Exposição Vaqueiros - Imagem destacada

Visitar exposições estimula imaginação, criatividade e senso crítico. Confira o roteiro que preparamos no Dragão do Mar

FÉRIAS DE BRINCAR
DICA 25 - VISITAR AS EXPOSIÇÕES NO DRAGÃO DO MAR

 

Há jeitos de ser e estar no mundo pela convicção (ou não) das incertezas. Há visões desacostumadas para o cotidiano reveladas pelas fotografias, há o vento com suas forças e resistências sobre o homem, há o nosso cavaleiro do sertão. Neste janeiro, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura abriga cinco exposições que são convites também às crianças, para a diversão, a imaginação, a criatividade e a formação de senso crítico e opinião sobre o mundo. Visitamos todas e contamos a nossa experiência em uma manhã dedicada a olhar o mundo por outros olhares, no Museu da Cultura Cearense (MCC) e no Museu de Arte Contemporânea (MAC).

 

Não necessariamente as exposições precisam ser vistas de uma vez só. Quatro delas só estarão em cartaz até o próximo dia 28, sábado da próxima semana, mas ainda dá tempo de se programar e dividir as visitas em dias diferentes. Tente saber um pouco mais sobre cada uma, antes de levá-los. Vai facilitar sua mediação. 

 

Respeite o tempo, a paciência e a disposição das crianças. Não esqueça de levar lanche e água. Entre o MAC e o MCC demos uma parada para lanchar, tomar água e conversar um pouco sobre o que já tinha sido visto. Bom também que elas estejam vestidas com roupas leves para facilitar sentar no chão, se agachar.  Explique um pouco das regras de visitação aos museus, como não poder consumir alimentos nos espaços e tocar nas obras, mas faça isso com leveza para que a importância das visitas não se restrinja apenas às proibições e elas acabem se tornando programações chatas.

 

Fotografar essa iniciação artística dos filhos é muito bacana, mas não fique preso a isso ou a postar essa experiência nas redes sociais de maneira instantânea como ações mais importantes nesse momento. Eles precisam sentir sua entrega, sua participação ativa nessas descobertas, nesse aprendizado. Eles sentem quando você está ausente e é mais fácil que também se desinteressem bem rapidinho. Você vai perceber, ao longo dessa reportagem, que não há fotos de momentos que descrevo ou as fotos não estão tão boas. Claro, fomos pelo Vida Ciranda também, mas acompanhar e participar integralmente das descobertas deles era o mais importante para mim. 

 

Que esta viagem pela arte seja incrível para vocês! 

 

MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA (MAC)

 

1. INCERTEZA VIVA
A mostra Incerteza Viva, uma nova etapa nacional das itinerâncias da 32ª Bienal de São Paulo traz um recorte de 15 artistas e coletivos, com mediação do curador Jochen Volz - responsável pela última edição da Bienal, em 2016, a exposição traz uma riqueza de cenas, imagens, vídeos. Começamos nossa andança artística por ela, logo que o Museu abriu, às 9 horas. Deixei-me ser guiada pelo olhar deles, desde a escolha da sala ao respeito à interpretação.

A 32ª Bienal tem como eixo central a noção de incerteza a fim de refletir sobre atuais condições da vida em tempos de mudança contínua e sobre as estratégias oferecidas pela arte contemporânea para acolher ou habitar incertezas. A exposição se propõe a traçar pensamentos cosmológicos, inteligência ambiental e coletiva assim como ecologias naturais e sistêmicas.

 

Pelas telas apresentadas, deixei que eles tirassem suas próprias conclusões sobre o que viam. Na tela Lágrimas da África, de Mmakgabo Helen Sebidi, por exemplo, Gabriel compreendeu se tratar de “muitas pessoas matando monstros”. Na obra Colina índio Morto, de Pierre Huyghe, Luquinhas parou, olhou e soltou a indagação: “é uma caveira, é?”. Eu respondi que sim, eram ossos de uma pessoa que já morreu e devolvi a interrogação: "Por que você acha que ela morreu?". Recebi um “sei lá” do Luquinhas, e um “acho que não tinha comida nem água nesse lugar aí”, do Gabriel.

Nos vídeos apresentados em várias salas, eles brincaram, principalmente, de sombras, como em Um minuto atrás, de Rachel Rose. No vídeo O Peixe, de Jonathas de Andrade, Luquinhas riu um bocado do ritual em que os pescadores retém os peixes entre seus braços até o momento da morte do animal, numa espécie de abraço. "Olha, o homem tá dando carinho para ele porque ele está dodói, não é, mamãe?", disse o Lucas depois de observar o furo do anzol no bicho. Nas telas de Gilvan Samico, eles tentavam decifrar seres e comportamentos.

Um minuto atrás, de Rachel Rose

O Peixe, de Jonathas de Andrade

Telas de Gilvan Samico. Esta foto foi tirada em um outro dia, quando fui sozinha com Lucas. Do lado dele, a educadora Naiana o acompanha nas decifrações possíveis

No próximo dia 20/1/18 (sábado), às 16 horas, a turma do Núcleo Educativo do MAC realiza duas oficinas infantis a partir das gravuras de Gilvan Samico e da obra O Peixe. O Projeto Bebê Dadá traz a oficina O Peixinho, convidando bebês e seus cuidadores a conhecerem juntos a obra de Jonathas de Andrade, por meio de estímulos visuais e táteis, ministrada por Cris Soares. Em Gravolândia, as gravuras de Samico serão o mote para a produção de gravuras lúdicas, utilizando papel cartão e tinta guache, conduzida por Joellen Galvão e Marcos Filho.

Na obra Mapa-múndi, de Antônio Malta Campos, brincamos de "onde está a figura?", já que a tela verde é repleta de desenhos diversos.  Na sala "com porta de lâmpadas", como intitulou Gabriel, em que não consegui pegar o nome do artista, Luquinhas não quis papo.

Na entrada de uma outra sala, sob um texto emocionante chamado A Máscara, um espaço dedicado à Escrava Anastácia: "uma vela, uma flor branca, um copo de água limpa, uma tigela de café acabado de fazer", eram dedicados a ela, no momento de oração. O café foi representado por sementes que Lucas e Gabriel mexeram um bocado e derrubaram outro bocado, que eles juntaram depois. Conversei com eles, brevemente, sobre escravidão e lhes contei que aquele oratório era um espaço de homenagem a uma escrava que sofreu muito.

 

Contei sobre a máscara e que ainda hoje existe a escravidão. Enquanto nós juntávamos os grãos de café derramados, conversei sobre a importância de ser livre e de lutar por isso, por nós e pelos outros. Fiquei com vontade de falar que a escravidão não existe apenas quando você está fisicamente preso, mas entendi que o momento já tinha se esticado um bocado e eles estavam ansiosos por ver outras coisas. Fica a dica para conversas  com crianças maiores também. Tente sentir sempre o interesse, a disposição e o momento da criança. Às vezes, explicar demais só atrapalha. 

A Máscara

 

SERVIÇO:
Incerteza Viva fica em cartaz no MAC / Dragão do Mar até a próxima semana, dia 28 de janeiro. Visitação de terça a sexta, das 9h às 19h (acesso até as 18h30); e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h (acesso até as 20h30). Gratuito. Classificação: Livre

 

MUSEU DA CULTURA CEARENSE 
2. MERIDIANOS DE INFINITUDE
3. FRONTEIRAS - OLHAR DISTANTE 

 

Nas salas 1 e 2 do MCC, piso superior, estão as exposições "Meridianos de Infinitude" e "Fronteiras - Olhar Distante", participantes da sétima edição do Festival Encontros de Agosto, um dos principais eventos de fotografia realizados no Ceará, lançada no Dia Mundial da Fotografia, 19 de agosto.

