Grupo Fantasia

“É na família que a gente constrói toda a base de respeito ao outro”

REPORTAGEM ESPECIAL CRIANÇA DE SER SOLIDARIEDADE
PARTE 2

“A sensação é de que temos falhado nessa educação das crianças”, declara a psicóloga Sarah Castelo Branco quando se refere à desconstrução gradual, na criança pequena, de um “individualismo natural”, de ainda não saber compreender o outro, de não saber pôr-se no lugar do outro. Até o os cinco anos, segundo Sarah, é comum o egocentrismo infantil, porque é natural até pela sobrevivência dela, que as atenções, os cuidados da casa, dos universos em que ele vive sejam centrados nela. O bebê deve estar no centro, é natural. Com os passar dos anos, isso deve ser desconstruído. “Aos poucos, com carinho e exemplos, a criança deve ser inserida em outro processo, no de olhar o outro, no de olhar menos para dentro e mais para fora de si, que existem pessoas além dela, que os problemas nem sempre são só do outro, que elas cresçam tendo a dimensão do mundo para além da porta da casa delas”, explica Sarah.

Com pós-graduação em neuropsicologia, Sarah dedica-se ao atendimento clínico de crianças e adolescentes há dez anos, ainda concomitante a experiências também na saúde pública, quando integrou o Núcleo de Apoio à Saúde da Família. Ela é enfática ao afirmar que vivemos em um mundo cada dia mais “egoísta, competitivo, consumista, acumulador”. “A desconstrução, ainda na infância, desse egocentrismo tem sido muito raso. É muito comum, cada vez mais, vermos adolescentes, adultos achando que o mundo gira em torno do próprio umbigo, possessivos, competitivos demais, que veem o outro sempre como rival, que não sabem dividir, principalmente, os que têm uma condição mais favorável, que nascem em famílias muito reduzidas, o que é muito comum hoje. Antigamente, o menino tinha cinco, sete irmãos, dividir era natural. Hoje não. A responsabilidade dos pais é muito grande. Muitos crescem com esse sentimento de que tudo é dele, é para ele, ele é o centro”, esclarece.

As consequências desse comportamento de adultos que não tiveram o egocentrismo desconstruído, ainda crianças, conforme Sarah, se refletem, principalmente, nos relacionamentos. “É alguém dificílimo de lidar, que não aceita outras opiniões porque ele é o centro! Quase sempre são profissionais que não duram nos trabalhos, não reconhecem o que é equipe, divisão, empatia. Não entendem a compreensão básica de que existe um outro para além dele, direitos de outras pessoas que precisam ser respeitados. Em relação à solidariedade, então. Não entendem. Eles sofrem muito. São propensos ao isolamento, à depressão”, lamenta.

Engajamento social infantil
Sarah acredita que a solidariedade é o caminho mais confiável para formamos indivíduos mais humanos e sociáveis. Segundo a psicóloga, o engajamento social infantil é o que garante, desde cedo, o equilíbrio emocional e a compreensão do eu social e a desconstrução do egocentrismo.

“Precisamos resgatar essa desconstrução. E a base é a família, principalmente, a família, o que a criança vê e vive na família, é lá que a gente constrói toda a base de respeito ao outro, de cidadania. A solidariedade nas pequenas coisas, no dia a dia, isso significa resgatar uma geração inteira! Se a criança, desde cedo, vê os pais ajudando o outro, preocupado, de fato, em resolver o problema do outro, se vê o respeito dos pais pelo outro, seja no trânsito, seja dando ao outro o que lhe sobra, seja dedicando tempo, conhecimento não pela troca simples do dinheiro, isso fica para sempre como um dos valores mais essenciais da personalidade dela, o que vai garantir que ela seja um adulto mais tolerante, mais prestativo, mais realizado, mais feliz”, defende Sarah.

