Igualdade de gênero. Por que é tão importante?

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Se queremos construir uma sociedade mais justa, devemos centrar esforços na educação das crianças. As palavras, os exemplos, as linguagens e os valores que difundimos a elas e no entorno delas são determinantes para a formação de sua personalidade. A igualdade de gênero é uma das vertentes da formação igualitária. A nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie é das mulheres que levantam a bandeira do feminismo limpo, sem estereótipos deturpados. Ela acredita na menina e no menino que crescem com autonomia a partir da consciência natural da igualdade de direitos e deveres na relação estabelecida entre eles, sempre.

No formato de uma carta, o livro Para Educar Crianças Feministas é um manifesto de quinze sugestões que Chimamanda escreveu a uma amiga, quando esta, recém mãe de uma menina, lhe perguntou como educar uma criança feminista. A autora parte da completude que cada mulher deve buscar em si e no seu dia a dia, não apenas como mãe. Ela cita, a exemplo, a jornalista americana Marlene Sanders, primeira mulher a ser correspondente na Guerra do Vietnã, que uma vez deu este conselho a uma jornalista mais jovem: “Nunca se desculpe por trabalhar. Você gosta do que faz, gostar do que faz é um grande presente que você dá à sua filha”. Assim, sem culpas, assumindo a mulher que é feliz não apenas como mãe, Chimamanda traz desde a necessidade de a mãe dividir a igualdade de papéis com o pai, passando pela necessidade de estimular o hábito de leitura nas crianças, como base de um processo fundamentado de agente social, até ensinar as crianças a dizerem não, quando o não expressar seus reais sentimentos ao que está sendo posto.

Eu gosto muito da autora, da maneira como escreve, como se posiciona. Eu a conheci ainda em 2009 quando vi  o vídeo da palestra TED O Perigo de uma Única História, pela primeira vez. Até então, confesso que eu nunca havia pensado sobre os riscos de difundirmos entre as crianças estereótipos de pessoas, comportamentos, situações, realidades. Como empobrece, limita, desrespeita e espalha preconceitos versões únicas de tudo. Venho aprendendo que lidamos com recortes o tempo inteiro, interpretações. Está no conceito dos estereótipos o racismo, a xenofobia, o machismo, as intolerâncias.  Desde quando ouvi Chimamanda, naquele vídeo, há quase 10 anos, me vigio para não ser limitante, deixo claro que aquele é apenas o meu jeito de enxergar o mundo, me permito a ouvir sempre e estar aberta para o que o outro tem a dizer, me permito mudar de opinião. Dentre outros, Chimamanda escreveu também os livros Sejamos Todos Feministas, AmericanahMeio Sol Amarelo, Hibisco Roxo e No Seu Pescoço. 

De leitura leve e rápida, Para Educar Crianças Feministas é repleto de exemplos vividos pelas duas amigas de infância em diferentes momentos da vida delas que, no mínimo, nos estimulam à reflexão sobre nossas posturas e comportamentos diante das nossas crianças e da sociedade que queremos.

 

SERVIÇO:
Para Educar Crianças Feministas – Um manifesto
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras, 2017.
Preço médio: R$ 10.

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