 

Meridianos de Infinitude conta com ensaios de duas fotógrafas convidadas de Porto Alegre e dois de Montevidéu - Uruguai. Fernanda Chemale traz  o ensaio "Desordem", com imagens inspiradas nos poemas de Gisela Rodriguez; Letícia Lampert apresenta a obra "Exercícios para perder de vista"; José Pilone Costa expõe "O homem cinza" e Roberto Fernández Ibáñez apresenta os ensaios intitulados "Resiliência Terrenal" e "La Mano". A mostra teve a curadoria de Carlos Carvalho e Daniel Sosa.

 

As fotos suspensas, logo na entrada da exposição, foi a parte que os meninos mais gostaram: "vamos fazer uma assim na nossa casa, mamãe?!", propôs Gabriel. No caminho de volta para casa, ele completou a proposta: "pode ser no dia do meu aniversário de Pokémons, ajudo você a escolher umas fotos bem legais pra gente fazer igual no museu". Eu só disse: "combinado!".

A outra exposição Fronteiras - Olhar distante, na sala em frente, reúne ensaios de 20 fotógrafos cearenses, selecionados por Silas de Paula (fotógrafo, Conselheiro e Curador do Encontros de Agosto), Carlos Carvalho (fotógrafo e representante do Festival Internacional de Porto Alegre - FestFoto) e Daniel Sosa (Diretor do Centro de Fotografia de Montevidéu), que são parceiros desta edição do Festival. Os selecionados foram: Demétrio Jereissati, Emanuel Duarte, Fernando Maia, Fábio Lima, Francisco Galba Filho, Ingrid Barreira, Jean dos Anjos, João Luís de Castro Neto, Julia Braga, Marcela Elias, Marcelo Barbalho, Raquel Amapos, Ricardo Arruda, Samuel Tomé, Sérgio Carvalho, Tatiana Tavares, Thadeu Dias Bruno, Valdir Machado Neto, Weberton Skeff e William Ferreira. 

 

O trabalho de Fábio Lima chamou a atenção deles, acho que pelo colorido das imagens. Dá para explorar muito mais as duas exposições, que são riquíssimas, mas, neste dia, eles não estavam tão a fim. Com as crianças maiores é possível refletir sobre os ângulos em que as fotos foram tiradas e o que elas pensam sobre eles. Ficou bonito? O que essas fotos querem dizer? O que você entendeu? Podem brincar de dar títulos para as fotos e depois comparar entre o título dado pelas crianças e o título dado pelo autor. Pode-se mesmo estimular para que as próprias crianças tirem fotos também de ângulos menos comuns, em uma atividade posterior,  e refletir também sobre trabalhos delas, fazendo alusão ao que foi visto nas exposições.  Por que elas resolveram fotografar aquele objeto e daquela forma e não de outra? 

4. MEMÓRIA DO FUTURO EM RUÍNAS 

No piso intermediário, está a exposição Memória do Futuro em Ruínas, uma investigação sobre a Praia do Futuro em Fortaleza, a partir das contradições entre o que se pretendia alcançar com certa estrutura e as forças naturais que trazem como resistência seus processos corrosivos. Quais são as perspectivas de futuro num mundo em que as esperanças de crescimento e melhoria de condições de vida se esvaem?

 

Claro que não dá para fazer elucubrações tão maduras com eles, mas podemos falar sobre sonhos e planos que temos para o futuro. É possível que eles mudem, com o passar do tempo. Por que isso pode acontecer? Na natureza, existe sempre o que o homem sonha alcançar com determinada paisagem e o que pode mudar pela ação de fenômenos naturais, como as inundações e enchentes quando chove muito e as queimadas naturais quando o tempo está quente demais.

 

Em praias, como na Praia do Futuro, não se pode descartar os processos corrosivos, destrutivos, modificadores da maresia e do vento forte.  A partir de recortes dessa paisagem, vemos, na exposição, uma construção de possíveis ficções de um futuro para esse local em uma instalação com vídeos, fotografias e desenhos. Imaginar o futuro. Como seria se...?  É um bom exercício de aprendizagem sobre passado, presente e futuro para se fazer com eles, na exposição. 

 

Sentamos no chão, do lado de um dos vídeos, e expliquei um pouco sobre a relação dos ventos fortes com o movimento das  dunas. Destaquei o quanto é preciso respeitar o movimento, o tempo e as características das paisagens naturais. Algumas das grandes tragédias, em que muitas pessoas morrem ou perdem suas casas, por exemplo, têm muito do desrespeito dos homens. Por exemplo, não é certo construir casas em cima das dunas porque isso impede o movimento natural e pode prejudicar o homem mais tarde, com a natureza reagindo ao desrespeito de alguma maneira.

Foi o máximo de registro que consegui desta exposição. Eles já estavam bem inquietos

SERVIÇO:
As três exposições ficam em cartaz até 28 de janeiro de 2018,
sábado da próxima semana, no Museu da Cultura Cearense (MCC) / Dragão do Mar. Visitação de terça a sexta, das 9h às 19h (com acesso até as 18h30) e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h (acesso até as 20h30). Acesso gratuito. Classificação: Livre.

 

5. VAQUEIROS

Tenho uma particular afeição pela exposição Vaqueiros. Fui educadora do MCC em 2010. Por ser uma exposição de longa duração, em cartaz permanentemente,  Vaqueiros já estava lá quando trabalhei como educadora do espaço. Foi especial para mim voltar lá com eles. 🙂

Divulgação Dragão do Mar

De todas, é a exposição com mais possibilidades de interação da criança com o espaço e com mais elementos de aprendizados sobre a história dela própria, do local onde nasceu. Conhecer o vaqueiro e todos os costumes e tradições que permeiam o dia a dia dele é conhecer a essência do cearense, do ser sobrevivente da caatinga. A exposição é rica em imagens, em ambientes e fotografias que simulam o real, e em textos bem didáticos, isso quer dizer que mesmo que você não saiba nada sobre vaqueiro, é possível fazer uma visita bem informativa e repleta de curiosidades com as crianças. Todo o cenário montado enriquece a interação e a compreensão dela em relação ao que vamos explicando. É possível repassar a elas muito fatos interessantes e vivências da  chamada civilização do couro, baseada na pecuária. O vaqueiro é nosso cavaleiro do sertão. Só aí já ativa um monte de fantasias nas cabecinhas delas.