Sarah descreve ainda o risco da “solidariedade fake”. Segundo ela, há pessoas que fazem doações pontuais somente para tirar foto, postar no Facebook, construir uma imagem de bondade que não existe. Para as crianças, isso é ainda mais perigoso, porque não é tratar o outro como um igual, mas imprimir na ação o sentimento de esmola, de favor. “O ideal não é tratar a solidariedade como uma ação seca, de levar as doações uma vez por ano, entregar e pronto. Não. O ideal é que elas possam vivenciar isso, e não só dar algo, mas levar as crianças para brincar com as outras crianças, passar um tempo, ir outros dias”, resume Sarah.

Rotina solidária desde cedo
Na casa das irmãs Gabriela, 31, e Denise Ferreira, 28, o aprendizado da solidariedade foi algo tão natural que elas nem lembram os pais comentando sobre a palavra em si, mas vivendo o valor dela dia a dia. “Antes de a gente nascer, as coisas já eram postas dessa forma aqui em casa. Nossos pais sempre foram muito prestativos. Crescemos com os vizinhos vindo aqui em casa pra minha mãe fazer curativos, dar conselhos... com o meu pai sendo chamado para consertar portar do vizinho, encanamento, luz.. essas coisas”.

Denise, Dona Fátima e Gabriela

Denise, Dona Fátima e Gabriela

De acordo com Gabriela, na casa onde nasceram e moram até hoje, sempre teve um quarto a mais para acomodar alguém que estivesse precisando. “A gente até brinca que aqui é hotel, porque sempre teve alguém diferente do nosso núcleo familiar, precisando de ajuda, e a minha mãe acolhia”, explica.

Mestra em História, estudante de psicologia, Gabriela acredita que a história de solidariedade da família vem muito da época dos avós e pode ser explicada pela necessidade de se ajudar até mesmo para sobreviver. “Como nossa família sempre foi muito pobre, tinham mesmo que ir se ajudando para conseguirem criar os filhos, sobreviverem. Então, é um valor construído pela necessidade mas que moldou o modo de ser de todos nós. A empatia é muito forte aqui”, considera.

A mãe Antônia de Fátima Ferreira Barbosa, 63, técnica em saúde bucal, diz que, ainda que tenha sido um valor construído desde a época da mãe dela, sempre se preocupou para que as filhas pudessem ser formadas da maneira mais humana possível, que soubessem respeitar, ser solidárias. “Eu entendia que os nossos exemplos dentro de casa eram o melhor caminho”, compreende dona Fatima.

Grupo Fantasia

Grupo Fantasia

Integrantes de uma comunidade espírita em Maracanaú, que dona Fátima ajudou a fundar, Gabriela e Denise, ainda adolescentes, também viveram a criação do Grupo de palhaços Fantasia, que leva momentos de alegria e bem-estar a crianças internadas em hospitais e em situação de abrigo, na cidade metropolitana.

O Fantasia nasceu há 16 anos, numa época como esta, Dia das Crianças, a partir de uma atividade realizada pelo grupo espírita, e existe ainda hoje, com a participação ativa das três. “É muito recompensador esse trabalho. Como mãe, é muito bom ver o envolvimento delas. É ver a compreensão delas na prática, sobre a caridade, sobre a solidariedade, sobre amar o próximo, sobre compreender o outro e a necessidade dele, para além da sua. Desde muito cedo, elas sentem isso, pelo retorno das pessoas, pelo olhar”, reflete dona Fátima.

Gabriela tornou-se mãe recentemente da menininha Isabela, de 1 mês, e assegura que os valores serão repassados à filha. “Quero que a minha filha cresça vivendo a solidariedade sem que, um dia, eu precise lhe explicar sobre isso. Eu penso que viver a solidariedade é também dar sentido à vida, de ter um propósito, de se sentir útil, saber que existe algo mais valioso que o dinheiro, do que o ter. É ajudar o outro em um mundo que é cíclico, daqui a pouco, sou eu que posso precisar de ajuda. Ninguém vive sem o outro”, lembra Gabriela.

