Aulas adiadas, ausência de respostas da Prefeitura

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O ano letivo da rede municipal de Fortaleza começou, oficialmente, ontem (28). Mas não na escola dos meninos daqui de casa.

Desde junho de 2019, a Escola Municipal Madre Teresa de Calcutá passa por reforma e ampliação da estrutura física. Segunda-feira (27), véspera do primeiro dia de aula de 2020, fomos informados de que o começo das aulas seria adiado porque ainda não havia condições de acomodar as crianças na nova estrutura, visto que, também, a antiga estrutura já está em obras. Ouvimos também que não havia previsão de início.

De fato, acompanho de perto todos os esforços da gestão da escola e sei que não depende apenas dela. No último sábado (25), boa parte do meu dia foi dedicado à limpeza e à organização possíveis (em meio à muita poeira), na escola, junto com direção, coordenação, professores, numa força tarefa para tentarmos validar o compromisso com a comunidade para que este ano se iniciasse dia 28. Mas não deu.

Por que não deu?
Dois pontos me incomodaram bastante nesse adiamento: 1°) A visita do coordenador do Distrito de Educação 4 , Fred Secundino Gomes , à escola, aconteceu na segunda-feira, dia 27, véspera do início oficial do ano letivo da rede. Dia em que se tomou a decisão de adiar. Por que a visita, o aparente acompanhamento das obras mais de perto, apenas na véspera das aulas? 2°) Não havia previsão de começo. Como assim?

Ainda na segunda-feira à tarde, busquei Fred no Distrito 4. Também como Conselho Escolar, segmento Pais, de que faço parte. Eu precisava de respostas. Fred confessou que o ritmo das obras havia diminuído em janeiro. Por quê? Algum atrito com a Construtora responsável? Não ouvi justificativas relevantes. Fred também não sabia quando começaríamos o ano. “Talvez próxima quinta-feira; talvez, segunda-feira”. Exigi uma data. Saí com a segunda-feira próxima, dia 3/2.

Por termos sido avisados na véspera, não deu tempo avisar muitas famílias, que ontem levaram os filhos à escola e tiveram que voltar com as crianças na mesma pisada.

AUSÊNCIA DE RESPOSTAS DA PREFEITURA

De acordo com o perfil pessoal da rede Instagram, da secretária municipal de educação Dalila Saldanha, a escola onde Gabriel e Lucas estudam “integra o pacote de requalificações de 200 unidades escolares”, com previsão de entrega em junho de 2020.

Em 29 de novembro de 2019, o portal G1 publicou que 253 escolas públicas das redes estadual e municipal precisavam de reformas estruturais. São 185 escolas municipais e 68 estaduais. No início daquele novembro, a Escola Municipal Mozart Pinto, localizada no bairro Jardim América, em Fortaleza, foi interditada após uma equipe de profissionais da infraestrutura da Secretaria Municipal da Educação (SME) identificar “problemas estruturais na unidade”.

Ainda na tarde da última segunda-feira, dia 27, busquei a assessoria de comunicação da Prefeitura de Fortaleza para saber como estava a situação nas demais escolas da rede municipal que também passavam por reforma. Fred me falou que outras escolas também estavam com aulas adiadas. Procurei saber do setor de comunicação, nesses termos:
– Quantas escolas municipais existem em Fortaleza?
– Quantas estão em reforma?
– Quantas e quais são as escolas em que o ano letivo foi adiado?
– Por que o atraso do início das aulas? Há alguma nota oficial da Prefeitura?

Quantas crianças mais estão sem aula? Não obtive resposta até a publicação deste artigo, nesta quarta-feira, 29.

Desde segunda-feira também, busquei conversar com a empresa IGC Empreendimentos Imobiliários Ltda, responsável pelas obras na Escola Madre Teresa, por seu sócio administrador Cristiano Gurgel Silva. A empresa ganhou a licitação para reforma e ampliação da unidade. O contrato entre Prefeitura, para a obra específica na Escola Madre Teresa de Calcutá, e IGC foi publicado no Diário Oficial do Município número 16.483, do dia 15 de abril de 2019. Nas tentativas de contato, fui informada de que Cristino estava ausente ou em reuniões.

….

Não se trata de brigar por nada. “São só cinco dias”/ ” Vai ser ou quinta ou segunda. Calma”.

“Ou”? Inaceitável.

Trata-se de respeito. Respeito pelo compromisso com centenas de famílias e crianças que se planejam e criam expectativas para começar o ano escolar, rever amigos, professores, usar o lápis ou o caderno novo…

Trata-se de respeito pela Educação Pública.

Reforço neste artigo que não questiono a necessidade do adiamento das aulas, pelo menos na unidade em reforma que acompanho de perto, que é a escola dos meus filhos. Ponho em cheque o que não foi feito para cumprir o compromisso com a comunidade para que as aulas tenham começado, de fato, no dia 28 de janeiro. Para mim, isso é muito sério. Faltou acompanhamento das obras? Por que elas diminuíram o ritmo em alguns momentos? Há atritos entre Prefeitura e IGC? O dinheiro está sendo repassado, conforme contrato? Certamente, não estava no planejamento o adiamento, algum problema houve. E como está a situação nas outras unidades em reforma? Quem responde pelos sábados letivos a contragosto, de reposição de aulas, que, certamente, professores e crianças terão que viver para dar conta dos erros de previsão de entrega das obras?

Ignorar isso e aceitar a falta de uma previsão correta de término parcial ou total de obras públicas é também compactuar com tantas obras públicas não-concluídas, que se arrastam, sem tempo de conclusão fiscalizado e exigido. É sobre o dinheiro de todos nós que está em jogo. É sobre a qualidade da educação pública pela qual lutamos.

E para quem me fala: “É por isso que eu não coloco meus filhos na escola pública”, eu falo, com muito orgulho: “É exatamente por isso que eu coloco meus filhos na escola pública”. Eu estou usufruindo e fiscalizando o uso no meu dinheiro e lutando pelo exercício da cidadania consciente também de quem vem depois de mim.

Gabriel, de 7 anos, participou de todo processo do meu lado. Estava comigo na reunião que tive com Fred, coordenador de Educação do Distrito 4. Diante da pergunta sobre por que as aulas dele não iriam começar na terça, dia 28, tivemos um bom papo sobre serviços públicos, direitos, deveres, cidadania e participação.

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