por ano, entregar e pronto. Não. O ideal é que elas possam vivenciar isso, e não só dar algo, mas levar as crianças para brincar com as outras crianças, passar um tempo, ir outros dias”, resume Sarah.

Rotina solidária desde cedo
Na casa das irmãs Gabriela, 31, e Denise Ferreira, 28, o aprendizado da solidariedade foi algo tão natural que elas nem lembram os pais comentando sobre a palavra em si, mas vivendo o valor dela dia a dia. “Antes de a gente nascer, as coisas já eram postas dessa forma aqui em casa. Nossos pais sempre foram muito prestativos. Crescemos com os vizinhos vindo aqui em casa pra minha mãe fazer curativos, dar conselhos... com o meu pai sendo chamado para consertar portar do vizinho, encanamento, luz.. essas coisas”.

Denise, Dona Fátima e Gabriela

Denise, Dona Fátima e Gabriela

De acordo com Gabriela, na casa onde nasceram e moram até hoje, sempre teve um quarto a mais para acomodar alguém que estivesse precisando. “A gente até brinca que aqui é hotel, porque sempre teve alguém diferente do nosso núcleo familiar, precisando de ajuda, e a minha mãe acolhia”, explica.

Mestra em História, estudante de psicologia, Gabriela acredita que a história de solidariedade da família vem muito da época dos avós e pode ser explicada pela necessidade de se ajudar até mesmo para sobreviver. “Como nossa família sempre foi muito pobre, tinham mesmo que ir se ajudando para conseguirem criar os filhos, sobreviverem. Então, é um valor construído pela necessidade mas que moldou o modo de ser de todos nós. A empatia é muito forte aqui”, considera.

A mãe Antônia de Fátima Ferreira Barbosa, 63, técnica em saúde bucal, diz que, ainda que tenha sido um valor construído desde a época da mãe dela, sempre se preocupou para que as filhas pudessem ser formadas da maneira mais humana possível, que soubessem respeitar, ser solidárias. “Eu entendia que os nossos exemplos dentro de casa eram o melhor caminho”, compreende dona Fatima.

Grupo Fantasia

Grupo Fantasia

Integrantes de uma comunidade espírita em Maracanaú, que dona Fátima ajudou a fundar, Gabriela e Denise, ainda adolescentes, também viveram a criação do Grupo de palhaços Fantasia, que leva momentos de alegria e bem-estar a crianças internadas em hospitais e em situação de abrigo, na cidade metropolitana.

O Fantasia nasceu há 16 anos, numa época como esta, Dia das Crianças, a partir de uma atividade realizada pelo grupo espírita, e existe ainda hoje, com a participação ativa das três. “É muito recompensador esse trabalho. Como mãe, é muito bom ver o envolvimento delas. É ver a compreensão delas na prática, sobre a caridade, sobre a solidariedade, sobre amar o próximo, sobre compreender o outro e a necessidade dele, para além da sua. Desde muito cedo, elas sentem isso, pelo retorno das pessoas, pelo olhar”, reflete dona Fátima.

Gabriela tornou-se mãe recentemente da menininha Isabela, de 1 mês, e assegura que os valores serão repassados à filha. “Quero que a minha filha cresça vivendo a solidariedade sem que, um dia, eu precise lhe explicar sobre isso. Eu penso que viver a solidariedade é também dar sentido à vida, de ter um propósito, de se sentir útil, saber que existe algo mais valioso que o dinheiro, do que o ter. É ajudar o outro em um mundo que é cíclico, daqui a pouco, sou eu que posso precisar de ajuda. Ninguém vive sem o outro”, lembra Gabriela.