Com outros voluntários

“Nenhum discurso em casa, falando sobre solidariedade, substitui o que eles vivem aqui”

REPORTAGEM ESPECIAL CRIANÇA DE SER
SOLIDARIEDADE - PARTE 1

Tina soube que a vida poderia ser muito mais no limiar de uma possibilidade de ser menos. No meio do alvoroço de viver a notícia triste e toda angústia de um dia a dia incerto, desconstruíram-se verdades e significados de felicidade. A vivência de uma solidariedade real chegou para Tina quando a mãe dela encontrou-se portadora de um tumor cerebral, ainda em 2001. Como que pela fresta estreita daqueles sentimentos aparentemente inóspitos, de medo e vulnerabilidade, Tina se viu forte e transformadora. Transformada.

Lidar com o câncer da mãe sacudiu conceitos de alegria. Chegaram-lhe aquelas pequenas alegrias tão intensas, tão mais significativas. Tina conheceu mundos, até então distantes demais, mas que se aproximaram tanto que, em certo momento, foi difícil dissociá-los do seu. O filho mais velho nasceu nessa época e na preparação do primeiro aniversário do bebê Fábio, ela compreendeu “que a partir daquele ano em vez de ganhar presentes para comemorar a vida, eu tinha era que agradecer por estar bem, por estar viva”, relembra Tina Pamplona, 42 anos, comerciante, voluntária da Associação Peter Pan (APP) há 16 anos.

 

Tina, o Marido Fábio Queiroz, e os filhos Fabinho e Nina

Tina, o Marido Fábio Queiroz, e os filhos Fabinho e Nina

A primeira festa de aniversário de Fabinho, como é conhecido até hoje pelos corredores do Peter Pan, foi na Associação. Nada de presentes, a festa foi oferecida às crianças em tratamento. E assim são até hoje os festejos de Fabinho e também os da Nina, a filha de 6 anos. Não apenas as comemorações, a rotina da família inteira, desde então, passou a dividir-se pelos dois ambientes: casa e Associação. Tina é muito integrada à instituição, ela e os filhos vivem e convivem com os pacientes e as demandas do Peter Pan por, pelo menos, duas vezes por semana. “Não reconheço mais como caridade, meus filhos não se veem dessa forma, fazendo caridade, principalmente a Nina. Ela passa muito tempo aqui brincando com as crianças, acompanha o tratamento, já entende os limites até onde pode ir com as brincadeira e as ausências dos amiguinhos, em determinados dias; sofre quando essas ausências são ‘para sempre, mas compreende. A morte dói pra eles também, mas foco no valor da vida e em tudo que podemos fazer, sonhar e realizar, enquanto ainda estamos aqui. Foco no valor das pessoas, da saúde’”, compartilha a mãe Tina.

"A morte dói pra eles também, mas foco no valor da vida e em tudo que podemos fazer, sonhar e realizar, enquanto ainda estamos aqui. Foco no valor das pessoas, da saúde"

Aliás, de acordo com a Tina, um dos grandes retornos dessa doação, principalmente, de tempo à Associação, ela enxerga pelos olhos dos filhos. “Em um mundo tão individualista, tão egoísta, competitivo, de pessoas que buscam sempre ter mais, eu os sinto mais humanos. Me emociona vê-los preocupados com o que o outro sente, ajudando, doando o tempo que for necessário para que o outro se sinta melhor, entende?! Nenhum discurso em casa, falando sobre solidariedade para eles, substitui o que eles vivem aqui, quando, na maioria das vezes, nem o pai nem eu estamos perto. Eles vivem uma solidariedade que é natural, que é essência nossa, que deveria ser a prática de todos”, acredita Tina.

