Um dia na aldeia Jenipapo-Kanindé. Vem para a 2ª edição do Experiência!

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Neste mês em que muitos de nós lembramos mais fortemente a cultura indígena, quase sempre, como uma data comemorativa, o Vida Ciranda quer levar para as crianças uma riqueza de conhecimento prático que extrapola a visão limitada de um dia único no calendário. Vamos aprender quem foram e são os índios por eles próprios? Vem com a gente para a 2ª edição do Vida Ciranda Experiência! Vamos passar um dia inteirinho na comunidade indígena Jenipapo-Kanindé, no espaço Lagoa Encantada, em Aquiraz. O convite é para viver com as crianças um pouco dos modos de vida da aldeia, hoje, interagir, conhecer e conversar sobre as rotinas e as lutas do povo indígena.

A taxa de participação para adultos e crianças acima de 5 anos é de apenas R$ 95, incluindo toda a alimentação do dia, ônibus ida e volta e programação cultural, com um banho delicioso na sagrada Lagoa Encantada da tribo. Imperdível! Logo abaixo, é possível conferir as promoções para crianças menores de 5 anos, todas as informações para a participação do passeio e como se inscrever. Basta apenas pagar a taxa por depósito ou transferência bancária e pronto! Será inesquecível!

Quem são os índios Jenipapo-Kanindé
O povo Jenipapo-Kanindé é descendente de uma etnia numerosa que, no século XVI, habitava toda a faixa sublitorânea dos atuais estados do Rio Grande do Norte e Ceará, chamada Payaku.

Paiacú ou Baiacú é o nome de um peixe dotado de glândula venenosa, comum no litoral nordestino. O nome Payaku permaneceu na memória dos mais velhos e dos líderes do grupo mas, até o final da década de 1980, os índios costumavam atender apenas pela alcunha de “cabeludos da Encantada”, modo como eram chamados por seus vizinhos não-indígenas.

A denominação Jenipapo-Kanindé, até então desconhecida por eles, foi-lhes aplicada com base em pesquisas históricas pouco aprofundadas, confundindo-os com antigos povos vizinhos, quando o grupo começou a participar dos movimentos indígenas. Mas o grupo adotou essa designação e é como Jenipapo-Kanindé que se auto-designam.

Os Payaku falam unicamente o português, não havendo registros de sua língua original, que talvez se assemelhasse à dos antigos Tarairiú, povos da caatinga que habitavam o Nordeste do Brasil.

São exímios pescadores e agricultores, destacando-se também no artesanato de adereços e utensílios.

Além de escola diferenciada, pousada comunitária (Rede Tucum) e galpão de artesanato, a comunidade mantém o Cine Clube Aldeia e o Museu Indígena Jenipapo-Kanindé, promovendo sessões de cinema, exposições, visitas-guiadas e formações interculturais.

Cacique Pequena
A história de Cacique Pequena se confunde com o movimento de organização dos índios Jenipapo-Kanindé. A “pequena, grande, poderosa”, como as pessoas costumam dizer, rompeu com um costume ainda hoje presente entre os índios cearenses: a exclusividade dos homens na função de cacique.

Em 1995, os índios Jenipapo-Kanindé estavam lutando por reconhecimento na Funai. O antigo cacique havia morrido há três anos e uma mulher se destacava no trabalho da Associação Comunitária de Trairrussú e na defesa da causa indígena. Foi o que levou a aldeia a escolher Pequena como sua representante máxima. A primeira mulher a se tornar cacique no Brasil. 

Ela conta que os índios da tribo a colocaram no centro de uma roda. Os mais velhos disseram que ela tinha voz, eco, garra e força para ser a cacique da aldeia. No início, ela não queria aceitar o cargo. “Dei um grito dizendo que não, não podia”. Mas depois resolveu ceder à vontade do grupo: “Tupã me consagrou”, disse.