À medida que íamos adentrando a exposição, eu sempre ia fazendo uma relação da exposição com a própria história deles, dos tios, dos avôs e bisavôs, homens e mulheres guerreiros do sertão. Contei-lhes sobre o tio avô Almir, criador de algumas cabeças de gado desde quando me entendo neste mundo, vaqueiro também de seus pastos. Por ele, nossas férias tinham o acordar cedinho para tirar leite da vaca, leite mugido na mesa ou ainda no curral;  tinha a nata e  a coalhada naturais, o queijo que acompanhávamos toda a feitura na prensa;  a vendagem dos produtos, a bordo da rural desgastada, pelos comércios das redondezas, o passeio a cavalo. Ele também ferrava seu rebanho para assim não o perder pastos a fora e colocava no pescoço das vacas e bois os sinos para ajudar a encontrá-los no meio da caatinga. 

pilão e prensa de fazer queijo

Foram, talvez, os espetos de ferragem, as esporas e os sinos, instrumentos utilizados pelos vaqueiros na lida com o rebanho, que mais impressionaram Gabriel e Lucas.  Em um dos mais bonitos especiais, o jornal O POVO publicou o Especial Sertão a ferro e Fogo , em 2014. Vale apena ler e saber mais sobre as histórias e as vidas dos vaqueiros de hoje. 

casa simulada do vaqueiro

Na exposição, há uma casa simulada do vaqueiro, muita parecida com a que os bisavós maternos deles, Waldemar e Lurdinha, moravam. A vegetação da caatinga, a maneira como se exibiam e exibem ainda hoje os retratos na parede, os potes de armazenar e tomar água com os copinhos de alumínio pendurados ao lado, que eu mesma tive na casa dos meus pais, em Itapipoca. Os cavalos, os currais, o sol no dia a dia das fazendas, as porteiras. A esperança e a fé em dias melhores pela religiosidade. É uma viagem pela história até mesmo da infância de muitos de nós. 

 

 

SERVIÇO:
VAQUEIROS
A exposição é de longa duração e fica em cartaz permanentemente, no piso inferior do MCC. Visitação de terça a domingo, das 9h às 19h (acesso até as 18h30) e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h (acesso até as 20h30). Acesso gratuito. Classificação: Livre.

Banho de chuva11

Tomar banho de chuva com as crianças é terapêutico

FÉRIAS DE BRINCAR
DICA 23 - TOMAR BANHO DE CHUVA COM A CRIANÇADA

Tenho lembranças fortes de banhos de chuva com meus pais, principalmente, no interior onde morávamos. Existia o medo do mormaço, da sujeira que vem das calhas, da gripe, mas existia sempre as gargalhadas deles ao ver nossa alegria nas brincadeiras debaixo d'água. Aprendi, desde cedo, a agradecer sempre que chovia, a festejar a chegada dela, a sorrir ao ver no horizonte as nuvens cinzas, carregadas, porque aprendi que aquelas não traziam apenas água, mas anunciavam vida. 

 

 

Nestes dias em que as chuvas têm molhado nossas terras, não tem como não sugerir aos pais que se permitam o banho de chuva com os filhos. É bom demais! Para além de ser muito divertido, recarrega as energias e nos põe em contato com a nossa própria infância, com o gosto pela brincadeira, pelo lúdico que temos todos. Ainda mais que isso, defendem os terapeutas: somos 70% água e os cristais de água têm memória. Na antroposofia, a água é inclusive transcrita por médicos, seja por banhos de banheira, de chuva, chuveiro, com água quente ou fria, com ou sem ervas.

 

A terapia pela água acredita na limpeza de impurezas do campo eletromagnético em que estamos envolvidos, o que, talvez, justifique a expressão "lavar a lama". Se assim, nada como um bom banho de chuva para limpá-lo, heim?! Se ele vem acompanhado das alegria dos filhos... Receita de uma experiência inesquecível, para você e para os pequenos!

Este banho aconteceu ontem, dia 10 de janeiro, no estacionamento do prédio onde moramos. O mais legal para o meu coração de mãe foi ver Gabriel se entregando a um momento tão legal. Nunca gostou. Começou resistente, dizendo que não gostava, que não ia de jeito nenhum. Depois que viu o irmão e eu brincando todas, ele se rendeu e veio curtir com a gente.

<3

Construção de Diorama 18

Que tal construirmos um diorama?

Tudo começou com uma pergunta do Gabriel:
- Mamãe, como eu faço para os monstros que eu desenhei ganharem vida?


Depois de pensar um pouco, lembrei de um dos momentos mais legais que eu vivi em 2017. Durante o 7º Festival Internacional de Teatro Infantil, no Encontro de Narrativas para a Infância, foram realizadas duas oficinas incríveis: Brincar com Arte Contemporânea, com Denise Nalini (SP), e A Imaginação que Brinca, com Adriana Klysis (PA), que assina o site maravilhoso Caleido, cheinho de dicas de atividades criativas para fazer com as crianças.


Experts em imaginação, criatividade e brincar livre, a partir de materiais recicláveis ou inusitados, Denise e Adriana nos guiaram por vivências inesquecíveis. A dica de hoje foi uma delas.

 

Eu já conhecia os dioramas, mais até relacionados a outras áreas. Por se tratarem de um modo de apresentação artística tridimensional, como as maquetes, via seu uso difundido em diferentes propostas, inclusive para brincar com as crianças, mas nunca tinha me posto a fazer. Com a provocação do Gabriel, achei que era a hora.


Depois de apresentar a proposta ao Gabriel e vermos juntos vários exemplos, Gabriel disse que criaríamos o Mundo dos Monstros. Pensamos em alguns detalhes, como os vulcões que Gabriel quis colocar, mas boa parte da estrutura foi surgindo muito no processo. Para construirmos o Mundo dos Monstros, utilizamos:


- Caixa de um forno elétrico que ganhamos, mas pode ser também uma caixa de sapatos;
- Folhas A4 coloridas e branca, mas pode ser também cartolinas coloridas ou folhas brancas pintadas com lápis de cor ou giz de cera;
- lápis de cor ou giz de cera;
- Fita adesiva;
- tinta guache ou tintas para artesanato, coloridas;
- pinceis;
- linhas barbante;
- pedaços de isopor;
- caixa de ovos;
- papelão;
- pedaços de tecido;
- cola isopor;
- tesoura e estilete.

 

1. Nossa primeira preocupação foi procurar uma caixa grande e larga. Encontramos esta de um forno elétrico que ganhamos. Depois, reforçamos toda ela com uma fita adesiva, porque tinha uns lados que podiam se abrir. Depois pintamos de branco toda a parte externa e colocamos para secar.

 

2. Enquanto a parte externa secava, fomos pintar pedaços de isopor que se tornariam os movimentadores dos bonecos, em cima da caixa. Também aproveitamos para cortar os desenhos dos monstros que Gabriel desenhou e para colar todos no papelão, para que ficassem mais durinhos. Depois, pegamos a caixa e pintamos a parte interna. Ele escolheu duas cores. 

 

Depois, paramos um pouco, porque Gabriel estava meio impaciente já. Fomos tomar banho para almoçar.

Onde estava o Luquinhas? Nesta manhã de dezembro, ele estava doentinho e passou a manhã dormindo. De certa forma, isso nos deu tranquilidade para trabalhar porque, na maioria das vezes, é preciso jogo de cintura para envolver crianças de idades diferentes em algumas atividades. Luquinhas ainda está para experimentar com as mãos, sentir as texturas, espalhar. Gabriel já consegue se concentrar melhor no que está sendo proposto, tem mais coordenação para trabalhos que lidam com detalhes. Sempre que trabalho com os dois, penso em algo específico para o Luquinhas que, não necessariamente, esteja ligado ao resultado final do processo, mas de experimentação dos materiais todos que estamos utilizamos. Na segunda parte de feitura do Diorama, Luquinhas até nos ajudou muito.


Depois do soninho da tarde e Luquinhas mais espertinho, continuamos.
Depois do palco pronto para receber o cenário, a primeira coisa que Gabriel pensou foi nos vulcões. Conseguimos com uma caixa de ovos simular quatro vulcões. Depois dos vulcões colados, eles pensaram em árvores, matinhos, flores, borboletas e lago. Todos, exceto as borboletas que imprimi, foram desenhados por eles, que depois os pintaram e colaram no cenário. Desistiram das flores. Acho que já estavam cansados. Não quiseram mais fazer.