Com outros voluntários

“Nenhum discurso em casa, falando sobre solidariedade, substitui o que eles vivem aqui”

REPORTAGEM ESPECIAL CRIANÇA DE SER
SOLIDARIEDADE - PARTE 1

Tina soube que a vida poderia ser muito mais no limiar de uma possibilidade de ser menos. No meio do alvoroço de viver a notícia triste e toda angústia de um dia a dia incerto, desconstruíram-se verdades e significados de felicidade. A vivência de uma solidariedade real chegou para Tina quando a mãe dela encontrou-se portadora de um tumor cerebral, ainda em 2001. Como que pela fresta estreita daqueles sentimentos aparentemente inóspitos, de medo e vulnerabilidade, Tina se viu forte e transformadora. Transformada.

Lidar com o câncer da mãe sacudiu conceitos de alegria. Chegaram-lhe aquelas pequenas alegrias tão intensas, tão mais significativas. Tina conheceu mundos, até então distantes demais, mas que se aproximaram tanto que, em certo momento, foi difícil dissociá-los do seu. O filho mais velho nasceu nessa época e na preparação do primeiro aniversário do bebê Fábio, ela compreendeu “que a partir daquele ano em vez de ganhar presentes para comemorar a vida, eu tinha era que agradecer por estar bem, por estar viva”, relembra Tina Pamplona, 42 anos, comerciante, voluntária da Associação Peter Pan (APP) há 16 anos.

 

Tina, o Marido Fábio Queiroz, e os filhos Fabinho e Nina

Tina, o Marido Fábio Queiroz, e os filhos Fabinho e Nina

A primeira festa de aniversário de Fabinho, como é conhecido até hoje pelos corredores do Peter Pan, foi na Associação. Nada de presentes, a festa foi oferecida às crianças em tratamento. E assim são até hoje os festejos de Fabinho e também os da Nina, a filha de 6 anos. Não apenas as comemorações, a rotina da família inteira, desde então, passou a dividir-se pelos dois ambientes: casa e Associação. Tina é muito integrada à instituição, ela e os filhos vivem e convivem com os pacientes e as demandas do Peter Pan por, pelo menos, duas vezes por semana. “Não reconheço mais como caridade, meus filhos não se veem dessa forma, fazendo caridade, principalmente a Nina. Ela passa muito tempo aqui brincando com as crianças, acompanha o tratamento, já entende os limites até onde pode ir com as brincadeira e as ausências dos amiguinhos, em determinados dias; sofre quando essas ausências são ‘para sempre, mas compreende. A morte dói pra eles também, mas foco no valor da vida e em tudo que podemos fazer, sonhar e realizar, enquanto ainda estamos aqui. Foco no valor das pessoas, da saúde’”, compartilha a mãe Tina.

"A morte dói pra eles também, mas foco no valor da vida e em tudo que podemos fazer, sonhar e realizar, enquanto ainda estamos aqui. Foco no valor das pessoas, da saúde"

Aliás, de acordo com a Tina, um dos grandes retornos dessa doação, principalmente, de tempo à Associação, ela enxerga pelos olhos dos filhos. “Em um mundo tão individualista, tão egoísta, competitivo, de pessoas que buscam sempre ter mais, eu os sinto mais humanos. Me emociona vê-los preocupados com o que o outro sente, ajudando, doando o tempo que for necessário para que o outro se sinta melhor, entende?! Nenhum discurso em casa, falando sobre solidariedade para eles, substitui o que eles vivem aqui, quando, na maioria das vezes, nem o pai nem eu estamos perto. Eles vivem uma solidariedade que é natural, que é essência nossa, que deveria ser a prática de todos”, acredita Tina.

Aniversário de Nina, em 2016

Aniversário de Nina, em 2016

REPORTAGEM ESPECIAL CRIANÇA DE SER
SOLIDARIEDADE - PARTE 1

Tina soube que a vida poderia ser muito mais no limiar de uma possibilidade de ser menos. No meio do alvoroço de viver a notícia triste e toda angústia de um dia a dia incerto, desconstruíram-se verdades e significados de felicidade. A vivência de uma solidariedade real chegou para Tina quando a mãe dela encontrou-se portadora de um tumor cerebral, ainda em 2001. Como que pela fresta estreita daqueles sentimentos aparentemente inóspitos, de medo e vulnerabilidade, Tina se viu forte e transformadora. Transformada.

