Museu Brinquedim e a poética do brincar em todas as idades

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Um espaço todo dedicado ao Brincar, o brincar livre, repleto de fantasia, imaginação, simplicidade; o brincar de sorrisos, abraços, amizade, liberdade, interação com o outro e com a natureza, o brincar de arte como essência. O Museu Brinquedim foi a descoberta bacana desses dias mais recentes. Na verdade, eu já o conhecia por vídeos, fotos e comentários de amigos. Conhecê-lo pessoalmente foi ainda mais encantador!

Localizado no município de Pindoretama, a cerca de 60 km de Fortaleza, O Museu Brinquedim é o sítio da alegria idealizado pelo artista plástico Antonio Jader Pereira dos Santos, mais conhecido como Dim Brinquedim. Abriga um acervo de cerca de 500 peças, todas de autoria de Dim, em um espaço de 372 m², rodeado por uma ampla área externa de circulação e uma reserva de vegetação nativa de 14.000m². São brinquedos, esculturas e telas, de pequenas e grandes dimensões, criados ao longo de 40 anos de atividade artística, ativamente brincante.

O espaço é convidativo para o brincar por todos os lados, desde o terreiro amplo com os brinquedos bonecos (ou bonecos brinquedos?) gigantes até a pausa para ir ao banheiro. Por todo canto, há ludicidade, imaginação, fantasia, colorido e brincadeira.

De acordo com Ângela Madeiro, esposa de Dim e presidente do Instituto Brinquedim, a proposta de todo o espaço Brinquedim é uma imersão sensorial na experiência lúdica por uma experiência partilhada. “A proposta é que a brincadeira seja parte do cotidiano não só das crianças, mas do adulto, como uma forma de fortalecimento emocional. Todo dia, você deve buscar nas experiências mais simples, nos contatos com amigos, nas conversas, na observação da natureza, buscar a alegria, porque é ela quem vai fortalecer o cotidiano“, explica Ângela.

Uma característica muito bacana do Museu é a interação. As crianças podem brincar com as peças expostas. “O Museu é pensado para estimular a criança a desenvolver os sentidos, a refinar o olhar. As peças em si já atraem as crianças, mas as peças têm um objetivo além com a pintura, o design, possuem formas que influenciam as crianças a se inserirem nesse universo das artes plásticas. Então, sem querer, elas estão educando o olhar, a percepção”, reforça Ângela.

Outro valor importante difundido por Dim e que norteia o funcionamento de todas as atividades do Museu é o não consumismo. Dim enfatiza que não se precisa de um objeto específico para brincar, porque o brincar é, por si, a invenção e a interação com o outro.

 

O Museu Brinquedim foi aberto em 2002. Isso mesmo, ele existe já há 17 anos! Dim produz “o tempo todo”, como ele mesmo gosta de destacar. Segundo ele, a fonte de toda inspiração diária é, principalmente, a alegria e a persistência de nunca desistir. Além de leituras, conversas com amigos, participação em eventos, biografias de artistas que lhe são referências, como os cearenses Batista Sena, José Tarcísio e Aldemir Martins.

Das suas produções, Dim diz que se identifica com os bonecos no estilo João Teimoso, brinquedo que conheceu ainda menino nas feiras de Camocim, cidade onde nasceu. “Eu me identifico com a teimosia. O movimento do João Teimoso me encantou. E fui curiosamente saber como funcionava. Descobri que o movimento é a persistência, nunca desistir dos seus ideais, caiu-levantou. Com a habilidade de construir brinquedos, que eu adquiri por vir de uma família de artesãos, comecei a fazer bonecos parecidos”, relembra Dim.

Saiba mais sobre o Dim nesta entrevista que ele deu ao Catraca Livre:

Sobre os valores que Dim “espalha para as famílias” pela sua arte, a partir das infâncias de hoje, ele ratifica que “para brincar basta tempo e imaginação. Isso já é algo muito grande porque o melhor brinquedo para uma criança é outra criança, é o valor da alegria, da persistência, do não desistir. A brincadeira traz também isso para as crianças. O mundo é maravilhoso, mas para encarar o mundo é preciso ter uma infância muito legal. Eu tive uma infância maravilhosa, com muitos amigos, muito cheia de fantasia, e isso me fortaleceu. A vida não é uma moleza, é barra pesada. E é a infância que sustenta. Se você teve uma infância feliz, você tem mais condições de encarar o dia a dia“, reflete o artista.

Quando pensa sobre as famílias atuais e as relações entre pais e cuidadores com suas crianças, Dim aponta a comunicação como o grande problema dos vínculos enfraquecidos. “Falta mais comunicação, mais integração, mais espaços e tempos de convivência. As famílias estão precisando brincar mais, sair mais e tirar essa coisa do medo. É vendido pra gente a coisa do medo o tempo todo. Precisamos estar mais livres para brincar feliz com nossas crianças”.

Diante de um questionamento sobre o futuro, Dim resume em “não tenho algo certo, é isso, é livre, eu vou só brincando, aqui no ateliê, produzindo, viajando”. No ateliê, Dim conta hoje com três funcionários que o ajudam na fabricação das peças.

Roteiro de Visitação
Para a visitação ao Museu Brinquedim, há um roteiro interessante: além da monitoria dentro do Museu e bastante interação com as peças, há a visitação ao ateliê do artista, onde ele conversa sobre sua infância, inspirações, técnicas e materiais utilizados para fazer os brinquedos. No bete-papo com os visitantes, Dim exibe alguns dos seus brinquedos como o cavalinho, a lambreta de talo de carnaúba e o monociclista de lata, estimulando a criatividade de adultos e crianças para a criação de brinquedos com materiais reciclados ou colhidos da natureza. Dim combate veementemente o consumismo, a solidão e o individualismo presente na vida das crianças contemporâneas, alertando os visitantes de que o melhor brinquedo é a brincadeira partilhada com amigos.

Logo depois, os visitantes são levados para a Trilha do Saci, numa pequena caminhada que segue da casa sede do museu a um espaço com uma escultura do Saci. Durante o percurso, diversas espécies de vegetação nativa são apresentadas ao visitante, que é alertado para a importância de preservá-laa fim de que seja mantido o equilíbrio da vida. O espaço do Saci é um espaço onde a magia das lendas do Brasil é relembrada.

O ingresso para acesso ao Museu é R$15 (inteira). Para grupos acima de 10 pessoas, todos os visitantes – adultos e crianças -, pagam R$ 7,50 (meia). Há espaços para fazer lanches, piqueniques com as crianças, mas não há lanchonetes. Importante levar água e comida para uma manhã ainda mais relaxada e tranquila com as crianças.

Dim também vende peças no Museu. Os preços você pode conferir já pelo site. Aqui, os meninos voltaram com rói-róis lindos, bem resistentes, que compramos por R$ 10 cada.

O Museu funciona de terça a domingo. De terça a sábado, das 9h às 17h. Domingo, das 8h30min ao meio-dia.

Antes da visita, é necessário agendamento prévio: 
(085) 992549637 museu@museubrinquedim.org.br

Endereço: Estrada da Coluna, Km 20, Alto Alegre, Capim da Roça, Pindoretama, Ceará.
Põe o endereço no Google Maps ou no Waze que dá muito certo!

Imagens: Sara Rebeca Aguiar e Natália Xavier

Um espaço que vale muito a pena conhecer com as crianças. Gostou? Compartilha com os amigos!

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