Cacique Pequena é casada com Antônio Alves, com quem teve seus 16 filhos. “Com 16 anos tive o primeiro e só parei de ter aos 49 anos. Desses, 13 tive em casa. Só com os mais novos é que fui para a maternidade”, afirma. Após tanta luta pelos índios Jenipapo-Kanindé, Cacique Pequena foi eleita, em outubro de 2015, Mestre da Cultura, título dado pelo edital Tesouros Vivos da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, Secult.

 

Todo mês de abril, é celebrada a Festa do Marco Vivo, momento de reafirmação e intercâmbio de identidades indígenas. O Vida Ciranda participou da festa, neste ano. Abaixo, fotos da festa e muito do que iremos encontrar neste segundo Experiência do ano.

Fontes:
BEZERRA, Roselane Gomes. O despertar de uma etnia : o jogo do (re)conhecimento da identidade indígena Jenipapo-Kanindé. Fortaleza : UFCE, 1999. (Dissertação de Mestrado)

PINHEIRO, Joceny (Org.). Ceará, terra da luz, terra dos índios : história, presença, perspectivas. Fortaleza : MPF ; Funai, 2002. 166 p.

Sites:
https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Jenipapo-Kanind%C3%A9
http://www.indiojenipapokaninde.org/

PROGRAMAÇÃO EXPERIÊNCIA ALDEIA INDÍGENA JENIPAPO – KANINDÉ
Quando: 28 de abril de 2019.
Embarque inicial no ponto de encontro (a divulgar): 7h15min.
Desembarque no ponto de encontro: 18h30min.
OBS: O local de embarque inicial e desembarque final será enviado por e-mail aos participantes com inscrição confirmada. O local é de fácil acesso, central, com estacionamento e de passagem para várias linhas de ônibus.

Programação:
7h10min: Boas vindas
7h15min: Embarque no ponto de encontro (local a divulgar)
8h45min: Chegada à aldeia Lagoa da Encantada (índios Jenipapo-Kanindé), em Aquiraz / Pousada Jenipapo Kanindé / Apresentação dos nossos anfitriões ao grupo
9 horas: Lanche completo inicial
9h20min: Início da trilha para a Lagoa Encantada
9h45min – 10h30min: banho na Lagoa Encantada
11 horas:
– Chegada à Pousada, depois da trilha
– Preparação do Grupo para o almoço
12h: Almoço
13h: Visitação guiada ao Museu Indígena Jenipapo Kanindé
14h: Divisão da turma em três grupos para as oficinas culturais com lideranças indígenas.
14h15min – 15h30min: Início das oficinas de pintura, música e artesanato indígena.
15h30min: Abertura do lanche da tarde
15h45min: Apresentação do Toré
16h15min: Roda de conversa com a cacique Pequena e outras lideranças indígenas sobre o viver indígena hoje e sobre a força e a resistência que os definem ao longo dos anos.
17 horas: Retorno a Fortaleza.
18h30min: Chegada e desembarque no ponto de encontro (local a divulgar)

OBS: Não nos responsabilizaremos por atrasos. Começaremos pontualmente, para que as crianças possam aproveitar melhor todo o dia e possamos cumprir toda a programação.

Quem pode participar?
Este Experiência é aberto a todas as idades.

TAXAS
Taxa individual para adultos e crianças acima de 5 anos: R$ 95
Para crianças de 2 anos até 5 anos: R$ 59
Para crianças até 1 ano e 11 meses: R$ 39. 
Somente 50 vagas.

SERVIÇOS INCLUSOS
Dia inteiro das 7h10min às 18h30min:
– Ônibus ida e volta
– Dois lanches completos (Manhã e Tarde).
– Almoço completo (incluso suco)
– Trilha à Lagoa Encantada
– Visitação guiada no Museu Indígena Jenipapo Kanindé
– Três oficinas culturais ministradas por lideranças da tribo: música, pintura e artesanato.
– Apresentação do Toré com adultos e crianças indígenas
– Roda de conversa com a Cacique Pequena e educadores da Escola Indígena Jenipapo Kanindé
– Presente-surpresa Vida Ciranda
– Kit Primeiros Socorros (coletivo)
– Toda a produção, apoio e acompanhamento da equipe Vida Ciranda: Sara Rebeca Aguiar, Cássia Alves e Kim Carvalho.