Lidar com o câncer da mãe sacudiu conceitos de alegria. Chegaram-lhe aquelas pequenas alegrias tão intensas, tão mais significativas. Tina conheceu mundos, até então distantes demais, mas que se aproximaram tanto que, em certo momento, foi difícil dissociá-los do seu. O filho mais velho nasceu nessa época e na preparação do primeiro aniversário do bebê Fábio, ela compreendeu “que a partir daquele ano em vez de ganhar presentes para comemorar a vida, eu tinha era que agradecer por estar bem, por estar viva”, relembra Tina Pamplona, 42 anos, comerciante, voluntária da Associação Peter Pan (APP) há 16 anos.

Tina, o Marido Fábio Queiroz, e os filhos Fabinho e Nina

A primeira festa de aniversário de Fabinho, como é conhecido até hoje pelos corredores do Peter Pan, foi na Associação. Nada de presentes, a festa foi oferecida às crianças em tratamento. E assim são até hoje os festejos de Fabinho e também os da Nina, a filha de 6 anos. Não apenas as comemorações, a rotina da família inteira, desde então, passou a dividir-se pelos dois ambientes: casa e Associação. Tina é muito integrada à instituição, ela e os filhos vivem e convivem com os pacientes e as demandas do Peter Pan por, pelo menos, duas vezes por semana. “Não reconheço mais como caridade, meus filhos não se veem dessa forma, fazendo caridade, principalmente a Nina. Ela passa muito tempo aqui brincando com as crianças, acompanha o tratamento, já entende os limites até onde pode ir com as brincadeira e as ausências dos amiguinhos, em determinados dias; sofre quando essas ausências são ‘para sempre, mas compreende. A morte dói pra eles também, mas foco no valor da vida e em tudo que podemos fazer, sonhar e realizar, enquanto ainda estamos aqui. Foco no valor das pessoas, da saúde’”, compartilha a mãe Tina.

"A morte dói pra eles também, mas foco no valor da vida e em tudo que podemos fazer, sonhar e realizar, enquanto ainda estamos aqui. Foco no valor das pessoas, da saúde"

Aliás, de acordo com a Tina, um dos grandes retornos dessa doação, principalmente, de tempo à Associação, ela enxerga pelos olhos dos filhos. “Em um mundo tão individualista, tão egoísta, competitivo, de pessoas que buscam sempre ter mais, eu os sinto mais humanos. Me emociona vê-los preocupados com o que o outro sente, ajudando, doando o tempo que for necessário para que o outro se sinta melhor, entende?! Nenhum discurso em casa, falando sobre solidariedade para eles, substitui o que eles vivem aqui, quando, na maioria das vezes, nem o pai nem eu estamos perto. Eles vivem uma solidariedade que é natural, que é essência nossa, que deveria ser a prática de todos”, acredita Tina.

 Aniversário de Nina, em 2016

A mãe de Tina morreu há quatro anos, mas lhe deixou o maior dos legados. “Compreendi com a doença dela o quanto nós precisamos do outro. Não é que eu fosse egoísta, ruim. Não. E a maioria de nós não é, claro, mas nós nos esquecemos do outro. A gente vive uma rotina tão corrida, diz sempre que não tem tempo para o trabalho voluntário, por exemplo, de que precisa trabalhar para pagar as contas, que nos esquecemos de ser mais humanos, de olhar o outro com mais cuidado. Para mim, que sou mãe, é a certeza de que estou formando seres melhores para conviver com respeito, com tolerância com o outro”, declara.

"Nenhum discurso em casa, falando sobre solidariedade para eles, substitui o que eles vivem aqui, quando, na maioria das vezes, nem o pai nem eu estamos perto. Eles vivem uma solidariedade que é natural, que é essência nossa, que deveria ser a prática de todos”.