 

Vieram, então, o sol e o arco-íris. Fizemos com folhas de ofício coloridas.
E Gabriel perguntou?
- Como podemos ter um arco-íris para sempre?
- Bom, que tal pensamos em uma cachoeira? Não sei se o arco-iris vai estar lá o tempo todo, mas é mais fácil vê-lo com a água, assim, em movimento, recebendo a luz do sol.

 

Conversamos um bocado sobre o processo todo. Fizemos o arco-íris com o tecido de um biquíni velho que eu tinha encostado, com uma estampa bacana de azul e branco, e até que caiu bem para o efeito da água caindo.

 

 

Já era noite quando começamos a última fase: colocar os moradores no mundo. 


Com o estilete, abri finos caminhos no topo da caixa por onde os monstros iriam caminhar, quando os manipulássemos. Cada um dos seis bonecos foi colado a uma ponta de um fio do barbante. O tamanho do fio você pode estipular e depende do tamanho que quer que ele fique suspenso no meio da caixa. Pode ser também outro tipo de fio, até mais fininho, discreto, como fio de Nylon. Utilizamos o que tínhamos em casa. 

 

 A outra ponta atravessou o caminho cortado, no topo da caixa, e foi colada ao pedaço de isopor, anteriormente pintado. É importante passar o fio também por dentro do isopor, para garantir mais segurança de que ele não se soltará.

 

E ficou pronto! Já estava perto das 21 horas. 
Foi bom dividir o processo em várias fases, pra que eles não se cansassem tanto, porque também não é tão simples fazer dioramas. Eles curtiram construir comigo e ver o resultado dos esforços deles, ali. Brincaram um bocado. No outro dia, inventaram várias histórias. Mas a empolgação não durou tanto assim. Em dois dias, o diorama já estava no canto. Como ainda estava em bom estado, resolvi pô-lo na parede do quarto deles, que curtiram! 

Você pode fazer o seu diorama com cenários e materiais diversos, com caixas maiores ou menores. Se for para fazer com as crianças, não despreze a opinião delas, por mais doidinhas ou fora da lógica "normal" que elas possam parecer. Imaginação é isso. Permita-se criar mundos fora da lógica que você, adulto, conhece. Ouça as crianças sempre. É importante que a brincadeira tenha a cara do que elas imaginaram.

 

Sempre quando penso em atividades assim, mais artísticas com eles, me preparo para uma dose extra de paciência, tão necessária no processo, a fim de que o momento seja leve e divertido, e para um possível desinteresse deles depois. No fim das contas, o valor está no construir juntos, em dividir momentos de aprendizado com as crianças, porque a criação de algo é puro aprendizado para todos que se envolvem. O saldo mais valioso é o tempo juntos, a experiência com diferentes materiais, as gargalhadas e as lembranças que ficam desses momentos. 

Espero que se divirtam com essa dica. Vou adorar receber fotos dos dioramas de vocês! =D 
Até a próxima! 

Maria22

Fotógrafo faz registros diários da filha para documentar a conquista dos primeiros passos

PROJETO FÉRIAS DE BRINCAR 
DICA 21 - FOTOGRAFAR PROCESSOS DE APRENDIZADOS DAS CRIANÇAS POR PERÍODOS CONTÍNUOS

 

No correr das rotinas, vivemos poesias que se destacam na nossa jornada. Momentos com a família, com os filhos, com os amigos que bem podiam ser guardados em um potinho mágico, pelo qual fosse possível voltar e reviver sempre que a saudade apertasse. Enquanto vivemos, a importância, às vezes, nos escapa e só nos damos conta dela quando os dias passam. Talvez, a fotografia seja em essência muito desse potinho; por ela, fica mais fácil o retorno às lembranças marcantes. O fotógrafo carioca Raphael Bózeo, de 32 anos, acredita nisso.

 

Pai da Maria, de 10 meses, há pouco tempo, ele resolveu registrar o dia a dia da filha, que ele considera um todo de poesia. Prestes a andar, a menina Maria vem conquistando o mundo no engatinhar e já ensaia os primeiros passos. Raphael, para além do amor que sente pela filha, enxergou na curiosidade, nas descobertas, nos olhares, sorrisos, abraços, nas primeiras dores e frustrações da infância concreta que tem em casa, a necessidade de registros que extrapolam os momentos descontraídos ou de lazer em que se tem uma máquina fotográfica na mão; o fotógrafo enxergou naqueles cliques a valorização da família em si, da felicidade que existe nessas “horinhas de descuido”, como já ensinou Guimarães Rosa, e quis conversar com o mundo sobre isso. Raphael vem fazendo do registro da infância da Maria um compromisso diário de amor, de doação, de contemplação, de gratidão... tudo guardado no potinho das lentes da máquina fotográfica dele.

 

 

O projeto #MariaTodoDia365 está no 49º dia hoje e se propõe lançar ao longo de um ano inteirinho, diariamente, um registro público da rotina da menina Maria. Jornalista e fotógrafo profissional da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Macaé/RJ, Raphael realiza também projetos particulares de fotografia documental de famílias e assina a página do Facebook Não basta ser pai há 1 ano, quando decidiu escrever sobre as emoções que vinha sentindo desde o dia em que soube da chegada da filha, para, assim, dividir, compartilhar, trocar e aprender mais sobre a paternidade.

 

Aliás, o olhar sensível de Raphael para a infância é demonstrado em outras iniciativas, como fotografar somente crianças em um jogo de futebol, área a que também se dedica como profissional, para contar a história de um título pela ótica dos pequenos torcedores. Seus cliques foram destaque no GloboEsporte.com, do Rio de Janeiro, e tiveram repercussão nacional. Além das fotos das crianças, há um texto muito bacana desse olhar, escrito também por Raphael, que vale a pena ser lido! 

 

O projeto de fotografia #MariaTodoDia365 vem encantando as redes sociais. Raphael me conta que se inspirou no fotógrafo Renato DPaula, que, há cerca de dois anos, começou a fazer registros do dia a dia da filha Isabele pelo projeto #Isababe365. Uma pequena crônica escrita também por Raphael acompanha cada fotografia do projeto, contando um pouco a história dos cliques. Em um dos mais bonitos, Maria olha um livrinho de fotografias que a mamãe Camila preparou para o pai, na passagem do aniversário mais recente dele. Noutro clique, um dos que Raphael mais gosta, a menininha chora e é acalentada nos braços da mãe, depois de uma pancada na cabeça. Projeto emocionante. 

 

 

Conversei com Raphael no limiar da mudança de um ano para o outro. Acompanhe abaixo a entrevista e saiba muito mais sobre o projeto e sobre a maneira linda que Raphael pretende encerrá-lo. Deleite-se com esse pai fotógrafo apaixonado pelas duas funções e inspire-se! Que tal começar um projeto assim com quem ama? Pode ser com seus filhos pequenos ou maiores, pode ser com seus pais ou com aquele grupo de amigos especial.  