Aniversário de Nina, em 2016

Aniversário de Nina, em 2016

REPORTAGEM ESPECIAL CRIANÇA DE SER
SOLIDARIEDADE - PARTE 1

Tina soube que a vida poderia ser muito mais no limiar de uma possibilidade de ser menos. No meio do alvoroço de viver a notícia triste e toda angústia de um dia a dia incerto, desconstruíram-se verdades e significados de felicidade. A vivência de uma solidariedade real chegou para Tina quando a mãe dela encontrou-se portadora de um tumor cerebral, ainda em 2001. Como que pela fresta estreita daqueles sentimentos aparentemente inóspitos, de medo e vulnerabilidade, Tina se viu forte e transformadora. Transformada.

Lidar com o câncer da mãe sacudiu conceitos de alegria. Chegaram-lhe aquelas pequenas alegrias tão intensas, tão mais significativas. Tina conheceu mundos, até então distantes demais, mas que se aproximaram tanto que, em certo momento, foi difícil dissociá-los do seu. O filho mais velho nasceu nessa época e na preparação do primeiro aniversário do bebê Fábio, ela compreendeu “que a partir daquele ano em vez de ganhar presentes para comemorar a vida, eu tinha era que agradecer por estar bem, por estar viva”, relembra Tina Pamplona, 42 anos, comerciante, voluntária da Associação Peter Pan (APP) há 16 anos.

Tina, o Marido Fábio Queiroz, e os filhos Fabinho e Nina

A primeira festa de aniversário de Fabinho, como é conhecido até hoje pelos corredores do Peter Pan, foi na Associação. Nada de presentes, a festa foi oferecida às crianças em tratamento. E assim são até hoje os festejos de Fabinho e também os da Nina, a filha de 6 anos. Não apenas as comemorações, a rotina da família inteira, desde então, passou a dividir-se pelos dois ambientes: casa e Associação. Tina é muito integrada à instituição, ela e os filhos vivem e convivem com os pacientes e as demandas do Peter Pan por, pelo menos, duas vezes por semana. “Não reconheço mais como caridade, meus filhos não se veem dessa forma, fazendo caridade, principalmente a Nina. Ela passa muito tempo aqui brincando com as crianças, acompanha o tratamento, já entende os limites até onde pode ir com as brincadeira e as ausências dos amiguinhos, em determinados dias; sofre quando essas ausências são ‘para sempre, mas compreende. A morte dói pra eles também, mas foco no valor da vida e em tudo que podemos fazer, sonhar e realizar, enquanto ainda estamos aqui. Foco no valor das pessoas, da saúde’”, compartilha a mãe Tina.

"A morte dói pra eles também, mas foco no valor da vida e em tudo que podemos fazer, sonhar e realizar, enquanto ainda estamos aqui. Foco no valor das pessoas, da saúde"

Aliás, de acordo com a Tina, um dos grandes retornos dessa doação, principalmente, de tempo à Associação, ela enxerga pelos olhos dos filhos. “Em um mundo tão individualista, tão egoísta, competitivo, de pessoas que buscam sempre ter mais, eu os sinto mais humanos. Me emociona vê-los preocupados com o que o outro sente, ajudando, doando o tempo que for necessário para que o outro se sinta melhor, entende?! Nenhum discurso em casa, falando sobre solidariedade para eles, substitui o que eles vivem aqui, quando, na maioria das vezes, nem o pai nem eu estamos perto. Eles vivem uma solidariedade que é natural, que é essência nossa, que deveria ser a prática de todos”, acredita Tina.

 Aniversário de Nina, em 2016

A mãe de Tina morreu há quatro anos, mas lhe deixou o maior dos legados. “Compreendi com a doença dela o quanto nós precisamos do outro. Não é que eu fosse egoísta, ruim. Não. E a maioria de nós não é, claro, mas nós nos esquecemos do outro. A gente vive uma rotina tão corrida, diz sempre que não tem tempo para o trabalho voluntário, por exemplo, de que precisa trabalhar para pagar as contas, que nos esquecemos de ser mais humanos, de olhar o outro com mais cuidado. Para mim, que sou mãe, é a certeza de que estou formando seres melhores para conviver com respeito, com tolerância com o outro”, declara.

