“O professor não tem que focar na Educação Integral, como chamam no Brasil. Deve-se focar na criança. Deve ser uma abordagem holística”

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Fortaleza, CE, Brasil, 23-05-2017: Filip de Fruyt, pesquisador belga, fala sobre a importância das competências socioemocionais na educação. (Foto: Mateus Dantas / O Povo)

Para além de ensinamentos que primem o conteúdo e um número limitado de habilidades, selecionadas a partir do que a escola atual considera como mais importante, é preciso focar nas habilidades socioemocionais dos estudantes. É preciso olhar para a formação holística das crianças, sob pena de formamos indivíduos despreparados para o principal desafio que a sociedade futura exigirá e já exige em vários contextos, atualmente: o de relacionar-se com os outros e o de saber reconhecer-se na comunidade partindo de seus potenciais, desenvolvendo sua própria individualidade, fazendo o que gosta.

A visão de educação para o futuro vem do psicólogo, professor da Universidade de Ghent, na Bélgica, Filip de Fruyt, também pesquisador do Instituto Ayrton Senna. Em entrevista ao jornal O POVO, publicada nesta segunda (21), o professor Fruyt defende que a educação precisa conhecer todas as partes que são importantes para ligar as habilidades aos resultados e às características socioemocionais mais tarde. “Podemos pensar na longevidade, em como as pessoas vivem juntas, na cidadania, nos desafios ambientais, comportamento ecológico, sustentabilidade, sociedades multiculturais, e assim por diante”, enumera.

Foto: Mateus Dantas / O POVO

Filip defende que devemos preparar as crianças a se adaptarem, inclusive, a mudanças por que passam todas as profissões ligadas às habilidades, porém, tendo como base valores como a sustentabilidade. “Surgem novas questões, novos mercados. Nós também temos o problema que nos é posto em termos de sustentabilidade. Precismos cuidar e proteger o meio ambiente (…). Hoje, estamos trazendo pessoas ao mercado de trabalho ou preparando pessoas nas escolas provavelmente para empregos sobre os quais não temos ideia se existirão daqui a 20 anos. Isso implica que devemos preparar os nossos jovens e alunos para lidar com isso“, destaca o pesquisador.

Quanto à atuação do professor, Fruyt explica que prestar atenção às habilidades socioemocionais dos alunos já é algo realizado há algum tempo, “pois percebe  (o professor) que há diferenças enormes entre os alunos da sua sala, e ele tem que focar nelas, não no que vocês chamam aqui no Brasil de ‘educação integral’. Deve-se focar na criança (…). Eu acho que deve ser uma abordagem holística – eu prefiro esse termo”, esclarece.

Sobre o ambiente escolar e a educação das crianças, Filip de Fruyt é veemente:” A escola precisa criar um ambinte no qual uma criança de fato possa ver, brincar e explorar seus talentos”, defende.

A construção de uma nova concepção de educação, conforme explica Filip, passa por uma construção coletiva, um processo de “todos juntos”, um esforço colaborativo“Deve haver também uma discussão em que os pais e os professores e os alunos estejam envolvidos. Acho que os alunos geralmente não são ouvidos nessas discussões, e tudo isso diz respeito a eles”, aprofunda o pesquisador.

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