 

 

Vida Ciranda: O que mais motivou você a começar o projeto?
Raphael Bózeo: Talvez, seja o projeto mais incrível, mais encantador que eu estou fazendo e que eu fiz nos últimos tempos. O que me motivou, na verdade, foi deixar um legado para ela. Eu vi um outro fotógrafo fazendo com a filha, achei incrível e quis fazer com a minha filha antes de ela estar andando, para pegar esse processo antes: ela engatinhando, depois andando, para contar essa história. Apesar de ser uma maneira de estar divulgando um pouco do meu trabalho fotográfico, isso é para ela. Quando ela tiver uns 20, 30 anos, ela vai poder saber e conhecer, por meio de fotos, como ela viveu essa primeira parte da vida dela. É um registro da história dela.

 

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Vida Ciranda: Há preocupação com produção, com poses, em "arrumar" a Maria, antes das fotos?
Raphael Bózeo: Eu tento imprimir nas fotos uma coisa mais documental, do que acontece, realmente, no dia a dia dela. Não é pegar a Maria, fantasiar a Maria, botar ela num fundo e fotografar. Eu prefiro situações mais do dia a dia. Curiosamente, a foto de hoje [ 31 de dezembro, 2017] é uma selfie, porque tem muito do que ela está aprendendo, ela botou a língua para fora, então eu, Camila e ela botamos a língua para fora. A foto está bem a gente mesmo. Nem é a proposta do projeto, mas resolvi colocar porque esse tipo de foto não deixa de ser um documento nosso de um momento incrível. Então, eu acho que o mais importante é que seja um registro que conte a história da pessoa, registros que daqui a 20, 30 anos, a pessoa vai ver. Pode-se fazer com uma criança de 4 anos, de 10 anos, com uma pessoa de 15 anos. O mais importante é fotografar como uma maneira de contar a história.

 

 

Vida Ciranda: Há alguma novidade na sua relação com a Maria, depois do projeto? Seu olhar para ela, para a relação de vocês vem mudando, de alguma forma?
Raphael Bózeo: Além de desenvolver meu olhar fotográfico, eu tento enxergar a minha filha no dia a dia, sabe. Ao invés de eu estar preocupado com uma maneira de registrar minha filha de um jeito que eu quero que as pessoas vejam, eu tento mostrar exatamente como ela vive. Eu tenho percebido que tem sido muito bacana, minha esposa está muito satisfeita. Eu ficaria muito triste se eu não estivesse conseguindo fazer. Tento fazer um exercício contrário: se não existir isso, como seria e como eu me sentiria se não fizesse isso. Então, é mais legal você imaginar e ver lá na frente.

 

Vida Ciranda: Como foi se tornar pai  e pai da Maria?
Raphael Bózeo: A Maria foi muito planejada. A gente se programou para ter a Maria. Um fato curioso é que eu fiquei sabendo que a Camila estava grávida no dia 12 de junho, Dia dos Namorados, e a Maria nasceu no dia 14 de fevereiro, que é o Valentine’s Day, Dia dos Namorados em outros países. Então, ela veio já com muito amor, em duas datas simbólicas para o amor. Desde então, eu me propus ser pai com ela, de ser presente, de registrar, de viver a paternidade muito ativamente. O projeto #MariaTodoDia365 me aproxima ainda mais dela. Uma das coisas que eu acho mais incrível é você olhar para a foto e sentir voltar aquele momento, sabe.

 

 

Vida Ciranda: Há alguma foto ou fotos de que você gosta mais?
Raphael Bózeo: Uma foto de que eu gosto muito é ela olhando a chuva pela janela do carro. Quando eu a vi olhando pelo vidro, concentrada, fui bem devagarzinho no carro. Outra foto é do dia em que ela tinha batido com a cabeça no apoio da cama e minha esposa abraçou, ela ainda com os olhinhos cheios de lágrimas. É isso: cada foto acaba tendo uma história. Quando ela estiver entendendo e eu for contar a história de cada foto, é uma maneira de ela conhecer um pouco mais de como foi esse primeiro projeto, entre 1 e 2 anos de idade dela, como ela foi amada, então, a gente volta naquele dia e sente as emoções e a gente se emociona e isso gera um envolvimento que gera uma conexão muito grande entre a gente. Eu tenho muita foto antiga da minha família. Não tinha as facilidades que têm hoje e você se emociona. Imagina você tendo as possibilidades de hoje, com a tecnologia. Hoje, qualquer pessoa pode registrar, guardar, não falo apenas de maneira profissional.

 

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Vida Ciranda: Você já vem recebendo feedbacks das pessoas sobre o projeto?
Raphael Bózeo: Eu recebo muitos, alguns no Instagram @raphaelbozeo, outros no Facebook, na página Não basta ser pai,  que eu fiz para contar, armazenar, registrar algumas coisas que eu gostaria de falar para ela, e dividir com as pessoas alguns textos também. Muitos amigos comentam nas fotos, entram em contato comigo, no bate-papo informal mesmo. As pessoas falam das fotos, do trabalho, como é incrível ter esse registro, que gostariam de fazer, é uma coisa muito legal por saber que pode estar sendo um legado e motivando outras pessoas a fazerem a mesma coisa.

 

Vida Ciranda: Como você pretende guardar esses registros para entregá-los depois para a Maria?
Raphael Bózeo: No final do projeto #MariaTodoDia365 vai ter um vídeo contando a história dessas 365 fotos, vai ter um álbum de fotos, como um livro, que eu vou personalizar para ela, com as 365 mais um plus no final, com algumas fotos que não entraram no projeto oficial.

 

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Vida Ciranda: Você pretende continuar o projeto 365 noutra fase da Maria?
Raphael Bózeo: Não sei se eu pretendo continuar o projeto 365 na internet, mas certamente vou registrar diariamente para ter esses registros sim. Vou ver como vai ser quando terminar este. De repente, crio um outro tipo de projeto, não sei, para divulgar na internet. Prefiro terminar este, para depois organizar direitinho. O que eu acho que não pode parar é eu estar fotografando, registrando, guardando. Existe uma grande preocupação de deixar de viver os momentos para fotografar também. Então, às vezes, você não consegue viver tão intensamente se você estiver tão preocupado com a foto, mas eu acho que com muito esforço você consegue conciliar as duas coisas. Você consegue viver deixando a máquina um pouco de lado.

 

Vida Ciranda: Numa época em que tudo parece passar tão rápido, em que não aproveitamos tanto momentos tão bonitos que vivemos, a fotografia documental é muito importante para deter felicidades e relembrar...
Raphael Bózeo: Tenho um projeto de fotografia documental, de storytelling, de contar histórias dos dias de grupos de amigos, de famílias, de passar um dia, um fim de semana com uma família. É muito importante essas memórias. Hoje, qualquer pessoa pode fazer com um smartphone, mas o profissional é um olhar diferente, de uma pessoa de fora. Eu também escrevo sobre as pessoas que eu fotografo. Escrevo muito para a Maria. As fotos não são para o fotógrafo, são para as pessoas que fotografamos, é a história delas.

 

Grupo Fantasia

“É na família que a gente constrói toda a base de respeito ao outro”

REPORTAGEM ESPECIAL CRIANÇA DE SER SOLIDARIEDADE
PARTE 2

“A sensação é de que temos falhado nessa educação das crianças”, declara a psicóloga Sarah Castelo Branco quando se refere à desconstrução gradual, na criança pequena, de um “individualismo natural”, de ainda não saber compreender o outro, de não saber pôr-se no lugar do outro. Até o os cinco anos, segundo Sarah, é comum o egocentrismo infantil, porque é natural até pela sobrevivência dela, que as atenções, os cuidados da casa, dos universos em que ele vive sejam centrados nela. O bebê deve estar no centro, é natural. Com os passar dos anos, isso deve ser desconstruído. “Aos poucos, com carinho e exemplos, a criança deve ser inserida em outro processo, no de olhar o outro, no de olhar menos para dentro e mais para fora de si, que existem pessoas além dela, que os problemas nem sempre são só do outro, que elas cresçam tendo a dimensão do mundo para além da porta da casa delas”, explica Sarah.

