WhatsApp Image 2017-07-14 at 11.55.25

Sessão de cinema para autistas e a importância da equidade

Promover a inclusão é promover a equidade, é fazer com que todos se sintam em condições adequadas de serem partícipes de um processo, a partir de suas limitações, mas com foco no que cada um de nós, nenhum a menos, pode fazer e ser para colaborar e experienciar. Pela terceira vez, a Associação Fortaleza Azul (FAZ) promove, em parceria com Cinépolis e Shopoping Riomar Fortaleza, a sessão gratuita de cinema para autistas e seus familiares. A partir das 10 horas de amanhã, sábado, dia 15, será exibido, em duas salas adaptadas, o filme Meu Malvado Favorito 3

De acordo com Fernanda Cavalieri, presidente da FAZ, há a consciência de que não se trata de uma inclusão perfeita, já que é uma sessão separada de uma sessão convencional. “O que queremos é gerar confiança nas famílias. A maioria dos familiares de crianças com autismo tem medo de levá-las para o novo, porque tudo pode assustar numa sessão comum: o escuro, o barulho… não é inclusão essa separação, mas entendemos a sessão adaptada como um processo de adaptação mesmo e de segurança para estar em uma sessão comum”, defende Fernanda. Ela conta que pais que participaram das sessões anteriores já comemoram a ida mais tranquila a sessões não adaptadas.

Um segundo aspecto positivo apontado por Fernanda é a questão social. Na sessão adaptada, o acesso da família inteira da criança é gratuito.  Mãe de gêmeos com autismo, Fernanda explica que a maioria das famílias renuncia a ida ao cinema convencional, que não é uma diversão barata, porque sabe que a diversão pode acabar nos primeiros 20 minutos, porque a criança se assusta com algo, quer ficar em pé, ir pra perto da tela ou simplesmente perde o interesse e quer ir embora. “Na sessão adaptada, família e criança se tranquilizam, a criança vai compreendo a experiência de estar no cinema e a família não precisa ficar contendo a criança com medo do que o outro possa dizer. “, destaca Fernanda.

O terceiro aspecto muito positivo é a troca entre as famílias. “O diagnóstico tem sido cada vez mais precoce, então famílias recém diagnosticadas têm acesso a outras famílias, com mais experiência e confiança nessa convivência com o autismo. Essa  troca, esse contato é muito bacana”, comemora Fernanda.

A iniciativa da FAZ me emociona e me entusiasma porque reconheço nela a sensibilidade real da equidade, aquela que devemos perseguir e que tantas vezes nos escapa quando agimos e falamos em prol da inclusão. Não se trata de favor, não se trata de cumprirmos um protocolo do politicamente correto, mas de assegurarmos direitos! Nestes tempos tão difíceis de desrespeitos aos direitos dos indivíduos e de desleixo com o cumprimento de deveres, a sessão adaptada e gratuita a autistas e familiares enaltece aspectos importantes do exercício pleno da cidadania. Promover equidade não é fácil. Mas o conviver em si não é. Caminhar junto significa o olhar constante para o outro com empatia e com sentimento de cooperação, significa olhar pra si como parte do mundo e não como o mundo inteiro em si. Porque se é para evoluirmos, evoluamos todos juntos, cada um com suas particularidades sim e não há este que não as tenha, tão diferentes. Somos diferentes. Este é o desafio da convivência. Esta é a riqueza das relações.

Cerca de 500 famílias são esperadas para assistir ao filme Meu Malvado Favorito 3, em duas salas com luz ambiente, som moderado e sem apresentação de trailers, como exige o público. Semelhante às duas outras sessões, que ocorreram em 2016, participantes poderão doar material escolar e de higiene pessoal que serão distribuídos para o Centro de Integração Psicossocial do Ceará, conhecido como Bem-me-Quer, localizado no bairro Praia do Futuro.

A FAZ está em atuação há 2 anos e 4 meses e já festeja grandes avanços por ações de conscientização do Trastorno do Espectro do Autismo (TEA), bem como de inclusão social. Entre as ações estão Uma Sinfonia Diferente – primeiro musical do Nordeste feito por pessoas com autismo, realizado em abril de 2016, e a participação no evento Ação Global, com a inserção de um stand sobre autismo em parceria com o SESI.

