Que tal construirmos um diorama?

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Dica 22 – FÉRIAS DE BRINCAR

Tudo começou com uma pergunta do Gabriel:
– Mamãe, como eu faço para os monstros que eu desenhei ganharem vida?

Depois de pensar um pouco, lembrei de um dos momentos mais legais que eu vivi em 2017. Durante o 7º Festival Internacional de Teatro Infantil (TIC), no Encontro de Narrativas para a Infância, foram realizadas duas oficinas incríveis: Brincar com Arte Contemporânea, com Denise Nalini (SP), e A Imaginação que Brinca, com Adriana Klysis (PA), que assina o site maravilhoso Caleidoscópio Brincadeira e Arte, cheinho de dicas de atividades criativas para fazer com as crianças.

Experts em imaginação, criatividade e brincar livre, a partir de materiais recicláveis ou inusitados, Denise e Adriana nos guiaram por vivências inesquecíveis. A dica de hoje foi uma delas.

Eu já conhecia os dioramas, mais até relacionados a outras áreas. Por se tratarem de um modo de apresentação artística tridimensional, como as maquetes, via seu uso difundido em diferentes propostas, inclusive para brincar com as crianças, mas nunca tinha me posto a fazer. Com a provocação do Gabriel, achei que era a hora.

Depois de apresentar a proposta ao Gabriel e vermos juntos vários exemplos, Gabriel disse que criaríamos o Mundo dos Monstros. Pensamos em alguns detalhes, como os vulcões que Gabriel quis colocar, mas boa parte da estrutura foi surgindo muito no processo. Para construirmos o Mundo dos Monstros, utilizamos:

– Caixa de um forno elétrico que ganhamos, mas pode ser também uma caixa de sapatos;
– Folhas A4 coloridas e branca, mas pode ser também cartolinas coloridas ou folhas brancas pintadas com lápis de cor ou giz de cera;
– lápis de cor ou giz de cera;
– Fita adesiva;
– tinta guache ou tintas para artesanato, coloridas;
– pinceis;
– linhas barbante;
– pedaços de isopor;
– caixa de ovos;
– papelão;
– pedaços de tecido;
– cola isopor;
– tesoura e estilete.

1. Nossa primeira preocupação foi procurar uma caixa grande e larga. Encontramos esta de um forno elétrico que ganhamos. Depois, reforçamos toda ela com uma fita adesiva, porque tinha uns lados que podiam se abrir. Depois pintamos de branco toda a parte externa e colocamos para secar.

 

2. Enquanto a parte externa secava, fomos pintar pedaços de isopor que se tornariam os movimentadores dos bonecos, em cima da caixa. Também aproveitamos para cortar os desenhos dos monstros que Gabriel desenhou e para colar todos no papelão, para que ficassem mais durinhos. Depois, pegamos a caixa e pintamos a parte interna. Ele escolheu duas cores.

 

Depois, paramos um pouco, porque Gabriel estava meio impaciente já. Fomos tomar banho para almoçar.

Onde estava o Luquinhas? Nesta manhã de dezembro, ele estava doentinho e passou a manhã dormindo. De certa forma, isso nos deu tranquilidade para trabalhar porque, na maioria das vezes, é preciso jogo de cintura para envolver crianças de idades diferentes em algumas atividades. Luquinhas ainda está para experimentar com as mãos, sentir as texturas, espalhar. Gabriel já consegue se concentrar melhor no que está sendo proposto, tem mais coordenação para trabalhos que lidam com detalhes. Sempre que trabalho com os dois, penso em algo específico para o Luquinhas que, não necessariamente, esteja ligado ao resultado final do processo, mas de experimentação dos materiais todos que estamos utilizamos. Na segunda parte de feitura do Diorama, Luquinhas até nos ajudou muito.

Depois do soninho da tarde e Luquinhas mais espertinho, continuamos.
Depois do palco pronto para receber o cenário, a primeira coisa que Gabriel pensou foi nos vulcões. Conseguimos com uma caixa de ovos simular quatro vulcões. Depois dos vulcões colados, eles pensaram em árvores, matinhos, flores, borboletas e lago. Todos, exceto as borboletas que imprimi, foram desenhados por eles, que depois os pintaram e colaram no cenário. Desistiram das flores. Acho que já estavam cansados. Não quiseram mais fazer.

Vieram, então, o sol e o arco-íris. Fizemos com folhas de ofício coloridas.
E Gabriel perguntou?
– Como podemos ter um arco-íris para sempre?
– Bom, que tal pensamos em uma cachoeira? Não sei se o arco-iris vai estar lá o tempo todo, mas é mais fácil vê-lo com a água, assim, em movimento, recebendo a luz do sol.

Conversamos um bocado sobre o processo todo. Fizemos o arco-íris com o tecido de um biquíni velho que eu tinha encostado, com uma estampa bacana de azul e branco, e até que caiu bem para o efeito da água caindo.

 

Já era noite quando começamos a última fase: colocar os moradores no mundo.

Com o estilete, abri finos caminhos no topo da caixa por onde os monstros iriam caminhar, quando os manipulássemos. Cada um dos seis bonecos foi colado a uma ponta de um fio do barbante. O tamanho do fio você pode estipular e depende do tamanho que quer que ele fique suspenso no meio da caixa. Pode ser também outro tipo de fio, até mais fininho, discreto, como fio de Nylon. Utilizamos o que tínhamos em casa.

A outra ponta atravessou o caminho cortado, no topo da caixa, e foi colada ao pedaço de isopor, anteriormente pintado. É importante passar o fio também por dentro do isopor, para garantir mais segurança de que ele não se soltará.

E ficou pronto! Já estava perto das 21 horas.
Foi bom dividir o processo em várias fases, pra que eles não se cansassem tanto, porque também não é tão simples fazer dioramas. Eles curtiram construir comigo e ver o resultado dos esforços deles, ali. Brincaram um bocado. No outro dia, inventaram várias histórias. Mas a empolgação não durou tanto assim. Em dois dias, o diorama já estava no canto. Como ainda estava em bom estado, resolvi pô-lo na parede do quarto deles, que curtiram!

Você pode fazer o seu diorama com cenários e materiais diversos, com caixas maiores ou menores. Se for para fazer com as crianças, não despreze a opinião delas, por mais doidinhas ou fora da lógica “normal” que elas possam parecer. Imaginação é isso. Permita-se criar mundos fora da lógica que você, adulto, conhece. Ouça as crianças sempre. É importante que a brincadeira tenha a cara do que elas imaginaram.

Sempre quando penso em atividades assim, mais artísticas com eles, me preparo para uma dose extra de paciência, tão necessária no processo, a fim de que o momento seja leve e divertido, e para um possível desinteresse deles depois. No fim das contas, o valor está no construir juntos, em dividir momentos de aprendizado com as crianças, porque a criação de algo é puro aprendizado para todos que se envolvem. O saldo mais valioso é o tempo juntos, a experiência com diferentes materiais, as gargalhadas e as lembranças que ficam desses momentos.

Espero que se divirtam com essa dica. Vou adorar receber fotos dos dioramas de vocês! =D
Até a próxima!

 

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