Com pós-graduação em neuropsicologia, Sarah dedica-se ao atendimento clínico de crianças e adolescentes há dez anos, ainda concomitante a experiências também na saúde pública, quando integrou o Núcleo de Apoio à Saúde da Família. Ela é enfática ao afirmar que vivemos em um mundo cada dia mais “egoísta, competitivo, consumista, acumulador”. “A desconstrução, ainda na infância, desse egocentrismo tem sido muito raso. É muito comum, cada vez mais, vermos adolescentes, adultos achando que o mundo gira em torno do próprio umbigo, possessivos, competitivos demais, que veem o outro sempre como rival, que não sabem dividir, principalmente, os que têm uma condição mais favorável, que nascem em famílias muito reduzidas, o que é muito comum hoje. Antigamente, o menino tinha cinco, sete irmãos, dividir era natural. Hoje não. A responsabilidade dos pais é muito grande. Muitos crescem com esse sentimento de que tudo é dele, é para ele, ele é o centro”, esclarece.

As consequências desse comportamento de adultos que não tiveram o egocentrismo desconstruído, ainda crianças, conforme Sarah, se refletem, principalmente, nos relacionamentos. “É alguém dificílimo de lidar, que não aceita outras opiniões porque ele é o centro! Quase sempre são profissionais que não duram nos trabalhos, não reconhecem o que é equipe, divisão, empatia. Não entendem a compreensão básica de que existe um outro para além dele, direitos de outras pessoas que precisam ser respeitados. Em relação à solidariedade, então. Não entendem. Eles sofrem muito. São propensos ao isolamento, à depressão”, lamenta.

Engajamento social infantil
Sarah acredita que a solidariedade é o caminho mais confiável para formamos indivíduos mais humanos e sociáveis. Segundo a psicóloga, o engajamento social infantil é o que garante, desde cedo, o equilíbrio emocional e a compreensão do eu social e a desconstrução do egocentrismo.

“Precisamos resgatar essa desconstrução. E a base é a família, principalmente, a família, o que a criança vê e vive na família, é lá que a gente constrói toda a base de respeito ao outro, de cidadania. A solidariedade nas pequenas coisas, no dia a dia, isso significa resgatar uma geração inteira! Se a criança, desde cedo, vê os pais ajudando o outro, preocupado, de fato, em resolver o problema do outro, se vê o respeito dos pais pelo outro, seja no trânsito, seja dando ao outro o que lhe sobra, seja dedicando tempo, conhecimento não pela troca simples do dinheiro, isso fica para sempre como um dos valores mais essenciais da personalidade dela, o que vai garantir que ela seja um adulto mais tolerante, mais prestativo, mais realizado, mais feliz”, defende Sarah.

Sarah descreve ainda o risco da “solidariedade fake”. Segundo ela, há pessoas que fazem doações pontuais somente para tirar foto, postar no Facebook, construir uma imagem de bondade que não existe. Para as crianças, isso é ainda mais perigoso, porque não é tratar o outro como um igual, mas imprimir na ação o sentimento de esmola, de favor. “O ideal não é tratar a solidariedade como uma ação seca, de levar as doações uma vez por ano, entregar e pronto. Não. O ideal é que elas possam vivenciar isso, e não só dar algo, mas levar as crianças para brincar com as outras crianças, passar um tempo, ir outros dias”, resume Sarah.

Rotina solidária desde cedo
Na casa das irmãs Gabriela, 31, e Denise Ferreira, 28, o aprendizado da solidariedade foi algo tão natural que elas nem lembram os pais comentando sobre a palavra em si, mas vivendo o valor dela dia a dia. “Antes de a gente nascer, as coisas já eram postas dessa forma aqui em casa. Nossos pais sempre foram muito prestativos. Crescemos com os vizinhos vindo aqui em casa pra minha mãe fazer curativos, dar conselhos... com o meu pai sendo chamado para consertar portar do vizinho, encanamento, luz.. essas coisas”.

Denise, Dona Fátima e Gabriela

Denise, Dona Fátima e Gabriela

De acordo com Gabriela, na casa onde nasceram e moram até hoje, sempre teve um quarto a mais para acomodar alguém que estivesse precisando. “A gente até brinca que aqui é hotel, porque sempre teve alguém diferente do nosso núcleo familiar, precisando de ajuda, e a minha mãe acolhia”, explica.

Mestra em História, estudante de psicologia, Gabriela acredita que a história de solidariedade da família vem muito da época dos avós e pode ser explicada pela necessidade de se ajudar até mesmo para sobreviver. “Como nossa família sempre foi muito pobre, tinham mesmo que ir se ajudando para conseguirem criar os filhos, sobreviverem. Então, é um valor construído pela necessidade mas que moldou o modo de ser de todos nós. A empatia é muito forte aqui”, considera.

A mãe Antônia de Fátima Ferreira Barbosa, 63, técnica em saúde bucal, diz que, ainda que tenha sido um valor construído desde a época da mãe dela, sempre se preocupou para que as filhas pudessem ser formadas da maneira mais humana possível, que soubessem respeitar, ser solidárias. “Eu entendia que os nossos exemplos dentro de casa eram o melhor caminho”, compreende dona Fatima.

Grupo Fantasia

Grupo Fantasia

Integrantes de uma comunidade espírita em Maracanaú, que dona Fátima ajudou a fundar, Gabriela e Denise, ainda adolescentes, também viveram a criação do Grupo de palhaços Fantasia, que leva momentos de alegria e bem-estar a crianças internadas em hospitais e em situação de abrigo, na cidade metropolitana.

O Fantasia nasceu há 16 anos, numa época como esta, Dia das Crianças, a partir de uma atividade realizada pelo grupo espírita, e existe ainda hoje, com a participação ativa das três. “É muito recompensador esse trabalho. Como mãe, é muito bom ver o envolvimento delas. É ver a compreensão delas na prática, sobre a caridade, sobre a solidariedade, sobre amar o próximo, sobre compreender o outro e a necessidade dele, para além da sua. Desde muito cedo, elas sentem isso, pelo retorno das pessoas, pelo olhar”, reflete dona Fátima.

Gabriela tornou-se mãe recentemente da menininha Isabela, de 1 mês, e assegura que os valores serão repassados à filha. “Quero que a minha filha cresça vivendo a solidariedade sem que, um dia, eu precise lhe explicar sobre isso. Eu penso que viver a solidariedade é também dar sentido à vida, de ter um propósito, de se sentir útil, saber que existe algo mais valioso que o dinheiro, do que o ter. É ajudar o outro em um mundo que é cíclico, daqui a pouco, sou eu que posso precisar de ajuda. Ninguém vive sem o outro”, lembra Gabriela.

Com outros voluntários

“Nenhum discurso em casa, falando sobre solidariedade, substitui o que eles vivem aqui”

REPORTAGEM ESPECIAL CRIANÇA DE SER
SOLIDARIEDADE - PARTE 1

Tina soube que a vida poderia ser muito mais no limiar de uma possibilidade de ser menos. No meio do alvoroço de viver a notícia triste e toda angústia de um dia a dia incerto, desconstruíram-se verdades e significados de felicidade. A vivência de uma solidariedade real chegou para Tina quando a mãe dela encontrou-se portadora de um tumor cerebral, ainda em 2001. Como que pela fresta estreita daqueles sentimentos aparentemente inóspitos, de medo e vulnerabilidade, Tina se viu forte e transformadora. Transformada.