Há bem pouco tempo, Tina fundou o JAPP (Jovem Amigo Peter Pan), voltado para formar e realizar ações solidárias pela atuação de jovens de 14 a 20 anos. “Foi pensando no meu filho e na geração a partir dele que eu montei o grupo. Quero muito que outros jovens possam viver o que eles vivem aqui. Eles precisam compreender que juntos eles podem muito mais que estando sozinhos, cada um preocupado com sua profissão, com a sua vida. Sozinhos, a gente não faz nada, não vai pra frente”. A ideia do grupo é também integrar a família: enquanto os adolescentes estão realizando alguma ação, as mães deles, por exemplo, também podem vir para conversar com as mães das crianças e dos adolescentes em tratamento, oferecer um abraço, uma palavra de esperança, ou apenas a companhia, estar perto. "Isso faz uma diferença enorme”, justifica Tina.

No último sábado, dia 30, Nina comemorou o aniversário de 6 anos. Como de costume, comemorou junto com as crianças da Associação Peter Pan. Outra criança dividia com Nina os motivos do festejos, um garoto muito conhecido e querido por todos na instituição. Há sete anos, ele vive a rotina de tratamentos contra o câncer. Diante da chegada dos nove anos do garoto, todos apressaram uma festa improvisada. Era preciso correr. Os médicos estão desanimados. Tina conta que Nina tem ciência de que o amigo pode virar estrelinha a qualquer hora. Nesta semana, Tina nos contou que não foi fácil, "mas foi tão mágico, um dos momentos mais emocionantes de todos os meus anos de Peter Pan", emociona-se Tina.

ASSOCIAÇÃO PETER PAN
Desde 1996, a Associação Peter Pan desenvolve ações de tratamento médico especializado, atendimento humanizado e diagnóstico precoce, fundamental à cura, que é disseminado em cidades do interior, por meio do Núcleo Mais Vida, com projetos de capacitação em sinais e sintomas para profissionais da saúde. Oferece apoio e assistência a crianças e adolescentes com câncer, e seus familiares. Atualmente, conta com 306 voluntários e 78 contratados. De acordo com a Associação, cerca de três mil crianças e adolescentes são atendidas.

Para ajudar como voluntário ou com doações:
Rua Alberto Montezuma, 350, Vila União
Contatos: 4008 4109 / 98892 0135
Site: www.app.org.br

O Especial Ser Criança é uma realização do site www.vidaciranda.com.br. Durante o período de 2 a 29 de outubro de 2017, diversos pais, cuidadores, professores, crianças e pesquisadores falarão sobre as temáticas Solidariedade, Brincar, Formação Cultural das Crianças e Inclusão em publicações diárias e semanais, no site e nas redes sociais do projeto:
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no lar

“Solidariedade é o sentimento que melhor expressa a dignidade humana”

Neste segundo dia do Especial Criança de Ser, trazemos a Irmã Maria da Conceição Dias de Albuquerque, uma das idealizadoras e grande entusiasta do Lar Amigos de Jesus, que dá apoio, assistência, abrigo e carinho a crianças e adolescentes com câncer, em tratamento na Capital, além de cuidar também de seus familiares.

Toda a lógica do Lar funciona a partir de voluntários e doações. A Associação dos Missionários da Solidariedade, onde reside o Lar Amigos de Jesus, existe desde dezembro de 1999. Além do acolhimento institucional e hospedagem, crianças, jovens e familiares recebem seis refeições diárias, transporte aos hospitais e clínicas, roupas, kits de higiene e fraldas descartáveis,  terapia ocupacional e atividades de lazer, como recreações e passeios. Há também ações periódicas de distribuição de medicamentos, cestas básicas, medicamentos, máscaras, cadeiras de rodas, moletas.

É possível também requisitar a Carteira de Identidade e o CPF pela mediação do Lar. Para as famílias, são oferecidas oficinas de costura, pintura em tecido, bijuteria, vagonite, bordados, confecção de bolsas e culinárias. Os resultados das oficinas são disponibilizados em um lojinha na recepção da instituição e a renda revestida numa maior porcentagem aos produtores.