PAGAMENTO

1. O pagamento deve ser realizado por depósito ou transferência bancária na conta abaixo discriminada até o dia 27 de ABRIL.
2. Logo após o depósito, favor encaminhar o comprovante com nome completo, idade dos participantes para o celular número (85) 98954 7374 ou email: sara.rebeca.ac@gmail.com. Caso a criança seja menor que cinco anos, é necessário enviar também documento que comprove a idade da criança.
3. A inscrição do participante estará sujeita à rejeição, caso o número de inscrição ultrapasse o número de vagas. Nesse caso, haverá a devolução do valor depositado.
4. A ordem de ocupação das vagas será organizada mediante ordem de chegada ao Vida Ciranda do comprovante de depósito e nome completo e idade dos participantes. Assim, é importante que você envie o comprovante e as informações solicitadas logo que o depósito for realizado. Opte por se informar se ainda há vagas, pelos contatos mencionados acima, antes de realizar o depósito.
5. Não nos responsabilizamos pela ausência dos participantes, no dia do passeio, ou atrasos que ocasionem a perda do passeio. O dinheiro não será devolvido, sob estas duas possibilidades anteriores por levarmos em consideração que todos os serviços foram contratados e a quantidade de alimentação providenciada para o número de inscritos até o dia 27 de abril.
6. Caso haja necessidade de cancelamento prévio da participação, com as taxas já pagas, o dinheiro só será devolvido se a comunicação chegar ao vida Ciranda com 48 horas antes do dia do passeio (até sexta-feira, dia 27, pela manhã), pelo mesmo motivo citado no item anterior.

Dados da conta
Banco do Brasil
Agência: 3296-4
Conta corrente: 41.569-3
CPF: 622.527.043-49
Titular: Sara Rebeca Aguiar de Carvalho

OBS: Não serão aceitos inscrições e pagamentos realizados no dia do passeio, mesmo que a quantidade de vagas disponibilizada não tenha sido completada.

ORIENTAÇÕES IMPORTANTES

Cuidado com as crianças
Todas as crianças, sem exceção, devem estar acompanhadas de um responsável. O Vida Ciranda não se responsabiliza pelo cuidado e pela proteção dos menores de idade. Faz parte da filosofia do projeto Vida Ciranda Experiência que pais e filhos aproveitem todo o tempo do passeio proposto juntos.

Crianças até cinco naos
Dentro do ônibus, crianças até dois anos de idade deve ser conduzida no colo dos responsáveis. A partir de dois anos, a criança já terá um assento no ônibus reservado para ela. Cuide para que sua criança esteja sempre perto de você.

Uso do Celular
Que tal se desligar um pouco, enquanto curte esta experiência incrível com sua(s) criança(s)? Use o celular apenas para registros fotográficos. Deixe para usar as redes sociais quando o passeio terminar. Aproveite o dia, aproveite seu(s) filho(s) e toda a vivência multissensorial  que experimentarão juntos! Será inesquecível!

Levar o mínimo
Organize-se para levar o mínimo ao passeio. É indispensável documento de identificação das crianças ( e dos responsáveis. Não ande com grandes quantias em dinheiro, apenas o suficiente para alguma emergência ou consumo extra ao oferecido pelo passeio).

Roupas leves, sandálias ou chinelos, acessórios, cuidados indispensáveis
É essencial ir com roupas leves, que possibilitem movimentos livres do corpo, como camisetas de malha fria e bermudas de tactel, de numeração adequada ao tamanho do corpo.

Sandálias e chinelos confortáveis também são indicados. Tênis é opcional. A trilha é curta e pode ser feita sem os tênis.Além dos calçados, não esqueça toalha, pente, sabonete, peças de roupas extras, para, no mínimo, mais duas trocas para adultos e crianças.