Lidar com o câncer da mãe sacudiu conceitos de alegria. Chegaram-lhe aquelas pequenas alegrias tão intensas, tão mais significativas. Tina conheceu mundos, até então distantes demais, mas que se aproximaram tanto que, em certo momento, foi difícil dissociá-los do seu. O filho mais velho nasceu nessa época e na preparação do primeiro aniversário do bebê Fábio, ela compreendeu “que a partir daquele ano em vez de ganhar presentes para comemorar a vida, eu tinha era que agradecer por estar bem, por estar viva”, relembra Tina Pamplona, 42 anos, comerciante, voluntária da Associação Peter Pan (APP) há 16 anos.

 

Tina, o Marido Fábio Queiroz, e os filhos Fabinho e Nina

Tina, o Marido Fábio Queiroz, e os filhos Fabinho e Nina

A primeira festa de aniversário de Fabinho, como é conhecido até hoje pelos corredores do Peter Pan, foi na Associação. Nada de presentes, a festa foi oferecida às crianças em tratamento. E assim são até hoje os festejos de Fabinho e também os da Nina, a filha de 6 anos. Não apenas as comemorações, a rotina da família inteira, desde então, passou a dividir-se pelos dois ambientes: casa e Associação. Tina é muito integrada à instituição, ela e os filhos vivem e convivem com os pacientes e as demandas do Peter Pan por, pelo menos, duas vezes por semana. “Não reconheço mais como caridade, meus filhos não se veem dessa forma, fazendo caridade, principalmente a Nina. Ela passa muito tempo aqui brincando com as crianças, acompanha o tratamento, já entende os limites até onde pode ir com as brincadeira e as ausências dos amiguinhos, em determinados dias; sofre quando essas ausências são ‘para sempre, mas compreende. A morte dói pra eles também, mas foco no valor da vida e em tudo que podemos fazer, sonhar e realizar, enquanto ainda estamos aqui. Foco no valor das pessoas, da saúde’”, compartilha a mãe Tina.

"A morte dói pra eles também, mas foco no valor da vida e em tudo que podemos fazer, sonhar e realizar, enquanto ainda estamos aqui. Foco no valor das pessoas, da saúde"

Aliás, de acordo com a Tina, um dos grandes retornos dessa doação, principalmente, de tempo à Associação, ela enxerga pelos olhos dos filhos. “Em um mundo tão individualista, tão egoísta, competitivo, de pessoas que buscam sempre ter mais, eu os sinto mais humanos. Me emociona vê-los preocupados com o que o outro sente, ajudando, doando o tempo que for necessário para que o outro se sinta melhor, entende?! Nenhum discurso em casa, falando sobre solidariedade para eles, substitui o que eles vivem aqui, quando, na maioria das vezes, nem o pai nem eu estamos perto. Eles vivem uma solidariedade que é natural, que é essência nossa, que deveria ser a prática de todos”, acredita Tina.

Aniversário de Nina, em 2016

Aniversário de Nina, em 2016

REPORTAGEM ESPECIAL CRIANÇA DE SER
SOLIDARIEDADE - PARTE 1

Tina soube que a vida poderia ser muito mais no limiar de uma possibilidade de ser menos. No meio do alvoroço de viver a notícia triste e toda angústia de um dia a dia incerto, desconstruíram-se verdades e significados de felicidade. A vivência de uma solidariedade real chegou para Tina quando a mãe dela encontrou-se portadora de um tumor cerebral, ainda em 2001. Como que pela fresta estreita daqueles sentimentos aparentemente inóspitos, de medo e vulnerabilidade, Tina se viu forte e transformadora. Transformada.

Lidar com o câncer da mãe sacudiu conceitos de alegria. Chegaram-lhe aquelas pequenas alegrias tão intensas, tão mais significativas. Tina conheceu mundos, até então distantes demais, mas que se aproximaram tanto que, em certo momento, foi difícil dissociá-los do seu. O filho mais velho nasceu nessa época e na preparação do primeiro aniversário do bebê Fábio, ela compreendeu “que a partir daquele ano em vez de ganhar presentes para comemorar a vida, eu tinha era que agradecer por estar bem, por estar viva”, relembra Tina Pamplona, 42 anos, comerciante, voluntária da Associação Peter Pan (APP) há 16 anos.

Tina, o Marido Fábio Queiroz, e os filhos Fabinho e Nina

A primeira festa de aniversário de Fabinho, como é conhecido até hoje pelos corredores do Peter Pan, foi na Associação. Nada de presentes, a festa foi oferecida às crianças em tratamento. E assim são até hoje os festejos de Fabinho e também os da Nina, a filha de 6 anos. Não apenas as comemorações, a rotina da família inteira, desde então, passou a dividir-se pelos dois ambientes: casa e Associação. Tina é muito integrada à instituição, ela e os filhos vivem e convivem com os pacientes e as demandas do Peter Pan por, pelo menos, duas vezes por semana. “Não reconheço mais como caridade, meus filhos não se veem dessa forma, fazendo caridade, principalmente a Nina. Ela passa muito tempo aqui brincando com as crianças, acompanha o tratamento, já entende os limites até onde pode ir com as brincadeira e as ausências dos amiguinhos, em determinados dias; sofre quando essas ausências são ‘para sempre, mas compreende. A morte dói pra eles também, mas foco no valor da vida e em tudo que podemos fazer, sonhar e realizar, enquanto ainda estamos aqui. Foco no valor das pessoas, da saúde’”, compartilha a mãe Tina.

"A morte dói pra eles também, mas foco no valor da vida e em tudo que podemos fazer, sonhar e realizar, enquanto ainda estamos aqui. Foco no valor das pessoas, da saúde"

Aliás, de acordo com a Tina, um dos grandes retornos dessa doação, principalmente, de tempo à Associação, ela enxerga pelos olhos dos filhos. “Em um mundo tão individualista, tão egoísta, competitivo, de pessoas que buscam sempre ter mais, eu os sinto mais humanos. Me emociona vê-los preocupados com o que o outro sente, ajudando, doando o tempo que for necessário para que o outro se sinta melhor, entende?! Nenhum discurso em casa, falando sobre solidariedade para eles, substitui o que eles vivem aqui, quando, na maioria das vezes, nem o pai nem eu estamos perto. Eles vivem uma solidariedade que é natural, que é essência nossa, que deveria ser a prática de todos”, acredita Tina.

 Aniversário de Nina, em 2016

A mãe de Tina morreu há quatro anos, mas lhe deixou o maior dos legados. “Compreendi com a doença dela o quanto nós precisamos do outro. Não é que eu fosse egoísta, ruim. Não. E a maioria de nós não é, claro, mas nós nos esquecemos do outro. A gente vive uma rotina tão corrida, diz sempre que não tem tempo para o trabalho voluntário, por exemplo, de que precisa trabalhar para pagar as contas, que nos esquecemos de ser mais humanos, de olhar o outro com mais cuidado. Para mim, que sou mãe, é a certeza de que estou formando seres melhores para conviver com respeito, com tolerância com o outro”, declara.

"Nenhum discurso em casa, falando sobre solidariedade para eles, substitui o que eles vivem aqui, quando, na maioria das vezes, nem o pai nem eu estamos perto. Eles vivem uma solidariedade que é natural, que é essência nossa, que deveria ser a prática de todos”.