Quem quiser ajudar o Lar Amigos de Jesus, pode doar alimentos, materiais de limpeza e higiene pessoal, roupas, brinquedos, eletrodomésticos, materiais recicláveis, cupons fiscais ou mesmo dinheiro.
SERVIÇO:
ASSOCIAÇÃO DOS MISSIONÁRIOS DA SOLIDARIEDADE LAR AMIGOS DE JESUS
Rua Ildefonso Albano, 3052 - Joaquim Távora
Fortaleza, Ce - CEP 60115-001
Contatos: (85) 3226-3447 / 3067-6565

"Solidariedade é o tema. Solidariedade é o sentimento que melhor expressa a dignidade humana. Aqui, o Lar Amigos de Jesus é um bom exemplo porque aqui se respira solidariedade para com as crianças com câncer. Existem voluntários que realizam ações, atitudes de vida. E aí, a prática da solidariedade é uma constante. Mesmo porque a Associação dos Missionários da Solidariedade somos nós aqui, no Lar Amigos de Jesus. E abraçamos esta causa com tanta alegria que faz com que as pessoas venham até aqui, também motivados por essa solidariedade. Então, é assim: Solidariedade é ser feliz, é fazer o outro feliz, e aí a gente completa todo esse universo de amor ao próximo".

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Solidariedade_Idevaldo Bodião

Professor Idevaldo Bodião abre o Especial Criança de Ser falando sobre a cultura da Solidariedade

Começamos nosso Especial Criança de Ser falando sobre SOLIDARIEDADE. Este tema guiará toda a nossa semana, até o dia 8 de outubro. Hoje, por vídeo, o professor doutor Idevaldo Bodião, aposentado pela Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará (UFC), nos fala sobre a Cultura da Solidariedade. O que é ser solidário?

Todos os dias, passarão pela timeline das redes sociais do Vida Ciranda pais, professores, crianças, psicólogos, acadêmicos versando sobre o tema em questão. Todas as quartas-feiras, uma reportagem. No próximo dia 5, além de conhecermos famílias que vivem intensamente a solidariedade, dando, assim, grandes exemplos aos filhos, vamos ouvir estudiosos para entender por que é tão importante inserir, desde cedo, as crianças em um dia a dia mais solidário.  A Entrevista completa com o professor Idevaldo Bodião também estará disponível! Não perca!  Curta e compartilhe este movimento!
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"O modo de vida como é possível ser vivido na atual sociedade planetária é auto-centrado, egoísta e extremamente voraz e competitivo. Nós estamos o tempo inteiro procurando ser melhor do que o outro pra ter melhores salários e, com isso, nós nos colocamos sempre todos contra todos. Para superar esta forma de estar no mundo é preciso que desenvolvamos uma cultura da comunhão, da solidariedade, do coletivo, do conjunto. E a ideia do solidário, a ideia da solidariedade é tratar o outro como um igual, e pra isso um exercício que é possível ser feito para aprender a ser solidário é sempre prestar muita atenção ao outro, o que o outro está querendo me dizer, ainda com um gesto, ainda com uma palavra, seja o seu filho, seja o seu vizinho, ou ainda aquele outro invisível com o qual, você, talvez, sequer vai encontrar um dia".

Estoril_Vila Morena

Estoril é o terceiro local a ser visitado pelo Re-conhecendo Fortaleza, próximo domingo, 24

Parte da nossa orla será destaque neste terceiro convite que o Vida Ciranda faz às famílias, pelo projeto Re-conhecendo Fortaleza. Vamos pegar carona no projeto Pôr do Sol, da Secretaria Municipal de Turismo (SetFor), e visitar o Estoril, na Praia de Iracema, e o Mercado dos Peixes, no Mucuripe. Assim, dessa vez, a dica será dupla.