Folha Curió é protagonismo da juventude, é identidade e orgulho para a comunidade

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Muito mais que conteúdos de interesse da comunidade, a Folha Curió é identidade. Pensada pelo estudante de jornalismo Daniel França, 22, morador do Curió, o jornal multiplataforma comunitário vem crescendo em alcance, equipe e reconhecimento. Prestes a lançar sua 4ª edição, em menos de seis meses de funcionamento, a Folha é composta por um grupo de cerca de 10 jovens inquietos e apaixonados pelo local onde moram e já reúne histórias de engajamento e aproximação, não apenas com as pessoas da comunidade, mas de outros bairros. “Queríamos um jornal com a nossa cara, sem cunho comercial”, apresenta Daniel.

A ideia do Daniel ganhou, inicialmente, acolhimento e realidade ao lado do agente cultural Talles Azigon, 29, condutor da Biblioteca Comunitária Livro Livre Curió. Pouco tempo depois, juntou-se à dupla a arteeducadora, licenciada em Dança e pesquisadora de urbanidades Patrícia Lopes, 29. O chamado à mobilização e ao protagonismo logo foi atendido também pela graduanda em Ciências Socais Ingrid Pontes, 23. “Começou assim. As pessoas foram chegando, se identificando com a proposta, viram que fazia sentido. Dos encontros iniciais, vimos que tínhamos muitas ideias, muitas pautas, e o grupo foi crescendo. Por exemplo, não estava previsto que eu ficasse, eu ia escrever só uma matéria, mas foi acontecendo. Hoje, somos cerca de 10 pessoas fixas”, relata Patrícia.

Patrícia, Ingrid e Daniel

Para cada edição é eleita uma temática que costura todo o conteúdo do material, sempre conectado com a realidade que eles sentem no bairro onde foram criados. “Queremos levar voz e consciência às pessoas. É uma responsabilidade muito grande porque estamos construindo uma identidade não apenas para quem vive aqui, mas quem vem de fora”, destaca Ingrid. Segundo ela, a força da publicação está no compromisso que eles sempre tiveram de elaborar e desenvolver ideias não apenas por um grupo de 10 pessoas, mas com a ajuda de uma comunidade inteira. “Como um grupo pequeno pode trazer uma identidade? Que identidade é essa? Então, conversamos com muita gente. E vimos amadurecendo muito nesse sentido”, reconhece Ingrid.

Ingrid conta que nem sempre é fácil fazer com que os próprios moradores olhem para suas terras com orgulho. “Ainda mais em um bairro periférico, que sofre muita negação que vem também de fora, pelo que os jornais grandes trazem e a televisão passa. Não é só violência, não é só chacina. A gente produz coisas, temos muitos potenciais! É dar ver o que nós somos e dar a entender para nós mesmos do que somos capazes positivamente, o que temos aqui. É nesse fluxo que a gente vai caminhando entre as pessoas que nos representam e como a gente funciona dialogando com a cidade inteira”, analisa Ingrid.

Se antes eles buscavam colaboradores, hoje já não dão conta do tanto de gente que se enxerga no jornal, se orgulha e, cada vez mais, se sente convidado a participar. “Muita gente quer colaborar, temos um grupo fixo, mas sempre aparece pessoas interessadas em fazer parte”, descreve Daniel. Todo o processo de escrita e diagramação é feito pela equipe fixa, que se subdivide em pequenos grupos. O jornal conta também com participações pontuais de pessoas de fora do bairro.

A circulação do jornal acontece dentro e fora da comunidade. A distribuição é feita, muitas vezes, com a equipe a pé, pelas ruas do bairro, e por amigos que o levam para outros espaços. O idealizador Daniel conta que foram impressos 500 exemplares para as duas primeiras edições. Na terceira edição, o grupo dobrou a quantidade impressa. “Mil exemplares com oito páginas coloridas”, comemora Daniel.

“Quando fazemos a distribuição de casa em casa, ouvimos muito ‘Ah, o Curió tá chique, já tem até jornal’. Então, já tem aquela admiração. No começo, é um misto de medo e curiosidade. Depois, só orgulho. Querem pegar para si e para os amigos”, descreve Daniel. “Percebemos o quanto trabalhos pequenos, mas cheios de significado, têm grande alcance”, emenda Ingrid.

As reuniões de preparação do jornal são realizadas  “na biblioteca [Livro Livre], na pracinha [11 de novembro], na Floresta [do Curió], onde dá”, explica Daniel. O Grupo não tem sede própria ainda. A Folha do Curió é impressa em um gráfica no centro de Messejana. Grande parte do dinheiro para tornar real o sonho do jornal vem do patrocínio de comerciantes locais, ações de arrecadação, como bazares, e de doações.

A  próxima edição está prevista para ser lançada ainda neste março, com a temática que aborda o olhar das crianças sobre o bairro e sobre as brincadeiras tradicionais. A equipe promete entrevistas, reportagens e dicas pensadas por meninos e meninas da comunidade Curió, conscientes já de si como sujeitos de direitos e partícipes do seu papel de cidadão.

Para fazer doações à Folha Curió:
Equipe Captação de Recursos
Vinícius – 98784 8259
Daniel – 98505 6990

Para saber mais:

Blog: folhacurio.wordpress.com
Instagram: @folhacurio
Face: facebook.com/folhacurio

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