celular-em-sala-de-aula

Celular na sala de aula. “Os professores têm interesse em fazer com que dê certo”, conclui pesquisadora.

Já não dá mais fazer de conta que o celular não existe nas escolas. Se não permitido, ele invade clandestinamente as salas de aulas por dentro das mochilas, dos bolsos, por debaixo das saias. Faz conexão com seus fiéis usuários por olhares fortuitos entre uma abaixada de cabeça e outra do professor, ou por fones que se escondem entre cabelos e contam com a habilidade de mãos que manipulam o aparelho no universo inenarrável que existe debaixo da mesa de apoio da carteira dos estudantes. Não faltam manobras dos adolescentes para não se desgrudar dele. Se permitido, o celular se mostra um bom companheiro aos professores e um alento aos estudantes ávidos por seu uso a qualquer hora. Ainda assim, o uso do celular como ferramenta pedagógica ainda é um caminho pouco desbravado, mas que já conta com o entusiasmo de muitos professores conscientes da realidade que ronda a escola e que se mostram abertos a experimentar. Foi o que concluiu a pesquisadora Diana Montenegro Ribeiro durante sua pesquisa de mestrado. Na tarde dessa terça, 3, ela defendeu a tese Dialogando com professores: o celular como analisador da relação professor / mídia / aluno, ao Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Diana durante defesa da tese à banca avaliadora

Diana afirma que a postura de usar ou não o celular com os estudantes está ligada à própria relação que o professor tem com a mídia. “Os professores têm interesse de fazer com que dê tudo certo, que os alunos aprendam, mas professores que utilizam bem no seu dia a dia são mais flexíveis ao uso, sabem que pode render um momento bom, não apenas proveitoso, mas produtivo”, conta. A mestra utilizou como uma das metodologias de pesquisa a intervenção pela observação e acompanhamento de um grupo de 35 professores que participava de um curso de Mídia-Educação, proposto pelo grupo de pesquisa de que faz parte, na Universidade. Durante as 64 horas, vividas por sete módulos ao longo de um ano, ela observou como o cotidiano escolar dava conta do acessório que nenhum adolescente quer mais abrir mão. “Percebemos que há usos bem interessantes, alguns mais simples como pesquisas conjuntas na internet e produção de trabalhos, além da formação de grupos de Whatsapp para discussões, mas também propostas mais elaboradas, como uma professora de português que trabalhou clássicos da literatura por encenações montadas e filmadas pelos estudantes e uma professora de geografia que utilizou a fotografia para estimular o olhar dos próprios estudantes para a comunidade onde vivem”, descreve Diana. “Mesmo professores mais fechados, se abriram para o diálogo”. concluiu a mestra. No Ceará, pela Lei nº 14.146, de 25 de junho de 2008, o uso do “telefone celular, walkman, discman, MP3 player, MP4 player, iPod, bip, pager e outros aparelhos similares”, ainda é proibido. A Lei dá respaldo a professores que não estão dispostos a tentar o uso pedagógico, mas não invalida iniciativas de maior aproximação dessa mídia com a escola. A escola do seu filho costuma inovar por esta iniciativa?