Serviço:
Sessão gratuita de Cinema para familiares e crianças com TEA
Data:
15 de julho – sábado
Horário: 10h
Local: Cinépolis Shopping Riomar (Rua. Des. Lauro Nogueira, 1500 – Papicu)

celular-em-sala-de-aula

Celular na sala de aula. “Os professores têm interesse em fazer com que dê certo”, conclui pesquisadora.

Já não dá mais fazer de conta que o celular não existe nas escolas. Se não permitido, ele invade clandestinamente as salas de aulas por dentro das mochilas, dos bolsos, por debaixo das saias. Faz conexão com seus fiéis usuários por olhares fortuitos entre uma abaixada de cabeça e outra do professor, ou por fones que se escondem entre cabelos e contam com a habilidade de mãos que manipulam o aparelho no universo inenarrável que existe debaixo da mesa de apoio da carteira dos estudantes. Não faltam manobras dos adolescentes para não se desgrudar dele. Se permitido, o celular se mostra um bom companheiro aos professores e um alento aos estudantes ávidos por seu uso a qualquer hora. Ainda assim, o uso do celular como ferramenta pedagógica ainda é um caminho pouco desbravado, mas que já conta com o entusiasmo de muitos professores conscientes da realidade que ronda a escola e que se mostram abertos a experimentar. Foi o que concluiu a pesquisadora Diana Montenegro Ribeiro durante sua pesquisa de mestrado. Na tarde dessa terça, 3, ela defendeu a tese Dialogando com professores: o celular como analisador da relação professor / mídia / aluno, ao Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Diana durante defesa da tese à banca avaliadora

Diana afirma que a postura de usar ou não o celular com os estudantes está ligada à própria relação que o professor tem com a mídia. “Os professores têm interesse de fazer com que dê tudo certo, que os alunos aprendam, mas professores que utilizam bem no seu dia a dia são mais flexíveis ao uso, sabem que pode render um momento bom, não apenas proveitoso, mas produtivo”, conta. A mestra utilizou como uma das metodologias de pesquisa a intervenção pela observação e acompanhamento de um grupo de 35 professores que participava de um curso de Mídia-Educação, proposto pelo grupo de pesquisa de que faz parte, na Universidade. Durante as 64 horas, vividas por sete módulos ao longo de um ano, ela observou como o cotidiano escolar dava conta do acessório que nenhum adolescente quer mais abrir mão. “Percebemos que há usos bem interessantes, alguns mais simples como pesquisas conjuntas na internet e produção de trabalhos, além da formação de grupos de Whatsapp para discussões, mas também propostas mais elaboradas, como uma professora de português que trabalhou clássicos da literatura por encenações montadas e filmadas pelos estudantes e uma professora de geografia que utilizou a fotografia para estimular o olhar dos próprios estudantes para a comunidade onde vivem”, descreve Diana. “Mesmo professores mais fechados, se abriram para o diálogo”. concluiu a mestra. No Ceará, pela Lei nº 14.146, de 25 de junho de 2008, o uso do “telefone celular, walkman, discman, MP3 player, MP4 player, iPod, bip, pager e outros aparelhos similares”, ainda é proibido. A Lei dá respaldo a professores que não estão dispostos a tentar o uso pedagógico, mas não invalida iniciativas de maior aproximação dessa mídia com a escola. A escola do seu filho costuma inovar por esta iniciativa?

Cine Grão – Exibição do filme Territórios do Brincar

O filme do mês do projeto Cine Grão é Territórios do Brincar, dos diretores Renata Meirelles e David Reeks. O documentário assume o brincar infantil como narrativa que sustenta uma história na íntegra. Ao longo de vinte e um meses, diversas crianças e seus trejeitos, das variadas realidades do Brasil, foram representadas. A sessão será coordenada pelos psicólogos Genivaldo Macário e Nayana Façanha.

É a terceira sessão do Projeto Cine Grão, que pretende discutir questões, principalmente, da infância e da adolescência, por meio da exibição de filmes apresentados aos pais das crianças e adolescentes em atendimento no Espaço Grão, ou ainda, pessoas interessadas em discutir as temáticas dos filmes expostos. As discussões pós-filme serão mediadas por profissionais da Clínica de Psicologia Espaço Grão. O projeto conta com a coordenação das psicanalistas Fabiana Azevedo e Samara Teixeira.