Há bem pouco tempo, Tina fundou o JAPP (Jovem Amigo Peter Pan), voltado para formar e realizar ações solidárias pela atuação de jovens de 14 a 20 anos. “Foi pensando no meu filho e na geração a partir dele que eu montei o grupo. Quero muito que outros jovens possam viver o que eles vivem aqui. Eles precisam compreender que juntos eles podem muito mais que estando sozinhos, cada um preocupado com sua profissão, com a sua vida. Sozinhos, a gente não faz nada, não vai pra frente”. A ideia do grupo é também integrar a família: enquanto os adolescentes estão realizando alguma ação, as mães deles, por exemplo, também podem vir para conversar com as mães das crianças e dos adolescentes em tratamento, oferecer um abraço, uma palavra de esperança, ou apenas a companhia, estar perto. "Isso faz uma diferença enorme”, justifica Tina.

No último sábado, dia 30, Nina comemorou o aniversário de 6 anos. Como de costume, comemorou junto com as crianças da Associação Peter Pan. Outra criança dividia com Nina os motivos do festejos, um garoto muito conhecido e querido por todos na instituição. Há sete anos, ele vive a rotina de tratamentos contra o câncer. Diante da chegada dos nove anos do garoto, todos apressaram uma festa improvisada. Era preciso correr. Os médicos estão desanimados. Tina conta que Nina tem ciência de que o amigo pode virar estrelinha a qualquer hora. Nesta semana, Tina nos contou que não foi fácil, "mas foi tão mágico, um dos momentos mais emocionantes de todos os meus anos de Peter Pan", emociona-se Tina.

ASSOCIAÇÃO PETER PAN
Desde 1996, a Associação Peter Pan desenvolve ações de tratamento médico especializado, atendimento humanizado e diagnóstico precoce, fundamental à cura, que é disseminado em cidades do interior, por meio do Núcleo Mais Vida, com projetos de capacitação em sinais e sintomas para profissionais da saúde. Oferece apoio e assistência a crianças e adolescentes com câncer, e seus familiares. Atualmente, conta com 306 voluntários e 78 contratados. De acordo com a Associação, cerca de três mil crianças e adolescentes são atendidas.

Para ajudar como voluntário ou com doações:
Rua Alberto Montezuma, 350, Vila União
Contatos: 4008 4109 / 98892 0135
Site: www.app.org.br

O Especial Ser Criança é uma realização do site www.vidaciranda.com.br. Durante o período de 2 a 29 de outubro de 2017, diversos pais, cuidadores, professores, crianças e pesquisadores falarão sobre as temáticas Solidariedade, Brincar, Formação Cultural das Crianças e Inclusão em publicações diárias e semanais, no site e nas redes sociais do projeto:
Instagram: @vidaciranda
Facebook: @vidaciranda
Twitter: @VidaCiranda

no lar

“Solidariedade é o sentimento que melhor expressa a dignidade humana”

Neste segundo dia do Especial Criança de Ser, trazemos a Irmã Maria da Conceição Dias de Albuquerque, uma das idealizadoras e grande entusiasta do Lar Amigos de Jesus, que dá apoio, assistência, abrigo e carinho a crianças e adolescentes com câncer, em tratamento na Capital, além de cuidar também de seus familiares.

Toda a lógica do Lar funciona a partir de voluntários e doações. A Associação dos Missionários da Solidariedade, onde reside o Lar Amigos de Jesus, existe desde dezembro de 1999. Além do acolhimento institucional e hospedagem, crianças, jovens e familiares recebem seis refeições diárias, transporte aos hospitais e clínicas, roupas, kits de higiene e fraldas descartáveis,  terapia ocupacional e atividades de lazer, como recreações e passeios. Há também ações periódicas de distribuição de medicamentos, cestas básicas, medicamentos, máscaras, cadeiras de rodas, moletas.

É possível também requisitar a Carteira de Identidade e o CPF pela mediação do Lar. Para as famílias, são oferecidas oficinas de costura, pintura em tecido, bijuteria, vagonite, bordados, confecção de bolsas e culinárias. Os resultados das oficinas são disponibilizados em um lojinha na recepção da instituição e a renda revestida numa maior porcentagem aos produtores.

Quem quiser ajudar o Lar Amigos de Jesus, pode doar alimentos, materiais de limpeza e higiene pessoal, roupas, brinquedos, eletrodomésticos, materiais recicláveis, cupons fiscais ou mesmo dinheiro.
SERVIÇO:
ASSOCIAÇÃO DOS MISSIONÁRIOS DA SOLIDARIEDADE LAR AMIGOS DE JESUS
Rua Ildefonso Albano, 3052 - Joaquim Távora
Fortaleza, Ce - CEP 60115-001
Contatos: (85) 3226-3447 / 3067-6565

"Solidariedade é o tema. Solidariedade é o sentimento que melhor expressa a dignidade humana. Aqui, o Lar Amigos de Jesus é um bom exemplo porque aqui se respira solidariedade para com as crianças com câncer. Existem voluntários que realizam ações, atitudes de vida. E aí, a prática da solidariedade é uma constante. Mesmo porque a Associação dos Missionários da Solidariedade somos nós aqui, no Lar Amigos de Jesus. E abraçamos esta causa com tanta alegria que faz com que as pessoas venham até aqui, também motivados por essa solidariedade. Então, é assim: Solidariedade é ser feliz, é fazer o outro feliz, e aí a gente completa todo esse universo de amor ao próximo".

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Solidariedade_Idevaldo Bodião

Professor Idevaldo Bodião abre o Especial Criança de Ser falando sobre a cultura da Solidariedade

Começamos nosso Especial Criança de Ser falando sobre SOLIDARIEDADE. Este tema guiará toda a nossa semana, até o dia 8 de outubro. Hoje, por vídeo, o professor doutor Idevaldo Bodião, aposentado pela Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará (UFC), nos fala sobre a Cultura da Solidariedade. O que é ser solidário?

Todos os dias, passarão pela timeline das redes sociais do Vida Ciranda pais, professores, crianças, psicólogos, acadêmicos versando sobre o tema em questão. Todas as quartas-feiras, uma reportagem. No próximo dia 5, além de conhecermos famílias que vivem intensamente a solidariedade, dando, assim, grandes exemplos aos filhos, vamos ouvir estudiosos para entender por que é tão importante inserir, desde cedo, as crianças em um dia a dia mais solidário.  A Entrevista completa com o professor Idevaldo Bodião também estará disponível! Não perca!  Curta e compartilhe este movimento!
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"O modo de vida como é possível ser vivido na atual sociedade planetária é auto-centrado, egoísta e extremamente voraz e competitivo. Nós estamos o tempo inteiro procurando ser melhor do que o outro pra ter melhores salários e, com isso, nós nos colocamos sempre todos contra todos. Para superar esta forma de estar no mundo é preciso que desenvolvamos uma cultura da comunhão, da solidariedade, do coletivo, do conjunto. E a ideia do solidário, a ideia da solidariedade é tratar o outro como um igual, e pra isso um exercício que é possível ser feito para aprender a ser solidário é sempre prestar muita atenção ao outro, o que o outro está querendo me dizer, ainda com um gesto, ainda com uma palavra, seja o seu filho, seja o seu vizinho, ou ainda aquele outro invisível com o qual, você, talvez, sequer vai encontrar um dia".