"Nenhum discurso em casa, falando sobre solidariedade para eles, substitui o que eles vivem aqui, quando, na maioria das vezes, nem o pai nem eu estamos perto. Eles vivem uma solidariedade que é natural, que é essência nossa, que deveria ser a prática de todos”.

Há bem pouco tempo, Tina fundou o JAPP (Jovem Amigo Peter Pan), voltado para formar e realizar ações solidárias pela atuação de jovens de 14 a 20 anos. “Foi pensando no meu filho e na geração a partir dele que eu montei o grupo. Quero muito que outros jovens possam viver o que eles vivem aqui. Eles precisam compreender que juntos eles podem muito mais que estando sozinhos, cada um preocupado com sua profissão, com a sua vida. Sozinhos, a gente não faz nada, não vai pra frente”. A ideia do grupo é também integrar a família: enquanto os adolescentes estão realizando alguma ação, as mães deles, por exemplo, também podem vir para conversar com as mães das crianças e dos adolescentes em tratamento, oferecer um abraço, uma palavra de esperança, ou apenas a companhia, estar perto. "Isso faz uma diferença enorme”, justifica Tina.

No último sábado, dia 30, Nina comemorou o aniversário de 6 anos. Como de costume, comemorou junto com as crianças da Associação Peter Pan. Outra criança dividia com Nina os motivos do festejos, um garoto muito conhecido e querido por todos na instituição. Há sete anos, ele vive a rotina de tratamentos contra o câncer. Diante da chegada dos nove anos do garoto, todos apressaram uma festa improvisada. Era preciso correr. Os médicos estão desanimados. Tina conta que Nina tem ciência de que o amigo pode virar estrelinha a qualquer hora. Nesta semana, Tina nos contou que não foi fácil, "mas foi tão mágico, um dos momentos mais emocionantes de todos os meus anos de Peter Pan", emociona-se Tina.

ASSOCIAÇÃO PETER PAN
Desde 1996, a Associação Peter Pan desenvolve ações de tratamento médico especializado, atendimento humanizado e diagnóstico precoce, fundamental à cura, que é disseminado em cidades do interior, por meio do Núcleo Mais Vida, com projetos de capacitação em sinais e sintomas para profissionais da saúde. Oferece apoio e assistência a crianças e adolescentes com câncer, e seus familiares. Atualmente, conta com 306 voluntários e 78 contratados. De acordo com a Associação, cerca de três mil crianças e adolescentes são atendidas.

Para ajudar como voluntário ou com doações:
Rua Alberto Montezuma, 350, Vila União
Contatos: 4008 4109 / 98892 0135
Site: www.app.org.br

O Especial Ser Criança é uma realização do site www.vidaciranda.com.br. Durante o período de 2 a 29 de outubro de 2017, diversos pais, cuidadores, professores, crianças e pesquisadores falarão sobre as temáticas Solidariedade, Brincar, Formação Cultural das Crianças e Inclusão em publicações diárias e semanais, no site e nas redes sociais do projeto:
Instagram: @vidaciranda
Facebook: @vidaciranda
Twitter: @VidaCiranda

no lar

“Solidariedade é o sentimento que melhor expressa a dignidade humana”

Neste segundo dia do Especial Criança de Ser, trazemos a Irmã Maria da Conceição Dias de Albuquerque, uma das idealizadoras e grande entusiasta do Lar Amigos de Jesus, que dá apoio, assistência, abrigo e carinho a crianças e adolescentes com câncer, em tratamento na Capital, além de cuidar também de seus familiares.