Acessórios muito indispensáveis: bonés e óculos de sol. NUNCA ESQUECER: PROTETOR SOLAR

Garrafinha de água
Pedimos que todos levem suas garrafinhas particulares de água. Lá, teremos água para todos, a fim de reabastecermos as garrafinhas.

Primeiros Socorros
Teremos um kit coletivo de primeiros socorros com: tesoura, termômetro, luvas, anti-alérgico líquido (Polaramine) e em creme (Histamin) para ferimentos e picadas de insetos; anti-térmico e analgésico (Tylenol Criança), antisséptico (Kuramed), álcool em gel para limpeza das mãos, soro fisiológico, seringas, esparadrapo, algodão, band-aid, gazes, ataduras, lenços, repelente de insetos e cotonetes. Caso a criança ou o adulto não utilize algum dos remédios descritos e/ou faça uso de uma medicação específica, não esqueça de pô-la na bolsa.

Cardápio
Será servido lanche e almoço com cardápios que seguem os hábitos alimentares da aldeia Jenipapo Kanindé. No lanche, teremos tapioca, cuscuz, batata-doce, macaxeira, bolos, frutas, sucos naturais, café, chá. No almoço, será servido baião de dois, macarrão, arroz, feijão, peixe assado, galinha caipira, verduras, legumes e suco. Fique à vontade para levar outra refeição, principalmente, para as crianças, que melhor seja aceita ao paladar delas. Prezamos por alimentação saudável, o mais natural possível.

O QUE É O VIDA CIRANDA EXPERIÊNCIA?
O Experiência é uma iniciativa independente da plataforma multimidiática Vida Ciranda, que produz conteúdos especializados em educação e infância, desde julho de 2017. O Vida Ciranda pensa as educações e as infâncias de maneira questionada e questionadora, responsável, comprometida com o meio ambiente, com o outro e consigo por meio de seus atores e vivências. É direcionado, principalmente, a famílias com crianças. É conduzido por Sara Rebeca Aguiar, jornalista e professora há mais de quinze anos; também educomunicadora, pesquisa a relação tecnologia, infância, cidade e literatura infantojuvenil.

Esta é a segunda edição do Vida Ciranda Experiência de 2019. No mês passado, navegamos o rio Ceará para conhecer mais sobre o mangue, sobre os moradores ribeirinhos, sobre o Marco Zero da nossa história, sobre o bairro mais antigo da Capital: Barra do Ceará; tomamos banho no rio Ceará e navegamos até a comunidade Guaié para conhecer a atividade da pesca bem de pertinho, por quem a realiza como atividade de subsistência há mais de 50 anos.

Em 2018, foram realizados 10 Experiências, incluindo passeios exclusivos com escolas. O Experiência foi pensado a fim de incentivar a cidadania infantil desde cedo, no direito a que todas as crianças têm à cidade onde moram. Pelo Experiência, quer se estimular tempo de qualidade e fortalecimento de laços entre pais e filhos, criar vínculos afetivos cidade-criança e sentimento de pertencimento com o espaço onde vivem, além de conhecer na prática ecossistemas naturais e espaços que valorizam tradições, culturais locais e patrimônios materiais e imateriais de um povo. Partimos da concepção de que ninguém cuida direito daquilo que não conhece ou que não tem qualquer laço afetivo, em que a história do lugar não passe também por sua própria história.

Todos os meses, nas primeiras segundas-feiras, é lançado um novo lugar que deve ser experienciado no último domingo do mês em curso. A taxa de participação varia de acordo com o local a ser visitado e o que será oferecido ao participante.

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Artigo anteriorSou sua neta, vó.
Sou professora, jornalista, artesã, empreendedora social digital, mãe do Gabriel, 7, e do Lucas, 4, Esposa do Greg. Filha do Zé Maria e da Teresinha. Inquieta, ansiosa, curiosa, teimosa, aventureira. Sou das que puxam conversa no ponto de ônibus e na sala de espera dos consultórios. Amo ouvir, conversar e conhecer as histórias das pessoas. Encantada pela infância. Vivo grata e despenteadamente.

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