Toda a lógica do Lar funciona a partir de voluntários e doações. A Associação dos Missionários da Solidariedade, onde reside o Lar Amigos de Jesus, existe desde dezembro de 1999. Além do acolhimento institucional e hospedagem, crianças, jovens e familiares recebem seis refeições diárias, transporte aos hospitais e clínicas, roupas, kits de higiene e fraldas descartáveis,  terapia ocupacional e atividades de lazer, como recreações e passeios. Há também ações periódicas de distribuição de medicamentos, cestas básicas, medicamentos, máscaras, cadeiras de rodas, moletas.

É possível também requisitar a Carteira de Identidade e o CPF pela mediação do Lar. Para as famílias, são oferecidas oficinas de costura, pintura em tecido, bijuteria, vagonite, bordados, confecção de bolsas e culinárias. Os resultados das oficinas são disponibilizados em um lojinha na recepção da instituição e a renda revestida numa maior porcentagem aos produtores.

Quem quiser ajudar o Lar Amigos de Jesus, pode doar alimentos, materiais de limpeza e higiene pessoal, roupas, brinquedos, eletrodomésticos, materiais recicláveis, cupons fiscais ou mesmo dinheiro.
SERVIÇO:
ASSOCIAÇÃO DOS MISSIONÁRIOS DA SOLIDARIEDADE LAR AMIGOS DE JESUS
Rua Ildefonso Albano, 3052 - Joaquim Távora
Fortaleza, Ce - CEP 60115-001
Contatos: (85) 3226-3447 / 3067-6565

"Solidariedade é o tema. Solidariedade é o sentimento que melhor expressa a dignidade humana. Aqui, o Lar Amigos de Jesus é um bom exemplo porque aqui se respira solidariedade para com as crianças com câncer. Existem voluntários que realizam ações, atitudes de vida. E aí, a prática da solidariedade é uma constante. Mesmo porque a Associação dos Missionários da Solidariedade somos nós aqui, no Lar Amigos de Jesus. E abraçamos esta causa com tanta alegria que faz com que as pessoas venham até aqui, também motivados por essa solidariedade. Então, é assim: Solidariedade é ser feliz, é fazer o outro feliz, e aí a gente completa todo esse universo de amor ao próximo".

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Solidariedade_Idevaldo Bodião

Professor Idevaldo Bodião abre o Especial Criança de Ser falando sobre a cultura da Solidariedade

Começamos nosso Especial Criança de Ser falando sobre SOLIDARIEDADE. Este tema guiará toda a nossa semana, até o dia 8 de outubro. Hoje, por vídeo, o professor doutor Idevaldo Bodião, aposentado pela Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará (UFC), nos fala sobre a Cultura da Solidariedade. O que é ser solidário?

Todos os dias, passarão pela timeline das redes sociais do Vida Ciranda pais, professores, crianças, psicólogos, acadêmicos versando sobre o tema em questão. Todas as quartas-feiras, uma reportagem. No próximo dia 5, além de conhecermos famílias que vivem intensamente a solidariedade, dando, assim, grandes exemplos aos filhos, vamos ouvir estudiosos para entender por que é tão importante inserir, desde cedo, as crianças em um dia a dia mais solidário.  A Entrevista completa com o professor Idevaldo Bodião também estará disponível! Não perca!  Curta e compartilhe este movimento!
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"O modo de vida como é possível ser vivido na atual sociedade planetária é auto-centrado, egoísta e extremamente voraz e competitivo. Nós estamos o tempo inteiro procurando ser melhor do que o outro pra ter melhores salários e, com isso, nós nos colocamos sempre todos contra todos. Para superar esta forma de estar no mundo é preciso que desenvolvamos uma cultura da comunhão, da solidariedade, do coletivo, do conjunto. E a ideia do solidário, a ideia da solidariedade é tratar o outro como um igual, e pra isso um exercício que é possível ser feito para aprender a ser solidário é sempre prestar muita atenção ao outro, o que o outro está querendo me dizer, ainda com um gesto, ainda com uma palavra, seja o seu filho, seja o seu vizinho, ou ainda aquele outro invisível com o qual, você, talvez, sequer vai encontrar um dia".